Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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Malhete Podcast episodes

  • Sessão solene comemora os 120 anos do Grande Oriente do Paraná e dá posse para nova diretoria da COMAB
    Por Antônio Dilay
    O grão-mestre do Grande Oriente do Paraná (GOP), Cristian Adrian Flores Maldonado assumiu o cargo de presidente da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB).
    A noite de sexta-feira, 04, na Assembleia Legislativa do Paraná ficou marcada pela posse da nova diretoria da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB) para o período 2023/20247. A sessão solene foi proposta pelos deputados Luiz Claudio Romanelli (PSD) e Soldado Adriano José (PP).
    O presidente da sessão solene, deputado Soldado Adriano José (PP), também parabenizou a nova diretoria que tomou posse durante o evento. “Parabenizo o Senhor Cristian Flores Maldonado por sua posse como líder da Maçonaria e elogio toda sua competência e compromisso com os valores que essa instituição representa”.
    Concomitante a cerimônia de posse da nova diretoria da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB) e por ocasião da efeméride de 120 anos do Grande Oriente do Paraná (GOP) foi lançado pelos Correios, o selo personalizado e o carimbo comemorativo. Embora os selos sempre comemorem alguma data ou algum marco histórico, vale destacar que há distinção entre as peças comemorativas e as personalizadas. No caso do Grande Oriente do Paraná, trata-se de selo personalizado. Os comemorativos são os selos dos Correios, constantes em programação anual.
    O novo presidente da Confederação Maçônica do Brasil (COMAB) e grão-mestre do Grande Oriente do Paraná (GOP) agradeceu a proposição dos deputados Romanelli e Adriano José e disse que “hoje estão reunidas aqui autoridades maçônicas do mundo todo para a posse da COMAB que congrega 25 orientes que trabalham em conjunto em prol de uma sociedade melhor”.
    Prestigiaram o evento os grão-mestres e autoridades maçônicas de todos os estados brasileiros das três vertentes regulares e reconhecidas da maçonaria brasileira: Confederação Maçônica do Brasil (COMAB), Grande Oriente do Brasil (GOB) e Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB). Autoridades da Confederação Maçônica Interamericana, instituição que congrega mais de 30 países; grão-mestres e autoridades maçônicas de Portugal, França, Estados Unidos da América, México, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia e Peru. Bem como autoridades das entidades paramaçônicas Filhas de Jó, Arco íris e Ordem DeMolay.
    Confederação Maçônica do Brasil (COMAB)
    4 min
  • Quebrar o algoritmo é construir comunidade
    Por Irmão Antonio Anatayel Montejano Arauz, Presidente da C.E.M.I.
    Na era digital, as redes sociais tornaram-se parte integrante de nossas vidas, dando-nos a oportunidade de conectar, compartilhar e receber conteúdo online. À medida que essas plataformas evoluem, fica claro que seu algoritmo foi projetado para destacar conteúdo sensacionalista, controverso e sem valor significativo. Encontramo-nos numa encruzilhada, onde devemos quebrar este ciclo de violência, inconsequência, vazio e inutilidade que se alastra nas nossas redes sociais.
    Algoritmos de mídia social são sistemas complexos de classificação e recomendação que determinam qual conteúdo é exibido aos usuários em seus feeds ou cronogramas. Esses algoritmos usam uma variedade de fatores para avaliar e priorizar o conteúdo, como relevância, interação anterior do usuário, popularidade e pontualidade. Primeiro, os algoritmos analisam o perfil e as ações do usuário, incluindo suas interações anteriores, os perfis que seguem e o conteúdo que compartilharam ou adicionaram aos favoritos. Com base nessas informações, o algoritmo identifica os tópicos de interesse do usuário e os apresenta com conteúdos relacionados. Além disso, os algoritmos também consideram a relevância e a qualidade do conteúdo. Eles medem o número de interações que uma postagem recebeu, como curtidas, comentários e compartilhamentos, bem como a interação de outros usuários semelhantes. Se uma postagem gerou um alto nível de engajamento, é mais provável que ela seja exibida para mais usuários. Quase poderíamos dizer que o algoritmo decide o que nos mostrar e o que não.
    As decisões sobre o que compartilhar, o que comentar ou o que reagir nas postagens podem ser consideradas "feedback" que impactam o fluxo de informações e como elas são percebidas e propagadas na plataforma. Ao tomar decisões ativas e conscientes sobre qual conteúdo apoiar e como interagir, os usuários podem ter um efeito significativo na dinâmica e na qualidade das redes sociais, semelhante à forma como os observadores quânticos afetam os eventos quânticos por meio de suas medições.
    Vamos construir uma comunidade online que promova conhecimento, empatia e crescimento pessoal. Por meio da colaboração e do apoio mútuo, podemos superar os obstáculos impostos pelos algoritmos e criar um ambiente digital que impulsione mudanças positivas.
    A mídia social tem um alcance enorme e uma capacidade única de influenciar a opinião pública e individual. Ao compartilhar conhecimento, descobertas científicas, obras de arte, pensamentos filosóficos e reflexões profundas, enriquecemos o conteúdo online.
    Criamos e compartilhamos “conteúdo de conteúdo”. Com isso, estabelecemos uma base sólida para atrair outros, fazendo com que o algoritmo priorize aquele tipo de conteúdo e não uma vaca lambendo um pedaço de fruta.
    Devemos também apoiar e promover outros criadores que compartilham nossos valores e objetivos. Ao fazer isso, não apenas ajudamos a amplificar sua voz, mas também criamos um valioso ecossistema online.
    É importante se envolver em conversas significativas e construtivas nas redes sociais. Ao debater geramos uma espécie de imã que atrai outros usuários interessados em participar.
    Considere que a exposição prolongada a conteúdo insano nas redes sociais pode afetar nossa inteligência e cognição. Consumir conteúdos vazios e superficiais limita nosso aprendizado, capacidade de analisar e formar opiniões informadas. Além disso, pode prejudicar a concentração, a memória e o raciocínio.
    É hora de desafiar o algoritmo, elevar o nível da conversa e construir uma comunidade online baseada em conhecimento.
    É possível fazer e encontrar postagens espirituosas, memes educativos, vídeos engraçados que transmitem mensagens importantes, entre outros exemplos. Dessa forma, podemos aproveitar o poder do humor e da criatividade para divulgar e promover aspectos culturais, fazendo com que aprendizado e entretenimento andem de mãos dadas no mundo digital.
    Portanto, da próxima vez que você compartilhar, comentar, reproduzir ou reagir a um conteúdo de mídia social, lembre-se de que você está fazendo parte da construção de todo o ecossistema que determinará quais conteúdos serão exibidos e quais serão esquecidos como inconsequentes.
    6 min
  • Maçonaria e religião

     

    A Maçonaria é uma instituição

    que, apesar de frequentemente associada a ideias místicas e misteriosas, é
    essencialmente diferente de uma religião. Ela não prega dogmas, teologias ou
    procura converter novos adeptos. De fato, a Maçonaria não se envolve na
    arrecadação de fundos para fins religiosos ou oferece sacramentos em busca da
    salvação.

