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Virginia Woolf (1882-1941) tornou-se aquela que lançou com uma sensibilidade ímpar, um olhar revolucionário sobre a figura feminina. Expoente da Literatura do século XX, é uma das mais proeminentes escritoras inglesas modernistas. O conto “Casas de grandes homens” é uma busca pelas casas de escritores ilustres e revelam toda a sensibilidade dela em enxergar como “os escritores se imprimem em seus pertences”. É uma das narrativas que compõem Cenas Londrinas, uma série de cinco contos publicados nos anos de 1970 sob o título The London Scene. Escritas entre 1931 e 1932, as cinco narrativas descrevem minuciosamente os passeios de Virginia. Nesses contos, transparece sua paixão pela cidade de Londres. Interessante neste texto, é que identifica: a voz da casa e a estação da casa. E do alto de um monte, a via como uma peça de antiguidade engolfada no mundo moderno.
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Leitura de Ouvido Ep. 60
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Com Urupês (1914), José Bento Renato Monteiro Lobato (1882-1948) cria o personagem Jeca Tatu, símbolo do caipira brasileiro. O texto começa evocando as raças de variado matiz da nacionalidade, com o cantado Indianismo do Romantismo, mas numa lacuna antecipada do Modernismo, encaixando-se Lobato na fase pré-modernismo. Foi um escritor, principalmente contista, e editor brasileiro e metade de suas obras é de literatura infantil. Emerge nos textos forte caráter nacionalista e social, retratando o universo de vilarejos decadentes e da população do Vale do Paraíba, quando da crise do café. Monteiro Lobato é polêmico, mas com este texto alertava que o caipira, o Jeca, “não é assim, está assim”, por descaso do governo. Recheado de termos regionalistas, faz sua crítica de uma postura que passa de geração em geração, sem esforço, porque “não paga a pena”. Urupês está publicado no livro homônimo, de 1918, coletânea de contos e crônicas. Boa leitura!
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Leitura de Ouvido Ep. 59
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“O hóspede de Drácula” é um conto de Abraham “Bram” Stoker (1847-1912) que lembra muito o romance gótico, publicado em 1897. Ele preparava livro Contos Estranhos e mais outros dois livros próximo ao fim de sua vida, que acabaram sendo levados adiante pela esposa Florence Bram Stoker. Bram Stoker formou-se em Matemática (1870), trabalhou como jornalista, diretor de peças teatrais e foi funcionário público. Notável poeta, romancista e contista irlandês.
Este conto que trazemos hoje do LdO comunga de alguma semelhança com o próprio romance, já que se trata igualmente de um homem inglês que, partindo de um hotel de Munique, acaba se deparando com uma encruzilhada que leva a terras de temores fantásticos. Algo semelhante ao vivido pelo inglês Jonathan Harker que chega ao hotel em Bistritz como ajudante do procurador, tinha a missão de explicar a um estrangeiro a compra de uma propriedade em Londres. Era o Conde Drácula, a quem ele chamava de “amigo”. Boa leitura!
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Leitura de Ouvido Ep. 57
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Escritor modernista, crítico literário, musicólogo, folclorista e ativista cultural, Mário de Andrade (1893-1945) escreveu como ninguém, as linhas da valorização da identidade e cultura brasileiras. Paulicéia Desvairada (1922) foi o segundo livro publicado por ele, com o marco da Semana de Arte Moderna. Selecionamos quatro poemas do livro, “Paisagem 1, 2, 3 e 4”, nos quais se vê a leitura poética que o escritor fazia de sua terra Natal, articulando magistralmente os elementos da natureza, com a crítica à civilização. Com este livro, Mario funda o “Desvairismo” e salienta o quanto a língua brasileira é rica e sonora, possuindo o “ão”. Os poemas são compostos com o que ele bem teorizou como verso harmônico – encontrado na frase gramatical; com polifonia poética e verso melódico. O Modernismo quebrou o rigor formal do Parnasianismo escrevendo, pintando, arquitetando, poetizando, sobre uma nova maneira de viver, importada da Europa, com a reviravolta da Revolução Industrial. O movimento é irreversível no país, comemorado por décadas, ressoando forte até hoje e que está em contagem regressiva para o centenário. Boa leitura! Leitura de Ouvido Ep. 57
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Unindo a figura mítica do Ahsverus, o judeu errante, com o Escariotes, que traiu Jesus por 30 moedas de prata, Euclides da Cunha (1866-1909) compôs Judas-Ahsverus, considerado um dos textos mais filosóficos e poeticamente aprofundados do autor carioca, engenheiro militar e jornalista. Euclides notabilizou-se com Os Sertões (1902), romance que deslinda a cobertura jornalística da Guerra de Canudos, na qual os sertanejos da Bahia são liderados pelo religioso Antonio Conselheiro contra o exército brasileiro. O romance é o precursor da Sociologia e da literatura modernista, junto com Canaã, de Graça Aranha. “Judas-Ahsverus” foi publicado em À Margem da História do Alto Purus, em 1909, póstumo, pouco após do assassinato do autor, na “Tragédia da Piedade”. Euclides trouxe ao mundo o talento épico-dramático, é o gênio trágico que criou ritmos decassílabos perfeitos, em prosa. No conto, mostra o acerto de contas que os seringueiros do Acre fazem com seu próprio destino, no Sábado de Aleluia. Boa leitura! Leitura de Ouvido Ep. 56
