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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • Os anéis maçônicos e seus significados

    Os maçons são bem conhecidos por nossas insígnias, desde o avental que amanhecemos ao entrar pela primeira vez na loja, até os gorros que ganhamos nos últimos graus dos órgãos anexos. Embora os aventais sejam de fato a parte mais proeminente do traje maçônico, pois cada maçom recebe um ao se tornar um Aprendiz, os anéis também se tornaram um acessório comum na fraternidade. Embora os anéis não sejam dados aos Irmãos como parte de suas jornadas no ofício, muitos os recebem de familiares, como pai ou avô, ao atingirem o sublime grau de Mestre Maçom.

    Como parte de nossa série “Por trás do símbolo”, exploraremos a história antiga dos anéis, o “debate” sobre como os maçons os usam e alguns dos diferentes estilos encontrados em toda a fraternidade.
    Anéis e seu antigo simbolismo
    Como muito do simbolismo encontrado na Maçonaria, os anéis são usados por culturas há milhares de anos. Os antigos egípcios acreditam que o buraco do anel representava a porta de entrada para a vida após a morte e o amor imortal. Os romanos começaram a tradição das alianças de casamento, com os homens oferecendo a suas parceiras anéis de ferro chamados Anulus Pronubus para usar na mão esquerda, acreditando que estavam conectados diretamente ao coração. Na Irlanda e em partes dos Estados Unidos, o anel de Claddagh continua sendo uma tradição popular. Esses anéis irlandeses, simbolizando amizade, amor e lealdade, apresentam duas mãos segurando um coração coroado e são frequentemente transmitidos de geração em geração.
    Anéis maçônicos e corpos anexos
    Na Maçonaria, o anel em si pode simbolizar a eternidade ou a conexão duradoura com a fraternidade. Esta peça de regalia ganhou destaque no artesanato durante os séculos XVIII e XIX. A Maçonaria estava no auge de sua popularidade e os anéis permitiam que os irmãos se identificassem em público.
    Para muitos hoje, o anel maçônico representa o compromisso de um irmão com os segredos, lições e tradições do ofício. Como a loja em si não fornece um anel a cada membro, eles geralmente são dados como um presente, geralmente de pai para filho, ou avô para neto, quando o membro mais jovem é criado como Mestre Maçom. Como tal, os anéis maçônicos são emblemas profundamente pessoais e seu significado varia de membro para membro.
    Esses artigos de joalheria não se limitam apenas aos maçons da loja azul. Membros do Rito de York, Rito Escocês e Shriners geralmente usam anéis gravados com símbolos relevantes para esses corpos anexos. Por exemplo, no Rito Escocês, Jurisdição Maçônica do Norte dos Estados Unidos, os maçons do Rito Escocês do 32º Grau podem usar um anel com a águia de duas cabeças do Rito Escocês. Outros símbolos comuns encontrados nos anéis do grau 32 incluem o número 32, triângulos e a letra hebraica “yod”.
    Outra característica que pode determinar o significado de um anel são as pedras ou gravuras que os maçons escolhem incluir neles. Pedras azuis são comuns para os membros que recebem um anel na loja azul. As pedras vermelhas são regularmente escolhidas para os Irmãos que concluíram o quarto grau da Maçonaria do Real Arco ou para os membros do Santuário.
    Os diferentes significados dos símbolos dos anéis maçônicos
    Além do significado pessoal, os anéis maçônicos geralmente apresentam outros símbolos da Maçonaria, como a letra “G” ou o esquadro e o compasso, todos com significado único.
    Na maioria das vezes, os anéis incluem o esquadro, o compasso e a letra “G”. O esquadro e o compasso são um dos símbolos mais famosos e identificáveis da Maçonaria, significando as ferramentas do arquiteto e do construtor. Este símbolo refere-se aos antigos pedreiros de onde surgiu a Maçonaria e é uma parte crítica da nossa história. Este símbolo também faz parte das aulas ministradas na loja maçônica.
    O esquadro e o compasso consistem no esquadro do construtor: dois braços iguais de metal ou madeira de borda plana fixos que formam um “ângulo reto” perfeito. Esta ferramenta é crítica na alvenaria porque permite que os artesãos desenhem e esculpam cantos quadrados perfeitos, o que é crítico para erguer edifícios estruturalmente fortes e sólidos. Na Maçonaria, este símbolo é usado para ensinar lições de moralidade e que ser “quadrado” em suas ações implica ser honesto e justo.
    As bússolas consistem em duas pernas iguais em comprimento que são fixadas juntas em seu ápice por uma dobradiça ajustável. Esta ferramenta é usada em geometria para desenhar círculos e arcos perfeitos, um elemento crucial do planejamento arquitetônico. Na loja azul, os compassos simbolizam o autocontrole e a capacidade do homem de reinar em seus anseios para que possa viver uma vida equilibrada.
    A letra “G” é mais comumente encontrada nos Estados Unidos e geralmente aparece no centro do esquadro e do compasso. Alguns maçons acham que o “G” se refere à geometria, um conceito central para as lições de moral maçônica com construtores e arquitetos, enquanto outros o veem como uma referência a Deus, ou o “Grande Arquiteto do Universo”.
    Como usar um anel maçônico
    Não há necessariamente uma maneira correta de usar qualquer um dos anéis maçônicos, independentemente de seu simbolismo. Mas pergunte a um viajante e há uma boa chance de que ele tenha uma opinião própria sobre o que é certo. Alguns acreditam que um anel com o esquadro e o compasso deve ser usado com as pontas voltadas para o coração como um lembrete das obrigações do maçom. Para um Venerável Mestre ou Past-Mestre de uma Loja, acredita-se que eles tenham conhecimento suficiente para virar o anel para fora e exibir os pontos em direção ao mundo.
    Mais funcionalmente – embora menos comum hoje em dia, os maçons costumavam usar anéis como forma de selar as letras com cera. Esses maçons usariam seus anéis com as pontas dos compassos voltadas para fora, de modo que, quando pressionado em cera quente, selando uma carta ou contrato, o emblema estaria voltado para a direção correta.
    Como um Irmão escolhe usar um anel e quais símbolos estão estampados nele é uma escolha pessoal. Acima de tudo, os anéis maçônicos devem ser usados com orgulho e reverência à nossa fraternidade e suas antigas tradições. Quando usado com cuidado e consideração, é uma excelente maneira de demonstrar o orgulho de ser maçom.


