
Sign up to save your podcasts
Or


Seja raso. Não sofistique. Ninguém vai entender. Use um linguajar infantil, idiota. Faça apologia à ignorância. Aliás, use a ignorância como credencial. E se puder, arrume uma treta com alguém maior que você. Pronto. Dei a receita da comunicação nestes tempos de busca por cliques e aceitação rápida: a infantilização dos debates.
As consequências estão por aí.
E com nosso sistema educacional falido e os meios de comunicação ricos em fórmulas prontas, essa infantilização não ajuda a amadurecer os debates. Não estimula ninguém a crescer. E colabora para que a mediocridade seja não só mantida, mas incentivada.
- Vai, meu, escolhe rápido! Não pense muito, ou vão te atropelar!
E sob essa pressão, afundados na ignorância, incapazes de sair atrás de estímulos intelectuais, preferimos acreditar em verdades simplificadas e soluções milagrosas anunciadas por líderes mágicos. Aquela gente que viu a coisa. Infantilizados, passamos a interpretar os fatos com base em nosso reduzido repertório. Tiramos nossas conclusões superficiais e apressadas. Atribuímos nossas conclusões a um terceiro. E depois atacamos o terceiro por causa da conclusão à qual nós chegamos...
Repare como é, especialmente nas mídias sociais. Esta semana perdi um tempo precioso dialogando com um sujeito que entendeu o que eu não escrevi. Quando finalmente desisti e comentei que eu podia explicar para ele, mas não podia entender por ele, o sujeito respondeu:
- Obrigado pela forma carinhosa de me chamar de ignorante, nhééééééééé´...
Isso é familiar a você?
Pois é. Cada um entende como pode. Infantilizar o debate só piora a situação, criando adolescentes de trinta, quarenta, cinquenta anos.
Cara, não dá pra crescer assim.
Versão no Youtube: https://youtu.be/aLOpCdDJGdc
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Da mesma forma como o Youtube joga no colo da gente um monte de lixo, também joga pérolas. Tudo depende de como filtramos os conteúdos. E uma descoberta importante foi o Alessandro Santana, do Canal do Negão, um empreendedor que sai do mundo da sucata para se tornar uma referência entre os Youtubers. E para isso, ele usa duas ferramentas irresistíveis: a transparência e o bom senso. O papo de hoje é com ele.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
As imagens que você está vendo aqui, ou o som que você está ouvindo, são da Rua Bresser, bairro da Mooca, em São Paulo. Com a ordem de fechamento das lojas, vendedores ambulantes tomaram todas as calçadas e estão lá, às centenas, oferecendo seus produtos. À revelia da proibição, do chamado lockdown. Essa gente não tem meios de subsistência, a não ser a venda de seus produtos na rua.
No filme Jurassic Park, o matemático Dr Ian Malcolm, depois de testemunhar o nascimento de um bebê velociraptor, expressa suas preocupações para John Hammond. Ainda em estado de choque, Malcolm tenta explicar a falha científica, natural e inerente ao plano de Hammond e suas palavras finais ficaram famosas:
"Ouça, se há uma coisa que a história da evolução nos ensinou, é que a vida não será contida. A vida se liberta - ela se expande para novos territórios e quebra barreiras dolorosamente, talvez até perigosamente ... Estou simplesmente dizendo que a vida, uh, sempre encontra um caminho."
É assim mesmo. Existem duas possibilidades para os ambulantes da Rua Bresser, e vou usar a matemática do Ian Malcoln: se saírem à rua para trabalhar, desafiando as ordens para ficar em casa, e forem infectados, os ambulantes correm um risco menor que 1% de morrer da Covid 19. Se ficarem em casa, correm 100% de risco de não ter comida para alimentar seus filhos.
Nenhum dos ambulantes da Rua Bresser tem intenção de pegar ou transmitir o vírus. Mas também não têm escolha. Na condição deles, me parece que a decisão entre ficar em casa ou correr o risco da Covid, não é difícil de ser tomada.
É fácil meter o dedo na cara deles e gritar: negacionistas! genocidas! Não é?
Difícil é quem tem acesso ao IFood, Netflix e supermercados, entender que a vida, uh, sempre encontra um caminho.
Versão no Youtube: https://youtu.be/aLOpCdDJGdc
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
A versão completa deste vídeo é exclusiva para assinantes do Café Brasil. Saiba como assinar em http://confraria.cafe.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Uns 15 anos atrás meu filho chegou em casa orgulhoso. Virou ídolo da turma pois estava “ficando” com uma das garotas mais fantásticas da faculdade.
- Tem gente que veio pedir meu autógrafo, pai!
Depois de um longo período sem comentários sobre a deusa, perguntei pela garota e ele disse, com aquela cara de decepção e desprezo:
- Ela gosta dos Travessos...
