Leitura de Ouvido

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By LP Lucas e Daiana PasquimArtsBooks
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Leitura de Ouvido episodes

  • Vicente de Carvalho - Fugindo ao Cativeiro

    O advogado, jornalista, político, magistrado, poeta e contista Vicente de Carvalho (1866-1924) publicou Poemas e Canções em 1908, livro que detêm aquelas que ele mesmo elegeu como suas preferidas produções: “Palavras ao mar”, “Cantigas praianas”, “A ternura do mar”, “Fugindo ao cativeiro”, “Rosa, rosa de amor”, “Velho tema” e “Pequenino morto”.

    "Fugindo ao Cativeiro" é o poema épico abolicionista dividido em quatro partes. Na primeira, destaca a natureza, o inverno, o mato com estrépitos e espinhos e assim, apresenta os fugitivos, centrando-se na relação de uma mãe com um filho. Na segunda parte, a criança chora de frio e de fome e a mãe afasta-se do grupo no ato desesperado de salvá-la. Na parte 3, a caravana enxerga no topo da serra as colinas azuis do Jabaquara, enchendo-se de esperança. E no desfecho, emerge do grupo um herói, o hércules negro, o fugitivo que dá esperança ao restante do grupo de cativos. 

    Ele viveu 58 anos e teve muitos papeis sociais: foi fazendeiro, empresário, chefe de família, advogado, jornalista, político e magistrado, como Ministro do Tribunal de Justiça, poeta e contista e, também, viria a ser tio-avô da consagrada escritora brasileira Maria Valéria Rezende (1942), premiada internacionalmente. Antes mesmo de ser alfabetizada, a menininha Valéria ouvia e decorava as poesias do tio-avô, para os saraus na casa dos familiares.


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    #vicentedecarvalho #abolicionista #poesia #audiolivro #podcastliterario #literatura

    43 min
  • Edgar Allan Poe - William Wilson (conto)

    Em William Wilson, Edgar Allan Poe (1809-1849) trata do Duplo na literatura, conceito que evoca um desdobramento do próprio eu. Emerge da própria pessoa e também pode ser metaforizado. Alguns elementos presentes nessas histórias são: a presença de gêmeos, retratos, reflexos e, isto também ocorre por meio do espelho. Temos nesse conto a ideia do primeiro e do último, uma vez que William Wilson é um garoto homônimo ao narrador da história, nascido igualmente em 19 de janeiro de 1813 e que entrou na escola no mesmo dia do nosso narrador. Eles brigavam quase todos os dias, viviam disputas de jogos, intrigas, mas também eram inseparáveis companheiros. 

    “A virtude se desprendeu como uma capa”, alerta uma das primeiras afirmações do conto. “Não teria vivido um sonho?”, questiona. Daí William Wilson passa a recordar os cinco anos que viveu naquela casa imensa e confusa, a escola que continha uma muralha com cacos de vidro, degraus a subir a e descer, voltas e reviravoltas, o que figura a sensação de infinito ou labirinto para o personagem. 

    Surgiram de Poe histórias profundas e amarradas, de uma mente perturbada, que questionava sua própria sanidade. Ele foi o experimentador de gêneros: renovador da literatura fantástica, marco na literatura de horror, criador da literatura policial ao estilo detetive literário, e inventor da ficção científica.


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    #edgarallanpoe #williamwilson #conto #audiolivro #podcastliterario #literatura

    1 hr 33 min
  • Lima Barreto - Os Bruzundangas

    Em Os Bruzundangas, Lima Barreto (1881-1922) narra as caricaturas de um país inexistente, a República dos Estados Unidos da Bruzundanga, como uma sátira à Primeira República brasileira. O livro tem 22 capítulos com textos curtos e bem-humorados, cheios de sátira e crítica. Para este episódio, selecionamos dois deles: “A nobreza de Bruzundanga” e “Heróis”, seguidos de um debate para o qual contamos, pela primeira vez, com um convidado especial: o prof. mestre em História Denilson Sumocoski. 

    Bruzundanga é o país das encrencas, compreendido pelas denúncias do caráter elitista fazendo uso de hipérboles e caricaturas, narrando os males que atingem o povo, entregue à classe política que está interessada em custear suas regalias com  Tesouro da República. Assim aproveitamos para refletir um pouco sobre os 199 anos da Proclamação da Independência do Brasil e outros fatos históricos e atuais.

    Lima Barreto teve várias publicações póstumas, tendo morrido em 1º de novembro de 1922. Os Bruzundangas é uma delas, uma vez que havia vendido os direitos autorais sobre as crônicas satíricas ao editor Jacintho Ribeiro dos Santos, em 1917. Foi publicado como romance.


