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Para o filósofo austríaco Karl Popper, o processo de pesquisa científica apresenta três momentos: problema, conjecturas e falseamento. O problema consiste em pensar em um conflito que precisa ser resolvido. A conjectura é comprovar experimentalmente. O falseamento é provar que a teoria é científica pelo fato de que ela pode ser falsa. Como é que é, cara? Só e científico se puder ser falso? Sim. Dizer isso em tempos de pandemia, bicho, é uma loucura.
Vai começar a gritaria...
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Este mês os assinantes do Café Brasil premium receberão o Podsumário do livro O Catalisador, que trata de como convencer as pessoas a mudar. Num ponto do livro, o autor Jonah Berger diz assim:
“A Web e as mídias sociais se combinaram para criar um estado de isolacionismo intelectual em que as pessoas raramente são expostas a pontos de vista conflitantes. Combinado com a tendência das pessoas para clicar em informações que apoiam suas perspectivas, esses algoritmos podem levar a humanidade a se tornar cada vez mais isolada em suas próprias bolhas. Para resolver esse problema, os especialistas sugerem que você, em vez de se esconder dentro de uma bolha on-line, busque trocar ideias com alguém que vê as coisas de maneira diferente. Crie pontes para o outro lado. Intuitivamente, isso faz muito sentido. Indo além das caricaturas e estereótipos e envolvendo-se com alguém que discorda, ambos os lados se beneficiarão. Em vez de inimigos ou adversários, as pessoas começarão a ver o outro lado como seres humanos reais. Ao entender de onde vem a oposição, todos nós ganharemos pontos de vista mais diferenciados.”
Pois é... mas num cenário de histeria, a generosidade de se abrir para novas ideias é bem difícil. Todos temos a tendência de procurar e processar informações de uma forma que confirme um ponto de vista já existente. Isso é chamado de viés de confirmação. E ninguém está imune. Nin-guém! O viés de confirmação molda os tratamentos que os médicos prescrevem, as decisões que os jurados tomam e as estratégias que os investidores seguem. O viés de confirmação direciona as ações que os líderes realizam, os cientistas pesquisam e o feedback que os funcionários internalizam. O viés de confirmação leva ao isolacionismo intelectual, quando você não procura, refuta e, não raro, caçoa de ideias diferentes. Como se só você fosse o dono da razão.
É aí que começam todos os problemas.
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A vida toda conheci a história de Chapeuzinho Vermelho do ponto de vista de um narrador, no caso da versão clássica dos Irmãos Grimm, que botaram ordem nas informações, transformando-as numa história clássica. Eles escolheram os melhores ângulos e interpretações do ponto de vista deles, e assim nos encantaram com a menininha, a vovó, o caçador e o lobo mau. Mas o mundo mudou. Nos sentimos sonegados de uma parte da realidade, ao nos depararmos com a visão de um narrador só.
Como num grande Big Brother Brasil, estamos em busca da ação sob ângulos diversos e, teoricamente sem edição. Assim imaginamos que seja possível assistir além da narrativa e da manipulação de alguém.
Como seria Chapeuzinho Vermelho do ponto de vista da menina? Da Vovó? Do Caçador? E por fim, do Lobo? Seria a mesma história? Quem seria o vilão? Quais os motivos de cada um? Quem estaria certo?
Chapeuzinho Vermelho com as imagens capturadas pelas câmeras do narrador, da menina, da vovó, do caçador e do lobo mau, localizados em pontos distintos ao longo da trama. Essas imagens brutas iriam ao ar ao mesmo tempo e caberia ao telespectador montar a narrativa que lhe interessasse. Material extremamente rico em conteúdo, mas... sem ritmo.
Tem gente que aposta que esse é o futuro da imprensa. Eu vou esperar para ver. Acho que, até por um problema de capacidade mental, sempre precisaremos de alguém que nos conduza pela narrativa, apontando os detalhes que não conseguimos enxergar, ligando pontos e ajudando a entender a realidade.
O problema é que os narradores atuais têm feito um serviço de porco. Ou de lobo. Em vez de ajudar a entender a realidade, nos deixam desconfiados, bombardeados por suas mentiras, ideias românticas e promessas do paraíso.
Tome cuidado com os narradores que você escolhe.
No Chapeuzinho Vermelho 4.0, tá cheio de lobo se fingindo de menininha pra comer a vovó.
Versão no Youtube: https://youtu.be/99KMJLV_TqY
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Cafezinho 362 – Na bala.
