Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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Malhete Podcast episodes

  • A Porta do Templo
    A palavra porta, que deriva do latim e significa passagem estreita, evoca uma noção antiga e sagrada, já presente entre os egípcios que construíam pilares com passagem estreita na entrada dos templos, que com seu frontão sugeriam uma ponte entre dois mundos. A porta do templo é tradicionalmente um dos elementos mais ricos do ponto de vista artístico. As portas dos templos costumam ser adornadas com pinturas e esculturas que funcionam como um livro ilustrado.
    Exemplo desta característica podem ser encontrados nos portais das catedrais góticas ou românicas de Chartres, Reims ou outras, onde se podem admirar representações de cenas bíblicas, virgens com criança, figuras de santos e apóstolos esculpidas em pedra e destinadas a transmitir aos à população analfabeta uma mensagem cristã de valor educativo.
    A intenção das decorações era também estimular os fiéis a se aproximarem de Deus, a entrarem na igreja, a cruzarem o limiar do despertar.
    Este convite para entrar na igreja pode parecer contrastar com o simbolismo usado pelos antigos egípcios e pelas próprias tradições maçónicas e hindus, que concebem a porta do templo como um lugar a ser guardado (defendido por guardas ou feras, leões, dragões ou grifos colocados nas laterais de templos como o babilônico) ou por esfinges em frente às pirâmides egípcias.
    A porta do templo pode, portanto, assumir dois significados diferentes: num primeiro sentido, pode aparecer como um convite e uma abertura, enquanto num segundo sentido, pode parecer hostil e só pode ser aberta se alguém for digno. Neste caso torna-se hermeticamente aberto, ou seja, acessível apenas aos iniciados.
    Na milenar civilização egípcia, a majestade e a severidade dos animais selvagens refletiam-se na iconografia de divindades como Anúbis, o deus com cabeça de chacal, que guiava as almas dos falecidos para o reino do outro mundo, vigiava os portões do o submundo e presidiu o julgamento das almas na balança de Maat.
    No que diz respeito ao templo maçónico, não se trata de uma realidade arquitectónica, mas sim de um “templo em espírito”, que se inspira na construção do templo de Jerusalém do rei Salomão, narrada na Bíblia, mas de origem mais antiga, ou seja, egípcio. A entrada do templo, segundo esta tradição, era fixada no Hekal (parte coberta reservada aos sacerdotes) por duas colunas de bronze erguidas por Hiram e denominadas Jakin e Boaz; Jachin significa “aquele que estabelece” em hebraico e Boaz significa “força nele”.
    O acesso ao templo estava indissociavelmente ligado às suas duas colunas que, no entanto, não sustentavam nada e esta passagem, reservada apenas ao iniciado, ativou uma dinâmica de construção e consolidação, ajudando a fortalecer o templo, atraindo a força divina. A soleira do edifício sagrado, símbolo da dimensão cósmica da Arte Real, abre-se para Poente, onde o sol desce e vira-se para Nascente, no centro do arco solar entre o ponto mais baixo e o ponto mais alto. Ladeiam-no duas colunas solsticiais, representando o deus Janus, senhor das portas, detentor das chaves e com duas faces. O seu olhar tem um duplo sentido: um espacial, que zela pelo acesso ao templo, impedindo a entrada ao profano, e um interno, que garante a harmonia que ali reina. O outro significado é temporal: em harmonia com o ciclo solar, Janus representa o segundo São João, guardião não só dos portões celestes, mas também do início do ciclo anual no solstício de inverno, quando a luz solar está no seu melhor mínimo e inicia sua subida. Janus era a divindade latina das portas e é também o mais antigo dos deuses latinos, sempre invocado antes de Júpiter. Ele presidiu os portões do céu e o domínio dos deuses. Deus romano dos começos, entradas e passagens, teve o papel de iniciador.
    Janus, o guardião dos umbrais, sempre apareceu com duas caras: com um olhar examinava o passado e com o outro o futuro; ou com um dirigiu-se à terra e o outro ao céu, em virtude da sua "dupla ciência" que lhe foi concedida pelo deus Saturno em troca da sua fidelidade. Os seus santuários ficavam às portas das cidades; em Roma seu templo tinha a particularidade de ter as portas escancaradas em tempos de guerra, para indicar que o Deus havia partido para a batalha, e fechadas em tempos de paz porque voltava ao seu local de culto para proteger a cidade. A porta do templo, além de ter um valor estético e arquitetónico, era sobretudo uma “passagem” que implicava uma dualidade: havia o fora e o dentro, o antes e o depois, o ruído e o silêncio. Em todas as tradições, rituais com forte significado simbólico foram associados a este acesso.
    Em quase todas as culturas encontramos nesta passagem um rito antigo, o da purificação, que permitiu aos fiéis de todas as religiões, e ao iniciado maçónico, serem dignos de entrar no santuário.
    Com as mãos protegidas por luvas brancas, símbolo de pureza, o maçom coloca seus metais na entrada do templo. Assim como os cristãos se borrifam com água benta para entrar na igreja, ou os muçulmanos tiram os sapatos para entrar na mesquita.
    Além disso, a porta do templo marca solenemente as fases da vida de quem por ela passa. Na religião cristã, por exemplo, a noiva vai à igreja ao lado do pai e sai acompanhada do marido, selando uma nova e importante etapa em sua existência. Mesmo no adro, em frente à porta, realizam-se gestos sagrados e solenes.
    Na Bíblia, a soleira do templo às vezes é cenário de maravilhas. Nos Atos dos Apóstolos, capítulo 3, é narrado um aleijado de nascença que pedia esmola na porta do templo e Pedro e João lhe intimaram, em nome de Jesus: “Levanta-te e anda” e o milagre acontece. . Lá fora, em frente à porta, o rei administra a justiça.
