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Trago um assunto hoje, para convidá-los a pensar sobre as muitas mudanças que estão ocorrendo na nossa sociedade e as implicações que elas podem ter nas nossas práticas éticas na pesquisa.
Recentemente, publiquei um blog intitulado - Revisitando o conceito de integridade científica – e quero retomar esse assunto hoje, no contexto de dois exemplos relacionados, de altíssimo interesse para comunidade científica e para pacientes à busca de terapias inovadoras que minorem seu sofrimento, curem-nos de doenças debilitantes e até fatais, ou sirvam para regenerar seus tecidos lesionados e envelhecidos.
Quero retomar o assunto do plágio ou plagiarismo, unanimemente condenado como sendo uma má-conduta grave, juntamente com fabricação e falsificação. Apesar da definição objetiva, pois o plágio trata da apropriação indevida de ideias, textos, dados e imagens, a sua detecção e a avaliação da gravidade da má-conduta podem ser bastante difíceis.
Antes de mais nada, aprender o método científico não é trivial nem é domínio exclusivo dos ditos seres mais inteligentes. Todos podem e devem aprender o que vêm a ser a forma correta de se fazer ciência. Ler um artigo científico e compreendê-lo não é a melhor forma de aprender o método científico. Apenas se informar, sem vivenciar o método científico, tampouco permite o domínio sobre os eventos inesperados e armadilhas que o ato de fazer ciência pode oferecer. São essas armadilhas que devem ser evitadas a todo custo.
A propósito das discussões que povoam as mídias sociais, trago, hoje, uma reflexão de como ciência “desleixada”, o que convencionou-se chamar de sloppy science pode ter efeitos nefastos na sociedade, nas políticas públicas de saúde, na vida de cada família ou pessoa.
Ao contrário do que possa aparecer, plágio é considerado como uma má-conduta da maior gravidade, junto com falsificação e fabricação. E por que isso? Porque nessa era da internet e da facilidade de acesso à informação, fica fácil apropriar-se da produção intelectual e científica de terceiros. Mas o que vem a ser o plagiarismo? Não só é o ato de copiar ideias, resultados, imagens e textos, mas a intenção de confundir a comunidade, fazendo crer que a produção é original e própria, faz parte da determinação da má-conduta
Meu caso de hoje começa com uma história pessoal que, acho eu, ilustra bem como fazer a coisa certa pode ser difícil e como os incentivos presentes na comunidade científica podem ser perversos para um pesquisador ambicioso.
O causo de hoje mostra como anos e anos de pesquisas feitas sem o controle adequado de pesquisadores, colaboradores, instituições, sociedades profissionais e revistas científicas causaram enorme impacto numa área importante do conhecimento científico, há muito tempo negligenciada: a psicologia.
Vou contar para vocês o caso de um anti-inflamatório comercializado por uma grande empresa farmacêutica, a Merck, entre 1999 e 2004, chamado Vioxx.
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