    8 min
  • O Ouroboros, a cobra que come a cauda
    Por R. Cristiano
    Então, o que é o Tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se eu tivesse que explicar para quem me perguntasse, já não sei. Santo Agostinho - Confissões, XI, 13-14- 3
    São palavras de Santo Agostinho, que testemunham com muita eficácia a dificuldade que cada um de nós encontra para definir o Tempo. Em minha condição de maçom, muitas vezes esta pergunta surgiu em minha mente: o tempo que passa, como passa, o que deixa para trás. Irreversível, tudo devora e, ao devorar-se, transforma-se e transforma-se. Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio e tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, mas por causa da impetuosidade e velocidade da mudança ela se dispersa e se reúne, vem e vai.
    O tempo é aquela dimensão em que o homem apreende sua condição limitada e precária. O leigo, suspenso entre o passado e o futuro, não consegue apreender nada estável. A consciência do tempo é consciência da degradação e da morte, com uma conotação perturbadora. Assim, no indivíduo, muitas vezes há uma recusa e uma aspiração à eternidade, a um eterno presente. Para o maçom, por outro lado, o tempo é de fato um fluxo único e homogêneo no qual estão imersas todas as coisas sujeitas à mudança, mas torna-se principalmente circular e seu símbolo é representado pelo Ouroboros, a cobra que come cauda: o eterno retorno do Igual, em constante evolução.
    O que sentimos não é dado pelos segundos, minutos ou horas, mas pela profundidade que damos ao tempo que vivemos, principalmente dentro do Templo, onde o tempo não é mais uma forma vazia que envolve as coisas e os seres, mas se torna a pulsação da própria vida. O tempo real da existência, portanto, não é o dos instrumentos de medição externos, mas o do trabalho maçônico, por meio do qual um irmão consegue entrar em relação com outras consciências. Este é o verdadeiro tempo de liberdade.
    A Maçonaria é, de facto, uma ordem iniciática que visa o desenvolvimento moral e espiritual da pessoa, através de rituais que constituem um “retorno às origens” porque se reproduz um gesto arquetípico capaz de regenerar o tempo e lutar contra o devir não tenho tempo nem lugar; fora do Tempo e do espaço, meu ser espiritual vive sua existência eterna. O ritual torna-se um meio extraordinário através do qual o Tempo histórico "pára" para criar uma tensão que se projecta para o Grande Tempo da Obra Sublime. Através do ritual, um Maçom controla e dirige o tempo, torna-se seu mestre; deixe-me ser claro, certamente não me refiro ao mensurável e catalogável segundo as leis da física profana, mas ao iniciático, que é infinito, ou seja, projeta e mistura, liquefaz, funde alquimicamente, no eterno essência do Ser. Esta é a maravilhosa transfiguração alquímica: o tempo profano, ou seja, de chumbo, que se transforma em tempo iniciático, ou seja, dourado. O tempo maçônico representa o espaço usufruído por todos os Irmãos, que se desenvolve através de ritmos individuais peculiares, desprovidos de qualquer classificação ou catalogação. No templo maçônico, durante o trabalho da Loja, o tempo permanece "encantado" enquanto o ritual se expressa e se expande em toda a sua força. O iluminado, o maçom, torna-se um liberto na vida e, justamente por isso, consegue superar o Tempo, no sentido de que não participa mais de sua duração. ... o sol permanece imóvel, mas depois de ter subido ao zênite não nascerá e não descansará novamente. Será realizado sozinho no Centro... nunca se pôs, nunca surgiu.
    O sol, ou seja, o tempo, permanece parado para quem sabe.
    Fonte: Expartibus.
    5 min
  • Asas da Liberdade – A Vida e a Morte de Santos Dumont

