Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, MAÇONARIA E PATRIOTISMO: ONDE ESTÁ O PROBLEMA?
    Por Miqueas Liborio de Jesus
    Confesso que o tema “independência do Brasil” me causa certa inquietação, posto que toda revolução, especialmente aquela que resulta na emancipação de uma nação, representa movimento transformador que irradia sobre todas as pessoas e forja, no subconsciente social, o senso patriótico, que se transmite de geração a geração.
    O patriotismo conduz à unicidade de um povo. Exprime o sentimento de amor e devoção à Pátria e seus símbolos (como a Bandeira, o Hino Nacional, o Hino da Independência, etc.), os quais representam as lutas de outrora e ressaltam a superação de uma nação. Neles está encarnada a própria história, ao mesmo tempo que exaltam os sacrifícios dos antepassados, despertando nas futuras gerações o altruísmo, o desejo de defender os interesses comuns e, principalmente, a vontade de manter uma integração social. Sobre o tema, o advogado e cientista político Glauco Requião escreveu:
    O patriotismo, ao contrário, é uma virtude que vai muito além do simples respeito às tradições culturais do país ou de reações emotivas orgulhosas diante dos símbolos nacionais, trata-se de um sentimento que se encontra com inúmeras outras virtudes como a gratidão, a humildade e o altruísmo.
    No mesmo viés, o jurista arremata:
    A pátria assegura ao indivíduo as condições indispensáveis para seu desenvolvimento intelectual, moral, social e econômico, portanto, a pessoa necessita reconhecer o que sua pátria lhe deu e o que lhe dá, para, a seguir, atuar justamente com ela.
    Nos dias contemporâneos, os grandes vultos e fatos marcantes da história estão, na maioria das pessoas, adormecidos e não reproduzem ecos. Mesmo entre os maçons, infelizmente, o dia 07 de setembro não representa qualquer relevante simbolismo cívico/social. É dizer: não passa de um singelo feriado sem significado maior.
    É neste ponto que o título deste arrazoado vem à tona: independência do Brasil, maçonaria e patriotismo: onde está o problema?
    É quase impossível compreender plenamente o processo de Independência do Brasil sem estudar o papel da maçonaria em seu advento. Desta simbiose, depreende-se o entendimento de inúmeros fatos atuais e seus efeitos.
    É inconteste que a Ordem Maçônica muito contribuiu à emancipação político-social do Brasil. A influência decisiva da Maçonaria na Independência é um assunto pouco comentado fora dos círculos maçônicos, e, apesar do amplo acervo documental existente a respeito, é difícil deparar, dentre os leigos, com alguém que efetivamente conheça do assunto.
    Em todo o mundo, as sociedades maçônicas sempre se organizaram no escopo de lutar e combater a tirania. Laurentino Gomes, em sua obra “1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil, um país que tinha tudo para dar errado”, afirma:
    Em 1717, ano oficial do nascimento da maçonaria, as quatro Lojas de Londres se unificaram numa única Grande Loja. […]. A esta altura, porém, os maçons não guardavam apenas segredos profissionais. Tinham uma agenda política. Empenhados em combater a tirania dos reis absolutos, lutavam contra a escravidão e por leis que assegurassem direito de defesa, liberdade de pensamento e de culto, participação no poder e ampliação das oportunidades para todos. Isso os colocava em confronto com a nobreza que até então comandavam os destinos do povo.
    A maçonaria estaria por trás de virtualmente todas as grandes transformações ocorridas nos dois séculos seguintes.
    A história exalta inúmeros eventos com evidente atuação maçônica. Dentre eles, se releva a Revolução Francesa, contexto no qual foi cunhado o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, presente na franco-maçonaria. Contudo, é a independência norte americana que mais evidencia a presença da ordem, posto que dos 56 homens que assinaram a declaração de independência, cinquenta eram obreiros. Ora, inclusive os símbolos maçônicos estão internalizados na arquitetura da capital americana, assim como na nota de dólar.
    Laurentino Gomes relata que, no começo do século XIX, “a maçonaria era uma organização altamente subversiva, comparável ao que seria a Internacional Comunista no século XX.” Observa, no mesmo escopo que:
    Nas suas reuniões, conspirava-se pela implantação das novas doutrinas políticas que estavam transformando o mundo. Cabia aos seus agentes propagar essas novidades nas ‘zonas quentes’ do planeta. A mais quente de todas era, obviamente, a América que, depois de três séculos de colonização, começava a se libertar de suas antigas metrópoles e a testar essas novas ideias políticas implantando regimes até então praticamente desconhecidos, como a república.
    No Brasil não poderia ser diferente. Larentino Gomes relata que as primeiras Lojas Maçônicas brasileiras surgiram em meados do período colonial, pontuando vagas referências, sem a devida comprovação da presença de maçons na inconfidência mineira de 1789 e na conjuração baiana (também denominada por revolta dos alfaiates, datada de 1798), dentre outros movimentos. Na corte do Rei Dom João VI, ademais, existiam lojas maçônicas em funcionamento, duas delas fundadas em 1815, uma delas denominada São João de Bragança, uma suposta homenagem velada ao Rei, suspeito de conhecer e tolerar as atividades maçônicas nas dependências do palácio.