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Escritor francês inventor do gênero ficção científica, Jules Gabriel Verne (1828-1905) previu em seus livros vários avanços tecnológicos. Contrariando a vontade do pai de trabalhar como advogado, seguiu a carreira literária e produziu mais de 100 livros em sua vida de 77 anos. Eles foram os mais traduzidos de toda a história da literatura, segundo a Unesco, chegando a 148 línguas. Como característica, aventuras extraordinárias que esmiúçam coordenadas geográficas, curiosidades sobre culturas e animais, que levavam seus leitores a se perguntar se eram ficção ou fatos verídicos. Suas histórias são profundas em imaginação e capacidade de pesquisa, apresentando ao mundo odisseias subterrâneas, aéreas e navais. Gil Braltar é um dos contos, entre a diversidades de escritos, em que Jules Verne dedicou seu talento. No texto, traz uma sátira sobre este território ultramarino britânico, promontório militarmente estratégico que separa a África do continente europeu. Boa leitura! Leitura de Ouvido Ep. 55,
A tradução de hoje é da Mimética, com A.M Cunha e Sá, Pedro Dinis e Cristóvão Aires.
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Selecionamos alguns poemas da obra poética de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935). As Odes do Livro Primeiro: II, X, XI, XIV, XVI e XX. E de Outras Odes e Poemas, trouxemos “Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio”. Nesta seleção, pode-se contemplar tanto os aspectos temáticos característicos a este poeta criado por Pessoa, como o Epicurismo (carpe diem e fatalismo de que a morte é a única certeza da vida) e o Estoicismo (a vida é efêmera e não temos nada a perder), como também os aspectos formais, como o uso de gerúndio e imperativo, além da figura de linguagem hipérbato, em trechos como“acabados pelas Parcas formos”. Há amplas referências à mitologia greco-romana inerente ao Helenismo sentido nas produções deste heterônimo. Ricardo Reis era o poeta criado por Pessoa para seus escritos de índole pagã. Boa leitura! Leitura de Ouvido Ep. 54.
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Johann é o sexto capítulo de Noite na Taberna (1855), livro de contos publicado três anos após a morte de Álvares de Azevedo (1831-1852). Ele foi contista, ensaísta, dramaturgo e poeta, morreu aos 20 anos, de um conjunto de fatores, entre eles, tuberculose e um tumor na fossa ilíaca, surgida após uma queda a cavalo. Álvares de Azevedo é um dos mais influentes trabalhos da ficção gótica brasileira, sendo que como poeta, se tem a marca de uma adolescência conflitante e dilacerada. Era fã de Lorde Byron e nos contos de Noite na Taverna se nota pelas histórias narradas pelos cinco amigos, este clima de bebedeiras e orgias byronianas. Em Johann, um duelo é motivado por uma briga de jogo e o narrador se coloca numa situação familiar complicada. Ele é situado na segunda geração romântica, mas não teve nenhuma obra publicada em vida. Morreu deixando a antologia Lira dos Vinte Anos, que saiu em 1853. Outros contos, como Johann, foram publicados póstumos. Boa leitura! Leitura de Ouvido Ep. 53.
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“Civilização” foi publicado em 1892 e, por si só, já é um conto “encorpado”, mas foi ainda conto-base para o romance As Cidades e as Serras, de um dos maiores romancistas portugueses, Eça de Queiroz. Trabalhando com antíteses, ele promove uma mudança de ares no protagonista, homem rico do século XIX que se transforma e evolui a partir do contraste entre a maçada urbana e o encantamento rural. Eça notabilizou-se pelo Realismo descritivo, no qual faz a crítica social, que é constante em seus romances. Um embate entre as responsabilidades torturantes do individualismo e a premissa de que eu, tu, o sol, somos moléculas do mesmo todo. Boa leitura! Leitura de Ouvido Ep. 52.
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O episódio de hoje é duplo, tem o lado A e o lado B, como um bom disco. São poemas curtos, mas intensos. “Canção do Exílio” foi entoada por Antônio de Gonçalves Dias (1823-1864) e também por Casimiro de Abreu (1839-1860). Ambos foram contemporâneos e escreveram olhando para o Brasil, enquanto estavam em Portugal. Contemple estas duas belas poesias brasileiras e acompanhe o nosso debate, logo em seguida, incluindo comentários sobre as revisões modernistas deste tema, com Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes.
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