     

    A ausência de um dogma ou

    teologia na Maçonaria é crucial, pois permite a convivência de homens de
    diferentes religiões. A fraternidade maçónica acolhe membros de diversas
    crenças e entende que a relação entre o indivíduo e seu Deus é algo pessoal e
    sagrado. A Maçonaria não faz juízo sobre qual religião é superior ou inferior,
    e não exige que seus membros compartilhem de uma fé específica. Em vez disso,
    procura unir homens sob os princípios de respeito, fraternidade e tolerância.

     

    É importante destacar que a

    Maçonaria não aplica um teste teológico rigoroso aos candidatos. O único
    requisito é que eles acreditem em um ser supremo, deixando de lado qualquer
    preocupação com teologias específicas. A crença em Deus é vista como uma
    questão de fé, enquanto as crenças sobre Deus são consideradas assuntos de
    teologia, que não são abordados dentro das lojas maçónicas.

     

    A Maçonaria não apenas apoia a

    religião, mas também encoraja que cada membro siga sua própria fé, colocando
    seu dever para com Deus acima de outros deveres. Ao aceitar um indivíduo de
    qualquer religião, a Maçonaria não o faz em função de sua fé específica, mas
    como um homem digno de ser recebido na fraternidade maçónica.

     

    Assim, a Maçonaria não é uma religião,

    mas sim uma organização que valoriza a liberdade religiosa e busca promover a
    união e a tolerância entre os homens. Ela não compete com a fé de seus membros,
    mas procura enriquecer suas vidas por meio de princípios como ética, respeito e
    amor ao próximo. Acreditamos que um maçom fiel aos princípios aprendidos na
    Maçonaria será também um membro melhor de sua igreja, uma vez que seus valores
    fundamentais estão alinhados com os valores supremos da vida religiosa.

     

     

    4 min
  • Criada Nova Obediência Maçônica: Grande Oriente do Brasil - Baiano recebe sua Carta Constitutiva

    No dia 1º de agosto, uma data

    histórica e significativa para a Maçonaria brasileira, o Grande Oriente do
    Brasil parabeniza o Grande Oriente do Brasil - Baiano pela recepção de sua
    Carta Constitutiva, marcando oficialmente o início de suas atividades no estado
    da Bahia

    A solenidade de entrega da

    Carta Constitutiva foi um momento de grande emoção e relevância para todos os
    membros da Maçonaria, contando com a ilustre presença de autoridades maçônicas
    de alto escalão. Dentre elas, destacamos a presença do Soberano Irmão Ademir
    Cândido da Silva, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil (GOB), o
    Eminente Irmão Oscimar Alves Torres, Grão-Mestre Estadual do GOB - Baiano, o
    Poderoso Irmão Omar Torres, Grão-Mestre Estadual Adjunto do GOB - Baiano, o
    Sapientíssimo Irmão Ricardo Volpe, Presidente da SAFL - GOB, e a Cunhada Sônia
    Regina Telles de Menezes Torres, Representante da FRAFEM Cruzeiro do Sul da
    Bahia. Além disso, estiveram presentes o Eminente Irmão Wolney de Melo Dias,
    Grão-Mestre Estadual do GOB - Sergipe, bem como Sereníssimos Grão-Mestres
    Estaduais de outras Obediências Regulares, Poderosos Irmãos Deputados Federais,
    Delegados de Ritos e Veneráveis Mestres de Lojas da jurisdição.

    O evento foi uma oportunidade

    única para reforçar os laços de fraternidade e união entre os membros da Ordem,
    bem como para destacar o compromisso com a busca do aprimoramento humano e o
    desenvolvimento da sociedade. A criação do Grande Oriente do Brasil - Baiano
    representa um marco significativo para a Maçonaria do estado da Bahia,
    oferecendo novas oportunidades e perspectivas para o crescimento da instituição
    na região.

    Durante a solenidade, o

    Soberano Irmão Ademir Cândido da Silva dirigiu palavras de boas-vindas ao
    Grande Oriente do Brasil - Baiano, colocando todo o apoio e estrutura do GOB à
    disposição da nova Obediência. O momento também serviu para ressaltar a força e
    a importância dessa nova entidade, que nasce com vigor e determinação para
    contribuir com os trabalhos conjuntos em prol da Ordem maçônica e do bem-estar
    da sociedade como um todo.

    Que o Grande Oriente do Brasil

    - Baiano trilhe um caminho próspero e iluminado, honrando os princípios da
    Maçonaria e colaborando para o engrandecimento da Ordem e o bem-estar da
    humanidade. Que suas ações sejam guiadas pela sabedoria e pela busca constante
    pela verdade, e que os laços fraternos entre os membros sejam fortalecidos a
    cada dia.