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    Asas da Liberdade – A Vida e a Morte de Santos Dumont
    Por Luiz Guedes Jr
    Há 150 anos, nascia Santos Dumont, um dos maiores inventores do Brasil,
    Aos 117 anos de seu mais célebre feito, voo no Campo de Bagatelle em 23 de outubro de 1906, Alberto Santos Dumont continua a ser para a maioria dos brasileiros o maior herói científico que o país já teve. Muitos conhecem a sua saga, contada e recontada nos livros escolares. Mas pouca gente sabe realmente quem foi o personagem que se aventurou a desbravar os céus. Que tipo de homem se escondia atrás dos longos bigodes, das vestes impecáveis e do inseparável chapéu panamá?
    As polêmicas que cercam a vida do inventor, comumente omitidas do grande público, são reveladas nas biografias disponíveis em diversas línguas.
    Consideram, principalmente, sobre a sexualidade, a fama de mau perdedor e a doença que o levou ao suicídio. Mas esses são apenas pequenos tópicos de uma vida tão rica em detalhes quanto a trajetória que levou o homem a construir máquinas voadoras. Santos Dumont voou muito além do que contam os livros de colégio.
    Na virada dos séculos 19 e 20, a sociedade mudava radicalmente com inovações como a luz elétrica, o automóvel e o telefone. Em meio ao turbilhão de novidades, um intrépido brasileiro agitava a sociedade parisiense com recepções nada comuns: ao serem levados pelo mordomo á sala de jantar, os convidados deparavam com mesas e cadeiras de mais de 2 metros de altura. Entre os presentes estavam a princesa Isabel, filha de d. Pedro II, último imperador brasileiro, o Joalheiro Louis Cartier, o arquiteto Gustave Eiffel, projetista da torre que leva seu nome, alguns representantes da família Rothschild, a imperatriz Eugênia, viúva reclusa de Napoleão III, alguns duques, barões e outros membros da alta sociedade europeia. Todos achavam divertido subir numa escada portátil para participar de mais um dos famosos jantares aéreos, como ficaram conhecidos os eventos promovidos por Santos Dumont em seu apartamento na Champs-Elysées.
    Questionado sobre o motivo desses jantares, anfitrião sempre respondia: "É para que todos imaginem como seria a vida numa máquina voadora". Alguns convidados riam. Afinal, em 1890, as máquinas voadoras ainda não existiam. Santos Dumont, em tom mais sério, retrucava que em pouco tempo elas dominariam os céus. “Estarão em todas as partes”, dizia o futuro aviador.
    As declarações do brasileiro soavam devaneios de um desajustado, mas tinham uma explicação: sua infância fora cercada por obras de Júlio Verne, nas quais se destacava a imagem de um céu povoado de máquinas voadoras. Em 1901, quando realizou a ousada circum-navegação da Torre Eiffel, recebeu diversos telegramas de congratulações e medalhas de louvor e coragem enviadas por diferentes chefes de Estado. Duas delas emocionaram-no em especial: a primeira foi a carta do próprio Júlio Verne; a outra, enviada por Pedro, amigo da época de criança: "Você lembra, meu caro Alberto, do tempo em que brincávamos de perguntar 'passarinho voa?", 'urubu voa?", "homem voa?", e você sempre levantava o dedo afirmando que o homem voava? A recordação dessa época me veio ao espirito no dia em que chegou ao Rio de Janeiro a notícia do seu triunfo. O homem voa, meu caro! Você tinha razão em levantar o dedo. E não tinha mesmo que pagar a prenda".
