Depois de alimentar e curar Seu próprio povo, e de pregar para ele, Jesus tomou
uma decisão dramática. Ele saiu da área dos judeus e entrou na região dos excluídos,
os gentios.
5. Leia Mateus 15:21-28. Como devemos entender essa história?
Em muitos aspectos, essa não é uma história fácil de se ler, porque não temos
a vantagem de ouvir o tom de voz e ver as expressões faciais das pessoas envolvidas.
A princípio parece que Jesus ignorou essa mulher; depois, quando falou com
ela, Suas palavras parecem muito rudes: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-
lo aos cachorrinhos” (v. 26).
Contudo, precisamos considerar algumas coisas.
Primeiro, é verdade que naquela época os judeus se referiam aos gentios como
cachorros, o que sugeria a imagem de muitos cachorros correndo pelas ruas. Mas
Jesus usou ali o termo grego mais carinhoso, “cachorrinho”, o que traria à mente a
imagem de cães de estimação alimentados com as coisas que são servidas à mesa.
Segundo, essa mulher cananeia chamou Jesus de “Filho de Davi”. Isso mostra a
familiaridade dela com o contexto judaico de Jesus. Como um bom mestre, Jesus
passou a dialogar com ela e talvez a testá-la. Craig Keener escreveu: “Talvez Ele estivesse
exigindo que ela entendesse Sua verdadeira missão e identidade, para que
não O tratasse como um dos mágicos ambulantes a quem os gentios às vezes apelavam,
solicitando que fizessem exorcismos. Porém, Ele certamente a estava convidando
a reconhecer a prioridade de Israel no plano divino, um reconhecimento
que, para ela, incluía a admissão de sua condição de dependência. [...] Podemos
comparar isso à exigência de Eliseu de que Naamã mergulhasse no Jordão, apesar
da preferência de Naamã pelos rios arameus Abana e Farfar [...], o que acabou levando
Naamã a reconhecer o Deus e a terra de Israel” (2Rs 5:17, 18; The Gospel of
Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary [O evangelho de Mateus: um comentário
sócio-retórico], p. 417).
Finalmente, é provável que essa mulher fosse grega de classe alta integrante de
um grupo de pessoas que tinham “rotineiramente tomado o pão dos judeus pobres
que residiam nas imediações de Tiro. [...] Então [...] Jesus inverteu as relações
de poder, pois o ‘pão’ que Jesus oferecia pertencia primeiramente a Israel. [...]; essa
“grega” devia suplicar ajuda de um judeu itinerante” (Ibid.).
Esta não é uma passagem fácil, mas devemos confiar em Jesus. Ao dialogar com
aquela mulher, Jesus a dignificou, assim como fez com a mulher junto ao poço. No
momento em que ela foi embora, Jesus já havia curado sua filha e sua fé no Filho
de Davi havia sido despertada.