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A Nova previdência é o primeiro passo para colocar o Brasil nos trilhos. E como toda grande mudança, traz dúvidas, desconforto e medo. Mas também esclarecimentos. Por isso voltei ao Ministério da Economia em Brasília para conversar novamente com Bruno Bianco, secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho.
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1988.
Meu filho tinha quatro anos e estávamos na piscina da chácara. Ele ensaiando saltar em meus braços, com todo o medo da situação de risco. Eu o incentivava e ele hesitava. “Pula! Papai está aqui! Pode pular!” E então ele saltou. Voou pelo ar até cair na piscina, com o torso fora d´água graças às minhas mãos que o “salvaram”. E, passado o medo, o bichinho gostou da brincadeira. ”Di novo!” E lá ia ele correndo e saltando, cada vez com maior desenvoltura. Até que, num dos saltos, propositalmente deixei que ele caísse na água e afundasse uns centímetros. Puxei-o para fora e ele estava apavorado. Olhos arregalados, cabelo na testa, as mãozinhas na boca e agitando as perninhas... “Calma, ta tudo bem, o papai está aqui!” Depois de choramingar ele voltou para os saltos. Mas não eram mais os mesmos saltos. A cada vez que ia saltar, parava e me perguntava: “Você vai deixar eu cair?” Trinta anos atrás naquela piscina aprendi como é fácil destruir laços de confiança. Como é fácil incutir o medo na cabeça dos outros. Como é fácil alimentar o descrédito. Como fui um idiota...
Agora repare como você está sendo treinado a não acreditar mais em coisa alguma. Como os elos de confiança que você tinha quando jovem, estão sendo quebrados, um a um. E sabe como? Com anos de decepções. Com a enxurrada de escândalos. A cara de pau com que as celebridades de todas as áreas aparecem na mídia contando mentiras. O desnudamento das técnicas de marketing para nos convencer a comprar o que não queremos nem precisamos. Com os valores morais e éticos discutíveis da grande imprensa e seus interesses econômicos. Com a exposição diária do lado torto da sociedade. Com a eliminação das referências... A cada fato ou momento assim, me sinto como meu filho, traído, caindo na piscina e me tornando descrente.
O Brasil tem indicadores positivos? Não acredito. Nunca estivemos tão mal. A Globo é uma das redes de televisão mais profissionais do mundo? Não acredito. Manipula conforme seus interesses. A justiça está funcionando? Não acredito. Não acredito no Bolsonaro. Não acredito no INPE nem na Nasa. Não acredito no Willian Bonner. Não acredito no padre. Não acredito no pastor. Não acredito no polícia. Não acredito no juiz. Não acredito no professor nem no zelador. Não acredito...
Putz... me transformei num ser que desconfia de tudo. Incapaz de entregar-se a uma causa em sociedade, um objetivo em grupo, afinal, alguém vai se aproveitar de minha confiança. Você, por acaso, também se sente assim? Que triste...
Mas quer saber? Tem coisa na qual eu acredito sim. Acredito em mim. Acredito em minha família. Acredito nos valores que meus pais me passaram. Acredito que dá para contribuir para este país dar certo. E acredito que outros milhões de brasileiros acreditam nisso também. Brasileiros que não são trouxas. Que pensam e buscam o melhor. Que unidos podem mudar o futuro.
Mas eles andam tão calados...
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Este Cafezinho, último da série sobre agrotóxicos, não encerra o assunto, eu vou continuar em outros lugares, como o Podcast Café Brasil. O que aprendi? Primeiro que se houvesse uma opção economicamente viável para os defensivos agrícolas, todo mundo optaria por ela. Não há. Segundo: a discussão é contaminada por ideologias, que impedem que se chegue a consensos. E isso não mudará.
Comentei que o problema dos agrotóxicos eram as intoxicações por contato indevido. Veja que curioso: o consumo de defensivos agrícolas era de 140 mil toneladas no ano 2000. Cresceu para 551 mil toneladas em 2016. Quase 300%! No mesmo período, entre os anos de 2000 a 2005, a média anual de notificações de intoxicações por contato foi de 5.680. Entre 2010 a 2016, caiu para 4.238. O consumo de defensivos cresceu quase 300% e os relatos de intoxicação por contato caíram mais de 20%. Ué. Não era pra ter aumentado? Com filas nos hospitais?