    O século XIX foi um período de grandes transformações. Laurentino afirma que o País de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos, os quais pareciam insuperáveis em 1822. O autor sustenta que o Brasil:
    […] conseguiu se separar de Portugal sem romper a ordem social vigente. Viciada no tráfico negreiro durante os mais de três séculos da colonização, a economia brasileira dependia por completo da mão de obra cativa, de tal modo que a abolição da escravatura na Independência revelou-se impraticável. Defendida por homens poderosos como Bonifácio e o próprio D. Pedro I, só viria acontecer 66 anos mais tarde, […].
    A emancipação brasileira possuía todos os ingredientes ensejadores de um fracasso. O extrato social da época acenava para um futuro incerto e prenunciava um banho de sangue. Sobre isto, escreveu Laurentino:
    De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros foros, mulatos, índios ou mestiços. Era uma população pobre carente de tudo, que vivia à margem de qualquer oportunidade em uma economia agrária e rudimentar, dominada pelo latifúndio e pelo tráfico negreiro. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria branca. O analfabetismo era geral. De cada dez pessoas, só uma sabia ler e escrever. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e a rivalidade entre as províncias prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na divisão do território nacional, a exemplo do que já ocorria nas vizinhas colônias espanholas.
    Não bastasse o exposto, o contexto fático ora explicitado era passível de gravames, consoante o que dispõe o Autor:
    Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, em 1821 – depois de 13 anos de permanência no Rio de Janeiro -, o rei Dom João VI havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas e munição para sustentar a guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. As perspectivas de fracasso, portanto, pareciam bem maiores do que as de sucesso.
    A independência brasileira foi arquitetada pelos portugueses, justamente aqueles que mais tinham a perder com a autonomia da colônia, decorrente da fuga da coroa portuguesa, nos idos 1808, para o Rio de Janeiro, fato que culminou numa profunda e acelerada transformação contextual no curso dos anos em que a corte permaneceu nas terras brasileiras. Curioso observar, nas palavras de Laurentino, que “ao contrário do que se imagina porem, a ruptura resultou menos da vontade dos brasileiros do que das divergências entre os próprios portugueses”.
    No cenário caótico narrado, notavelmente se fez fundamental o papel da maçonaria à consolidação da independência pátria. Contudo, enganam-se aqueles que acreditam que os maçons atuaram de forma unânime e homogênea. Acerca disto, corrobora Laurentino Gomes:
    Em 1822, a maçonaria brasileira estava dividida em duas grandes facções. Ambas eram favoráveis a independência, mas uma delas, liderada por Joaquim Gonçalves Ledo, defendia ideias republicanas. A outra, de José Bonifácio de Andrada e Silva, acreditava que a solução era manter D. Pedro como imperador em regime de monarquia constitucional. Esses dois grupos disputaram o poder de forma passional, envolvendo prisões, perseguições, exílios e expurgos, […].
    Pedro, por curiosidade ou interesse, participava ativamente das duas vertentes mencionadas. Nas aludidas lojas, foram estudadas, discutidas e aprovadas inúmeras decisões importantes, como o manifesto que resultou no “Dia do Fico” (09 de janeiro de 1822), a convocação da constituinte, os detalhes da aclamação de D. Pedro como “defensor Perpétuo do Brasil” e, finalmente, como imperador (12 de outubro). É inegável a imensa e expressiva contribuição da maçonaria para o movimento da independência, especialmente por inexistirem, à época, partidos políticos organizados. Foi ela que, na qualidade de sociedade tratada por secreta, conduziu as sementes emancipatórias aos longínquos rincões brasileiros.
    E, assim, a história registrou que a independência brasileira foi proclamada por um grão-mestre maçom, D. Pedro I, cuja ascensão na maçonaria foi meteórica. Registros oficiais apontam que sua iniciação se deu na Loja Comércio e Arte, no dia 02 de agosto de 1822, com o nome de Guatimozim – em homenagem ao último imperador asteca –, que teria sido promovido ao grau de mestre três dias mais tarde e elevado ao posto máximo da organização, o de grão mestre, dois meses depois, conforme relata Laurentino, o qual destaca, sobre o exercício de tal incumbência por D. Pedro, que ele:
    Exerceu a função de poder apenas 17 dias. Em 21 de outubro (uma semana após a aclamação como imperador), mandou fechar e investigar as lojas que havia ajudado a proclamar a Independência. Quatro dias mais tarde, sem que as investigações sequer tivessem começado, determinou a reabertura dos trabalhos “com seu antigo vigor”.
    Há quem sustente o comportamento errático e contraditório do Grão-mestre Imperador em relação à maçonaria, realçando dúvidas sobre a forma da atuação uníssona dos maçons nas decisões que culminaram na independência brasileira. Para outros, o Imperador teria traído seu juramento ao determinar o fechamento das lojas e proibir seus trabalhos, cujo feito teria, supostamente, culminado em sua abdicação no ano de 1831, como ato de vingança.