    A porta do templo é o símbolo da transformação que o leigo deve fazer para ter acesso à sabedoria maçônica. Não é uma simples abertura, mas um limiar que exige mérito, sacrifício e vontade. O leigo vendado deve se curvar para passar pela porta estreita, como se fosse renascer para uma nova vida, deixando para trás as trevas da ignorância e aproximando-se da luz do conhecimento. Ele também deve enfrentar as provações dos três elementos, guiado pelas duas colunas que representam a dualidade do ser humano e a porta do templo é o símbolo da transformação que o leigo deve fazer para ter acesso à sabedoria maçônica. Não é uma simples abertura, mas um limiar que exige mérito, sacrifício e vontade. O leigo vendado deve se curvar para passar pela porta estreita, como se fosse renascer para uma nova vida, deixando para trás as trevas da ignorância e aproximando-se da luz do conhecimento. Ele também terá que enfrentar as provações dos três elementos, guiado pelas duas colunas que representam a dualidade do ser humano e seu equilíbrio. Entre as colunas é gerada uma força ternária, uma energia vital, uma alma nova, capaz de praticar V.I.T.R.I.O.L., ou a busca pela essência interior. Assim o profano despoja-se do velho e da sua vida profana, e dedica-se a trabalhar a pedra bruta para transformá-la em pedra cúbica, construindo o seu templo interior.
    A porta do templo é também o símbolo do desejo de ir mais longe, de se encontrar consigo mesmo e com os outros, de se aproximar do sagrado e da transcendência. Entrar no templo significa mudar de dimensão, assumir uma solenidade, sair da condição humana e entrar em comunhão com o divino. Por fim, a porta do templo é o símbolo do sentido da vida, de uma nova ética, da compreensão das portas que atravessamos e que voltaremos a cruzar. O tempo não para, mas o passado e o futuro se encontram no presente, e olhar para as nossas ações é sempre uma oportunidade de crescimento.
    C.L.
    10 min
  • 25 de agosto de 1803: Nasce o Duque de Caxias: Patrono do Exército e Grão-Mestre de Honra da Maçonaria Brasileira
    No dia 25 de agosto de 1803, nasceu uma figura que deixaria um legado marcante na história do Brasil e na maçonaria: Luiz Alves de Lima e Silva, conhecido como o Duque de Caxias. Sua vida e realizações não apenas o tornaram uma figura militar proeminente, mas também lhe renderam o título de Patrono do Exército Brasileiro e Grão-Mestre de Honra da Maçonaria Brasileira, destacando sua importância em ambos os âmbitos.
    Desde cedo, o jovem Luiz Alves de Lima e Silva demonstrou aptidão e paixão pela carreira militar. Ao longo de sua vida, ele participou de uma série de campanhas e batalhas que o levaram a se destacar como um líder habilidoso e estrategista. Sua atuação na Guerra da Cisplatina, na Guerra do Prata e na Guerra do Paraguai o consolidou como uma das figuras militares mais proeminentes da história brasileira.
    Um dos momentos mais icónicos de sua carreira foi a liderança durante a Revolta dos Farrapos, no sul do Brasil, onde suas táticas militares eficazes e seu compromisso com a pacificação da região o renderam o apelido de "O Pacificador". Sua capacidade de combinar força militar com diplomacia foi uma característica que o tornou respeitado por aliados e adversários.
    Além de suas realizações no campo militar, Luiz Alves de Lima e Silva também deixou sua marca na maçonaria brasileira. Sua conexão com a maçonaria trouxe uma dimensão adicional à sua influência e legado. Ele foi nomeado Grão-Mestre de Honra da Maçonaria Brasileira, destacando sua posição na sociedade secreta.
    A maçonaria é conhecida por seus princípios de fraternidade, igualdade e busca pelo conhecimento. A associação do Duque de Caxias com a maçonaria ressalta seu compromisso com esses ideais, que ecoam tanto na esfera militar quanto na maçônica.
    3 min
  • Descubra quem é o Gadu…
    Por Gérard Lefèvre
    O autor oferece-nos uma leitura pessoal em torno desta referência comum a todos os maçons tradicionais, regulares ou... outros. Recorda duas personalidades da onda ocultista do século XIX. Ele escreve:
    Se a evocação do Arquiteto deve ser diferenciada, para alguns, daquela de um Deus dogmático, procuremos o que é evocado nestes termos:
    “É verdade que para nós, judaico-cristãos, é costume pensar e evocar o Deus das nossas religiões, quando falamos do Grande Arquiteto”.
    Se este nome provém do grego “ arkhitektôn ” que significa “mestre carpinteiro”, não podemos deduzir que ele designasse o “construtor-chefe de um monumento”. Manteremos para esta tarefa específica de construtor o termo “Mestre Construtor ou Mestre Pedreiro”.
    No Antigo Testamento, a palavra em si ocorre apenas três vezes:
    Hebreus capítulo 10 “Porque ele esperou pela cidade que tem fundamentos, cujo construtor e construtor é Deus”,
    • Êxodo 25-8-9 Eles me farão um santuário, e habitarei no meio deles. Você fará o tabernáculo e todos os seus utensílios conforme o modelo que vou lhe mostrar
    • Salmo 126/127: A menos que Deus edifique a casa, os construtores trabalham em vão.
    E no Novo Testamento é o pai de Jesus quem é “arkhitektôn”, ou “carpinteiro”. Isso é um sinal?
    Sujeito a um estudo mais preciso, a expressão aparece também na Epístola aos leitores da edição de 1567 da Arquitetura de Philibert Delorme, na qual o autor evoca “este Grande Arquiteto do Universo, Deus todo-poderoso” que colocou os sete planetas no céu para governar a terra. Além disso, ele acrescenta:
    Deus é aquele, o grande e admirável Arquiteto, que ordenou e criou com sua única palavra toda a máquina do mundo, tanto celestial quanto terrestre, com tão grande ordem, tão grande medida e tão admiráveis proporções, que o ser humano a mente sem sua ajuda e inspiração não pode compreendê-lo…”
    Assim diz Jules Boucher, de convicção alquimista e ocultista: “Não vamos transformar o Grande Arquiteto do universo num objeto de crença. Vamos vê-lo como um símbolo para estudar, como qualquer outro, para construir as nossas convicções pessoais.”