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    #limabarreto #bruzundanga #conto #audiolivro #podcastliterario #literatura

    59 min
  • Auta de Souza - Horto (poesia)

    Em  seus escritos, Auta de Souza (1876-1901) sempre demonstrou-se alegre,  comunicativa e social. Ela foi uma poeta nascida no Rio Grande do Norte  que cedo sentiu os horrores da morte. Aos 4 anos, já era órfã de mãe e  pai, vitimados pele tuberculose. Salvaram-na a fé religiosa e o exemplo  da heroína avó Dindinha, que criou a ela e os quatro irmãos - um deles  perdido aos dez anos, queimado numa trágica explosão. Neste luto  sucessivo, interpretava em versos sua compaixão pelos humildes, com  sensibilidade profunda deu voz a inúmeros corações desolados. “O riso do  olhar é o pranto”e “A dor também fere a luz?”

    Foi em 20 de junho de 1900 que recebeu em mãos a primeira edição daquele que viria a ser seu único livro de poesias: Horto,  com prefácio de Olavo Bilac. Auta rompia as barreiras da escrita  feminina e seus leitores reconheciam isso. Selecionamos de Horto nove  poemas, dos dez que compõem esse episódio: "A Eugênia", "A minha avó",  "Clarisse", "Caminho do Sertão", "Ao cair da noite”, "Ao clarão da lua",  "Bohemias", "Ao pé do Túmulo”, e “Minh’Alma e o verso". O último poema  deste episódio “Segue adiante”, foi um dos transmitidos para Chico  Xavier em forma de psicografia, a partir do centenário de seu  nascimento, em 1976, ano do 66º aniversário de Francisco Cândido Xavier.

    Ela  jamais se preocupou com engajamento literário e não se filiou a nenhuma  escola, mas encaixam-na na 2ª geração romântica, mais propensa ao Simbolismo, em especial pelo caráter místico e religioso de sua  escritura.


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    #autadesouza #simbolismo #horto #poesia #poema #audiolivro #podcastliterario #literatura

    41 min
  • Aluísio Azevedo - A Serpente (conto)

    No Século XIX, Aluísio Azevedo (1857-1913) foi o primeiro escritor profissional que viveu exclusivamente de sua produção literária por 15 anos consecutivos. Ele fez novelas, romances, contos, peças e crônicas. Aluísio de Azevedo ficou conhecido com a dicotomia: de um lado, o escritor conteudista que publicou O Mulato (1881) Casa de Pensão (1884) e O cortiço (1890), considerada por muitos estudiosos e admiradores como sendo sua obra-prima. De outro, o escritor das massas que fez textos como Girândola de Amores e o próprio conto de hoje, “A serpente”, que está no livro Em Pégadas (1897). 

    “A Serpente” é um conto narrado em 3ª pessoa, que apresenta os amigos João Braz, o guardador de livros; e Manuel Fortuna, o negociante - que mantinha um relacionamento com Dona Maria. Este é o ponto que o amigo moralista implica: era preciso que se casassem, porque era o certo a se fazer. Mal sabiam eles o que aconteceria, nesta sátira da vida privada, ao seu jantar de domingo seguido do jogo de Gamão, logo após a cerimônia. O texto ironiza o casamento e a própria amizade. 

    Aluísio de Azevedo é o pioneiro no Naturalismo no Brasil, influenciado pelo português Eça de Queiroz e pelo francês Émile Zola, precursores do movimento naturalista-realista. 

    Boa leitura!


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    #aluisioazevedo #naturalismo #conto #audiolivro #podcastliterario #literatura

    39 min
  • Théophile Gautier - A Cafeteira (conto)

    Pierre Jules Théophile Gautier (1811-1872) dedicou sua vida ao jornalismo, era folhetinista em vários periódicos mas principalmente  nas revistas La Revue e L’Artiste. Foi poeta, romancista e contista francês do século XIX. Quase a totalidade de suas novelas, romances e poesias – na verdade foi publicada, primeiramente, na imprensa periódica, antes de ser editada em livros. Ele iniciou a carreira como escritor no Romantismo Francês e depois, foi precursor da Escola Parnasiana, sendo ícone na primeira geração.  

    "A Cafeteira” foi publicado pela primeira vez em 1831, sob o título "Conto fantástico". Narrando em 1ª pessoa, Théodore revela a aventura com seus dois amigos até uma fazenda na Normandia para visitar um conhecido. No quarto que lhe pareceu um mundo novo, começam os acontecimentos insólitos, até que ele é envolvido por uma alva dama, Angela, com pele de marfim e cabelos brancos. Theodore narra como rompeu com os laços do mundo real, numa narrativa envolta em dança, que nos faz mergulhar na época da regência francesa, entre o Barroco e o Rococó, em meio àquela ilusão diabólica. É um conto que deixa transparecer como Théophile Gautier tinha deleite em falar de arte. Boa leitura!