Os Travessos era um grupo de pagode liderado por Rodriguinho, que na época usava cabelos descoloridos e uma viseira na testa. Fazem aquela musiquinha nhém-nhém-nhém que infestava as rádios e programas dominicais da TV.
Pois então... Fã de pagodeiros? Para meu filho, acabou a Deusa da faculdade.
Quando eu tinha lá meus 13 ou 14 anos, em Bauru por volta de 1971, uns amigos loucos gostavam de Jimmi Hendrix e Led Zepellin. Eu curtia o Benito di Paula, que devia ser equivalente aos Travessos para meu filho. Em 1975 me mudei pra São Paulo, onde as referências de meus novos amigos eram Milton Nascimento, Sá e Guarabyra e Caetano... e eu com o Benito di Paula. Fui quase escorraçado. Mas com o tempo fui aprendendo a gostar das coisas boas da música. Hoje adoro Hendrix, Led Zeppelin, Milton, S´e Guarabyra, Caetano e... Benito Di Paula!
Nada como a maturidade para alargar nossas percepções.
Pois é... tive amigos que me mostraram novas ideias. Daí a importância de cada um de nós como mentores das gerações que nos seguem.
Olha, é tentador falar pra você prestar atenção nas pessoas com quem anda, mas aí me lembro de uma frase de Millôr Fernandes:
Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Pois é: Judas andava com Cristo. E Cristo anva com Judas.
Tem uma escolha individual no caminho.
Versão no Youtube: https://youtu.be/PSvIhf_5SDk
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
A versão completa deste vídeo é exclusiva para assinantes do Café Brasil. Saiba como assinar em http://confraria.cafe.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Você já ouviu falar em auto-ilusão? A forma como nós enganamos a nós mesmos, aceitando como verdadeiro aquilo que é falso? Existem diversas maneiras desse mecanismo agir em nosso inconsciente, tentando fazer com que as circunstâncias e os fatos sejam moldados conforme nossas crenças e desejos. Hoje vamos refletir a respeito.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, pundonoroso, cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade. O que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito. Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infringindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível.
Bem, isso é o que diz a Wikipedia. Lendo aqui, parece que integridade tem a ver com quem é... assim... um bocó-de-mola. Putz... bocó-de-mola? É. Essa é dos meus tempos de garoto em Bauru. Conforme o Dicionário Brasileiro de Insultos, de autoria de Altair J. Aranha, “Bocó é o que tem um comportamento meio infantil, apatetado. “Bocó de Mola” é um bobo a quem se dá corda; “nasceu e cresceu bocó”; vai morrer assim”...
Se bobear, integridade, com essa coisa de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, briosa, pundonorosa, nos dias de hoje é coisa de bocó-de-mola, de trouxa, de otário, não é? Pois é.
O indivíduo íntegro é aquele que se apega a seus valores, que não negocia, que não entra na boiada e vai pra lá ou pra cá só porque todo mundo está indo. O indivíduo íntegro não abre mão de seus valores e convicções só para ficar na modinha. Com isso tem mais chances de reduzir as áreas cinzas, onde o bem e o mal são relativizados.
Não gosto, não aceito, não quero, não transijo, só porque você acha que sua visão de mundo, alinhada à patota, é melhor que a minha.
E isso nada tem a ver com ser de direita ou de esquerda, ser progressista ou conservador.
Tem a ver com querer um mundo melhor, mas não a qualquer preço.
Versão no Youtube: https://youtu.be/o2ZxW9Xb0Vk
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
A versão completa deste vídeo é exclusiva para assinantes do Café Brasil. Saiba como assinar em http://confraria.cafe.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
No Cafezinho anterior, falei da dissonância cognitiva. Neste, quero tratar da imunização cognitiva. A imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e crenças, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade.
Existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.
Primeira fase: isolamento. A pessoa vai eliminando de seu convívio quem pensa diferente dela.
Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. Só leio argumentos com os quais eu concordo.
Terceira fase: conexão das crenças a emoções poderosas. “Se você não seguir essa ideia, algo de ruim vai acontecer”.
Quarta fase: associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários.
Quinta fase: a repetição. Cria-se um tema, um slogan, que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado, de lavagem cerebral: “Fora Temer”… “Foi golpe”…
Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos do que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E aí não adianta argumentar, mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, a foto, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico, a mala de dinheiro, a pesquisa publicada na revista… O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos. Para ele, argumentos lógicos não têm relevância. É por isso que vemos tanta gente com estudo, inteligente, articulada, honesta, que a gente sabe que não é canalha, defendendo em público o indefensável.
Como é que essas pessoas chegam a esse ponto?
Imunização cognitiva, meu caro. Defendem crenças, não defendem a verdade.
