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“O duende em casa do merceeiro” (1853) é conto de Hans Christian Andersen (1805-1875) que apresente os extremos, o pobre e o abonado, com um duende e um livro no meio. Vamos explicar. A começar, é preciso saber que a metáfora do comerciante está para a ideia de posses; e o duende é o seu funcionário. A metáfora do estudante, está para o pouco dinheiro e o fato de estar sempre em busca da sabedoria. A mulher do merceeiro era sábia, tinha o o dom da palavra. Por isto, à noite o duende pegava a sua língua solta e colocava nos objetos, para conversar. Eis que um dia o estudante vai à mercearia para comprar velas e queijo. As velas embrulhadas no livro acenderam a sua atenção, pois o papel era a página rasgada de um livro de poesias. Quando o jovem compra o livro, ao invés do queijo, prova que escolheu apenas a luz, só elas, posto que já tinha as velas. Curioso, o duende começa a espiar a meia água do estudante e, diante da face do menino, com o livro aberto, havia uma luz magnífica, do qual irradiava uma árvore, que cobria a sua cabeça. Esta é a metáfora da árvore da sabedoria. O duende, que morava com o merceeiro interessado nas papas com manteiga que ganhava no Natal, cogitou ficar com o estudante. Ele ficou muito entusiasmado. Um dia, há um incêndio e todos vão salvar o que há de mais valioso. A mensagem final do conto leva a pensar: “alimente o corpo, mas nutra o tanto mais que puder, o espírito”. Boa leitura!
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“Sob as estrelas” é um conto trágico de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), publicado no livro Ânsia Eterna (1903) e vem com um alerta, de conter cenas fortes e condenáveis. Na descrição das penedias da encosta de Minas Gerais, vamos conhecer Padre Júlio que voltava de sua formação no seminário, mas ainda com o coração pulsando por sua amada de juventude, a cabocla Ianinha, que ele abandonou para tornar-se padre, por determinação da família. A narradora revela o amor às escondidas, do qual eram cúmplices as estrelas. É uma história que replica no leitor o peso do passado que o assombrava; pois hoje padre Júlio queria ser puro e santo, mas a figura da moça ainda lhe atravessava a mente, com todos os pecados carnais que ele amaldiçoava, diante da obrigação da carreira que lhe fora imposta. Como forma de tentar apaziguar a sua alma, o jovem padre vai auscultar as sepulturas do cemitério, para tentar descobrir se Ianinha ainda vivia. É quando se depara com a sepultura de uma criança, coberta de flores selvagens e ele se dá conta da “alma pagã criada por seu beijo”. Desejou ardentemente que a morta tivesse sido Ianinha! Mal sabe ele que toques nervosos do sino vão exigir do sacerdote uma postura, para a qual, talvez, ele não tenha coragem, ainda que se agarrasse a seu crucifixo e que murmurasse preces. Boa leitura!
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“O tiro” (1831) é uma história russa de Alexander Pushkin (1799-1837), descoberto como um dos cinco que compõe Os contos de Belkin, ao lado de "O chefe da estação", "A sinhazinha”, ”O fabricante de caixões” e a “A tempestade de Neve”, estes últimos dois, também já produzidos aqui no podcast. Em “O tiro”, no cotidiano do regimento, as conversas entre os oficiais giram em torno de duelos e deve-se compreender a grandeza de importância desta prática, no século XIX. Não aceitar o desafio para um duelo era sinal de covardia. E havia todo um rigor e ritual para executá-lo. Naturalmente, o passatempo principal era o tiro de pistolas.
A história começa na Vila de Z, narrado por um jovem oficial, que conta o enigma da vida de um oficial mais velho, já na reserva, Silvio, que aos 35 anos, já era tido por eles como “velho". Até o dia em que na agência dos Correios, chegam as cartas que deixavam o escritório muito animado. Silvio recebe uma carta que acolhe com impaciência e resolve se despedir dos jovens oficiais, pois deve fazer uma partida imediata. É no jantar de despedida que o jovem narrador conhece a história misteriosa de Silvio, relacionada a um tiro, que ele guarda para resolver cinco anos mais tarde, no capítulo 2, quando já morava na Vila de H. Nesta segunda parte da história entra um homem muito rico, o Conde B. Ao ouvir esta história, você vai compreender o significado de “Você me deve um tiro!” Boa leitura!