    4 min
  • Voltaire - Livre Pensador e Maçom
    Descubra a intrigante conexão entre o gênio do Iluminismo, Voltaire, e sua associação com a Maçonaria em seus últimos dias.
    Infância e educação (1694-1711):
    François-Marie Arouet, mais tarde conhecido como Voltaire, nasceu em 21 de novembro de 1694, em Paris, França.
    Ele era o caçula de cinco filhos em uma família de classe média e seu pai era funcionário do governo. A mãe de Voltaire faleceu quando ele tinha apenas sete anos. Criado em uma família religiosa, ele recebeu uma educação jesuíta no estimado Collège Louis-le-Grand, onde estudou retórica, filosofia e teologia.
    Durante seu tempo no Collège, Voltaire foi exposto a uma variedade de discussões intelectuais, incluindo as ciências populares e as obras de filósofos como Pierre Bayle e John Locke.
    Essas influências mais tarde se tornariam instrumentais na formação de suas ideias filosóficas, enraizadas no ceticismo e na tolerância.
    Apesar da insistência de seu pai para que ele seguisse a carreira de advogado, a verdadeira paixão de Voltaire era escrever. Iniciou o seu percurso literário com a composição da sua primeira tragédia, “ Édipe ”, ainda na escola.
    Sua paixão pela escrita e suas habilidades de pensamento crítico tornaram-se evidentes em uma idade jovem e mais tarde contribuiriam significativamente para seu sucesso literário.
    Carreira Inicial e Prisão (1711-1718)
    Após completar seus estudos, Voltaire seguiu brevemente os desejos de seu pai e trabalhou como secretário do embaixador francês na Holanda.
    No entanto, logo abandonou a carreira diplomática e voltou a Paris para seguir sua verdadeira vocação de escritor.
    Voltaire tornou-se conhecido por sua perspicácia e abordagem satírica das questões sociais e políticas. Suas opiniões bem articuladas sobre religião, governo e outros tópicos lhe renderam a reputação de pensador destemido e influente.
    Infelizmente, suas críticas implacáveis às normas sociais e ao governo levaram à sua prisão na Bastilha em 1717.
    Voltaire foi acusado de difamação contra o regente da França, Philippe II, duque de Orléans. Ele passou quase um ano na prisão, período durante o qual escreveu sua peça trágica, “Oedipe”. Libertado em 1718, Voltaire rapidamente ganhou destaque como dramaturgo e poeta.
    Sucesso literário e defesa das liberdades civis (1718-1733)
    Na década seguinte, Voltaire alcançou um sucesso literário significativo, produzindo obras de várias formas, incluindo peças teatrais, poemas, ensaios, obras históricas e tratados científicos.
    Seu talento multifacetado o ajudou a emergir como uma das principais figuras literárias do Iluminismo francês.
    No cerne das obras de Voltaire está sua defesa inabalável das liberdades civis. Ele era um firme defensor da liberdade de expressão, liberdade de religião e da separação entre igreja e estado.
    Ele criticou a estreita aliança entre a igreja e o estado, que ele acreditava impedir o progresso da ciência e promover a ignorância, o fanatismo e a perseguição. Suas perspectivas sobre essas questões alimentaram sua missão de educar as massas e melhorar as condições sociais.
    Os esforços de defesa de Voltaire se concentraram em desafiar dogmas intelectuais, promover a tolerância e abordar injustiças cometidas por poderes religiosos e políticos.
    Seu compromisso incansável com essas causas contribuiu significativamente para a fundação do movimento iluminista, que de fato mudaria o mundo.
    Exílio de Voltaire na Grã-Bretanha (1726-1728)
    Após uma disputa contenciosa com o Chevalier de Rohan-Chabot e um período de prisão na Bastilha, Voltaire solicitou o exílio na Inglaterra como punição alternativa.
    As autoridades francesas concordaram e, em maio de 1726, Voltaire embarcou em uma jornada que influenciaria significativamente seu desenvolvimento intelectual.
    Após sua chegada à Inglaterra, Voltaire se estabeleceu em Wandsworth e logo formou conexões com figuras proeminentes como Everard Fawkener . Mais tarde, mudou-se para Maiden Lane, Covent Garden, para ficar mais perto de seu editor.
    Sua estada na Grã-Bretanha permitiu que ele se envolvesse com mentes ilustres, como Alexander Pope, John Gay, Jonathan Swift e Lady Mary Wortley Montagu, entre outros.
    Voltaire foi especialmente cativado pela monarquia constitucional britânica, que contrastava fortemente com o absolutismo da França. A maior liberdade de expressão e religião da Grã-Bretanha o impressionou profundamente, assim como seus prósperos esforços literários e científicos.
    Em particular, Voltaire foi inspirado nas obras de William Shakespeare, embora relativamente obscuro na Europa continental na época.
    Apesar de sua crítica ao desvio de Shakespeare dos padrões neoclássicos, Voltaire apreciou a capacidade do dramaturgo de criar um drama poderoso e envolvente, algo que ele sentiu que faltava nas produções teatrais francesas.
    À medida que a influência de Shakespeare começou a se espalhar na França, Voltaire procurou desafiá-la com suas peças, tentando mostrar o equilíbrio entre a profundidade emocional e os padrões teatrais clássicos.
    O tempo de Voltaire na Inglaterra o expôs ao funeral do visionário cientista, Sir Isaac Newton, deixando uma profunda impressão no escritor francês.
    Inspirado por nomes como Newton e outros intelectuais britânicos, Voltaire começou a publicar ensaios em inglês que afirmavam sua recém-descoberta apreciação pela sociedade e cultura britânicas.
    Esses primeiros trabalhos incluem “Sobre as Guerras Civis da França, extraídos de manuscritos curiosos” e “Sobre a poesia épica das nações européias, de Homer Down a Milton”.
    Depois de dois anos e meio morando na Grã-Bretanha, Voltaire voltou para a França com uma visão transformada sobre política, religião e cultura.
    Suas experiências na Inglaterra moldaram suas perspectivas sobre liberdades civis, tolerância e os méritos de uma monarquia constitucional, influenciando significativamente seus esforços filosóficos e literários subsequentes.
    Pouco depois de retornar à França, a admiração de Voltaire pela sociedade britânica culminou na publicação de “Cartas sobre a nação inglesa” (publicado como “Lettres philosophiques” em francês).
    Esta coleção de ensaios incitou controvérsia devido ao seu elogio à monarquia constitucional da Grã-Bretanha, à liberdade religiosa e ao respeito pelos direitos humanos.
    Apesar de enfrentar censura e reação em sua terra natal, Voltaire permaneceu inabalável em suas convicções, profundamente influenciado por seu tempo na Grã-Bretanha.
    Relacionamento com Émilie du Châtelet (1733-1749)
    No início da década de 1730, Voltaire envolveu-se romanticamente com Gabrielle Émilie le Tonnelier de Breteuil, Marquise du Châtelet. Émilie du Châtelet era uma potência intelectual e uma matemática brilhante, o que era altamente incomum para uma mulher de seu tempo.
    Ela foi inflexível sobre seu desejo de se envolver no trabalho intelectual e permaneceu dedicada a suas atividades, apesar da pressão social para cumprir os papéis tradicionais de gênero.
    Apesar de casada e mãe de três filhos, Émilie du Châtelet embarcou em um relacionamento apaixonado e intelectualmente estimulante com Voltaire.