    Oswald Wirth (1860/1943), outro ocultista, adepto do tarô, Martinista e Rosacruz (Ordem Cabalística), escreve que O ritual inglês, tal como foi introduzido no continente, no período mais ativo do Iluminismo, estava longe de se satisfazer a genialidade do nosso povo, que quer que tudo seja logicamente coordenado. Os maçons franceses sentiram, portanto, desde o início, a necessidade de retocar o que lhes parecia bastante inapropriado.
    Estas linhas são mais nacionalistas do que qualquer coisa que alguns “autores” tenham escrito! Melhor, eles têm uma forma de aversão. Seu próprio significado literal indica isso.
    Na boca de um pedreiro, imbuído de universalismo, são ilógicos e até grotescos.
    Todas as Grandes Lojas do mundo professam, segundo a tradição, a existência de um Deus e dão esta famosa definição “Para a glória do Grande Arquiteto do Universo”.
    O Grande Arquiteto como tudo que encontramos na alvenaria, é um símbolo para alguns?
    Para esses, um símbolo não é adorado...
    O principal para os iniciados é que a sua concepção, seja ela qual for, corresponda a uma realidade.
    Ora, o Grande Arquiteto, sem dúvida porque é menos transcendente para alguns do que o Deus dos teólogos, alude a uma entidade que existe incontestavelmente, porque o trabalho construtivo dos maçons é inspirado por um ideal que impulsiona uma energia tremenda.
    Uma força superior a eles faz com que os maçons atuem e coordenem seus esforços com uma inteligência que eles estão longe de possuir individualmente. Tal é o facto brutal que se observa e diante do qual nos curvamos
    Deixe que cada um interprete à sua maneira. Livre para os imaginativos imaginarem o que gostam; se nisto são influenciados pelas reminiscências, quando atacam uma realidade demasiado vasta e elevada para se deixarem conter na estreiteza de uma fraca mentalidade humana.
    O mistério nos obcecará para sempre, saibamos reservar-lhe a sua parte, para nos apegarmos sem distrações à nossa tarefa positiva.
    Ora, como acabo de dizer, um símbolo não é adorado porque o pensador a quem ele se dirige esforça-se por compreender o seu significado.
    O simbolismo se opõe a toda idolatria e conduz a um idealismo reservado aos iniciados por força das circunstâncias, porque os crentes materialistas, que materializam o espírito, não conseguem compreender o alcance da palavra símbolo.
    Tornemo-nos simbolistas em filosofia e a nossa visão mental ganhará profundidade e amplitude. Os símbolos nos ajudarão a compreender tudo e nos impedirão de sermos tacanhos.
    Eles nos tornarão indulgentes com as imagens caricaturais, que traduzem as impressões recolhidas pela inteligência humana na sua aspiração de penetrar no mistério insondável que a obceca.
    Quanto ao Grande Arquiteto do Universo, livre para os maçons deístas ou teístas identificá-lo com o Criador, livre para os outros implicarem exatamente tudo o que acreditam ser verdade por meio desta fórmula.
    Em nenhum lugar se trata de propor o Grande Arquiteto como um símbolo puro.
    Nenhuma edição posterior do código maçônico, nenhum ritual do século XVIII, ou mesmo nenhum autor maçônico jamais disse que o Grande Arquiteto era apenas uma fórmula simbólica, deixada às disputas individuais dos iniciados.
    É por isso que devemos continuar a cortar a nossa pedra bruta, para que fique perfeitamente cúbica. Concluída esta obra, poderemos retomar o nosso lugar no edifício e fundir-nos com o Todo e, portanto, com o Grande Arquiteto do Universo.
    Para concluir, recordemos também as palavras de Santo Agostinho no Prólogo do Evangelho de João: “'[...] e o Verbo era Deus'... se você não consegue entendê-lo, espere até que você cultive alimentos grandes demais para você . »
    8 min
  • Hoje na História da Maçonaria: O Legado Maçônico de Manoel Deodoro da Fonseca
    No dia 23 de agosto de 1892, o Brasil perdeu uma figura notável que não apenas proclamou a República, mas também deixou sua marca na Maçonaria. O Irmão Manoel Deodoro da Fonseca, conhecido como o proclamador da República e o primeiro presidente constitucional do Brasil, faleceu no Rio de Janeiro aos 65 anos. Nascido em Anádia, na Província de Alagoas, em 5 de agosto de 1827, Deodoro foi um nome icônico tanto na política quanto na Maçonaria.
    Deodoro foi iniciado na Maçonaria através da Loja "Rocha Negra" em São Gabriel, Rio Grande do Sul, uma loja que fazia parte da jurisdição do Grande Oriente do Brasil. Sua iniciação ocorreu em 20 de setembro de 1873, marcando o início de sua jornada maçônica.
    Ele ascendeu rapidamente dentro das fileiras maçônicas, sendo eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil em 19 de dezembro de 1889. Sua posse ocorreu em 24 de março de 1890, tendo Josino Nascimento e Silva como seu Adjunto. Nessa época, Deodoro também era membro da Loja "2 de Dezembro" no Rio de Janeiro.
    No entanto, a história de Deodoro na Maçonaria não foi isenta de reviravoltas. Em 18 de dezembro de 1891, apenas vinte e cinco dias após renunciar à presidência da República, Deodoro tomou uma decisão surpreendente. Devido a problemas de saúde e seu desencanto com a República, ele renunciou ao cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente e ao posto de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33. Esses dois cargos eram exercidos por ele desde a fusão de 1854, refletindo sua influência e dedicação à Maçonaria.
    O legado maçônico de Manoel Deodoro da Fonseca é um testemunho do papel significativo que a Maçonaria desempenhou na história do Brasil e na vida de indivíduos notáveis. Sua trajetória, que incluiu não apenas sua liderança política, mas também seu compromisso com os princípios maçônicos, continua a inspirar e a ser estudada até os dias de hoje. Portanto, nesta data, lembramos não apenas o proclamador da República, mas também um destacado Irmão da Maçonaria que deixou uma marca indelével em ambas as esferas.
    4 min
  • ETERNO APRENDIZ, NUNCA PARARÁ DE APRENDER

