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Alguns ótimos exemplos são:
1) o Escritório de Integridade Científico do NIH (Institutos Nacionais de Saude) nos EUA, que não só educa e treina todos que recebem seus financiamentos, mas, também, recebe denúncias, conduz investigações e pune quando a má-conduta é identificada (https://ori.hhs.gov/)
2) num modelo considerado ideal para um pais pequeno, a Finlândia tem o seu conselho nacional ligado ao Ministério de Educação e Cultura local (https://tenk.fi/en) com foco fortemente voltado para treinamento e debates sobre o assunto
3) no modelo holandês, há um código de conduta em integridade científica seguido por todas as instituições acadêmicas do país, composto de 5 princípios (honestidade, escrúpulo, transparência, autonomia e responsabilidade) e 61 padrões de boas práticas (https://www.universiteitenvannederland.nl/files/documents/Netherlands%20Code%20of%20Conduct%20for%20Research%20Integrity%202018.pdf)
E sua instituição já tem comitê ou escritório de integridades da pesquisa?
Gente! É tanta informação, palpites, temores e dúvidas que nem sei nem por onde começar! Então vamos por partes.
Você sabia que o CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico tem uma Comissão de Integridade na Atividade Científica?
As suas diretrizes foram atualizadas em abril de 2021 e estão disponíveis para leitura e divulgação em https://www.gov.br/cnpq/pt-br/composicao/comissao-de-integridade. Não deixe de consultar e aproveite para ler o excelente documento de Boas Práticas da FAPESP (https://fapesp.br/boaspraticas/2014/FAPESP-Codigo_de_Boas_Praticas_Cientificas.pdf) lançado em 2014.
De acordo com recente artigo de Armond e Kakuk, as instituições acadêmicas brasileiras começam a se empenhar de forma mais proativa no treinamento de seus alunos, pesquisadores e pessoal técnico, mas ainda há muito a fazer (https://doi.org/10.1080/08989621.2021.1979969).
Não basta escrever e divulgar as diretrizes e normas da boa conduta na ciência. É preciso que estas cheguem a toda a comunidade acadêmica do país e que sejam ativamente aplicadas, inclusive nos aspectos práticos, experimentais e clínicos do dia-a dia na pesquisa.
Retomo aqui as questões relativas ao que é chamado de ciência desleixada, uma doença que, infelizmente, aflige muitos laboratórios e instituições em toda a América do Sul. Uso como exemplo o acontecido com um neurocientista chileno de renome internacional: Claudio Hetz (https://media.nature.com/original/magazine-assets/d41586-021-02682-5/d41586-021-02682-5.pdf).
Neste início de 2023 tomei conhecimento de um editorial que me chamou atenção, pois trata do uso de informação científica para alimentar mídias de ódio, racismo, homofobia, discriminação e intolerância de modo geral. O texto com o titulo: Counter the weaponization of genetics research by extremists (https://www.nature.com/articles/d41586-022-03252-z) levanta a questão de que pesquisadores precisam mudar sua forma de comunicar seus resultados, de forma a combater o uso indevido das informações nessa nossa era digital, que universaliza o acesso a um público mais leigo.
Fabricação de dados científicos equivale à moderna “fake news” e as consequências podem ser devastadoras! Um bom exemplo é o da publicação por Andrew Wakefield e colaboradores no Lancet, em 1998.
Em matéria publicada em março de 2021, na revista Scientific American (https://www.scientificamerican.com/article/to-qualify-as-scientific-evidence-has-to-be-reproducible/) , Avi Loeb faz uma comparação com a história bíblica de Abrão e Isaac. Abrão escuta a a voz de Deus pedindo que sacrifique seu único filho. Nos dias atuais, Abrão poderia gravar a voz e eventualmente usar isso para convencer o mundo da realidade de sua experiência. Para a ciência, no entanto, isso não seria suficiente. A palavra-chave aqui é reprodutibilidade, ou seja, a verificação da robustez dos resultados por você e por outros pesquisadores. Experimentos e mensurações precisam ser repetidos um número suficiente de vezes para garantir que os resultados são verdadeiros!
Integridade científica é cada vez mais importante, crescentemente expandida por todos os cantos do mundo. Há o reconhecimento que os conceitos e estratégias gerais de integridade científica são essenciais para tomar as melhores decisões, especialmente quando a resposta não está clara.
Você sabia que há empresas apelidadas de “paper mills” (fábricas de papel), que inventam artigos por encomenda para publicação? E que também vendem autoria e até filiação falsas?
Do sigilo das informações privadas aos cuidados em copiar textos que encontramos na internet, a integridade científica incorpora a visão 3600 da pesquisa feita com qualidade, reprodutível, relevante e com potencial de impactar significativamente todos os aspectos da nossa vida.
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