    Os dois compartilhavam um intenso amor pela ciência, literatura e filosofia que os ajudou a formar um vínculo profundo. Eles trabalharam juntos em vários projetos científicos e realizaram experimentos em sua casa comum, Cirey, um castelo no nordeste da França.
    A parceria deles foi, sem dúvida, produtiva. Tanto Du Châtelet quanto Voltaire contribuíram para o trabalho um do outro, enriquecendo seus respectivos campos e ampliando os limites da investigação intelectual.
    Por exemplo, Du Châtelet traduziu e expandiu o Principia Mathematica de Isaac Newton, que foi fundamental na promoção de suas ideias científicas inovadoras na França. Por sua vez, Voltaire aprimorou suas habilidades em matemática sob sua orientação, incorporando essas ideias em seus escritos filosóficos.
    Seu relacionamento único, baseado na busca intelectual e no respeito mútuo, persistiu até 1749, quando Émilie du Châtelet faleceu tragicamente devido a complicações decorrentes do parto.
    Voltaire lamentou-a profundamente e continuou a reconhecer seu notável legado como cientista, matemática e figura influente do Iluminismo.
    Exílio na Prússia (1750-1753)
    Na década de 1750, Voltaire recebeu um cobiçado convite do rei Frederico, o Grande, da Prússia, que admirava a sagacidade e o intelecto do escritor. Ansioso por buscar oportunidades intelectuais na corte de Frederico, Voltaire deixou a França e mudou-se para a Prússia.
    Ele foi calorosamente recebido e os dois homens desfrutaram de uma admiração mútua um pelo outro, discutindo literatura, filosofia e política.
    No entanto, as tensões começaram a surgir entre Voltaire e Frederick devido a divergências sobre o trabalho criativo, filosofia e assuntos pessoais.
    O relacionamento inicialmente promissor se deteriorou, levando à saída de Voltaire da Prússia depois de apenas três anos.
    Vida em Genebra e Ferney (1755-1778)
    Depois de deixar a Prússia, Voltaire se estabeleceu em Genebra, onde continuou a escrever e apoiar causas justas.
    No entanto, os rígidos regulamentos na cidade protestante tornaram-se sufocantes, o que o levou a se mudar mais uma vez, desta vez para Ferney, um pequeno vilarejo perto da fronteira franco-suíça.
    Em sua residência em Ferney, Voltaire passou a maior parte das últimas duas décadas de sua vida. Dedicou-se a várias atividades intelectuais, incluindo a construção de uma grande biblioteca e um teatro.
    Voltaire também continuou a defender indivíduos perseguidos injustamente, emprestando sua voz e influência à causa deles.
    Anos Finais e Morte (1778)
    Em 1778, aos 83 anos, Voltaire voltou a Paris para supervisionar a produção de sua peça “Irene”. Ele foi recebido com grande entusiasmo pelo público parisiense, que o saudou como uma figura heróica do Iluminismo.
    No entanto, a saúde de Voltaire começou a piorar rapidamente e ele faleceu em 30 de maio de 1778.
    Apesar de suas críticas ao longo da vida à Igreja, Voltaire, ciente do potencial de seus restos mortais serem descartados em solo não consagrado, foi enterrado secretamente em uma abadia em Champagne.
    Seu túmulo foi posteriormente transferido para o Panteão de Paris, onde seus restos mortais repousam ao lado de outros grandes pensadores franceses, como Rousseau e Victor Hugo.
    Obras e legado de Voltaire
    Ao longo de sua vida, Voltaire escreveu inúmeras obras que deixariam uma impressão duradoura nas gerações futuras. Algumas de suas obras mais notáveis incluem "Candide", "Zadig", "The Age of Louis XIV" e "The Maid of Orleans".
    A escrita prolífica de Voltaire serviu como testemunho de sua genialidade e de sua dedicação incansável à busca do conhecimento e do progresso.
    Como pioneiro do Iluminismo e feroz defensor das liberdades civis, as ideias e contribuições de Voltaire deixaram uma marca indelével no mundo.
    Seu compromisso inabalável em desafiar o status quo e promover a liberdade de pensamento continua sendo um exemplo inspirador para todos os que lutam pelo progresso intelectual e social.
    Voltaire e a Maçonaria
    La Loge des Neuf Sœurs (As Nove Irmãs), fundada em Paris em 1776, foi uma proeminente Loja Maçônica Francesa do Grande Oriente da França que foi influente na organização do apoio francês à Revolução Americana.
    O nome se referia às nove Musas, filhas de Mnemosyne/Memory, patronas das artes e das ciências desde a antiguidade e há muito tempo significativas nos círculos culturais franceses.
    Em 1778, ano em que Voltaire se tornou membro, Benjamin Franklin e John Paul Jones também foram aceitos. Benjamin Franklin tornou-se Mestre da Loja em 1779 e foi reeleito em 1780.
    Quando Franklin, após uma longa e influente estada na Europa, retornou à América para participar da redação da Constituição, Thomas Jefferson, um não maçom, assumiu o cargo de enviado americano.
    Voltaire foi iniciado na loja em 4 de abril de 1778, em Paris; seus regentes foram Benjamin Franklin e Antoine Court de Gébelin. Ele morreu no mês seguinte. Sua filiação, no entanto, simbolizava a independência de espírito que Les Neuf Sœurs representava.
    Benjamin Franklin, um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, foi uma figura chave na loja. Ele serviu como Venerável Mestre da loja de 1779 a 1781.
    Sua influência e conexões desempenharam um papel significativo na promoção do relacionamento entre a França e os emergentes Estados Unidos durante a Revolução Americana.
    Em conclusão, Voltaire, Benjamin Franklin e a Loge des Neuf Sœurs em Paris estavam interligados. Todos faziam parte desta influente Loja Maçônica, que desempenhou um papel significativo no cenário cultural e político da época.
    16 min
  • Igreja Católica e Maçonaria
    O termo "igreja" vem do grego e significa "lugar de culto", "reunião dos fiéis". Uma comunidade torna-se Igreja, observa E. Lehmann, «quando, além dos princípios constitutivos da comunidade, também os do culto, do sacerdócio ou dos mistérios adquirem valor, tanto que se tornam essenciais para a sua organização. O cristianismo é um exemplo do tipo perfeitamente desenvolvido de uma Igreja, pois abrange todos os aspectos da vida, tanto da comunidade de culto. A definição catequética da Igreja Católica é a seguinte: “A Igreja é a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos batizados que professam a fé e a doutrina de Jesus Cristo, participam de seus sacramentos e obedecem aos pastores por ele designados.
    Esta definição, do ponto de vista canônico, é exata, mas não enquadra a Igreja como um “mistério religioso”. Hipóteses de reconciliação entre Igrejas Católicas e Maçonaria, não apenas limitadas ao nível ético, tivemos muitas na história das relações Igreja-Maçonaria. A partir do novo Código de Direito Canônico, promulgado em 25 de janeiro de 1983, que cancela a excomunhão antimaçônica e derruba o último obstáculo ao diálogo entre os Filhos da Viúva e os Filhos da Igreja Católica. Os maçons não são mais irmãos amaldiçoados. São os irmãos bem-aventurados, porque participam da sétima bem-aventurança proclamada por Cristo: "Bem-aventurados os pacificadores (isto é, os pacificadores), porque serão chamados filhos de Deus" (Mateus, V,9). Giuseppe Garibaldi é abençoado, porque depois de ter lutado em ambos os mundos contra os abusos dos déspotas, ele entendeu o caráter absoluto da Fraternidade e hipotetizou o tribunal permanente para a paz universal com sede em Nice e com o Areópago, que obedecia a estes dois artigos: 1) guerra entre nações é impossível; 2) qualquer divergência que surja entre algum deles deverá ser submetida ao Areópago para que seja resolvida pacificamente.