Versão no Youtube: https://youtu.be/Ln85YGkhFL8
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
A versão completa deste vídeo é exclusiva para assinantes do Café Brasil. Saiba como assinar em http://confraria.cafe.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Pandemia, que loucura. Tranca, abre, tranca, abre. Toma vacina, trata precocemente, vai pra escola, não vai pra escola... E aí, hein? Afinal, esse lockdown funciona? E a vacina? E a cloroquina? Pô, enquanto essa ciência não chega num acordo você está determinando suas atitudes e o destino de sua vida baseado em explicações que não podem ser comprovadas?
Eu acho que tem um dragão na sua garagem, cara...
Vamos falar um pouco mais de ciência, desta vez pelas mãos de Carl Sagan.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cafezinho 366 – Sobre dissonância e hipocrisia
Você já ouviu falar em “dissonância cognitiva”? Dissonância cognitiva é a falta de harmonia na forma como adquirimos e processamos informações. Ela se manifesta pela sensação desagradável de conviver com duas ideias contraditórias ao mesmo tempo.
Lembra daquela oferta que chega por e-mail com um preço inacreditável? Daquela proposta de curso que deixará você rico? Perspectiva de ganho rápido ou fácil de um lado e suspeita de que a proposta é um golpe, de outro. Em dissonância cognitiva, não raro fazemos a opção psicológica de correr o risco. Os psicólogos chamam essa vulnerabilidade de “suspensão voluntária da incredulidade”.
Depois do prejuízo, criamos todo tipo de desculpa para justificar a escolha desastrada…
Vivemos num mundo de contradições. Por todo lado, afirmações absolutas como “todo mundo”, “sempre”, “ninguém”, “nunca”, todas como conclusões genéricas de algum incidente em particular ou alguma evidência solitária. Um caso seletivamente escolhido serve como bandeira para a generalização. E dá-lhe dissonância cognitiva.
Sabe o resultado? Desaprendemos a manifestar nossas dúvidas, paramos de usar “talvez”, “alguns”, “a maioria”, ”a minoria” e assim proporcionar o bom debate, evitando os malefícios da generalização. E daí surgem os justiceiros sociais exibindo virtudes, princípios e valores morais que na verdade não possuem.
Praticam a censura para garantir a liberdade de opinião. Matam em nome da paz. Roubam em nome da justiça social. Agridem em nome da democracia. Quebram a Constituição em nome da segurança jurídica. Dizem uma coisa e agem ao contrário.
Dissonância cognitiva é o gatilho. O nome dessas atitudes é hipocrisia.
Versão no Youtube: https://youtu.be/U30K0e1DcsU
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
A versão completa deste vídeo é exclusiva para assinantes do Café Brasil. Saiba como assinar em http://confraria.cafe.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
A Câmara dos Deputados pediu ao STF a prisão do humorista e apresentador de TV Danilo Gentili com base na Lei de Segurança Nacional, pois ele escreveu no Twitter que “só acreditaria que esse país tem jeito se a população entrasse agora na Câmara e socasse todo deputado que está nesse momento discutindo PEC de imunidade parlamentar”.
Os deputados dizem que Gentili utilizou discurso de ódio contra os membros da Câmara, e pediram a distribuição do processo diretamente para o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela prisão do deputado Daniel Silveira. Eles argumentam que o STF estabeleceu por unanimidade a jurisprudência de que caberia prisão em flagrante nesses casos.
Você entendeu? Estabelecida a jurisprudência, qualquer autoridade que se sentir ofendida pode pedir a prisão do ofensor. E com base na Lei de Segurança Nacional!
O Código Penal já prevê punição para esses casos, a comentarista da Jovem Pan Ana Paula Henckel tem vencido sistematicamente todos os processos que faz contra as pessoas que a ameaçam, ofendem e difamam, usando as leis que já existem.
Alan Isaacman, advogado de Larry Flint, o polêmico editor da revista Hustler, defendeu-o num julgamento em que ele era acusado de obscenidade, assim:
“Se começarmos a cercar com paredes aquilo que alguns de nós julgam como sendo obsceno, acordaremos um dia e perceberemos que surgiram paredes em lugares que jamais esperaríamos que surgissem. E aí não poderemos ver ou fazer nada. E isto não é liberdade”.
Nem precisa prender o Danilo Gentili, a simples ameaça já é mais um tijolinho na parede.
Mas tem idiotas comemorando.
Versão no Youtube: https://youtu.be/2he0ZyUfhQM
Este cafezinho chega a você com apoio do Cafebrasilpremium.com.br, conteúdo extraforte para seu crescimento profissional.
A versão completa deste vídeo é exclusiva para assinantes do Café Brasil. Saiba como assinar em http://confraria.cafe.
See omnystudio.com/listener for privacy information.
From the publisher's feed