    Por Adolfo Ribeiro Valadares

    O homem e a renovação maçônica

    A vida é uma escola contínua que temos

    desde o dia em que nascemos e até darmos o nosso último suspiro, estaremos
    sempre em contínuo aprendizado. Esse processo talvez passe despercebido
    pela maioria dos indivíduos que simplesmente passam pela vida e não aprendem
    nenhuma lição útil para alegrar seus espíritos. Porém, ainda que não
    frequentemos escolas comuns, temos à nossa disposição os costumes, tradições,
    normas de conduta transmitidas pelos idosos, experiências e conceitos de ética
    e moral que nos são colocados à disposição.

    Algumas pessoas têm a sorte de

    frequentar escolas, cursos profissionalizantes, universidades e expandir esse
    conhecimento além da maioria das pessoas, como pós-graduações, mestrados,
    doutorados e o que estiver disponível para colocá-los acima da média na área do
    conhecimento. Tudo isso serve para potencializar as mentes que servirão para
    estar em melhor comunhão consigo mesmas e com o universo ao seu redor,
    inclusive com o resto da humanidade. Tanto aprendizado é inútil se não for com
    o propósito de dar ao indivíduo uma alma em contato com seus semelhantes.

    E existe a possibilidade do homem de

    bem, que ama a liberdade e se qualifica para viver em harmonia com seus irmãos,
    ajudar o Grande Arquiteto do Universo na árdua tarefa de construir um mundo
    melhor e mais justo. A Maçonaria Universal permite a quem nela ingressa unir
    esses dois elos edificantes: o aprendiz e o conhecimento, com o estrito respeito
    de que o homem é um eterno aprendiz e que jamais interromperá seu processo de
    escolarização. Na Maçonaria, o lema do aprendizado deve ser sempre entendido
    como a busca incessante da verdade e a evolução do espírito.

    É uma escola que se apresenta como uma

    faculdade de vida e que estimula seus membros a estarem em contato constante
    com as lições que servem para renovar o homem em todos os seus aspectos, moral,
    espiritual, familiar, profissional e humano. O maçom é um aprendiz assíduo e
    devotado, que cultiva a virtude e combate os vícios que o desviam do caminho da
    perfeição. Em nossas lojas, buscamos aprender com nossos irmãos como melhorar
    nossas edificações interiores através da prática destes princípios: o exercício
    do amor, da tolerância, da humildade e da harmonia que deve reinar nas relações
    de todos os homens.

    Cada Maçom é um aprendiz que tem ao seu

    lado um mestre pronto para ajudá-lo a revisar a lição e aprimorar o ensinamento
    que lhe foi dado. Para que o aprendiz consiga abstrair em toda a sua essência o
    ensinamento que lhe foi dado, é necessário despir-se das camadas e roupas que
    atrapalham essa evolução, por isso se diz que um bom aprendiz consegue superar
    suas paixões e superar sua vontade de crescer. Somente com a mente aberta e
    livre de desejos que nos prendam aos vícios e manchas trazidas pelas más
    experiências podemos elevar nosso ânimo ao bom aprendizado e crescimento que
    buscamos. Para ingressar em nossas fileiras, o indivíduo deve acreditar na
    existência de um princípio criativo que chamamos de Deus, o Grande Arquiteto do
    Universo.

    Assim, é fundamental que cada irmão

    admitido na Maçonaria seja um homem plenamente renovado em sua forma de encarar
    o mundo e de se relacionar com os demais indivíduos que vivem ao seu redor. Se
    não nos tornarmos melhores entrando em nossa ordem sublime, de nada valerá a
    herança das lições que nossos mestres nos transmitiram e todo o tempo que
    dedicarmos às nossas reflexões e todos os esforços que empreendermos na busca
    pois a verdade e a evolução terão sido em vão de nossas mentes. Se não somos
    capazes de esculpir a pedra bruta que está em nós e não nos tornamos pedra
    polida ou cúbica, o erro terá sido nosso de não termos sido férteis na virtude
    e não nos despojarmos de nossas vontades e imperfeições.


     

    #maconaria#freemason #gadu #demolay #macom #freemasonry 

     

    6 min
  • A Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard

    No dia 22 de agosto de 1730, o Daily

    Journal de Londres abriu suas páginas para um artigo que causaria um tremor
    intelectual e despertaria a curiosidade de muitos: Samuel Prichard, em seu
    escrito intitulado "Masonry Dissected" (Maçonaria Dissecada),
    ofereceu uma perspectiva sem precedentes sobre a sociedade secreta da
    maçonaria. Nesse artigo, Prichard justificou suas ações, lançando luz sobre os
    motivos que o levaram a divulgar os segredos internos dessa antiga fraternidade.
    O impacto desse ato ressoaria por gerações, influenciando a compreensão pública
    da maçonaria e desencadeando discussões sobre transparência, mistério e o
    direito à informação.