Apareceram comentários sobre a morte de milhões de abelhas no sul do Brasil, por causa dos agrotóxicos usados na cultura da soja. Fui atrás das fontes primárias do caso relatado e encontrei: "Na representação encaminhada às promotorias, a ApisBio – a Articulação pela Preservação da Integridade dos Seres e da Biodiversidade - relata que uma aplicação aérea de agrotóxico no dia 12 de outubro parece ter relação com a mortandade das abelhas registrada inicialmente no município de Mata, na região central do Rio Grande do Sul. No mesmo dia, o hospital local também atendeu pacientes com sintomas de contaminação por agentes químicos. A aplicação aérea do fipronil é proibida desde 2012 conforme portaria do Ibama." Entendeu? O problema parece ter sido causado pela aplicação do produto DE FORMA IRREGULAR.
Outros leitores enviaram matéria da TV Record mostrando um camponês definhando por ter trabalhado a vida toda com agrotóxicos. Hoje é a esposa que espalha defensivos diariamente, SEM QUALQUER PROTEÇÃO. O camponês disse que foi assim que ele trabalhou a vida toda. Sem qualquer proteção.
Outra contestação que recebi de leitores: existe contrabando de produtos e falsificação e muita gente usa PRODUTOS ILEGAIS. E as regras para venda são BURLADAS.
Você está entendendo? Agrotóxicos são venenos, perigosos e mortais se usados sem cuidados. Cabe a nós combater a ignorância indo atrás de fontes primárias e conversando com as pessoas no interior do agronegócio, não para ignorar os problemas, mas para separar a histeria da realidade. Eu fiz isso.
Os defensivos são essenciais e cada vez mais modernos. As regras para compra, venda e manipulação são extremamente restritivas. Problemas existem pela aplicação de FORMA IRREGULAR, SEM PROTEÇÃO, PRODUTOS ILEGAIS e BURLA. Ou seja, gente quebrando leis e regras.
Conclusão? O problema do agrotóxico no Brasil não é dos Ministérios da Agricultura ou Meio Ambiente.
É do Ministério da Justiça.
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O Abbey é um imigrante africano, que chegou ao Brasil para estudar, quebrou a cara, e hoje abre oportunidades de futuro para pessoas de classes mais baixas. E a Juliana é o porto seguro, o braço direito e a esposa, que divide com ele os sonhos.
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Adalberto Piotto apresenta o programa Cenário Econômico na TV Brasil, e convidou Luciano Pires para conversar sobre a participação popular na discussão dos temas brasileiros.
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Olha, esta série de Cafezinhos sobre agrotóxicos mobilizou muitos leitores e ouvintes, viu? E é impressionante como a desinformação contribui para que se construam narrativas para um clima de histeria que serve para tudo, menos para o entendimento da questão.
Fui apresentado para o trabalho do pesquisador Angelo Zanaga Trapé, que é Doutor em Saúde Coletiva pela Unicamp com a tese “Doenças Relacionadas aos Agrotóxicos - Um Problema de Saúde Pública”.
Há 40 anos, como médico do trabalho, ele estuda os efeitos relacionados ao uso dos defensivos. Ele diz:
“Há 40 anos tínhamos menos conhecimento da toxicidade dos produtos e como eles agiam nos seres humanos. O interesse comercial superava o setor técnico das empresas. Isso prejudicava muito porque queria se vender uma quantidade grande de produtos, muitas vezes sem necessidade, mas era aquela história: ‘preventivamente ‘evite que a praga chegue a sua lavoura’… e isso foi mudando na medida que o próprio setor percebeu que era necessário um trabalho socialmente mais responsável.
Você encontrava agricultores com intoxicação, óbitos por exposição indevida…Hoje temos um número muito baixo. Ninguém quer gastar dinheiro à toa, não existe ‘despejar’ agrotóxico mundo afora. É um produto caro, então hoje existe a tecnologia da precisão, onde a aplicação é muito mais reduzida, tanto que o Brasil é o 7º no mundo por hectare, o 1º é o Japão.