“Maomé não é sagrado para mim. Eu vivo sob a lei francesa e não sob a lei do Corão”, afirmou o cartunista e editor-chefe do Charlie Hebdo, Stéphane Charbonnie, em 2011 após reação violenta de fanáticos à publicação de charges consideradas ofensivas ao islamismo. Quatro anos depois, ao que consta, ele foi o primeiro a ser morto quatro no atentado de 7 de janeiro de 2015. Na ocasião, escrevi assim:
“Segurar um cartaz, usar um botão ou publicar um post dizendo ´Je Suis Charlie´ não quer dizer que você concorda com o posicionamento político ou ideológico do jornal Charlie Hebdo. Não quer dizer que você aprecia as charges que eles publicavam. Não quer dizer que você endossa as gozações e ataques que eles fazem a religiões, governos e personalidades. Nem mesmo quer dizer que você, se morasse na França, seria um leitor do jornal. Neste momento, nestas circunstâncias, quer dizer que você se solidariza com seres humanos que foram mortos por expressarem suas ideias.”
Trago esse assunto de volta por conta do episódio envolvendo o Deputado Daniel Silveira. Por favor, POR FAVOR, guarde as proporções. Minha opinião é a seguinte: se aquele vídeo ofensivo que ele publicou foi iniciativa individual dele, o deputado foi muito burro. Subiu no ringue para lutar com Mike Tyson no auge. Não tinha a menor chance. Como os cartunistas do Charlie Hebdo, ele pagou a conta por falar o que quis, como quis.
O vídeo foi ofensivo, excessivo, teatral e irresponsável, exatamente como os cartuns do Charlie Hebdo. Mas o deputado não poderia ser preso por expressar sua opinião.
Os juízes do STF agiram como os terroristas: se as leis da França não proíbem que as piadas contra Maomé sejam feitas, eles resolvem na bala.
Se a constituição brasileira não proíbe que o deputado ofenda quem ele quiser, eles resolvem na bala.
Felizmente ainda não matam o corpo.
Versão no Youtube: https://youtu.be/iR9JCAg0zJ4
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Há muito tempo eu tinha a ideia de trazer para o LíderCast uma dupla sertaneja que estivesse no auge da fama. E depois de um bom tempo tentando casar agendas, eis que surge a oportunidade de um bate-papo com o Cesar Menotti, que em parceria com seu irmão Fabiano, compõe uma das duplas de maior sucesso no Brasil. Como dois bons caipiras, mandamos ver num proseado bão, com direito a viola, coxinhas e muitos causos. Vamos nessa?
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A edição 21 do Big Brother Brasil parece recuperar os índices de audiência e de popularidade das edições mais antigas, com o povo gritando nas janelas a cada eliminação de um vilão. O BBB é um fenômeno POP impressionante.
O músico Mauricio Pereira, disse assim no LíderCast: “o pop, ao mesmo tempo em que é muito comercializável, ao mesmo tempo que é vendável, ao mesmo tempo que é burro, idiótico, traz em si o sagrado. Porque tudo o que é possível e passível de ser tornado coletivo em grande escala, eu acho que traz o sagrado dentro de si. Então eu tenho orgulho de ser músico pop, é como se eu dissesse, eu sou um vira lata filósofo, guerrilheiro, poeta, mas vira-lata, sempre vira-lata, sempre. Eu quero que todo mundo entenda a minha música. E pop é isso, é veloz e não tem medo do comércio, muitas vezes o sagrado está no comércio, não está na academia.”
Aquela fala do Mauricio reforçou a ideia de que nenhuma manifestação humana capaz de mobilizar milhões de pessoas deve ser esnobada. Você que não suporta o BBB e nem quem fala sobre o BBB, não escapará da influência dele sobre quem gosta. Você pode se negar a ver, ler, ouvir ou falar a respeito, mas não pode negar que existe. E que é um fenômeno.
No final do Cafezinho 313, que propõe uma reflexão sobre como ocupamos nosso tempo livre, escrevi assim:
“Há uma decisão política quando decidimos que queremos nos afastar dos temas pesados, queremos nos aliviar da histeria e dos barracos que infestam a política nacional. Tomamos a decisão política de ficar de fora, o que é perfeitamente legítimo.”
Para alguns, o BBB é uma fuga, para outros, uma válvula de descompressão, para alguns é só entretenimento, para outros é uma lição. Para uns é uma desgraça, para outros é redenção.
Para mim é uma curiosidade que precisamos estudar.
Até para entender o que é que o brasileiro é.
