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O cinema em Coimbra chegou no início do século XX em teatros e salões adaptados, ganhando força com salas como o Cinema Tivoli, o Avenida e o Sousa Bastos, que marcaram décadas de ouro até aos anos 80/90. Com o tempo, transformações, abandono e a chegada dos multiplex levaram ao desaparecimento destas salas históricas.
Hoje, a cidade vive entre o consumo massificado dos centros comerciais e uma tentativa de resistência cultural com a Casa do Cinema de Coimbra, aberta em 2021 nas antigas Galerias Avenida. É o principal espaço dedicado ao cinema de autor e português.
Já o basebol em Coimbra é praticamente sinónimo da Associação Académica de Coimbra, que introduziu e dominou a modalidade em Portugal desde os anos 90. Apesar de ser um desporto minoritário, a Académica acumulou títulos nacionais e mantém viva uma prática que, tal como o cinema de autor na cidade, sobrevive mais por paixão do que por escala.
Visitamos ainda os arrabaldes e deixamo-vos com sugestões musicais para o fim-de-semana.
Do convento medieval fundado em 1247 à fábrica têxtil, fábrica de massas e, finalmente, centro cultural, o Convento de São Francisco é um verdadeiro sobrevivente da história — adaptou-se a tudo, menos talvez às expectativas criadas em 2016. A reabilitação milionária trouxe um espaço com condições raras em Portugal, capaz de receber ópera, grandes concertos ou dança internacional, e nos primeiros tempos até deu sinais de vida com casas cheias e nomes sonantes.
Mas depois entrou em cena o clássico enredo coimbrão: instabilidade, direções relâmpago e decisões difíceis de explicar. Em vez de afirmação consistente, assistiu-se a um carrossel de programações e a um progressivo esvaziamento de ambição — curioso para um equipamento pensado para jogar na “Champions League” cultural, mas que muitas vezes parece contente em disputar o campeonato distrital.
Dez anos depois, o balanço fica agridoce: há infraestrutura, há histórico, há potencial mais do que suficiente… falta é visão contínua e coragem para o usar a sério. Porque, no fundo, Coimbra conseguiu o mais difícil - construir o palco - e tropeça sempre no mesmo: decidir o que fazer com ele.
Os Archeiros da Universidade de Coimbra são basicamente seguranças medievais reformados: já foram polícia a sério, hoje recebem turistas com alabardas e ar solene. O nome engana — de arqueiros não têm nada — mas a tradição ficou, como tantas outras coisas nesta casa.
Depois passeamos pela José Ferreira Borges e Joaquim António Velez Barreiros, duas das artérias mais importantes da cidade atribuídas a dois ilustres… desconhecidos. Toponímia à base de “fez um favor, leva uma rua”.
Vamos ainda perceber que a Páscoa é o novo Verão, na cidade onde nada de se passa.
Fecha-se com o clássico caos identitário coimbrão — salatinas, chibatas e futricas — e um anúncio importante para toda a tripulação, “podem limitar-nos mas não nos calam!”
O episódio revisita a história dos troleicarros em Coimbra, quase únicos em Portugal e na Europa, desde o início no século XX até ao auge nos anos 90 e posterior declínio com a aposta nos autocarros.
Segue-se a memória da Feira Comercial e Industrial de Coimbra, criada pela ACIC, que durante décadas foi um dos maiores eventos locais, reunindo empresas, animação e milhares de visitantes, antes de perder força nos anos mais recentes.
O episódio termina com sugestões culturais e musicais, destacando a banda Anaquim, mantendo o registo nostálgico e crítico sobre a vida e história da cidade.
No primeiro tema, fazemos a pergunta que dói: porque é que Coimbra continua sem Estrela Michelin? O problema parece ser o costume: pouca projeção, pouca máquina, e aquela sina de Coimbra — qualidade existe, hype é que nem por isso.
Depois viajamos até ao Laboratório Chimico, basicamente o “Walter White approved” do século XVIII. Construído na era do Marquês de Pombal, é um dos raros laboratórios históricos ainda de pé, cheio de histórias e paredes com segredos jesuítas.
