Jazz Poética

Jazz Poética

By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Sedução - Bruna Lombardi
    Sedução
    Dentro de mim mora o animal
    indômito e selvagem
    que talvez te faça mal
    talvez uma faísca
    relâmpago no olhar
    depressa como um susto
    me desmascare o rosto
    e de repente deixe exposto
    o meu pior
    em mim germina
    uma força perigosa
    que contamina
    uma paixão vulgar
    que corta o ar e que
    nenhum poder domina
    explode em mim
    uma liberdade que te fascina
    sopro de vida
    brilho que se descortina
    luz que cintila, lantejoula
    purpurina
    fugaz como um desejo
    talvez te mate
    talvez te salve
    o veneno do meu beijo.
    Bruna Lombardi
    ---
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    2 min
  • Ausencia - Jorge Luiz Borges ( Español )
    Habré de levantar la vasta vida
    que aún ahora es tu espejo:
    cada mañana habré de reconstruirla.
    Desde que te alejaste,
    cuántos lugares se han tornado vanos
    y sin sentido, iguales
    a luces en el día.
    Tardes que fueron nicho de tu imagen,
    músicas en que siempre me aguardabas,
    palabras de aquel tiempo,
    yo tendré que quebrarlas con mis manos.
    ¿En qué hondonada esconderé mi alma
    para que no vea tu ausencia
    que como un sol terrible, sin ocaso,
    brilla definitiva y despiadada?
    Tu ausencia me rodea
    como la cuerda a la garganta,
    el mar al que se hunde.
    ---
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    3 min
  • Ausência - Jorge Luiz Borges
    Eu haverei de erguer a vasta vida
    que ainda é o teu espelho:
    cada manhã hei-de reconstruí-la.
    Desde que te afastaste,
    quantos lugares se tornam vãos
    e sem sentido, iguais
    a luzes acesas de dia.
    Tardes que te abrigaram a imagem,
    música em que sempre me esperavas,
    palavras desse tempo,
    terei de as destruir com as minhas mãos.
    Em que profundezas esconderei a alma
    pra que não veja a tua ausência,
    que como um sol terrível, sem ocaso,
    brilha definitiva e sem piedade?
    A tua ausência cerca-me
    como a corda à garganta.
    O mar ao que se afoga.
    ---
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    3 min
  • O Sobrevivente - Carlos Drummond de Andrade
    O sobrevivente
    Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
    Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
    O último trovador morreu em 1914.
    Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
    Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
    Se quer fumar um charuto aperte um botão.
    Paletós abotoam-se por eletricidade.
    Amor se faz pelo sem-fio.
    Não precisa estômago para digestão.
    Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
    muito para atingirmos um nível razoável de
    cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.
    Os homens não melhoram
    e matam-se como percevejos.
    Os percevejos heróicos renascem.
    Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
    E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
    Ah… Desconfio que escrevi um poema.
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    2 min
  • Tempo - Adélia Prado
    A mim que desde a infância venho vindo,
como se o meu destino,
fosse o exato destino de uma estrela,
apelam coisas incríveis:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
tomo o nome de deus num vão.
descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem,
amaria chamar-se fluid jonathan.
neste exato momento do dia vinte de julho,
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
quarenta anos: não quero faca nem queijo.
quero a fome.
    ---
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    3 min
  • Balada do Amor através das Idades - Carlos Drummond de Andrade / Don't Wanna Sleep - Big Ed Sullivan
    Eu te gosto, você me gosta
    desde tempos imemoriais.
    Eu era grego, você troiana,
    troiana mas não Helena.
    Saí do cavalo de pau
    para matar seu irmão.
    Matei, brigámos, morremos.
    Virei soldado romano,
    perseguidor de cristãos.
    Na porta da catacumba
    encontrei-te novamente.
    Mas quando vi você nua
    caída na areia do circo
    e o leão que vinha vindo,
    dei um pulo desesperado
    e o leão comeu nós dois.
    Depois fui pirata mouro,
    flagelo da Tripolitânia.
    Toquei fogo na fragata
    onde você se escondia
    da fúria de meu bergantim.
    Mas quando ia te pegar
    e te fazer minha escrava,
    você fez o sinal-da-cruz
    e rasgou o peito a punhal...
    Me suicidei também.
    Depois (tempos mais amenos)
    fui cortesão de Versailles,
    espirituoso e devasso.
    Você cismou de ser freira...
    Pulei muro de convento
    mas complicações políticas
    nos levaram à guilhotina.
    Hoje sou moço moderno,
    remo, pulo, danço, boxeio,
    tenho dinheiro no banco.
    Você é uma loura notável,
    boxa, dança, luta, rema.
    Seu pai é que não faz gosto.
    Mas depois de mil peripécias,
    eu, herói da Paramount,
    te abraço, beijo e nos casamos.
    Trilha sonora: Don't Wanna Sleep
    Big Ed Sullivan
    ---
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    6 min
  • Teus pés - Pablo Neruda
    Teus pés
    Quando não te posso contemplar
    Contemplo os teus pés.
    Teus pés de osso arqueado,
    Teus pequeninos pés duros,
    Eu sei que te sustentam
    E que teu doce peso
    Sobre eles se erguem.
    Tua cintura e teus seios,
    A duplicada púrpura
    Dos teus mamilos,
    A caixa dos teus olhos
    Que há pouco levantaram voo,
    A larga boca de fruta,
    Tua rubra cabeleira,
    Pequena torre minha.
    Mas se amo os teus pés
    É só porque andaram
    Sobre a terra e sobre
    O vento e sobre a água,
    Até me encontraram.
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    2 min

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