Leitura de Ouvido

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By LP Lucas e Daiana PasquimArtsBooks
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Leitura de Ouvido episodes

  • Edgar Allan Poe - O Coração Denunciador (conto)

    “O Coração Denunciador” ou "O Coração Delator" (1843) é um conto assustador do mestre do horror, Edgar Allan Poe (1809-1849). Nele, um homem com aguçado sentido de audição conta a história do dia em que teve uma ideia: libertar-se de um olho com catarata, o que implicaria tirar a vida de um velho, que ele passou a visitar toda meia noite, muito demoradamente, portando uma lanterna tapada. A superacuidade dos sentidos ouvindo bater o coração - ao qual ele relacionava a um relógio envolto em algodão - aumentava a sua fúria, incitando um terror incontrolável. É uma história que questiona a própria sanidade, em texto nevrótico. Poe renovou as narrativas góticas, pois em seus textos o terror não está no mundo externo para causar medo no personagem, mas está na cabeça do herói, onde tudo acontece e se reflete no mundo. É a neurose que suscita o medo. Surgiram de Poe histórias profundas e amarradas, de uma mente perturbada, que questionava sua própria sanidade. Ele foi o experimentador de gêneros: renovador da literatura fantástica, marco na literatura de horror, criador da literatura policial ao estilo detetive literário, e inventor da ficção científica. Boa leitura!


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    #edgarallanpoe #ocoracaodelator #audiobook #audiolivro #literatura

    47 min
  • Prefácio Interessantíssimo - Mário de Andrade

    O "Prefácio Interessantíssimo” (1922) foi uma inventividade de Mário de Andrade (1893-1945) ao apresentar para o mundo seu segundo livro, Pauliceia Desvairada, logo em seguida da realização da Semana de Arte Moderna. Pelo prefácio, o escritor modernista, crítico literário, musicólogo, folclorista e ativista cultural criou o Manifesto do programa do Modernismo Brasileiro, no qual ele funda o “Desvairismo” para, no final do texto, extingui-lo, remetendo a uma das características desta nova fase: o antiacademicismo. A escola literária perdurou de 1922 a 1978, dividindo-se em três fases. Os modernistas usaram a linguagem mais próxima do oral, do povo, enaltecendo a cultura com versos livres, sem rima, em textos mais próximos do cotidiano, que versam críticas à sociedade brasileira com humor e sátira e rompem com o tradicionalismo. Seus representantes escreveram, pintaram, arquitetaram, poetizaram, sobre uma nova maneira de viver, ressoando desde a Europa, com a reviravolta da Revolução Industrial. O movimento é irreversível no país, até hoje comemorado por décadas e, neste fevereiro, chegamos aos cem anos desta manifestação, que ainda se toma por fresca. Boa leitura!


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    #semanadeartemoderna #mariodeandrade #audiobook #audiolivro #literatura

    1 hr 4 min
  • Anatole France - A Missa das Almas (conto)

    Anatole France (1844-1924) foi um romancista e contista francês que recebeu o Prêmio Nobel em Literatura em 1921. Herdeiro do Humanismo de Rabelais, Montaigne, Voltaire e Renan, nasceu Jacques Anatole François Thibault e adotou o nome Anatole France pois seu pai era livreiro em Paris, onde nasceu, e chamava a sua loja de Librarie de France. Como ele foi um jovem leitor insaciável, trabalhou também por cerca de quinze anos como bibliotecário do Senado. “A missa das almas” é um conto de fantasmas que inicia no formato: vou te contar uma história, explorado por muitos escritores. Neste caso, um sacristão, filho de coveiro, conta ao narrador a história de Catherine Fontaine, a mulher que usava um anel de ouro com duas mãozinhas unidas. Catherine amara quando jovem e agora, de cabelos brancos e como frequentadora de missas, uma noite acorda atraída por uma celebração jamais vista, uma missa de remorso pelo pecado. Anatole France deixou uma vasta obra e 25 volumes dele foram publicados nos dez primeiros anos póstumos à sua morte. Boa leitura!


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    #anatolefrance #horror #audiobook #audiolivro #literatura

    35 min
  • Dagon - H.P. Lovecraft (audiolivro)

    Em “Dagon”, Howard Phillips Lovecraft (1890-1937) explora a mente de um marinheiro que ao se perder em alto mar descobre a existência de uma divindade híbrida homem/peixe, em um lugar aparentemente inexplorado. O clima da vida real e narrativo da época era a primeira Guerra Mundial e este marinheiro, no navio refém dos alemães, consegue escapar, ficando à deriva por dias, até encalhar na lama numa planície interminável e pútrida. Só na terceira manhã que o marinheiro consegue caminhar rumo a um montículo e, durante essa expedição caudalosa, vai descobrindo o vale, depara-se com profundezas sem luz, o monólito bem moldado e uma criatura marinha deslizando, polifêmica. Lovecraft é o fundador da ficção moderna de horror. Este conto prepara o território para o monstro que virou ícone, com O chamado de Cthulhu (1926). É o ápice de seu horror cósmico que o tornou célebre entre escritores e fãs do segmento, ainda que somente após a sua morte. Ele venerava Edgar Allan Poe, inclusive neste conto, o cita em determinado momento. E é o grande influenciador de Stephen King e Clive Barker, bem como da cultura popular, do cinema, da música, da televisão. Boa leitura!


