Jazz Poética

Jazz Poética

By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Destinos - Eliezer Nascimento
    Nas veredas, entre caminhos indefinidos,
    Sou meus próprios passos!
    Se há pedras ou pedregulhos sobre o chão?
    Se há sangue na estrada onde piso?
    Na escolha, sou meu próprio destino!
    Se julgam ou não o que hei de fazer,
    Se há risco ou não nos passos a percorrer,
    "Sê devo continuar a caminhar?"
    Só eu o sei!
    O certo é que há bastante incerteza à margem,
    Mas é um caminho de rios!
    E se há incerteza há coragem,
    Se há coragem há recomeço,
    estado em que os jovens transcendem,
    É no recomeço que deixamos o estado de lagarta para poder voar!
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    1 min
  • Tengo hambre de tu boca - Pablo Neruda
    Tengo hambre de tu boca, de tu voz, de tu pelo y por las calles voy sin nutrirme, callado,
    no me sostiene el pan, el alba me desquicia,
    busco el sonido líquido de tus pies en el día.
    Estoy hambriento de tu risa resbalada,
    de tus manos color de furioso granero,
    tengo hambre de la pálida piedra de tus uñas,
    quiero comer tu piel como una intacta almendra.
    Quiero comer el rayo quemado en tu hermosura, la nariz soberana del arrogante rostro, quiero comer la sombra fugaz de tus pestañas
    y hambriento vengo y voy olfateando el crepúsculo buscándote, buscando tu corazón caliente como un puma en la soledad de Quitratúe
    ---
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    2 min
  • Inoportunamente Oportuno - Fernanda Candinho
    Gosto tanto do teu tocar,
    Em momentos inoportunos…
    Pois o que é o momento?
    Ou quando seria oportuno?
    Oportunizemos
    Fazemos
    Toquemos
    Momentos,
    Distâncias e,
    Fragmentos de ti e de mim,
    Vestido ao vento,
    Nus em deslumbrantes folhas da
    Figueira, antes da maceração do licor
    De figo doce.
    Delirantes sussurros gemidos
    Em contidos pedidos de
    Quero, mais e mais…
    Repete
    Impele
    Na pele
    Que
    Incita
    Excita
    Intensifica
    A tensão
    Dos pés ao
    coração, que
    Palpita e
    segurando
    firme minha
    Mão
    Vai
    Paixão…
    ---
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    2 min
  • Amar você é coisa de minutos - Paulo Leminski
    Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui.
    ---
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    2 min
  • El viento en la isla - Pablo Neruda
    El viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.
    Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.
    Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.
    Escucha como el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.
    Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.
    Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.
    ---
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    2 min
  • Uma Definição - Charles Bukowski
    amor é uma luz à
    noite atravessando o nevoeiro
    amor é uma tampinha de cerveja
    pisada no caminho
    do banheiro
    amor é a chave perdida da sua porta
    quando você está bêbado
    amor é o que acontece
    uma vez a cada dez anos
    amor é um gato esmagado
    amor é o velho jornaleiro na
    esquina que
    desistiu
    amor é o que você acha que a outra
    pessoa destruiu
    amor é o que desapareceu junto
    com a era dos navios encouraçados
    amor é o telefone tocando,
    a mesma voz ou outra
    voz mas nunca a voz
    correta
    amor é traição
    amor é o incêndio dos
    sem-tetos num beco
    amor é aço
    amor é a barata
    amor é uma caixa vazia de correio
    amor é a chuva sobre o telhado
    de um velho hotel
    em Los Angeles
    amor é o seu pai num caixão
    (aquele que te odiava)
    amor é um cavalo com a perna
    quebrada
    tentando se levantar
    enquanto 45.000 pessoas
    observam
    amor é o jeito que nós fervemos
    como a lagosta
    amor é tudo que nós dissemos
    que não era
    amor é a pulga que você não consegue
    encontrar
    e o amor é um mosquito
    amor são 50 lançadores de granadas
    amor é um pinico
    vazio
    amor é uma rebelião em San Quentin
    amor é um hospício
    amor é um burro ferido parado numa
    rua, rodeado de moscas
    A amor é um barco vazio
    amor é um filme do Hindenburg
    se retorcendo
    um momento que ainda grita
    amor é Dostoiévski na
    roleta
    amor é um banco de bar vazio
    amor é o que se arrasta pelo
    chão
    amor é a sua mulher dançando
    colada com um estranho
    amor é uma senhora
    roubando um pedaço de
    pão
    e o amor é uma palavra usada
    muitas vezes e
    muitas vezes
    cedo demais.
    Charles Bukowski, Amor é tudo que nós dissemos que não era.
    ---
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    4 min
  • Malade - Katherine Mansfield
    O homem no quarto ao lado
    Tem a mesma doença do que eu
    Quando acordo de noite ouço-o a virar-se
    E depois ele tosse
    E eu tusso
    E ele tosse de novo –
    Isto prolonga-se por muito tempo –
    Até eu sentir que parecemos dois galos
    Que se chamam um ao outro num falso amanhecer
    Desde granjas distantes e escondidas.
    ---
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    1 min
  • Li hoje quase duas páginas - Alberto Caeiro
    Li hoje quase duas páginas
    Do livro dum poeta místico,
    E ri como quem tem chorado muito.
    Os poetas místicos são filósofos doentes, E os filósofos são homens doidos.
    Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem E dizem que as pedras têm alma
    E que os rios têm êxtases ao luar.
    Mas flores, se sentissem, não eram flores,
    Eram gente;
    E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras; E se os rios tivessem êxtases ao luar,
    Os rios seriam homens doentes.
    É preciso não saber o que são flores e pedras e rios Para falar dos sentimentos deles.
    Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
    É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
    Graças a Deus que as pedras são só pedras,
    E que os rios não são senão rios, E que as flores são apenas flores.
    Por isso, escrevo a prosa dos meus versos
    E fico contente,
    Porque sei que compreendo a Natureza por fora; E não a compreendo por dentro
    Porque a Natureza não tem dentro; Senão não era a Natureza.
    ---
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    3 min
  • Eu sei, não te conheço, mas existes - Joaquim Pessoa
    Eu sei, não te conheço mas existes.
    por isso os deuses não existem,
    a solidão não existe
    e apenas me dói a tua ausência
    como uma fogueira
    ou um grito.
    Não me perguntes como
    mas ainda me lembro
    quando no outono cresceram no teu peito
    duas alegres laranjas
    que eu apertei nas minhas mãos
    e perfumaram depois a minha boca.
    Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
    Nao é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
    sobre a tua nudez
    como uma sombra no deserto.
    É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
    Porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
    É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
    Em todas as palavras do meu canto.
    Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
    tenho feito amor de muitas maneiras,
    docemente,
    lentamente
    desesperadamente
    à tua procura, sempre á tua procura
    até me dar conta que estás em mim,
    que em mim devo procurar-te,
    e tu apenas existes porque eu existo
    e eu não estou só contigo
    mas é contigo que eu quero ficar só
    porque é a ti,
    a ti que eu amo.
    ---
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    8 min

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