    Os Grandes Mestres Frapolli, Lemmi, Nathan e outros caminham na mesma direção. Adriano Lemmi, que viveu no clima do excomungado Risorgimento, combinou sua nobre mensagem de pacifismo universal com violentos ataques anti-Vaticano, porque viu no papado o inimigo do progresso e da Itália, o amigo do despotismo iliberal e anticientífico dogmatismo. No entanto, o Lemmi anticlerical seguiu um programa naturalmente cristão em um nível leigo de rigor.
    Na obscura, mas também luminosa Idade Média, São Tomás de Aquino, um dos maiores cérebros da teologia católica, escreveu: "Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é bom vem do Espírito Santo". O desígnio maçônico de construir a Família Universal de Irmãos é o equivalente leigo do Reino de Deus, no qual a única lei é o Amor e a única modalidade de relacionamento é a fraternidade. O lento, mas inevitável caminho rumo ao ponto ômega da Fraternidade universal - escreve o Padre F. Molinari - constitui a linha luminosa, que atravessa toda a Bíblia, da qual tiram sua direção a Maçonaria e a Igreja. A história da salvação nada mais é do que o chamado de todos os homens à comunhão vertical com o Pai e à comunhão horizontal com os irmãos, que encontram em Cristo o Bom Pastor do rebanho humano escravizado pela ignorância, mas destinado à suprema redenção. A promessa feita por Deus a Abraão de que seus filhos serão tão numerosos quanto as estrelas do céu se cumpre na paciente mas imparável construção da catedral da fraternidade. A catedral é o templo do homem para os leigos, é o templo do encontro do homem com Deus e dos homens entre si segundo a perspectiva dos crentes.
    Em conclusão, para Molinari o impulso para a Fraternidade universal representa o inconsciente comum e coletivo que constrói uma ponte de ligação subterrânea entre a Igreja e a Maçonaria, mesmo em momentos em que as duas maiores instituições do pacifismo internacional se encontravam em lados opostos da frente de embate. O embate é fruto de contingências históricas temporárias e da fragilidade humana, que deve ser encarada com a tolerância maçônica e com a longanimidade cristã, que perdoa setenta vezes sete.
    (Extraído de The Freemason Companion, de Luigi Troisi)
    Fonte: ALEF Esoterismo
    6 min
  • Somos realmente maçons?
    Por Gabriel Anghelescu
    A Maçonaria é uma Fraternidade envolta em mistério. Podemos dizer isso não apenas por seus símbolos e cerimônias, mas também pelas definições que certas organizações maçônicas e certos maçons lhe atribuem.
    Aprendemos, portanto, de duas fontes, representando os dois pilares predominantes da Fraternidade, a inglesa e a francesa, que a Maçonaria é “uma das mais antigas organizações sociais e caritativas do mundo” ou uma “instituição iniciática por excelência secular, filosófica e progressiva” .
    Uma terceira definição (perpetrada nos EUA) que encontramos é que a Maçonaria é uma organização dedicada a “tornar homens bons melhores” .
    Se fôssemos autossuficientes, poderíamos nos limitar a essas definições. Mas como somos maçons e devemos estar constantemente em busca da Verdade, poderíamos dissecá-los e analisá-los para formular uma quarta definição, diferente das anteriores.
    Embora nos encontremos em Lojas, fazendo contato com homens pertencentes a diferentes culturas, origens sociais e cultivemos o princípio da ajuda mútua, pode ser um erro dizer que a Maçonaria é uma organização social e de caridade.
    Se reduzíssemos a isso, não passaríamos de meros colaboradores vestindo aventais bobos e participando de cerimônias sem sentido.
    Para atingir tal objetivo, precisaríamos apenas de uma caixa registradora, um caixa e alguns bares onde podemos nos encontrar para perder tempo, socializando sem nenhum propósito específico.
    Embora os graus da Maçonaria contenham certos aspectos filosóficos, reduzi-la a uma organização puramente filosófica significaria que ela não tem nenhuma semente de verdade conhecível e que todas as interpretações de seus símbolos são deixadas para a invenção de nossas próprias mentes. Estaríamos assim colocados na posição de procurar dentro dele algo que nunca poderíamos encontrar.
    Embora com a ajuda das lições de moral que os graus da Maçonaria nos oferecem possamos dizer que podemos nos tornar melhores, devemos levar em conta o fato de que podemos ser boas pessoas sem ser maçons.
    Seria uma tentativa de transformar a Fraternidade em um culto se disséssemos que só os maçons são boas pessoas e que não se pode ser uma boa pessoa sem a Maçonaria.
    Em relação à população global, o número de maçons é muito pequeno e não podemos ter certeza de que apenas alguns milhões de pessoas sejam boas ou interessadas em se tornar melhores, visto que nem mesmo temos certeza de que todos os maçons estão interessados nesse aspecto.
    … então o que é a Maçonaria afinal?
    A Maçonaria é uma organização tão misteriosa que para a maioria de seus membros ela mesma é um mistério, e tão conspiratória, pode-se dizer para quebrar as ilusões de certos profanos, que existem irmãos dentro de suas fileiras que parecem conspirar no maior dos casos. todas as conspirações possíveis: aquela contra a própria natureza humana, dotada de razão e de uma inteligência que os animais não possuem.
    Ao mesmo tempo é uma organização com um propósito nobre, tanto para os irmãos que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir quanto para os profanos que, podendo observar isso, batem às portas do Templo e pedem para ser recebido a fim de se juntar a ela para sua missão superior.
    Se dermos uma olhada nas definições oferecidas por estudiosos da Fraternidade, como WL Wilmshurst, Albert Mackey, Albert Pike e muitos outros que estão entre os poucos que conseguiram dar-lhe significados mais adequados do que alguns contemporâneos, veremos que:
    “A Maçonaria é uma ciência, [...] um sistema de doutrinas que é ensinado, de uma maneira peculiar a si mesmo, por alegorias e símbolos.” (Albert Mackey, The Symbolism of Freemasonry) , mas “[a maçonaria] não é feita para almas frias e mentes estreitas, que não compreendem sua elevada missão e sublime apostolado” (Albert Pike, Morals & Dogma of the AASR) .
    “Aqueles que entram, como a maioria, ignoram completamente o que encontrarão lá, geralmente porque têm amigos lá ou sabem que a Maçonaria é uma instituição devotada a altos ideais e benevolência e com a qual pode ser socialmente desejável estar conectado. , podem ou não ser atraídos e lucrar com o que lhes é revelado, e podem ou não ver nada além da forma nua do símbolo ou ouvir algo além da mera letra da palavra.