Faz 10 anos que o Centro de Controle de Intoxicações da Unicamp não registra nenhum caso de intoxicação aguda de origem ocupacional. Pelos dados que vêm do Sistema Nacional de Informação Toxicológica, o número de intoxicação está entre 1000, 1200 casos, sendo que 900 ou 1000 são tentativas de suicídio. Isso no Brasil inteiro.
O país parou de ser tupiniquim para ser um Brasil realmente em desenvolvimento. Ainda existe hoje uma cultura, muito estimulada por ONGs e pela mídia, sobre situações que muitas vezes não são embasadas cientificamente. Eu vejo profissionais, indivíduos de nível superior falando coisas bem absurdas sobre agrotóxicos. Os dados do programa de análise e resíduos de agrotóxicos em alimentos mostram uma extrema segurança química nos alimentos produzidos na agricultura brasileira. Então, isso vem dessa época. A mudança ainda é muito tênue, mas temos que perseverar em informações técnicas e científicas que vêm pela experiência acumulada na área de saúde e agricultura.”
O Dr. Ângelo está dizendo que agrotóxicos são inofensivos? Não. Que os problemas não existem? Não. Ele está dizendo, com bases científicas, que a maioria das intoxicações ocorrem pelo contato indevido com as substâncias. Contato indevido. Esse é o tema do próximo cafezinho, que será o último desta série.
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Bem, já deu pra sacar que estou fazendo uma série de Cafezinhos só sobre agrotóxicos, não é?
No primeiro falei de como é regulada a compra e venda dos defensivos agrícolas. Pela lei, quem burlar a receita ou a venda, vai tomar uma multa gigantesca e pode até ir preso.
No segundo, falei de como são caros. Não é do interesse de nenhum produtor usar mais defensivos do que o necessário. Se fizer isso, está rasgando dinheiro.
Hoje uma passada rápida sobre a questão da liberação de novos produtos. Se você acreditar no que sai na imprensa a conclusão é que o Brasil está liberando venenos proibidos no resto do mundo. Não é bem assim. É exatamente como remédios: toda hora surge uma nova fórmula, mais moderna e muito mais eficiente para atacar as causas das doenças. Portanto, ter acesso aos mais modernos produtos é essencial.
Para o lançamento de um novo produto químico no mercado agrícola é necessária sua passagem por um longo processo de aprovação e registro em três etapas.
Primeiro a avaliação técnica e de eficiência agronômica. Em diversos países, essa etapa não é utilizada, pois considera-se que se o produto não for eficiente, será rejeitado pelo mercado. Na sequência, o produto deve receber a aprovação toxicológica pela ANVISA e a aprovação ambiental pelo IBAMA. O produto só será aprovado para registro e comercialização se tiver parecer positivo desses órgãos. A emissão do registro final fica a cargo do Ministério da Agricultura.
Até pouco tempo, no Brasil levávamos em média 9 anos para aprovar um novo defensivo para a cultura da soja, por exemplo. Nove anos! Nos Estados Unidos o prazo é de um ano. Quando um defensivo moderno, mais eficiente, menos agressivo, começa a ser usado no Brasil, os norte-americanos já usam há pelo menos oito anos. Sabe o que significa isso? Um ganho de eficiência imenso.
Quanto mais complexo o ambiente regulatório, maior a necessidade de recursos financeiros e humanos para o controle do processo. O que o governo começa a fazer é reduzir a complexidade desse ambiente, diminuindo o tempo para aprovação de novas fórmulas. Portanto, quando você ler ou ouvir por aí que o governo liberou novos defensivos, tenha em mente que o que está chegando é mais moderno e eficiente, substituindo produtos menos seguros. E a maioria do que foi liberado é composta por genéricos de compostos já utilizados por aqui.
As empresas que produzem os defensivos investem bilhões de dólares para criar produtos mais eficientes, menos agressivos ao meio ambiente e aos seres humanos. E não fazem isso porque são boazinhas. Fazem porque não são burras.
Quem é o idiota que quer deliberadamente envenenar seus clientes?
Calma. Ainda tem mais uns dois cafezinhos dessa série.
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