    A maçonaria, uma ordem fraternal e

    secreta, havia florescido durante séculos, desenvolvendo uma intrincada trama
    de símbolos, rituais e segredos que eram compartilhados apenas entre os
    membros. Através de suas lojas e rituais, os maçons estabeleciam uma rede
    global de influência e amizade, atraindo membros de diversos campos da
    sociedade, incluindo políticos, artistas e filósofos. A aura de mistério que
    cercava a maçonaria gerava fascínio, mas também suspeita entre aqueles que não
    faziam parte da sociedade.

    Foi nesse cenário que Samuel Prichard

    entrou em cena com sua obra "Masonry Dissected". Com uma abordagem
    crítica e objetiva, Prichard revelou os rituais, senhas e símbolos da
    maçonaria, expondo a sociedade a um nível de escrutínio nunca antes
    experimentado. Sua motivação para essa divulgação se tornou o foco do artigo
    publicado no Daily Journal. Prichard procurou justificar sua ação, argumentando
    que a maçonaria havia se desviado de seus princípios originais de beneficência,
    moralidade e conhecimento, tornando-se uma instituição mais focada em rituais
    formais e exclusividade.

    A divulgação dos segredos maçônicos por

    Prichard desencadeou um debate fundamental sobre a natureza da transparência e
    tradição. Enquanto alguns consideravam sua ação como uma traição aos princípios
    fundamentais da maçonaria, outros viam-na como um ato de coragem que poderia
    promover uma reforma interna necessária. A divulgação de rituais e símbolos
    outrora ocultos permitiu que não-maçons vislumbrassem o funcionamento interno
    da sociedade e fizessem avaliações críticas.

    #maconaria#freemason #gadu #demolay #macom #freemasonry 

     

