"SOBRE O DIA E A MEMÓRIA", por Maria Luiza Firmino
e se olhasse para o mundo agora
veria o dia nascendo devagar nas folhas da amoreira,
a borboleta amarela pousando no chão encardido
e debaixo de uma sombra qualquer
um formigueiro.
Sentiria o sol laranja na pele do rosto
e, decerto, invejaria
a liberdade dos pássaros e o grito valente das cigarras.
Era menina de tato:
sentiria o mundo nos dedos grossos das mãos e nos pés achatados.
E de tanto andar assim, esquecendo os chinelos e o tempo,
encardiria as solas e ficaria velha.
Mas, se olhasse o horizonte agora,
apenas sorriria e veria um céu sem nuvens, um coração sem saudade,
um dia claro, vigoroso
e limpo.
Era menina de amanhecer:
choraria ao pôr do sol
mas outra vez acordaria pedindo café,
com manias de criança esperançosa,
para depois se debruçar à janela e, descalça,
sentir a luz do dia inundar a si mesma e a varanda.
Este poema está publicado na coletânea poética "UMA POESIA PARA CADA DIA" da Lura Editorial. Narrado por Igor Alisson, do podcast "Lendo Poesias", no Spotify.
O livro está disponível em nossa livraria, no site da Amazon e na Martins Fontes Paulista:
📕 Livraria da Lura: bit.ly/LU90122
📕 Amazon: amzn.to/322ba0K
📕 Martins Fontes: bit.ly/WMF970892