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    #hplovecraft #lovecraft #horror #audiobook #audiolivro #literatura

    51 min
  • Machado de Assis - Diana (Audiolivro)

    O conto "Diana" foi publicado por Machado de Assis (1839-1908) no Jornal das Famílias em 1866 e narra a amizade de dois amigos cariocas, Alberto e Luís, ambos advogados. Luís parte para o Rio Grande do Sul, para cumprir o testamento do padrinho excêntrico, que teria lhe deixado uma herança, atrelada a um segredo em certo lugar, na casa tal, que estava vazia há 5 anos em Pelotas. Estabelece-se um mistério à la Sherlock Holmes e os amigos trocam cartas entre si, quando Luís conta ao amigo que encontrou o amor. Estava loucamente apaixonado pela bela Diana, uma moça viúva que conheceu numa noite de luar de sexta-feira e sedução. Trata-se de um conto irreverente do Bruxo do Cosme Velho, sendo o oitavo na galeria de áudio dramas do Leitura de Ouvido. 

    Os contos machadianos são arte de pormenores e sutilezas e natural relacionar que “Diana" também é deusa romana da caça e da lua, irmã gêmea de Apolo. Como deusa da lua e como nada em Machado é por acaso, a irreverência do conto encontra-se justamente no fato de o casal apaixonado só se encontrar à noite, até uma reviravolta acontecer. Boa leitura!


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    #machadodeassis #audiobook #audiolivro #literatura

    51 min
  • Marcel Schwob - A Cidade Adormecida (audiolivro)

    Conto A Cidade Adormecida, de Marcel Schwob (1867-1905). Ele foi escritor simbolista francês, precursor do surrealismo. Aquele de desconstruiu os limites entre a verdade e a ficção e que tinha gosto pelo extraordinário. Filho de um intelectual judeu, diretor de jornais e amigos de escritores como Flaubert e Gautier, foi para Paris, onde fez a licenciatura em Letras, afinando-se na literatura com nomes como Poe, Villon e Stevenson. Escrevia artigos sobre filologia para a imprensa. “A cidade adormecida”(1892) é um dos contos de O rei na máscara dourada, seu segundo livro. E conta a história de homens de todos os países, com diferentes cores, diferentes línguas, mas unidos por assassinatos coletivos. A narrativa começa em alto mar e fica intrigante ao chegarem numa ilha com pessoas, igualmente de todas as cores: os vermelhos, para além da Antártida; os brancos, da Europa; os pretos, da África; e os amarelos da Ásia. Neste conjunto, destaca-se o capitão da bandeira negra, que havia pensado chegar na Margem do País Dourado. Suas obras mais famosas são Vidas Imaginárias - livro predileto do mestre argentino Jorge Luís Borges; e A cruzada das crianças, publicado recentemente no Brasil com tradução de Milton Hatoum. O texto de Schwob faz pensar sobre a condição humana e as verdades nos variados continentes, mesmo neste início de 2022. Boa leitura!


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    #MarcelSchwob #surrealismo #audiobook #audiolivro #podcastliterario #literatura

    32 min
  • A Pequena Vendedora de Fósforos - Hans Christian Andersen (audiolivro)

    A pequena vendedora de fósforos, de Hans Christian Andersen (1805-1875). Ele é um dos grandes autores do conto fantástico do século XIX. Contista de reputação mundial, famoso principalmente pelos contos de fadas infantis. Todas as suas narrativas trouxeram personagens pobres e excluídos, que transmitem modelos. comportamentais e refletem conflitos sociais. Ele acreditava que a igualdade de direitos deveria reger o mundo e a relação dos homens. “A pequena vendedora de fósforos” é daqueles contos que você já ouviu, ao menos, uma vez na vida: na catequese, no encontro de família, na reunião corporativa. É a história de uma garotinha de cabelos dourados num fim de dia, que sem vender nada, morrendo de frio e de fome, começa a riscar os fósforos para se aquecer, quando passa a ter visões impressionantes. Um texto temático desta época do ano que leva a refletir sobre a pobreza o frio e a fome, sem perder de vista o encanto e o transcendental das crianças. Durante anos, Andersen escreveu poemas épicos, novelas românticas e peças trágicas - o que hoje ficou no esquecimento. Os primeiros contos de fadas foram publicados em 1835. Alguns dos outros famosos são O Patinho Feio, A pequena Sereia, A roupa nova do Imperador, A princesa e a Ervilha, Os Sapatinhos Vermelhos, Caixinha de Surpresas, entre outros. Boa leitura!


