Jazz Poética

Jazz Poética

By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Me Perdoa - Sami Vaz Leão
    Me perdoa
    Deixe teu pranto no meu colo cair
    Suas lágrimas secarei e não hei de partir
    Pois, partido, teu coração por mim já sangrou
    Me perdoa
    Me deixa dizer o que queres ouvir
    Deitado em teu peito eu hei de dormir
    Deixando pra trás o que já passou
    Farei de tua cama meu mais belo ninho
    Cantarei a você como um passarinho
    Alimentarei seu coração que clama de fome
    Por meu nome, por meu nome
    Seremos um só enfeite de linho
    decorando mágoas e taças de vinho
    Me faz o teu homem
    Apenas teu homem
    E quando não houver nem mais vinho
    nem amor que decore
    teu corpo magoado
    teu coração dormente
    me servirá de repente
    como a lápide do meu ser não mais amado
    (Me perdoa - Sami Vaz Leão) SAUDADE
    Se você pudesse ver o que eu vejo!
    Entenderia toda razão do meu desejo!
    Você veria o quanto
    eu pelejo
    para conseguir aquilo que eu realmente almejo.
    Almejo Almejo
    O que é que eu almejo?
    É aquele corpo florido que eu almejo.
    Aquela boca macia
    que eu tanto quero dar um beijo.
    Aquela cintura linda
    que tem todo um molejo,
    mesmo que eu tenha visto
    ela dançando só sertanejo.
    Mas ela está tão longe
    desse meu vilarejo,
    que ela só fica aparecendo
    em sonhos, iguais a lampejos.
    Por isso que até encontrá-la eu temo que ficarei aqui....
    arranhando azulejos.
    https://www.clubhouse.com/club/poesia-leitura-am
    https://instagram.com/vazleao?utm_medium=copy_link
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    4 min
  • A Casa - Yvette K. Centano
    Distraídos não víamos
a casa a envelhecer connosco
e no entanto a casa envelhecia:
tinha dores
achaques
tropeções
incómodos pequenos
lâmpada que falhava
e uma ou outra coisa,
vertigem passageira.
    Assim corria o tempo
em pequenos derrames
que a todos por dentro
corroíam: a casa e com ela
as portas que rangiam
e umas résteas de luz
já quase a apagar-se.
    A casa não andava
a casa já não via,
e nós ainda achávamos
que era coisa ligeira.
    Não tem mal, dizíamos,
quando chegasse a hora
umas velas acesas,
candeeiros de avó
sem perigo de incêndio:
a casa envelhecida
sempre estaria ali,
sempre resistiria.
    Sem dar por isso
o nosso envelhecer
ali juntos, fechados,
embora já morrendo
seria a última prova
de um grande amor
vivido
dessa casa antiga
às vezes ainda rindo,
outras vezes zangada,
mas dividindo connosco
o tempo que faltava
     