    A brincadeira à qual se referia o colega de infância era uma das preferidas de Santos Dumont e dos irmãos na fazenda onde nasceu, em 20 de julho de 1873, em Minas Gerais. Os pais do inventor, Henrique Dumont e Francisca de Paula Santos, foram os primeiros brasileiros a viver no distrito de João Aires, na minúscula cidade de Cabangu hoje rebatizada como Santos Dumont. Aos 6 anos, Alberto mudou-se com a família para as terras férteis de São Paulo, onde seu pai, apelidado de rei do café pela imprensa, comprou uma propriedade tão extensa que foi possível construir nela uma estrada de ferro com 96 quilômetros de extensão. Nessa época, além de mergulhar nos livros de ficção, Santos Dumont tinha como passatempo predileto dirigir as enormes locomotivas e também consertar todo o maquinário usado na produção do café.
    Henrique apreciava a fascinação do sexto de seus oito filhos e o caçula entre os três homens, mas não compreendia por que o menino não se interessava por outras atividades comuns entre meninos, como caçar ou até mesmo brigar com os irmãos.
    A vida em Paris
    O mundo de Santos Dumont ganhou novas dimensões quando ele tinha 18 anos. Seu pai sofrera uma queda de cavalo e acabou hemiplégico aos 60 anos. Sem chances de cura no Brasil, vendeu os negócios da família por 6 milhões de dólares (uma fortuna hoje, e ainda maior naquele tempo) e partiu para a Europa com a esposa e o jovem Alberto. A esperança de cura estava em Paris, onde Louis Pasteur revolucionava a medicina com suas vacinas.
    As descobertas na capital francesa encantaram o jovem brasileiro, em especial os motores de combustão interna, que ele jamais havia visto. Em visita à fábrica da Peugeot, comprou um dos dois únicos automóveis produzidos pela marca naquele ano de 1891.
    Poucos meses depois, após seu pai perceber que a medicina europeia não lhe restauraria a saúde, voltou com a família para o Brasil, trazendo a bordo do navio o estranho veículo de apenas 3,5 cv (capaz de atingir 16 quilómetros por hora). Ao dirigir a novidade nas ruas de São Paulo, Santos Dumont não só espantou os pedestres, mas também ficou conhecido como a primeira pessoa a circular de automóvel em toda a América do Sul.
    Sem esperanças de cura, Henrique teve uma longa conversa com o filho. Disse-lhe que não precisaria se preocupar em ganhar dinheiro e adiantou-lhe a herança de meio milhão de dólares. Depois, instruiu-o a voltar a Paris, onde parecia ter se adaptado muito bem. Santos Dumont seguiu o conselho. Chegou à Cidade Luz no verão de 1892, e seu pai morreu em agosto.
    Tímido para frequentar qualquer universidade, recorreu a um professor particular, que desenvolveu um intenso programa de estudos englobando física, química, engenharia mecânica e elétrica. Ocasionalmente, visitava os primos na Inglaterra, onde aproveitava para assistir às aulas na Universidade de Bristol. Como era aluno ouvinte, não corria o risco de ser interrogado em público.
    O Estilo Dumont
    Somente após cinco anos como cidadão francês, o brasileiro iniciou suas experiências com balões. Naquela época, a aeronáutica funcionava como um clube de cavalheiros, e Santos Dumont foi imediatamente aceito por sua origem abastada. Em pouco tempo, seus inventos ganharam espaço na imprensa local e internacional, e o brasileiro tornou-se coqueluche na alta sociedade europeia. Foi talvez um dos homens mais prestigiados e noticiados em todo o mundo no início do século 20. Não raro, sua imagem elegante estampava caixas de charutos, fósforos e até de aparelhos de jantares.