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    #HansChristianAndersen #audiobook #audiolivro #podcastliterario #literatura

    25 min
  • Grazia Deledda - O Mago (conto)

    Grazia Deledda (1871-1936) nasceu em Nuoro, interior da ilha Sardenha, na Itália. Seu pai era um agricultor rico e louvável poeta no dialeto local. Em casa, tinha autoritarismo, mas também uma biblioteca. Bastou, para com 15 anos publicar seus sua primeira obra em prosa. Desde então, mulher incansável, entusiasta de sua arte e de seu povo, não parou de produzir. A ilha de Sardenha era famosa por ser brava, violenta e luminosa. Vista como uma ilha maldita, ninho e refúgio de seres brutos. E ela lindamente a contou. Contos Sardos, do original Racconti sardi saiu em 1894. Nele está “O mago”, de nosso episódio de hoje, que traz a história de um jovem casal que sonha em ter um herdeiro, mas uma magia está interrompendo essa realização. Com aventura e forças ocultas, é um texto que prende do início ao fim. Deledda empurra seus personagens para um universo que se impõe como uma sombra entre o real e o imaginário: a religião e a sobrevivência diária são elementos conectados. Mágicos e padres têm poderes tão reais quanto sobrenaturais. Ela foi uma das mais importantes expressões literárias da Itália entre os séculos XIX e XX, a primeira (e, até o momento, a única) mulher italiana a ganhar o prêmio Nobel de Literatura, em 1926. Deledda deixou uma obra grandiosa: 32 romances, 250 contos e outras obras. Entre os seus escritos mais conhecidos estão os romances Juncos ao vento, Cinzas e Cosima. Boa leitura!


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    #graziadeledda #audiobook #audiolivro #podcastliterario #literatura

    33 min
  • Arábias - James Joyce

    James Joyce (1882-1941) é o escritor irlandês que criou, por meio da ficção, seu próprio pai espiritual: Leonard Bloom, com Ulisses (1922). Ele cunhou as obras inaugurais do Modernismo Literário Ocidental, incluindo Retrato do Artista Quando Jovem (1916) e Finnegans Wake (1939). O conto do episódio de hoje, "Arábias", está no livro de contos Dublinenses (1914) e figura entre as principais narrativas curtas de Joyce. Arábias narra a história de um menino apaixonado pela irmã do amigo, mas não sabe se um dia falaria com ela. É um amor platônico, de adolescência, mas que caminha para um contato entre ambos e a expectativa do garoto em presenteá-la, indo às Arábias. A luz do poste no pescoço curvo da moça é um dos pontos altos da história. Partindo de um acontecimento cotidiano e uma família tradicional, o texto versa sobre abordagens clássicas do escritor, como o nacionalismo irlandês, as restrições da igreja católica, mas tem um toque extra, o do encanto oriental. Boa leitura!


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    #jamesjoyce #arabias #audiobook #audiolivro #podcastliterario #literatura

    45 min
  • Gonçalves Dias - O Canto do Piaga (poesia)

    Gonçalves Dias (1823-1864) é o primeiro grande poeta do Brasil. Nascido numa palhoça no Maranhão, de pai português e mãe cafuza - miscigenação do índio com o negro, tem as três raças da formação brasileira em um homem só. Ele foi um dos principais representantes do Romantismo, na poesia. “O Canto do Piaga” está publicado em Primeiros Cantos (1846) e faz parte das poesias americanas do autor, somado a "I-Juca Pirama", "O canto do Tamoio” e "Os Timbiras". Piaga é o pajé, aquele que na tribo é o responsável pela condução dos rituais mágicos de cura. Ele tem autoridade para invocar e controlar os espíritos. Na poesia, o Piaga têm uma visão de um espectro, que anuncia o prenúncio da invasão das terras, pela água, para matar seus guerreiros, roubar sua filha e sua mulher. Gonçalves Dias reconfigurou a narrativa indianista que até então se fazia, colocando o indígena como personagem principal, um herói. Boa leitura!


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    #poesia #goncalvesdias #audiobook #audiolivro #podcastliterario #literatura

    29 min

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Leitura de Ouvido vai além do audiolivro, é o podcast que transforma linhas em ondas sonoras, criado por Daiana Pasquim e Lucas Piaceski. Contos e poesias, nacionais e internacionais, em domínio…

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