    A admissão deles é uma loteria; sua Iniciação muitas vezes permanece apenas uma formalidade, não um despertar real para uma ordem e qualidade de vida anteriormente inexperientes; sua associação, a menos que tal despertar eventualmente resulte do estudo cuidadoso e da prática fiel dos ensinamentos da Ordem, tem pouca ou nenhuma influência maior sobre eles do que resultaria de sua adesão a um clube puramente social. (O significado de alvenaria, WL Wilmshurst).
    Estas declarações podem parecer cheias de arrogância para alguns irmãos e também em oposição aos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que a Maçonaria defende ferozmente.
    Mas pode alguém ser livre sem ser educado? Alguém pode ser igual ao resto de seus semelhantes se não for livre? Alguém pode se considerar seu irmão se não é igual a eles?
    E por último, mas não menos importante: pode alguém chamar-se maçom se não for educado, livre, irmão dos seus semelhantes, se não aprender e se não embarcar na missão de orientar os outros a fazerem o mesmo?
    Eis quão importante é a educação de um homem que deseja tornar-se maçom, e quantas desvantagens são trazidas à Maçonaria por aqueles profanos que se juntam para fins mesquinhos, mas que encontramos entre nós e reconhecemos tais como irmãos.
    Podemos aprender sobre tais irmãos no artigo de Albert Mackey intitulado “Lendo maçons e maçons que não leem”:
    “O Mestre Maçom que sabe muito pouco, se é que sabe alguma coisa, do grau de Aprendiz anseia por ser um Cavaleiro Templário [...] O auge de sua ambição é usar a cruz dos Templários em seu peito. Se ele entrou no Rito Escocês, a Loja de Perfeição não o satisfará, embora forneça material para meses de estudo.
    Ele subiria mais rapidamente na escala de classificação, e se por esforços perseverantes ele pudesse atingir o ápice do Rito e ser investido com o grau Trigésimo Terceiro, pouco se importaria com qualquer conhecimento da organização do Rito ou das lições sublimes. que ensina.
    Ele atingiu o auge de sua ambição e pode usar a águia de duas cabeças.
    Esses maçons se distinguem não pela quantidade de conhecimento que possuem, mas pelo número de joias que usam.
    Eles darão quinhentos reais por uma medalha, mas não cinquenta centavos por um livro”.
    O mesmo estudioso visionário afirma ainda que:
    “[A Maçonaria] se deteriorará em clubes sociais ou meras sociedades beneficentes. Com tantos rivais nesse campo, sua luta por uma vida próspera será difícil.
    O sucesso final da Maçonaria depende da inteligência de seus discípulos.”
    Na era da Internet podemos facilmente observar o fenômeno maçônico global e como suas palavras estão começando a se tornar realidade.
    Vemos cada vez mais membros para quem é mais importante debater se seu anel maçônico deve ser usado com as pontas para dentro ou para fora, cada vez mais que se sentem lisonjeados com os títulos e distinções que usam e se sentem infalíveis.
    Vemos em certas áreas do mundo como ele declinou ainda mais do que Albert Mackey e outros “previram”, Lojas inteiras ou Grandes Lojas inteiras se tornando negócios ou clubes de lobby político sob a cobertura da chamada Maçonaria que só eles conhecem.
    Vemos como a Maçonaria tem cada vez menos inimigos por fora e cada vez mais por dentro, e a principal causa disso é a falta de compreensão do que a Maçonaria realmente deveria ser.
    Somos mais de seis milhões de membros, pertencentes a diferentes Grandes Lojas, Lojas, Ritos, mas que têm essencialmente a mesma missão: o progresso de nós mesmos e da Humanidade rumo à Liberdade.
    E, no entanto, vemos a nós mesmos e a humanidade em uma regressão contínua, em um estado contínuo de escravidão.
    Talvez a Maçonaria tenha aberto demais suas portas. Talvez alguns não tenham entendido que a sobrevivência da Maçonaria para atingir seu sublime propósito não está no número de membros que possui, mas na qualidade dos mesmos.
    Talvez precisemos de menos membros e mais maçons. Menos homens na Maçonaria e mais Maçonaria em homens.
    Devemos parar por um segundo e todos devemos refletir:
    …somos realmente maçons, ou apenas membros com quotas?
    10 min
  • Simon Bolivar o Libertador
    O patriota venezuelano, líder e revolucionário, pai da independência das nações latino-americanas, nasceu há 240 anos, foi iniciado na maçonaria numa loja de Cádiz.
    No dia 24 de julho de 1783 nasceu em Caracas, Venezuela, uma das figuras mais influentes da história da América Latina: Simão Bolívar, o Libertador, o homem que no século XIX liderou a luta pela independência dos países sul-americanos contra o colonial espanhol no século XIX. Tinha 20 anos quando em 1803 foi iniciado na Maçonaria, na Loja Lautaro em Cádiz, Espanha, onde conheceu dois protagonistas da Revolução Bolivariana, José de San Martín e Mariano Moreno, também maçons. Em maio de 1806, em Paris, ele também se tornou Grão-Mestre da Loja Mãe de São Alexandre da Escócia. Bolívar veio de uma família rica e aristocrática que o enviou para estudar na Europa, onde teve a oportunidade de entrar em contato com a cultura e a filosofia iluministas que alimentaram o fogo da rebelião que ardeu dentro dele, fogo que quando voltou à pátria se transformou transformá-lo em um verdadeiro herói da história. O domínio colonial espanhol tomou conta da região, e foi Bolívar quem liderou a revolução venezuelana, lutando para libertar seu país da opressão estrangeira. Sua proeza militar se manifestou na famosa "Campanha Admirável" (1813), uma série de ousadas manobras militares que tornaram grande parte da Venezuela independente e lhe renderam o título de El Libertador. Em 6 de agosto de 1825, o Alto Peru tornou-se um novo estado com o nome de "República de Bolívar", posteriormente alterado para Bolívia; o projeto de independência da América do Sul da Espanha, ao qual Bolívar dedicara toda a sua vida, estava finalmente concluído. Mas seu espírito apaixonado o levou além das fronteiras da Venezuela, buscando criar uma união de nações livres e soberanas que ele chamou de "Grande Colômbia". Sua aspiração era criar uma federação de estados sul-americanos, unidos pelos valores de liberdade, independência, igualdade e fraternidade. Um sonho baseado nos princípios da Maçonaria que muito o influenciou, na sua visão de futuro, ao longo da sua vida.
    Bolívar lutou com firmeza, mas foi confrontado com a realidade da política e interesses locais, com divisões internas, rivalidades regionais e conflitos de poder. Assim, a Grande Colômbia se desfez, deixando apenas um eco de sua utopia.