Versão no Youtube: https://youtu.be/uBmc67wG3DU
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Vamos então a mais um programa que fala do empreendedor brasileiro. Mas que poderia ser mexicano, colombiano, uruguaio, espanhol ou norte americano. O problema é que aqui no Brasil, tudo parece mais difícil. Especialmente quando a gente decide ser o dono da firma. Além de se ferrar de verde e amarelo, ainda é ofendido e perseguido. Que dureza, cara... como é duro trabalhar....
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Começo a semana com uma deliciosa mensagem de uma aluna: "Bom dia Pessoal produtivo! Realizei 100% do nosso curso #produtividadeantifragil e agora estou revisitando todas as aulas. Consegui perceber o quanto me desenvolvi e quanto mudei meu olhar sobre a produtividade, procrastinação e entender que a responsabilidade é minha e de mais ninguém de resolver e fazer bem feito o que precisa ser feito no tempo certo. Eu decidi ser tripulante, e não passageiro, um dia de cada vez , combatendo todos os dias a primeira, a segunda, terceira e quarta desculpa ... como Luciano ensinou no ensaio da produtividade e assim tem sido. Muito Obrigada pelo excelente conteúdo e pela dinâmica que você aplicou. Recomendo e seguirei recomendando!"
Essa perspectiva de ter contribuído com a evolução de alguém é o que me faz continuar lutando. E vira e mexe alguém me sugere entrar na política, dizendo que eu poderia contribuir ainda mais se fosse um deputado ou senador. Para esses eu tenho uma resposta padrão, que Guimarães Rosa deu quando lhe perguntaram se se considerava um político:
“Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade… Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.”
Eu até veria com simpatia a ideia de entrar na política, se pudesse pensar em eternidades. Mas está muito claro que é impossível. Em política, quem pensa em eternidades é atropelado pelos que pensam em minutos.
Ao invés de agir como político, sinto-me muito mais útil como uma espécie de educador. No ensinamento que aquela aluna levará consigo pelo resto da vida, e que continuará com quem ela ensinar, tem um pouquinho de mim.
É assim que me farei eterno.
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No Youtube: https://youtu.be/-kj5hE5aSRw
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No módulo Liderança de meu curso on-line CAMP, eu discorro sobre indicadores de performance. E falo de três áreas distintas. Primeiro das coisas que dá pra medir: custo, produtividade, lucro, absenteísmo, coisas que cabem na planilha e que são fundamentais para entender o que está acontecendo.
Depois falo das coisas que podemos sentir, que têm a ver com energia, com excitação, com você estar vendo brilho no olho, sentindo o clima do ambiente.
E, por fim, as coisas que podemos observar. As pessoas trabalhando bem, saindo para almoçar, indo no boteco, todo mundo junto, animado e demonstrando alegria.
Coisas que podemos medir, coisas que podemos sentir, coisas que podemos observar. Você tem de olhar as três se quiser entender o que realmente está acontecendo.
O que conseguimos medir é importante, mas é só um pedaço. Muitas vezes o número está muito bom, mas o clima não está legal. Talvez esse número não seja sustentável.
Agora vou arrumar incomodação. Por favor, ouça até o final. Se cair o disjuntor, é só religar.
Trazendo para a esfera da ciência, também tem o que dá pra medir, o que dá pra sentir e o que dá pra observar. E nas esferas do sentir e observar, existem centenas – milhares, até - de profissionais tarimbados, com anos de experiência, médicos reconhecidos, adotando diversas formas de tratamento precoce para a Covid 19, apoiados em evidências de que deu certo com seus pacientes. Olha, quando é um ou dois, a gente tem de ficar desconfiado mesmo. Mas quando são centenas, milhares, é para - no mínimo – observar com muito cuidado em vez de prontamente acusar de curandeirismo, negacionismo ou seja lá o que for. Quem afirma categoricamente que não funciona, não pode provar que não funciona e não aceita que não pode, é o verdadeiro negacionista.
Anos atrás, a disciplina da Economia sofreu um abalo quando surgiu a Economia Comportamental, que rendeu até prêmio Nobel. A Economia Comportamental trouxe a observação, a experiência, a psicologia, o relacionamento humano para dentro da economia tradicional e deu um nó na cabeça dos tradicionalistas. Ela provou que só números não conseguem representar a complexidade de nossas vidas.
Talvez estejamos precisando de mais Ciência Comportamental. Ou coragem.
Ouviu? Muito bom, agora pode voltar a gritar.
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Versão do Youtube: https://youtu.be/6ZIJymfEuK0
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