    Estilistas prosperaram com réplicas de seu chapéu e dos colarinhos altos e duros, que ele mesmo desenhara de modo a alongar seu pescoço e disfarçar a baixa estatura (cerca de 1,60 metro). Outros artifícios com essa finalidade eram os ternos sempre escuros com listras verticais, os sapatos com saltos e o tradicional chapéu-panamá. Apesar dos recursos para parecer mais alto, os jornais lhe deram o apelido carinhoso de petit Santos, o que muito o incomodava, embora continuasse a ditar moda: fabricantes de brinquedos produziam réplicas em miniatura de seus balões, que também inspiravam os bolos feitos pelos confeiteiros, sempre em forma de charuto e com as cores da bandeira brasileira.
    Em outra ocasião, reclamou com o amigo Louis Cartier, cujo avô fundara a Maison Cartier havia meio século, que era muito perigoso tirar as mãos dos comandos em pleno voo e levá-las ao relógio de bolso. Cartier criou para Santos Dumont um dos primeiros relógios de pulso de uso civil, que imediatamente tornou-se acessório indispensável para parisienses mais sofisticados. Além do estilo seguido por homens e mulheres, o aviador invariavelmente ganhava as manchetes devido ao seu temperamento difícil. Meteu-se em inúmeras brigas com o Aeroclube de Paris, quase sempre por não concordar com as regras dos concursos. Santos Dumont não enxergava a aviação como atividade cientifica. Para ele, voar era um esporte, um desafio entre homens aventureiros para ver quem vencia. E, como demonstrava, seu espírito excessivamente competitivo não lhe permitia sair derrotado. "Não me importo com o dinheiro das competições", dizia ele, que doava às pessoas em situações vulneráveis os valores conquistados em campeonatos. "Mas o prêmio atrai um número maior de rivais para que eu possa mostrar minha coragem. Essa é a importância da competição."
    Mesmo diante dessas habilidades, as publicações da época sobre Dumont muitas vezes insistiam em priorizar outro tema: a sua sexualidade. Reportagens do passado mostram que o estilo e o comportamento do aviador eram um prato cheio para os editoriais (repletos de julgamentos). Isso porque, além dos dedos cheios de anéis e o cabelo repartido ao meio hábitos especialmente das mulheres naqueles tempos, Santos Dumont circulava por Paris sobre uma bicicleta de modelo feminino e já achava natural tricotar e bordar em seu apartamento no Elysées Palace Hotel.
    Ocasionalmente, os tabloides publicavam notas sobre o suposto noivado de Santos Dumont com alguma jovem, mas ele rapidamente negava, enviando respostas irritadas à imprensa. Dizia preferir que as pessoas pensassem ser ele viúvo a estar noivo. Em sua escrivaninha, o aviador mantinha a fotografia da bela cubana Aida de Acosta, a quem ensinou a comandar um de seus balões aos 19 anos, ela tornou-se a primeira mulher do mundo a voar. Algumas biografias sugerem um caso amoroso entre os dois. Porém, após a morte do brasileiro, Aida confidenciou que ele era muito tímido para entabular uma conversa. Segundo ela, suas únicas palavras foram as instruções para ela pilotar o balão e, mesmo essas, ele dissera de modo acanhado.
    Um legado para o mundo
    Depois do histórico voo com o 14-Bis, em 1906, Santos Dumont entrou num período de depressão. O sucesso com os aeroplanos parecia não mais animá-lo. Ele acusava os amigos de o terem abandonado, lamuriava-se de seu corpo pequeno - fato que o ajudou na aeronáutica- e dizia a todos que estava sem dinheiro. Ninguém acreditava, mas, na tentativa de agrada-lo, aconselhavam-no a patentear seus inventos. Proposta imediatamente recusada. Eram seus presentes para a humanidade, dizia. "Prefiro terminar num asilo pobre a cobrar o privilégio de copiar meus experimentos aéreos." Em 4 de janeiro de 1910, sofreu um acidente sério com o Demoiselle, seu avião de uso pessoal. Foi a última vez que pilotou uma aeronave. Sua saúde piorou. Passou a ter visão dupla e fortes crises de vertigem. Alguns médicos diagnosticaram que Santos Dumont, aos 36 anos, sofria de esclerose múltipla. Outros atribuíram os sintomas a problemas psíquicos.