No momento da semana falamos da “Rádio Alcatifa” e fechamos com recomendações: o Café Curto, que tem feito mais pela música emergente do que muita instituição, e ainda uma sugestão sonora “made in Coimbra” com cheirinho a Franz Ferdinand. Podemos não ter estrelas Michelin, mas pelo menos ainda vamos tendo boa música.
Depois de no primeiro episódio desta terceira temporada termos contado a história dos Cafés Fábrica Estrela da Beira, fomos convidados a visitar as instalações da Cafés Fábrica Estrela da Beira. Entre o cheiro intenso a café e uma linha de produção quase toda automatizada, ficámos a conhecer melhor a empresa.
Depois entramos no curioso universo dos nomes de restaurantes da cidade: o Napolitano que não é pizzaria, a marisqueira Munich sem mar por perto, ou o Dom Duarte II que nos deixa sempre a perguntar onde ficou o primeiro.
Por fim, olhamos para as ruas da Baixa e para a sua origem medieval: Sapateiros, Azeiteiras, Louça ou Padeiras lembram os antigos mesteres que ali se concentravam, quando artesãos e mercadores se agrupavam por profissão. Caminhar por estas ruas é, no fundo, atravessar um mapa vivo da economia antiga de Coimbra.
Poderá Coimbra ser a Jerusalém de Portugal? A propósito da cruz-relicário do Santo Lenho guardada no Museu Nacional de Machado de Castro. Entre fé, história e cepticismo saudável, fica a ideia: afinal há mais místicismo na cidade.
Depois vamos até à Doppo Geladaria, fundada por Fernando Castelo Branco. Uma casa que facilmente seria “a melhor do país” se tivesse nascido em Cascais ou Braga, mas que teve a ousadia de abrir em Coimbra. Falamos da história do gelado desde a China antiga até Itália e atiramos a eterna farpa: por cá fazem-se coisas extraordinárias, só falta o resto do país dar por isso.
Fechamos com morcegos na Universidade de Coimbra (sim, guardiões noturnos da biblioteca), recomendação do Ceira Rock Fest e banda sonora irreverente com “Órgãos Genitais” dos Joane e o Amendoim Saltitante — porque em Coimbra até o surreal é património.
Dennis Vigo e Julio Soriano revisitam episódios antigos e mergulham na história dos Divodignos, sociedade secreta liberal ligada à Carbonária que, em 1828, atacou uma comitiva miguelista em Condeixa.
Depois falam da canção de Coimbra, de Raul Ferrão, eternizada por Amália Rodrigues e transformada em fenómeno internacional como “April in Portugal”, com versões de nomes como Louis Armstrong.
No final, recuperam a origem do nome Calhabé, associada a um taberneiro do século XVIII, fechando o episódio entre música e enigmas.
João Santos e Luís Cavaleiro regressam à adega digital para provar que Coimbra já dá para um menu completo: bacalhau, café e agora até whisky. O destaque vai para o Black Wolf, o primeiro whisky conimbricense, feito em Sargento-Mor.
Depois fala-se sobre os sushis em Coimbra, ou a falta deles e a pergunta existencial: qual é o restaurante que mais falta faz à cidade?
Fecha-se com delírios sobre a Sollum, sim com dois L’s, recomendações culturais e a conclusão de sempre: Coimbra tanto produz coisas boas… como saudades do que já desapareceu.
Neste episódio metemo-nos em terreno minado e declaramos, com a tranquilidade de quem gosta de arranjar sarilhos: a universidade mais antiga de Portugal é de Lisboa — e Coimbra anda há séculos a viver de uma narrativa romantizada. Pelo caminho, lembramos os Jogos de Coimbra, quando ainda se fazia desporto sem apps, sem influencers e com prisioneiros ao barulho. Tudo isto com nostalgia mal resolvida, provocações à capital e a sensação persistente de que esta cidade prefere viver da glória passada do que inventar o futuro.
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