    4 min
  • Breve História do Rito Adonhiramita
    Por Sérgio Emilião
    Místico, espiritual, histórico, ortodoxo e tradicional. Muitos são os adjetivos empregados para definir o Rito Adonhiramita.
    Definir suas origens e história é algo tão difícil quanto apaixonante e desafiador. Pelas mais diversas razões a literatura dedicada é bastante escassa, e documentos referentes aos primórdios de sua prática são bastante raros.
    O Rito Adonhiramita é definido por muitos autores como preservador de sua essência original, mantenedoras tradições ritualísticas e práticas iniciáticas das escolas de mistério da antiguidade, e das ordenações do período operativo da Maçonaria. É metafísico, teísta, esotérico e místico.
    O Rito Adonhiramita é fruto da evolução e do aperfeiçoamento dos Ritos de Kilwinning, York e Clermont, praticados pelas Lojas britânicas, e, sobretudo, do desdobramento do Rito de Heredon (Monte Místico), também chamado de Rito de Perfeição, originário da Escócia e amplamente praticado na França no século XVIII.
    Porém, o Rito Adonhiramita não absorveu os conceitos jacobitas inseridos pelos exilados na França da linhagem escocesa dos Stuarts, adotando os conceitos da Maçonaria inglesa, particularmente da corrente denominada de Modernos, após a fundação da Grande Loja de Londres e Westminster em 1717.
    Apesar disso, Oscar Argollo, autor maçônico das primeiras décadas do século XX, classifica o Rito Adonhiramita como um dos mais antigos, associando sua origem a um ritual de 1248, utilizado pelos construtores da Catedral de Colônia, Alemanha, que chamou de Rito Primitivo do Egito, do qual os rituais Adonhiramitas teriam se originado. Afirma ainda que há indícios da prática do Rito Adonhiramita em 1616. Na verdade, mesmo que essas afirmações até certo ponto surpreendentessejam verídicas, esse Rito com certeza não possuía o nome de Adonhiramita.A denominação Adonhiramita é posterior a 1725.
    No anterior a 1750, quando ocorreu a explosão de Ritos na França, a Maçonaria continental tinha a mesma prática das ilhas britânicas, ou seja, havia rituais com diferenças entre si, mas não Ritos como os conhecemos atualmente.
    Em 1781, o ritualista Louis Guillemain de Saint-Victor publica na Filadélfia, EUA, o primeiro volume da obra intitulada Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite, Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita em nosso idioma, que abordava os três Graus do Simbolismo e o Grau de Mestre Perfeito. Posteriormente publica o segundo volume contendo do Grau Cinco ao Doze, correspondendo este último ao Grau de Cavaleiro Rosa-Cruz que classificou como nec plus ultra, expressão latina que significa nada há além. Esta é considerada a obra de referência do Rito Adonhiramita.
    A primeira edição dos dois volumes da Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita postulava a seguinte hierarquia de Graus, divididos do 1 ao 4 no primeiro volume e do 5 ao 13 no segundo:
    Grau 1 - Aprendiz Maçom
    Grau 2 - Companheiro Maçom
    Grau 3 - Mestre Maçom
    Grau 4 - Mestre Perfeito
    Grau 5 - Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove
    Grau 6 - Segundo Eleito ou Eleito de Perignan
    Grau 7 - Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze
    Grau 8 - Pequeno Arquiteto
    Grau 9 - Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês
    Grau 10 - Mestre Escocês
    Grau 11 - Cavaleiro da Espada, do Oriente ou da Águia
    Grau 12 - Cavaleiro Rosa-Cruz
    Ocorre, no entanto, que neste segundo volume da Compilação Preciosa foi publicada a tradução de um ritual alemão, que anteriormente já havia sido feita no Jornal de Trevoux, que se referia à antiga Ordem dos Cavaleiros Noaquitas ou Prussianos, traduzido para o idioma francês por De Bérage, que sugeria a existência de um décimo terceiro Grau e causando uma enorme controvérsia em relação ao número de Graus originalmente praticados pelo Rito Adonhiramita.
    O exame dos textos de Saint-Victor revela a possibilidade de tratar-se de uma espécie de Grau honorífico, pois era condição sinequa non para ser decorado com ele que o Mestre Maçom possuísse o Grau de Cavaleiro Rosa-Cruz, ou seja, o Grau realmente existia.
    O fato é que durante muito tempo o Rito Adonhiramita foi conhecido como Rito dos Treze Graus e seus praticantes chamados de Cavaleiros Noaquitas. O primeiro Ritual Adonhiramita publicado em solo brasileiro, pelo Grande Oriente do Brasil, em 1836, tinha essa configuração.
    Desde sua formalização o Rito Adonhiramita ganhou muitos adeptos na França, porém, a convulsão social pela qual o país atravessava naquela década o levou progressivamente ao declínio.
    Certamente a religiosidade do Rito Adonhiramita, teísta e com forte influência cristã, chamou a atenção dos maçons portugueses, maior nação católica da Europa à época, fazendo com que ele migrasse para as terras lusitanas e suas colônias, onde teve mais aceitação, dentre elas o Brasil.
    Sua chegada ao Brasil ocorreu presumivelmente entre o final do século XVIII e início do século XIX. Há menções à fundação da Loja Reunião em 1801, no Rio de Janeiro sob obediência do Grande Oriente da Ilha de França, atuais Ilhas Maurício; da fundação da Loja Distintiva em São Gonçalo, Rio de Janeiro em 1812 e da fundação da Loja Comércio e Artes no Rio de Janeiro em 1815, todas sob a égide do Rito Adonhiramita, sendo as duas últimas obedientes ao Grande Oriente Lusitano. Estas hipóteses na atualidade têm sido exaustivamente investigadas, e as descobertas têm trazido enorme enriquecimento sobre os primórdios da Maçonaria no Brasil e do próprio início do Grande Oriente do Brasil.
    Porém, há registros da prática do Rito Adonhiramita em período anterior, entre 1813 e 1815, no que foi o primeiro embrião de uma Potência Maçônica brasileira fundada em Salvador, Bahia. Neste sentido, o Museu da Grande Loja Unida da Inglaterra – GLUI, possui em seu acervo um ritual Adonhiramita traduzido por Hipólito José da Costa, talvez o maçom brasileiro mais proeminente na Europa do século XIX, que comprova de forma documental a prática do Rito Adonhiramita no Brasil antes mesmo de nos tornarmos uma nação independente.
    Após a fundação do Grande Oriente do Brasil, no dia 17 de junho de 1822, o Rito Adonhiramita permanece sendo praticado aqui de forma regular e goza de período de amplo crescimento, notadamente após a fundação do Grande Oriente do Vale dos Beneditinos, ou Grande Oriente do Passeio, cujas Lojas seriam mais tarde integradas ao Grande Oriente do Brasil.
    Em 2010 o Rito Adonhiramita faz o caminho de volta à Europa, de onde surgiu, e passa a ser praticado novamente em Portugal.
    As três Potências Simbólicas Regulares do Brasil possuem Lojas Adonhiramitas.
    Atualmente o SCAB – Supremo Conselho Adonhiramita do Brasil é uma Potência Filosófica que administra os Altos Graus do Rito Adonhiramita em território brasileiro, com a prática dos 33 (trinta e três) graus, sendo da sua competência e organização os graus do 4 (quatro) ao 33 (trinta e três).
    Os maçons Adonhiramitas usam terno preto liso, os mestres usam chapéus também pretos, faixas azul celeste e espadas.Todos os maçons Adonhiramitas usam luvas e gravatas brancas.
    Se tratam por “Amados Irmãos”, pois isso induz subliminarmente o princípio da ampla e irrestrita fraternidade que deve nortear a relação entre os maçons. Por essa razão também é chamado de “Rito do Amor”.
    É um Rito dos mais atraentes, que faz da requintada liturgia, da musicalidade presente nas sessões, e da espiritualidade suas principais características.
    10 min
  • A Maçonaria e o relevo das tradições
    Por milênios, tradições sempre foram objeto da observância das sociedades mais evoluídas. Para alguns, o excesso de apego as tradições pode levar ao nanismo social e ao subdesenvolvimento. Porém, essa é uma visão equivocada, visto que, tudo, em excesso, mesmo à inovação, pode ser prejudicial.