    Bolívar esteve no centro das críticas e polêmicas. Alguns até o acusaram de ter se tornado um déspota, outros o consideravam um idealista louco em um mundo de concessões. No entanto, seu impacto na história permanece indiscutível. Bolívar ainda encarna o desejo de liberdade e independência de todo um continente. Seu legado está profundamente enraizado na história latino-americana e influenciou o nascimento das nações do continente. Sua coragem, paixão e determinação inspiraram gerações de líderes e pessoas comuns que ainda hoje buscam construir uma sociedade baseada na justiça, igualdade e liberdade. Em 1830, como escreveu a Pedro Briceño Méndez, seu ex-ministro da Marinha e da Guerra, "velho, doente, cansado, desiludido, nauseado, caluniado e mal pago" partiu para Bogotá com a intenção de retornar à Europa, passando pela Jamaica. Chegou a Cartagena em junho e no final de julho soube pelos jornais da resolução do Congresso venezuelano de romper relações com a Colômbia enquanto permanecesse em solo colombiano. Seu estado piorava a cada dia e não permitia que ele deixasse o país. Mudou-se para uma fazenda perto de Santa Marta, em busca de um clima melhor, onde faleceu no dia 17 de dezembro. “A la una y tresminutos de la tarde murió el sol de Colombia” (“à uma e três minutos da tarde morreu o sol da Colômbia”): assim foi anunciado seu desaparecimento. Nos seus últimos momentos de lucidez, ditou o seu testamento e uma proclamação na qual esperava que pelo menos a sua morte servisse para consolidar a unidade e fazer desaparecer as facções. Mas nem mesmo um ano se passou quando a Gran Colombia foi declarada legalmente dissolvida devido a disputas políticas internas. Foi sucedido pelas três repúblicas de Nueva Granada, Venezuela e Equador, sob a liderança, respectivamente, do neogranadino Francisco de Paula Santander, do venezuelano José Antonio Páez e do equatoriano Juan José Flores. Os restos mortais de Bolívar foram enterrados na Basílica de Santa Marta até serem trasladados para a Venezuela em dezembro de 1842, seu país de origem, conforme solicitação testamentária. Ali foram sepultados na cripta da catedral de Caracas, local de sepultamento da família, até que a República da Venezuela construiu o Panteão Nacional, para onde foram trasladados definitivamente. Em sua juventude, Bolívar havia viajado muito pela Europa, frequentando salões culturais onde se respiravam novos fermentos e conhecendo personalidades importantes. Foi em Milão, em 26 de maio de 1805, que Napoleão foi coroado no Duomo. E alguns meses depois, em 26 de agosto, o encontramos em Roma. É aqui, no Monte Sacro, que prestou o seu famoso juramento, inspirado no discurso que proferiu neste mesmo local em 494 a.C. por Menenio Agrippa e que serviu para pôr fim à revolta da plebe. Hoje, naquela montanha, um parque leva seu nome, enquanto o busto é guardado nos escritórios da Prefeitura na Piazza Sempione.
    Tinha sido um ano planejado para Bolívar na Itália, país do qual admirava os muitos precursores intelectuais do Ressurgimento e do Iluminismo como Filangeri, Foscolo, Monti e Verri que, segundo o futuro Libertador, souberam combinar os ideais de Rosseau e Montesquieu para colocá-los a serviço do povo. Em 1851, quase cinquenta anos depois da visita de Bolívar a Roma, um italiano, Giuseppe Garibaldi, que estava na América do Sul para ajudar na luta pela independência daqueles povos, foi a Paita, um pequeno povoado da costa peruana. Aqui ele procurou e conheceu uma senhora idosa, Manuelita Saenz, que havia sido companheira de Simon Bolívar por muitos anos. Garibaldi, ouvindo os feitos daquele personagem de quem os havia vivenciado em primeira mão, comoveu-se, e tirou daquela experiência um ímpeto renovado que naquele grande protagonista que seria alguns anos depois, da unificação da Itália.
    8 min
  • Luz e Sombras: O Conflito entre a Devoção e a Vaidade
    Pode-se estabelecer diversos olhares para o seio maçônico e, por meio deles, encontrar caminhos nobres para o desenvolvimento desta sociedade de indivíduos dedicados à busca da verdade, do aperfeiçoamento pessoal e do serviço à sociedade. No entanto, seja em quaisquer dos ângulos possíveis que a observemos, mesmo em um olhar franco e despretensioso, não é possível deixar de observar o abismo que separa a devoção da vaidade em seu seio. Este olhar que evitamos, é o que mais assombra nossas fileiras, motivo pelo qual não podemos mais ignorar sua existência entre a dedicação sincera e as vaidades efêmeras que seduzem os incautos.
    A devoção é o alicerce da maçonaria, impelindo-nos a buscar conhecimento, desenvolver virtudes morais e contribuir para o bem-estar da humanidade. Aqueles que se comprometem com essa busca sincera compreendem que a jornada é árdua e requer esforço constante para superar nossas próprias limitações. A devoção nos chama a transcender nossos egos e a trabalhar para o bem comum, cultivando a humildade e a fraternidade.
    No entanto, nem todos resistem às tentações da vaidade que se apresentam em nosso caminho. A vaidade é um veneno sutil, encontrando brechas em nossos corações e mentes, alimentando o desejo de reconhecimento, poder e status. É nesse ponto que o abismo começa a se abrir, dividindo aqueles que se dedicam verdadeiramente daqueles que sucumbem às suas ambições egoístas.
    Infelizmente, deparamo-nos com irmãos que buscam a maçonaria não pelo encontro com a verdade e a sabedoria, mas pela promoção de suas próprias ambições pessoais. Eles enxergam a ordem como um trampolim para obter prestígio, influência e reconhecimento social, desviando o foco da essência maçônica, esvaziando-a de sua profundidade e propósito.
    O abismo entre a devoção e a vaidade é uma realidade que não podemos ignorar, pois mina os ideais pelos quais nos esforçamos. Devemos reconhecer e confrontar essa falha, individual e coletivamente, buscando um equilíbrio entre a busca sincera da verdade e a humildade que nos mantém alinhados com os princípios maçônicos.
    Talvez seja hora de olharmos para dentro de nós mesmos, com honestidade e autenticidade, e questionarmos nossas motivações. Precisamos estar vigilantes para não permitir que a vaidade obscureça nosso compromisso com a dedicação e o serviço desinteressado. Afinal de contas a maçonaria é uma jornada pessoal, e cada um de nós deve assumir a responsabilidade por nossas escolhas e ações.
    Ao enfrentarmos o abismo entre a devoção e a vaidade, devemos reafirmar nossa dedicação à busca da verdade, à construção do caráter e à promoção do bem-estar da humanidade. A maçonaria, em sua essência, é um farol de esperança, uma oportunidade para transcender nossos egoísmos e nos tornarmos melhores seres humanos.
    Ao olharmos para a maçonaria que habita em nós, estejamos sempre atentos a refletir profundamente sobre o abismo que nos desafia, esforçando-nos para manter a devoção autêntica e buscar a harmonia entre nossas mais nobres aspirações e a humildade que nos mantém fiéis aos valores maçônicos. Somente assim poderemos superar o abismo que nos separa das vaidades e construir uma maçonaria verdadeiramente enriquecedora e transformadora.
    Eugenio Polessa
    5 min
  • Uma Visita ao Templo Interior
    Por Irmão Dário Angelo Baggieri
    Amados irmãos, participando de uma cerimônia de batizado no interior do Santuário Paz e Bem, no Oriente de Vila Velha-ES, me deparei com 7 vitrais na Coluna do Sul daquele Templo de cunho Católico, que pelas suas peculiares e estratégicas posições na caminhada em direção ao Oriente, me levaram a uma reflexão simbólica e principalmente filosófica, que me fomentaram a praticamente viajar em uma aventura muito prazerosa e enriquecedora.
