A compreensão contemporânea do Transtorno do Espectro Autista (TEA) atravessa uma ruptura paradigmática. Apesar do enquadramento histórico sob uma ótica estritamente clínica, que prioriza as dificuldades de adaptação social, novas correntes da psicologia evolucionista e da genética de populações começam a apontar a possibilidade de o autismo se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e talvez até amplificada, pela seleção natural — afinal, a condição muitas vezes também está acompanhada de habilidades notáveis. No Brasil, há políticas públicas direcionadas para a população com TEA em áreas como saúde e educação, como a obrigação de um facilitador por aluno em sala de aula. Como está a situação hoje? Diante dessa mudança de ponto de vista, haverá uma reavaliação de políticas públicas? Para discutir o assunto, recebemos Walace Gomes Leal, neurocientista e professor do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA); Eugênio Cunha, doutor em educação, psicopedagogo, professor e especialista em educação especial inclusiva e autismo, autor de livros como "Afeto e aprendizagem" e "Autismo e inclusão". Agora disponível na Rádio Metropolitana do Rio de Janeiro, 80.5 FM.