    Porém, numa sociedade onde os ritos e a dinâmica da própria vida é ditada sob a égide do consumismo e do materialismo extremado, nada mais comum do que combater tradições, pois são elas que fincam os pés do homem na rocha serena da sabedoria e, dá ao mesmo um grau de consciência e elevação espiritual, que não é interessante para aqueles que se alimentam da ignorância e a utilizam para lucrar, para sobrepor valores e para manter a hegemonia do seu Status Quo.
    Nós, Maçons, somos tradição. É nos Ritos Antigos e consolidados por nossos antepassados que buscamos o renovo de nossas almas imortais e da elevação de nossas consciências. Sobrepujar as tradições seria o mesmo que voltar ao estado fundamental, primitivo e incauto de onde cada um de nós um dia saímos. Os tijolos que construímos nossa nova identidade são forjados no fogo sublime das tradições e dos Ritos memoráveis de nossos antepassados e daqueles que vieram antes de nós para nos exortar e ensinar a ser homens melhores, extinguindo-nos do fogo efêmero das vaidades e das superficialidades que, um dia, tomou conta de nosso espírito e nos fez como aqueles que correm atrás do vento e nada constroem.
    Infelizmente, existem pedras brutas que são difíceis de serem lapidadas e insistem em existir no estado de monolito, ao invés de torna-se diamantes nas mãos do Eterno Ourives. Muitos desses, estão entre nós e, por não entenderem o grande mistério que é ser um Maçom, levam uma vida conformada e incipiente nos átrios laterais, à revelia do oceano de sabedoria a ser navegado preferem ficar apenas nas margens insulares do conhecimento, o que, para eles já é mais que o bastante. Muitos desses, são movidos por ventos de doutrina ou por ideologias efêmeras e transitórias, que existem hoje, mas que daqui a alguns meses ou anos, serão apenas história.
    Devemos observar que o homem que abraça essas “pantomimas” temporais é semelhante a nuvem que não traz chuva ou a semente que ocupa a terra, mas não cresce e não traz frutos. O grande perigo de abraçarmos ideologias progressistas ou que refutem as tradições é o fato de nos tornarmos qualquer outra coisa que não seja mais nossa Amada Maçonaria. Como Maçons, devemos nos precaver dos efemerismos atemporais que surgem e desaparecem de tempos em tempos e focarmos em nossa maior e mais sublime coluna: as tradições.
    Abraçar ideologias que são passageiras deturpa o estado de nosso espírito e nos leva as contendas apaixonadas pela hegemonia da razão, um campo vasto e perigoso, no qual todos querem sobrepor seus pontos de vista e visão de mundo, esquecendo-se do ato fundamental da escuta. Numa terra em que todos querem ter razão e na qual ninguém sede é extremamente difícil manter a razão e o espirito elevado. Esse, porém não é um convite ou uma ordenança a humildade irracional, subliminar e compulsória, mas um alerta sobre a importância de manter o foco na razão e nas colunas que construíram e mantiveram nossa ordem a atravessar os séculos que nos trouxeram até aqui.
    No passado, não muito distante, diversas ideologias surgiram e desapareceram sem deixar rastros no panteão da história moral da humanidade e, as poucas que ficaram, só nos servem hoje como motivo de contenda e de dissolução. Qual o objetivo então se lutarmos tanto, uns contra os outros para manter acesa a chama de ideologias, que ao invés de nos unir, nos espalha como grãos levados pelo vento, que ao invés de caírem numa terra fértil, nos espalham pelos desertos da ignorância?
    Essas ideologias hoje, contaminam a nossa Instituição com contendas e com a falta de razoabilidade, fazendo com que voltemos a nos assemelhar aos profanos, que pelejam por qualquer coisa, sem se utilizar da dialética da razão para resolver seus conflitos. Nós Maçons, devemos nos opor a essa linha de conduta e voltar nossos olhos para a coluna central de nosso templo interior: a sabedoria.
    Existe algum modo de sabedoria entre Irmãos que contendem pela hegemonia da razão? Existe alguma razoabilidade em manter esticado o cabo de guerra que atiça os humores entre irmãos? Existe alguma paz onde diferentes correntes ideológicas buscam puxar para si o controle de mentes e corações? Não Irmãos, não existe.
    O verdadeiro Maçom é comparável a nuvem que traz chuva, a semente que é plantada em boa terra e a voz que traz a razão. Nenhum Maçom deve se ater a discussões que gerem contendas com seus Irmãos e, se assim o for, esse ainda não entendeu o grande mistério da Maçonaria, qual seja: transformar a pedra bruta em diamante lapidado pela moral, pela ética e pela elevação espiritual.
    Por isso Irmãos, esse pequeno aparte, não tem o objetivo de constranger os Irmãos ou mesmo servir de “pito”, àqueles que abraçam posturas progressistas ou qualquer outra, mas tão somente servir como ponto de reflexão para que, a todo instante, nos lembremos de onde viemos e para onde estamos caminhando. Viemos do deserto da ignorância dos incautos, no qual vivemos em algum lugar de nossa história e, a partir do momento que abraçamos o sublime caminho, que leva aos Portais Sagrados da sabedoria, adentramos em um mundo novo, no qual a sabedoria e a razão se tornaram nosso estandarte e nossa estrada, ou, como diz o texto sagrado dos cristãos, “A lâmpada para nossos pés”, portanto, convoco os Irmãos a prestarem mais a atenção nas tradições milenares que são formatadoras de nossa Ordem, que nos induz a lutar pela elevação do homem, pela harmonia e a fraternidade entre os Irmãos e pela paz com todos, pois é assim que construímos seres mais elevados e mais adequados a levar sobre seus ombros a responsabilidade de ser um verdadeiro Maçom.
    Acreditamos que não é quebrando Ritos e derrubando os marcos antigos que iremos evoluir enquanto pessoas e enquanto civilização. Abraçar ideologias vazias e efêmeras, que não resistem ao escrutínio do tempo, não nos torna mais Irmãos ou mesmo melhores Maçons, pelo contrário, quebra a lança que nos conduz a sabedoria e ao entendimento dos macrocosmos que vivemos e nos deixa vulneráveis a comparação inevitável com os profanos, que ainda não alcançaram o saber maior que é viver em harmonia entre Irmãos. O verdadeiro Maçom não vive sozinho, não anda por caminhos tortos, não rompe acordos ou trai seu Ritos. O verdadeiro Maçom deve sua lealdade e sua existência apenas à construção de um ser humano melhor, mais evoluído, sob o escudo da sabedoria suprema do Grande Arquiteto Do Universo, que é aquele que detém todos os Mistérios.
    Se sob a pedra angular da sabedoria erguemos nossa comunhão e nossa Ordem, então qual o objetivo de abraçarmos ideologias progressistas que atentam contra essa harmonia? Desse modo, a alma de um verdadeiro Maçom deve estar cativa ao entendimento de que ele é, para esse mundo torpe e vazio, um farol de luz, que ilumina com sua sabedoria as sombras da ignorância, jamais se junta a ela em sua transitoriedade, mas serve sim, de Coluna para que aqueles que necessitam de um referencial o vejam como tal.
    Que o Grande Arquiteto Do Universo nos ilumine a todos e nos conceda vida para que possamos entender os Mistérios que virão e aqueles que ainda não conseguimos entender, que nos dê sabedoria para buscar sua compreensão. Nos faça uno e não como as folhas que são levadas pelos ventos do outono cinzento da vida, mas que nos fortaleça como os rochedos que se atracam em luta violenta com o mar, mas que não são atingidos por tais mares e lá estão sob a dura clava do tempo, incorruptíveis e inexpugnáveis, para todo o sempre, independentemente das doutrinas ou das ideologias que vem e que vão à revelia da sabedoria milenar.
    Narciso Bastos PORTELA - Membro da Loja União e Resistência n. 30 e Fênix de Brasília n. 40, Oriente de Brasília-DF
    Leonardo MARCHEZI dos Reis – Membro Loja Irmão Oswaldo Albernaz n. 3258 do Oriente Vitória-ES
    10 min
  • Asilo da Razão: Um Farol Maçônico na Luta Abolicionista em Goiás