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    #theophilegautier #acafeteira #contofantastico #fantasia #conto #audiolivro #podcastliterario #literatura

    46 min
  • Tropas e Boiadas - Hugo de Carvalho Ramos (contos)

    O contista e poeta brasileiro Hugo de Carvalho Ramos (1895-1921) viveu por 25 anos, mas escreveu uma obra essencial no âmbito da literatura brasileira feita em/ou sobre Goiás. Nascido da experiência do sertão, faz a descrição de riquezas culturais e telúricas ainda desconhecidas ao restante do país, à época. Para este episódio, selecionamos três contos de seu emblemático livro Tropas e Boiadas (1917). O primeiro é "Ninho de Periquitos” e data de 1915. Nele temos Domingos que, num domingo, às vésperas da colheita e após organizar sua propriedade, vai até um cupim velho do pé de Maria Preta a pedido do filho Janjão para assistir a um casal de periquitos. Mas lá é surpreendido por uma cobra urutu. No segundo conto "O Saci”, de 1910, temos a evocação deste personagem do folclore brasileiro interlocutando com Pai Zé, um preto de 65 anos e meio, casado com Sá Quitéria, mas que também está de olho em Sá Quirina. E o Saci, se tiver sua cabaça recuperada, promete ajudar o velho a conquistar a preta. O terceiro conto é "Dias de Chuva”, que é também o último do livro Tropas e Boiadas. Nele há a contemplação da prosa poética, de uma cavalgada num dia de chuva e se explora as observações do viajante em fauna e flora e a beleza local. Boa leitura!


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    #hugodecarvalhoramos #tropaseboiadas #conto #audiolivro #podcastliterario #literatura

    45 min
  • Hans Christian Andersen - A Sombra (conto)

    Hans  Christian Andersen (1805-1875) é um dos grandes autores do conto  fantástico do século XIX. Contista de reputação mundial, famoso  principalmente pelos contos de fadas infantis, neste episódio trazemos  seu conto para adultos: “A sombra”, publicado pela primeira vez em 1847.  Dotado de elementos do fantástico, na narrativa temos uma forte  inversão de papeis entre um homem erudito, mas humilde e a sua sombra,  ambiciosa e egoísta. Numa viagem à África, o escritor erudito, que  interessava-se por escrever sobre o bom, o belo e o verdadeiro, fica  curioso sobre quem mora no apartamento de frente a onde está hospedado e  lá rega as flores, mas nunca mostra sua face. A sombra do homem então  vai espreitar de que se trata e homem e sombra separam-se em unidade.

    Durante  anos, Andersen escreveu poemas épicos, novelas românticas e peças  trágicas - o que hoje ficou no esquecimento. Os primeiros contos de  fadas foram publicados em 1835. Alguns dos mais famosos são O Patinho  Feio, A pequena Sereia, A roupa nova do Imperador, A princesa e a  Ervilha, Os Sapatinhos Vermelhos, Caixinha de Surpresas, entre  outros. Todas as suas narrativas trouxeram personagens pobres e  excluídos, que transmitem modelos comportamentais e refletem conflitos  sociais. Ele acreditava que a igualdade de direitos deveria reger o  mundo e a relação dos homens. Boa leitura!


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    1 hr
  • Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos (heterônimo de Fernando Pessoa)

    O principal conjunto de poemas de Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos é constituído de 49 poemas e teria sido escrito de uma única vez, na noite de 8 de março de 1914. Ele é um dos principais heterônimos de Fernando Pessoa (1888-1935), tendo sido órfão de pai e mãe e tutorado por uma tia, era intimamente ligado à natureza, já que viveu no cimo de um outeiro, numa casa caiada e sozinha. Defende que “Há metafísica bastante em não pensar em nada”. E questiona pouco, sem querer respostas: "Que opinião tenho? Que tenho eu sobre Deus. Fechar os olhos e não pensar”. Este poema mostra a forma simples e natural de sentir e dizer desse poeta. Alberto Caeiro morreu tuberculoso, em 1915.

    Fernando Antonio Nogueira Pessoa foi o poeta “plural”, o mais universal poeta português, que nasceu e morreu em Lisboa, Portugal, respectivamente em 13 de junho de 1888, e viveu até 30 de novembro de 1935. De 1942 em diante, sete anos após a sua morte, começou a sair uma sequência de obras póstumas sendo que, O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, saiu propriamente em 1986.


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    #fernandopessoa #albertocaeiro #poema #audiolivro #podcastliterario #literatura

    1 hr 35 min
  • Horacio Quiroga - O Travesseiro de Penas (conto)

    Horacio Quiroga (1878 – 1937) foi um poeta, romancista, diplomata e dramaturgo uruguaio. Ele ficou famoso por seus contos de horror, como "O travesseiro de penas”, conto clássico de terror do episódio de hoje que está no livro Cuentos de amor de locura y de muerte (1917). O conto inicia com o casal Alícia e Jordan ainda em lua de mel. Eles vivem uma felicidade especial durante três meses. Em seguida, o conto passa a descrever a frieza e a amplitude da casa em que moram, parecendo um “palácio encantado”, mas com estátuas de mármore e passos que ecoam no estranho ninho de amor desta casa hostil. Até que Alícia cai doente e o médico lhe recomenda repouso absoluto. Neste constante “viver" na cama, é tomada de debilidade, alucinações e uma anemia profunda e inexplicável. A própria vida de Quiroga pode ser tomada como um conto de horror, mas seu nome destaca-se na prosa modernista uruguaia, com as mais terríveis, brilhantes e transcendentais obras da literatura hispano-americana do século XX.


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    #horacioquiroga #terror #audiolivro #podcastliterario #literatura

    34 min

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Leitura de Ouvido vai além do audiolivro, é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio…

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