    Em 1914, quando a Alemanha declarou guerra à França, o brasileiro decidiu colocar-se a serviço de seu país adotivo. Mas os militares franceses chegaram até ele primeiro. Os vizinhos o haviam denunciado, pois pensavam que o tímido estrangeiro que observava o mar com um telescópio de fabricação alemã era um espião do kaiser. A polícia revirou sua casa e, após verificar o equívoco, pediu desculpas. Mas Santos Dumont não perdoou a suspeita de ser um traidor. Numa explosão de raiva, jogou todos seus documentos aeronáuticos, os desenhos e as cartas de congratulações no fogo. O aviador passou a maior parte dos anos da guerra no Brasil.
    Projetou em Petrópolis, no Rio de Janeiro, uma casa de arquitetura bastante avançada para a época, chamada de Encantada. Porém Santos Dumont nunca parou por muito tempo num só lugar. Revezava-se entre Petrópolis e clinicas de repouso na França e na Suíça. Num de seus retornos ao Brasil, em 1928, um hidroavião batizado com seu nome explodiu enquanto voava para saudar a sua chegada na Baia de Guanabara, na capital fluminense. As 12 pessoas a bordo morreram no acidente, visto de perto por Santos Dumont, que observava tudo de pé no convés. O episódio só agravou a saúde mental do aviador.
    Depressão e Morte
    Em 1931, um sobrinho chamado Jorge retirou-o de uma casa de repouso na Europa e trouxe-o de volta ao Brasil. No ano seguinte, irrompeu a Revolução Constitucionalista, que colocou paulistas e as tropas federais em campos opostos. Os médicos sugeriram que Santos Dumont deixasse a cidade de São Paulo e fosse morar num lugar mais tranquilo. Jorge o levou para um hotel no Guarujá. Todas as manhãs, acordava mais cedo e escondia os jornais na tentativa de ocultar do tio doente as notícias do conflito.
    No dia 23 de julho de 1932, os dois estavam no saguão quando escutaram um avião bombardear um alvo próximo. O aviador mandou o sobrinho levar um recado e tomou o elevador de volta ao quarto. Testemunhas dizem que ainda o ouviram falar: "Nunca pensei que minha invenção fosse causar derramamento de sangue entre irmãos". Jorge, que sempre temia deixar o tio sozinho, voltou para o quarto e o encontrou sem vida, enforcado, aos 59 anos de idade.
    O suicídio de Santos Dumont foi ocultado do conhecimento público durante décadas – afinal, o ato de tirar a própria vida (que segue sendo tabu em diversos lugares do mundo) não caía bem para um herói nacional.
    Agindo sob ordens do governo, o médico legista forjou o atestado de óbito, declarando que o aviador havia morrido devido a uma parada cardíaca.
    O corpo do inventor foi embalsamado para que pudesse ser levado em segurança de São Paulo para o funeral no Rio de Janeiro - o que demorou seis meses, até que acabassem os conflitos entre paulistas e as tropas federais. O médico responsável por embalsamar o cadáver, Walther Haberfield, removeu e preservou o coração de Santos Dumont sem que ninguém soubesse. Doze anos mais tarde, entrou em contato com a família do aviador e ofereceu o órgão. Eles não o quiseram e o médico acabou doando o coração para o governo, com a condição de que fosse colocado num local público. O órgão foi preservado dentro de uma esfera banhada a ouro, exposto no pequeno Museu da Força Aérea no Campo dos Afonsos, nos arredores do Rio de Janeiro.