    A história da

    Maçonaria é entrelaçada com o desejo de liberdade, igualdade e progresso. Um
    exemplo inspirador dessa busca pode ser encontrado na fundação da Loja Maçônica
    "Asilo da Razão", em 21 de agosto de 1835, às margens do Rio
    Vermelho, em Vila Boa de Goiás. Esta loja é um testemunho notável do papel que
    a Maçonaria desempenhou na luta abolicionista e na promoção dos valores
    humanitários em um cenário de opressão e desigualdade.

    A Loja

    Maçônica Asilo da Razão nasceu da Loja Maçônica "Razão", do Oriente
    de Cuiabá, Mato Grosso. Fundada por maçons de pseudónimos Sêneca, Bion e
    Fenelon, a Loja Asilo da Razão foi estabelecida às margens do Rio Vermelho, em
    Vila Boa de Goiás (atualmente cidade de Goiás), como uma resposta corajosa à
    implacável perseguição enfrentada pela Maçonaria naquela época.

    A Loja

    Maçônica Asilo da Razão não apenas se alinhou com os princípios da Maçonaria,
    mas também tomou medidas práticas para promover a igualdade e a liberdade. Em
    um período marcado pela escravidão e opressão, a loja proibiu categoricamente
    seus membros de possuírem escravos, estabelecendo assim uma coerência
    fundamental entre as palavras e ações maçônicas.

    Além disso, a

    loja empreendeu uma atitude altruísta e corajosa ao arrecadar fundos entre seus
    membros com o objetivo de comprar "cartas de alforria", que concediam
    a liberdade a muitos escravos. Essa iniciativa foi uma ação concreta que
    demonstrou o compromisso da Maçonaria com os ideais humanitários e a luta pela
    dignidade humana.

    A ação da

    Loja Maçônica Asilo da Razão não apenas representou uma batalha constante
    contra os interesses escravagistas, mas também teve um impacto significativo na
    história de Goiás e na luta pela abolição da escravidão no Brasil. Quando a Lei
    Áurea foi assinada em 13 de maio de 1888, abolido oficialmente a escravidão no
    país, a cidade de Goiás já estava adiantada nesse processo graças ao trabalho
    incansável da Maçonaria. A loja havia libertado todos os seus escravos,
    marcando um triunfo sobre a opressão e a vitória dos valores maçônicos de
    liberdade e igualdade.

    A Loja

    Maçônica Asilo da Razão deixou um legado duradouro na história de Goiás e no
    movimento abolicionista do Brasil. Seus membros demonstraram coragem, compaixão
    e ação concreta para combater a injustiça e a desigualdade. A loja se tornou um
    farol de esperança e inspiração, mostrando que os princípios maçônicos podem
    ser colocados em prática para promover mudanças significativas na sociedade.

    A fundação e

    as ações da Loja Asilo da Razão continuam a nos lembrar da importância de lutar
    pelos direitos humanos e pela igualdade, mesmo em face das adversidades. Ela
    permanece como um exemplo atemporal de como a Maçonaria pode ser uma força
    positiva de transformação e justiça em tempos desafiadores.

     

    4 min
  • Uma festa maçónica… sem maçom, em Barbacena

    Previsto

    em lei municipal, o município de Barbacena, cidade brasileira do sul do estado
    de Minas Gerais, promove todos os anos uma sessão solene em homenagem aos
    Maçons e Lojas Maçónicas.

    Inicialmente

    marcada para sexta-feira (18), a Câmara Legislativa vive um imbróglio. O
    Conselho de Veneráveis, envolvendo todas as Lojas Maçónicas de Barbacena,
    protocolou ofício recusando o convite para participar da sessão solene. O
    principal motivo seria o aumento de vereadores para a próxima legislatura.

    “É com muita preocupação que

    presenciamos o posicionamento desta Câmara, que parece se afastar dos
    princípios democráticos e dos verdadeiros interesses da população barbacenense. Diante
    do processo de aumento do número de vereadores, no qual a comunidade demonstrou
    interesse e solicitou esclarecimentos, bem como a Instituição Nossa Sublime e
    Augusta, que havia sido solicitada pelos moradores de Barbacena para este fim. Lamentamos
    profundamente que a votação tenha ocorrido sem a transparência e o diálogo
    necessários, o que gerou um sentimento generalizado de falta de confiança na
    atuação deste órgão”, afirmou.

    Ainda, a carta afirma

    que “é com muito pesar que assistimos a ações que não condizem com esses ideais
    e que parecem visar interesses particulares em detrimento do bem-estar dos
    habitantes de Barbacena”.

    Assegurando não

    participar na solenidade da festa da Maçonaria, o responsável ainda se
    questiona, “faci ao convite para a solenidade de 18 de agosto de 2023, que visa
    a atribuição de certificados às lojas maçónicas, entendemos a relevância da
    festa para Maçonaria e a importância de homenagear aqueles que dedicam suas
    vidas a servir e cuidar de nossa comunidade e país. 

    No entanto, a nossa

    instituição encontra-se neste momento num momento de profunda reflexão, faci às
    atitudes adoptadas por esta Assembleia. Nossa maior honra não está nos elogios,
    mas nos sorrisos de gratidão e amor das pessoas que servimos, nos abraços das
    crianças que ajudamos, nos olhares dos idosos que protegemos e dos doentes que
    confortamos.

     

     

    3 min

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