    Lisboa, 2018
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    2 min
  • A um estranho - Walt Whitman
    Estranho que passa! você não sabe com quanta saudade eu lhe olho,
    Você deve ser aquele ou aquela a quem procuro, (isso me vem, como em um sonho,)
    Vivi com certeza uma vida com você em algum lugar,
    Tudo é relembrado neste relance, fluído, afeiçoado, casto, maduro,
    Você cresceu comigo, foi um menino comigo, ou uma menina comigo,
    Eu comi com você e dormi com você – seu corpo se tornou não apenas seu, nem deixou o meu corpo somente meu,
    Você me deu o prazer de seus olhos, rosto, carne, enquanto passamos – você tomou de minha barba, peito, mãos, em retorno,
    Eu não devo falar com você – devo pensar em você quando sentar-me sozinho, ou acordar sozinho à noite,
    Eu devo esperar – não duvido que lhe reencontrarei,
    Eu devo garantir que não irei lhe perder.
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    3 min
  • Maio 1964 - Ferreira Gullar
    Na leiteria a tarde se reparte
    Em iogurtes, coalhadas, copos
    de leite
    e no espelho meu rosto. São
    quatro horas da tarde, em maio.
    Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo
    a vida
    que é cheia de crianças, de flores
    e mulheres, a vida,
    esse direito de estar no mundo,
    ter dois pés e mãos, uma cara
    e a fome de tudo, a esperança.
    Esse direito de todos
    que nenhum ato
    institucional ou constitucional
    pode cassar ou legar.
    Mas quantos amigos presos!
    quantos em cárceres escuros
    onde a tarde fede a urina e terror.
    Há muitas famílias sem rumo esta tarde
    nos subúrbios de ferro e gás
    onde brinca irremida a infância da classe operária.
    Estou aqui. O espelho
    não guardará a marca deste rosto,
    Se simplesmente saio do lugar
    ou se morro
    se me matam.
    Estou aqui e não estarei, um dia,
    em parte alguma.
    Que importa, pois?
    A luta comum me acende o sangue
    e me bate no peito
    como o coice de uma lembrança.
    ---
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    3 min
  • Mayo 1964 ( Español ) - Ferreira Gullar
    En la lechería la tarde se reparte
    en yogurts, cuajadas, vasos
    de leche,
    y en el espejo mi rostro. Son
    las cuatro de la tarde, en mayo.
    Tengo 33 años y una gastritis. Amo
    la vida
    que está llena de niños, de flores
    y mujeres, la vida,
    este derecho de estar en el mundo,
    tener dos pies y manos, una cara
    y hambre de todo, la esperanza.
    Ese derecho de todos
    que ningñún acta
    institucional o constitucional
    puede suprimir o legar.
    ¡Pero cuántos amigos presos!
    cuántos en cárceles oscuras
    donde la tarde hiede a orina y terror.
    Hay muchas familias sin rumbo esta tarde,
    en los suburbios de hierro y gas,
    donde juega abandonada la infancia de la clase obrera.
    Aquí estoy. El espejo
    no guardará la marca de este rostro,
    si simplemente salgo del lugar,
    o si muero
    o me matan.
    Estoy aquí y no estaré, un día,
    en ninguna parte.
    ¿Y qué importa?
    La lucha común me enciende la sangre
    y me golpea el pecho
    como la patada de un recuerdo
    ---
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    3 min
  • Supermercado - Bruna Lombardi
    Ainda ficou um pouco
    de teu cabelo no travesseiro
    de teu corpo no meu corpo
    de teu cheiro
    um pouco da tua colônia
    em alguns vestidos meus
    ficou no meu cotidiano
    um gosto bobo de adeus.
    Ficou um resto de shampoo
    no teu frasco no banheiro
    de tudo ficou um pouco
    de teu jeito, de teu cheiro.
    Ficaram umas coisas tuas
    espalhadas pelo quarto.
    Ficou teu riso marcado
    na moldura no retrato.
    Em tudo ficou um pouco.
    Ficou nosso jogo de damas
    (eu branco, você preto)
    intacto no sofá-cama.
    Alguns discos teus, alguns livros
    na parede atrás da porta
    a gravura de Dalí
    e tua natureza morta.
    Um pouco de teu silêncio
    se espalhou pela casa
    tua xícara de porcelana
    verde e branca, sem a asa.
    De você ficou um pouco
    do trem daquela viagem
    do nosso jantar chinês
    da nossa camaradagem.
    Ainda ficou tua letra
    em alguns papéis amassados.
    Em tudo ficou um pouco
    na rua, no supermercado .
    Ficou um pouco de você
    no mar, no rio, na serra
    na estrada da casa de campo
    na pedra, no gato, na terra.
    Ficou um pouco de teu rosto
    no rosto dos meus amigos
    ficaram palavras tuas
    em tudo aquilo que te digo.
    E fiquei com o teu jeito
    Esse jeito de querer dar primeira palavra, ficou…
    teu corpo no meu corpo
    cabelo no travesseiro
    ---
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    4 min

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