A violência dentro das escolas brasileiras deixou de ser um alerta pontual para se tornar uma crise crônica. Em apenas uma década, os casos mais do que triplicaram: saltaram de 3,7 mil em 2013 para alarmantes 13,1 mil em 2023, segundo dados nacionais analisados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A violência física lidera o ranking, sendo responsável por metade das ocorrências, seguida de perto pela psicológica (23,8%) e pela sexual (23,1%). O levantamento ainda revela que, em 35,9% dos casos, o agressor era alguém do círculo de convivência da vítima, como um amigo ou conhecido, o que expõe a complexidade do problema dentro do próprio ecossistema escolar. Diante desse cenário crítico, a recente regulamentação da Lei nº 14.164/2021, assinada em abril, inclui no currículo da educação básica conteúdos voltados à prevenção da violência, com medidas que reforçam o papel da escola não apenas como um espaço de aprendizado, mas fundamentalmente de proteção. Para conversar sobre os impactos da violência escolar na saúde de alunos e professores, recebemos Thaís Dias Luz Borges Santos, coordenadora-geral de acompanhamento e combate à violência nas escolas, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, do Ministério da Educação (SECADI/MEC); e Veridiana Parahyba Campos, socióloga com pós-doutorado em andamento no Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo (USP), e pesquisadora no Projeto Observatório de Direitos Humanos em Escolas (PODHE), também da USP. Agora disponível na Rádio Metropolitana do Rio de Janeiro, 80.5 FM.