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“Teoria do Medalhão” (1881), conto de Machado de Assis (1839-1908), é um manual de conselhos de como “não ser”. Foi escrito no século XIX para ironizar um modelo de colocação social, onde se aparenta a inteligência e a influência, sem a ter substancialmente. É curioso o quando podemos hoje, dois séculos depois, refletir sobre esse conto que versa sobre a carência de ideias e de essência, que pode ser acobertada pela aparelhagem social que deixa uma pessoa notória, mesmo sem saber verdadeiramente sobre quase nada. Publicada na Gazeta de Notícias em 1881, a história se faz do diálogo entre um pai - frustrado por nunca ter alcançado ser um medalhão e seu filho Janjão, que acaba de chegar à maioridade de 21 anos, em 5 de agosto de 1854. Além dos pais, a influência de terceiros é fundamental a um medalhão. Uma questão é fundamental. Para ser medalhão, deve-se ter experiência, normalmente, alcança-se após os 45 anos. No diálogo, feito a portas fechadas, o pai desenrola toda a matéria necessária para o filho se tornar um medalhão: “antes das leis reformemos os costumes”, frase que, segundo ele, resolve rapidamente todo problema. Com o conto, compreendemos o porquê de as formas de ascensão social estarem arraigadas a estruturas arcaicas e patriarcais do exercício do poder. Boa leitura!
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Labareda (2025), de Gabriela Romeu, é um original Leiturinha, ilustrado por Bruna Lubambo, que vibra ao som dos tambores e ao brilho dos cabelos dos caboclos de lança. A história é sobre o Maracatu Rural, originário da Zona da Mata, em Pernambuco, festa típica do carnaval brasileiro , principalmente em Olinda e Recife. A melhor forma de fechar agosto, mês do Folclore, é trazer um livro brasileiro, recém-lançado, que brinca e dança para abrilhantar temas como identidade e pertencimento. Esta produção vem com nossa parceria com o maior clube de assinaturas de livros infantis do Brasil.
Gabriela Romeu é paulista, jornalista e documentarista, tendo rodado o território brasileiro, do Complexo da Maré no Rio, à floresta Amazônica, das margens do Oiapoque até os pampas. Quando viajou para a Zona da Mata pernambucana, teve a inspiração para escrever. Assim surge a protagonista: uma menina fascinada por esta festa de carnaval. O texto dela não conta tudo de cara, mas explora com sutileza três gerações: a menina, sua mãe e sua avó, entrelaçado com esta festa cultural.
"Labareda" é um original vibrante. Ao passar as páginas, revela-se o conto com linguagem narrativa , poética e sensorial. Quem é assinante, recebe surpresas todos os meses.
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“O delírio” é o Capítulo VII de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis (1839-1908), romance publicado em folhetins na Revista Brasileira, de 15 de março a 15 de dezembro de 1880. Já no ano seguinte, assume a forma de livro, com o espanto dos leitores diante do romance escrito por um defunto, dedicado “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver” e que termina com a celebração “metafísica”, do quase nada que fora a vida do autor, um Cubas! elegemos hoje um dos 160 capítulos que podem ajudar a compreender a prosa que se tornou um divisor de águas na vida de Machado e também na Literatura Brasileira, posto que esta narrativa marca a passagem do Romantismo para o Realismo. O casamento não é mais o centro das atenções! Brás Cubas atribui ao sacramento bulhufas de atenção. E demora-se em seu próprio nariz, no entorno de seu leito de morte. O capítulo do delírio pode até ser tomado como um conto, mas há nele fragmentos que podemos considerar fios de ouro para analisar as Memórias. Note que o Realismo aqui tem toques de Naturalismo, do homem decompondo-se como autor defunto e parodiando esta situação. Contudo, é interessante a maestria machadiana que neste capítulo “O delírio", atravessa o portal do Realismo Fantástico. Neste famoso capítulo “O delírio”, Brás Cubas viaja à origem dos séculos e segue quase o fim dos tempos. Boa leitura!
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“Olhos verdes” é poesia amorosa que Gonçalves Dias (1823-1864) fez para o grande amor de sua vida, Ana Amélia Ferreira do Vale, uma mulher por quem ele se apaixonou no Maranhão em 1846 e que sim, tinha olhos verdes! O poema é feito em estrofes de oito versos, com combinações entre redondilhas maiores e redondilhas menores. Nessa estrutura, Gonçalves Dias trabalha diversas figuras de linguagem, destacando-se principalmente três: metáforas, comparações e antíteses. O eu-lírico vê os olhos dela como esmeraldas, compara-os à cor do prado e à cor do mar, bem como ao espelho. Ao mesmo tempo, une sentimentos antagônicos: vida e loucura; amor e morte; o que põe às claras o amor não correspondido, já que o casamento entre eles foi impedido pela mãe de Ana Amélia, que desaprovava a relação devido à origem mestiça do poeta. Por isso, em suas poesias líricas e em cartas trocadas com amigos, esta paixão frustrada é um dos temas recorrentes. Em “Olhos verdes”, Dias insiste no estribilho: “Que ai de mim / Nem sei qual fiquei sendo / depois que os vi!”, o que confere ritmo e musicalidade ao conjunto de versos e também rememora a poesia lírica trovadoresca, por reiterar o sentimento. Neste episódio fizemos ainda “a concha e a virgem” e “sonho de virgem”, poemas que enfatizam sua fissura por donzelas. Boa leitura!