    18 min
  • Rei David Kalākaua

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    14 min
  • Diário da História – Aconteceu no dia 18 de julho

    O dia 18 de julho é marcado pelo Dia

    Internacional Nelson Mandela, uma data dedicada a homenagear e celebrar a vida
    e o legado desse importante líder sul-africano, conhecido por sua luta contra o
    apartheid e pela promoção da igualdade racial e dos direitos humanos.

    ---
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    4 min
  • A Egrégora: O Poder Coletivo da Maçonaria

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    A Maçonaria é uma instituição que vai além dos aspectos visíveis e palpáveis. Além de suas estruturas físicas, rituais e ensinamentos, há algo que permeia a prática maçônica, algo intangível e poderoso: a Egrégora.

    Mas afinal, o que é Egrégora? A palavra Egrégora deriva do grego e significa "vigília". Ela é utilizada para descrever a energia coletiva, o campo de influência espiritual e psíquica criado pela união e sintonia dos membros de uma determinada comunidade ou organização.
    Na Maçonaria, a Egrégora é formada pela reunião e interação dos irmãos em Loja. Durante os rituais, as palavras, gestos e símbolos são utilizados para criar uma conexão especial entre os maçons, fortalecendo o vínculo fraternal e alimentando a energia coletiva.
    A Egrégora maçônica é sustentada pela harmonia, respeito mútuo, comprometimento e busca pelo aprimoramento pessoal. É um ambiente de troca de ideias, reflexões e aprendizados, onde cada irmão contribui com sua experiência e conhecimento.
    É importante ressaltar que a Egrégora não se limita apenas ao espaço físico da Loja. Ela se estende para além das paredes do Templo, permeando a vida cotidiana dos maçons. Os valores e princípios ensinados na Maçonaria são levados para o convívio familiar, social e profissional, influenciando positivamente todas as esferas da vida.
    A Egrégora maçônica também tem o poder de transcender o tempo e o espaço. Ela se conecta com a tradição maçônica, com os maçons que vieram antes de nós e com os que ainda virão. É uma corrente de energia que se perpetua ao longo dos séculos, carregando consigo a sabedoria e a busca pela verdade.
    Para que a Egrégora se mantenha forte e vibrante, é fundamental o engajamento de todos os maçons. Cada irmão tem o papel de cultivar a fraternidade, o respeito e o compromisso com os valores maçônicos. É através dessa dedicação individual que a Egrégora coletiva se fortalece e se expande.
    Portanto, ao adentrar o Templo maçônico, esteja ciente do poder e da responsabilidade que a Egrégora representa. A energia coletiva da Maçonaria é um dos principais pilares que sustentam a busca pela verdade, pela virtude e pela harmonia social. Que cada maçom contribua para a construção de uma Egrégora cada vez mais elevada e benéfica para todos.
    Que a Egrégora maçônica seja uma fonte de inspiração, força e sabedoria para todos os que se dedicam ao caminho da Maçonaria. Que ela seja o sustento da fraternidade universal e da busca pelo aperfeiçoamento humano. Que a Egrégora ilumine os corações dos maçons e os guie na jornada em direção à luz.


    4 min

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