    Inicia-se no primeiro Vitral/Mosaico a assertiva TEMOR A DEUS. O temor a Deus é um sentimento de respeito e reverência praticada pela doutrina cristã, segundo previsto no livro de Hebreus da Bíblia Sagrada: "Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo. Ter temor a Deus significa reverenciá-lo e respeitá-lo como Criador e Salvador. Mas temer ao Senhor não é o mesmo que ter medo ou pavor d’Ele; ao contrário, o temor do Senhor está diretamente ligado ao amor e a gratidão a Ele. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9:10. Por isso, o escritor bíblico, também diz que o temor a Deus “consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa” (Provérbios 8:13). Então aquele que verdadeiramente teme a Deus necessariamente irá andar conforme a sua vontade. Aqui se ratifica que aos maçons somente se inicia qualquer obra, após a abertura do Livro da Lei.
    No segundo Vitral/Mosaico está escrito PIEDADE. Demonstração de amor ou afeto pelas coisas religiosas; devoção. Compaixão pelo sofrimento de uma outra pessoa; misericórdia. A piedade nos dá a graça de saber entender o limite do nosso irmão. Todo sentimento de piedade baseia-se no sentimento primário do próprio indivíduo que o sente, porém pode-se sugerir que aquilo que seria doloroso a um indivíduo poderia não ser para outro. Imagina-se, portanto, que a piedade é o resultado da imaginação somada à vivência de cada indivíduo. Não existe piedade sem amor, não existe piedade sem temor a DEUS. Na filosofia maçônica, a piedade é como um sentimento fraterno que, ao proporcionar a identificação com o outro, estabelece os primeiros laços que unem os homens entre si. Através da piedade, o homem maçom sofre no sofrimento do outro irmão, pois percebe que pode padecer dos mesmos males. Cabe à imaginação ativar a piedade nesse movimento de lançar-se para fora de si, e desse modo, a piedade, apesar de natural, se manifestaria apenas após a reflexão.
    Continuando a caminhada nos deparamos com o terceiro Vitral/Mosaico- CIÊNCIAS. Vemos aqui um despertar para o respeito entre a fé e a ciência. Enquanto a ciência ocupa-se com seu objeto específico de estudo, a filosofia Maçônica ocupa-se em tentar entender se esse objeto é corretamente estudado, além de tentar aprimorar os modos do fazer científico, a fim de proporcionar à ela, a maior validade racional possível. Filosofia e Ciência tem entre si relações de proximidade no objetivo, no modelo de desenvolvimento das ideias e, também, de inspiração mútua. Se aproximam nos objetivos na medida que ambas as coisas pretendem explicar o funcionamento do mundo, de modo que os cientistas se dedicam a estudar fenômenos particulares específicos e os filósofos tendências gerais. O modelo de desenvolvimento parte do mesmo princípio, a razão, sendo formas racionais de explicar os fenômenos humanos e naturais, tendo a filosofia inspirado no desenvolvimento da ciência e vice-versa. O Homem Maçom é um filósofo eminentemente científico.
    O Quarto Vitral/Mosaico na caminhada aparece a Palavra FORTALEZA. Para o verdadeiro iniciado, essa palavra tem ampla significação simbólica. Para desenvolver sua força individual é imprescindível que o maçom tenha o conhecimento de si mesmo, à nível mental (virtudes e defeitos, reações negativas e positivas) e físico (biológico), e o conhecimento do mundo que o cerca (sociedade e natureza). Existe nos labores maçônicos uma conotação diferente do mundo profano, mas com semelhanças nas propriedades simbólicas e especulativas. A Fortaleza pode representar a qualidade do que é forte. A robustez ou, propriamente, o vigor físico. Conceitualmente a Força é também um agente físico capaz de alterar o estado de repouso de um corpo material.
    Passemos então às especulações. Dos três graus de uma Loja Simbólica ou classe de operários, qual é mais robusto, ou necessita de maior vigor físico? Por óbvio, são os Aprendizes, pois estão nas pedreiras quebrando e transportando as pedras brutas. Mas a fortaleza não é somente física, também tem reflexo na espiritualidade, no emocional e também na religiosidade.
    O Quinto Vitral/Mosaico aparece o vocábulo CONSELHO. Diz o sábio mestre: A única coisa a fazer com os bons conselhos é passá-los a outros pois nunca têm utilidade para nós próprios e escutai os conselhos de quem muito sabe, mas especialmente os conselhos de quem muito vos ama. Os irmãos sábios nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da e de suas atitudes que dizem mais do que mil palavras. A consciência do aprendizado, nos falam ao nosso íntimo - e lhes damos a necessária importância, pois oferecem-nos as suas vivências. Aprendamos a ouvir com a voz do coração.
    O Sexto Vitral/Mosaico encontramos a base de Todas as doutrinas Filosóficas e Herméticas, O ENTENDIMENTO. Vocábulo tão sublime em nosso vernáculo, de uma profundidade ímpar. Do ponto de vista filosófico, este conceito recebe o nome de intelecção ou apreensão da realidade através do acesso à essência dos fatos. O entendimento mostra a capacidade de discernimento racional que potencializa a deliberação da tomada de decisões. O conhecimento originado pela filosofia maçônica é um modo de interpretação da realidade que diferencia-se de outras formas de conhecer. Ao contrário da sensibilidade, que é uma faculdade intuitiva, como comentamos anteriormente, na filosofia maçônica. O entendimento é uma faculdade puramente discursiva, o que quer dizer que ele opera sobre objetos dados pela sensibilidade. Ele é, pois, a faculdade de fazer juízos, expressos em proposições. Mas dentro de paradigmas que consideramos justos e perfeitos sob a ótica da doutrina. O Entendimento é a base de todo relacionamento em qualquer Seara. É o Penúltimo degrau do amor fraternal.
    E por último nos deparamos com um Vitral/Mosaico na entrada do oriente com a PALAVRA MAGICA-"SABEDORIA" que encerra em sua simbologia toda nossa caminhada. Salomão não pediu riquezas, exércitos, poder material, etc. pediu ao GADU a sabedoria. Deus deu-lhe não apenas sabedoria, mas também um discernimento extraordinário e uma abrangência de conhecimento tão imensurável quanto a areia do mar. A sabedoria de Salomão era maior do que a de todos os homens do oriente e do que toda a sabedoria do Egito. (1 Reis 4 29-30)
    A sabedoria começa na reflexão. Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um o ajuda a ganhar a vida; o outro, a construir uma vida. Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.
    Ela está contida simbolicamente na coluna JÔNICA e o sábio mestre diz que O tempo é como um rio… Você nunca poderá tocar na mesma água duas vezes, porque a água que já passou nunca passará novamente. Aproveite cada minuto da sua vida e lembre-se: nunca busque boas aparências porque não existem… Não procure pessoas perfeitas porque não existem… Mas busque, acima de tudo, alguém que saiba o seu verdadeiro valor! Cada dia que amanhece assemelha-se a uma página em branco, na qual gravamos os nossos pensamentos, ações e atitudes. Na essência, cada dia é a preparação de nosso próprio amanhã.
    Nossa caminhada não termina aqui nesse Orbe Terrestre, ela continua em outros parâmetros. A Evolução do Espírito é eterna, contínua e nos exorta a sermos Melhores a cada dia, pois essa é a essência dos ensinamentos do divino mestre Jesus. Sejamos verdadeiramente irmãos !!!!
    Dario Angelo Baggieri
    M.”.I.’. CIM 157465
    AMLES- cadeira nº 1 Patrono Alferes Tiradentes
    11 min

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