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“Romance do pavão misterioso” (1923) é possivelmente uma das histórias de cordel mais conhecidas, publicado pelo paraibano João Melquíades Ferreira da Silva (1869-1933). É uma obra singular da literatura brasileira e nordestina, pois o poema tem 141 estrofes com seis versos cada, em 34 páginas do folheto. Escrito nos anos 20, já teve mais de 50 reedições. E por trás dela há uma polêmica de autoria. Alguns a atribuem a João Melquíades Ferreira da Silva, outros, a José Camelo de Melo Resende. Os versos são praticamente idênticos, em ambos os folhetos. "Romance do Pavão Misterioso" narra a trajetória de dois irmãos turcos e ricos: João Batista e Evangelista. Um deles resolve viajar e o irmão pede-lhe um presente. Quando o mano Batista leva um retrato da moça ao Evangelista, ele enlouquece de amores e parte logo para a Grécia, com o intuito de ter com ela. Mas para isso é preciso tempo e um bom plano, por isso procura um engenheiro, dr. Edmundo. É da cabeça do artista que surge a engenhoca, um aeroplano em forma de pavão. Com ele, Evangelista acessa o alto do sobrado e adentra ao quarto da condessa. O fortuito é um mistério e todos os soldados são postos para descobrir como a invasão, que parece sobrenatural, acontece.
O pavão misterioso lembra a história hindu muito antiga do Pañcatantra, fábula da literatura sânscrita baseada no conto “O tecelão e o construtor de carruagens”. Outra inspiração pode ser a ave celestial Garuda, a espécie de "homem pássaro”, ou o pássaro que transporta o deus Vishnu. Garuda é um emblema nacional na Indonésia e na Tailândia. E inspira filmes e jogos, como Street Fighter, onde Garuda é um dos personagens guerreiros. Boa leitura!
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"A Terra dos meninos pelados" (1939) é uma novela de Graciliano Ramos (1892-1953) em 23 capítulos. No mundo criado pela cabeça do menino “RaiMUNDO”, não há cabelos: os olhos são de duas cores, um olho preto e outro azul. Além de diversos meninos e meninas iguais a ele, na história há fábula, com diversos seres falantes, como: automóvel, laranjeira, tronco, rã, pardal, aranha vermelha, cigarra e guariba. Neste universo caminha-se sempre para a frente, não é preciso voltar. Eles não envelhecem, são sempre meninos. É um texto que trabalha a fantasia e a diversidade. Ensina sobre fazer amigos e a viver em sociedade.
O livro de Graciliano recebeu o Prêmio de Literatura Infantil do Ministério da Educação, em 1937. É este episódio que elegemos para inaugurar nossa parceria com Leiturinha, o maior Clube de Assinatura de Livros Infantis do Brasil. Leiturinha forneceu um cupom exclusivo nosso, para os planos UNI e DUNI, por tempo limitado, que dá Frete Grátis por um ano!
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“Via láctea” é uma prosa poética de Fernando Pessoa, na escritos da Parte II - Grandes Trechos, de O Livro do Desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. A Parte I - Diário de Bernardo Soares, é atribuída a este semi-heterônimo. O episódio de hoje é o último título e trecho da parte II do livro. Na edição portuguesa que temos da Assírio & Alvim, os editores afirmam não ser certo de que todo o trecho corresponda ao subtítulo “Via Láctea”, que talvez esta reflexão talvez se acabe em: “(…) daquilo a que chamavam ‘Natureza". Ou seja, a continuidade, “Em mim o que há de primordial é o hábito e o jeito de sonhar”, li-a se uma anotação Segunda Parte. Neste trecho, o ator português fala a todo o tempo de sonho e de sensações, fazendo amplo uso de aliterações como: “sequestradas sensações sentidas”, “nácar de inúteis”, "álias e alamedas”, entre outros. Como ele chama o texto de “Via Láctea”, somos tentados a questionar: a cabeça de um homem é um universo ou o universo sabe na cabeça de um homem? Pois com essas linhas poéticas ele filosofa por um mundo inteiro, acreditando que “sonhar é possuir”e ainda, "só o que importante é o que o sonhador vê”. E ainda afirma: “eu sonho-me em mim mesmo e de mim escolho o que é sonhável”. Como sugere o narrador, que se façam muitas “fotografias com a máquina do devaneio”, posto que através de conhecer-se inteiramente, conhece-se a humanidade toda. É com toda essa pulsação de vida que celebramos o Dia do Escritor, neste 25 de julho. Boa leitura!
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