    Embora a história convencional pouco relate sobre a atuação da maçonaria no movimento da independência, é certo que ela usou de diferentes grupos de pressão e por eles foi usada, tratando-se de “um elemento poderoso no jogo de pressões que se estabeleceu no momento em que o Brasil dava seus primeiros passos como nação independente”.
    Não obstante a importância da maçonaria para o movimento emancipatório de 1822, é imperioso destacar que o triunfo da independência se deu mais em decorrência das fragilidades do que pelas virtudes brasileiras, conforme observa Laurentino. Segundo o autor:
    Os riscos do processo de ruptura com Portugal eram tantos que a pequena elite brasileira, constituída por traficantes de escravos, fazendeiros, senhores de engenho, pecuaristas, charqueadores, comerciantes, padres, advogados, se congregou em torno do Imperador Pedro I como forma de evitar o caos de uma guerra civil ou étnica que, em alguns momentos, parecia inevitável. Conseguiu, dessa forma, preservar os interesses e viabilizar um projeto único de país no continente americano. Cercado de repúblicas por todos os lados, o Brasil se manteve como monarquia por mais de meio século – “uma flor exótica na América”[…].
    Esta pequena passagem ilustra o Brasil do século XIX, dominado por oligarquias concentradas e assentadas na cúpula da república. Laurentino explica que:
    Como resultado, o país foi edificado de cima para baixo. Coube à pequena elite imperial, bem-preparada em Coimbra e em outros centros europeus de formação, conduzir o processo de construção nacional, de modo a evitar que a ampliação da participação para o restante da sociedade resultante do caos e rupturas traumáticas. Alternativas democráticas, republicanas e federativas, defendidas em 1822 por homens como Joaquim Gonçalves Ledo, Cipriano Barata e frei Joaquim do Amor Divino Caneca, líder e mártir da Confederação do Equador, foram reprimidas e adiadas de forma sistemática.
    Impregnada dos princípios maçônicos, especialmente dos ideários concernentes ao lema “liberdade, fraternidade e igualdade”, pode-se dizer que a independência do Brasil afetou circunstancialmente o povo brasileiro. Embora D. Pedro I e outros Obreiros tivessem ideias e projetos que ainda hoje seriam dotados de sentido e coerência, os mesmo não foram levados a termo. Mormente à observação supra, Laurentino escreveu:
    Convicções e projetos grandiosos, que ainda hoje fariam sentido na construção do país, deixaram de se realizar em 1822 por força das circunstâncias. José Bonifácio de Andrade e Silva, um homem sábio e experiente, defendia o fim do tráfico negreiro e a abolição da escravatura, reforma agrária pela distribuição das terras improdutivas e o estímulo à agricultura familiar, tolerância política e religiosa, educação para todos, proteção das florestas e tratamento respeitoso aos índios. […]. O próprio imperador Pedro I tinha ideias avançadas a respeito da forma de organizar e governar a sociedade brasileira. A constituição que outorgou em 1824 era uma das mais inovadoras da época, embora tivesse nascida de um ato autoritário – a dissolução da assembleia constituinte no ano anterior.
    Ora, a história mostra que importantes ideias não saíram do papel e isto contribuiu para forjar uma sociedade absolutamente desigual, originando legiões de brasileiros marginais, socialmente falando. Mesmo havendo uma forte presença maçônica no movimento que culminou no nascimento do novo país, percebe-se que os rumos traçados e tomados foram outros.
    Passados mais de dois séculos da independência, é inegável que, nas terras brasileiras, floresceram belas sementes sociais, das quais brotou um povo belo, gentil, cortês, hospitaleiro e trabalhador. Todavia, as entranhas sociais se acham impregnadas de vícios quase intransponíveis, ao ponto do homem desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto, aqui parafraseando o imortal Rui Barbosa, maçom ativo e presente no período da proclamação da república.
    A passividade do povo brasileiro é tamanha que assusta, na medida em que assiste a tudo sem manifestar ânimo para se rebelar contra os males que afetam estruturalmente a nação. Analogamente, há de se equiparar os males de hoje àqueles descritos por Joaquim Gonçalves Ledo na carta ao hesitante príncipe D. Pedro, exortando-o a tomar uma decisão:
    […] Sim, o Brasil podia dizer a Portugal: “Desde que o sol
    24 min
  • SHAMIR: O VERME QUE CONSTRUIU O TEMPLO DE SALOMÃO
    Será que uma criaturinha misteriosa, o enigmático "Shamir", realmente ajudou a construir o Primeiro Templo?
    O Livro dos Reis contém uma descrição precisa da construção do Primeiro Templo: suas dimensões, as vigas de cedro e cipreste que cobriam as paredes, os ornamentos e esculturas douradas e os dois querubins que ficavam de pé, asa a asa, acima da Arca da Aliança. . Também inclui este versículo intrigante: “E a casa, quando estava em construção, foi construída de pedra acabada na pedreira, e não se ouviu nem martelo, nem machado (nem) qualquer ferramenta de ferro na casa, enquanto ela estava em prédio." (1 Reis 6:7)
    Como é possível que não tenham sido usados martelos, cinzéis ou ferramentas de ferro para esculpir as pedras do Templo, enquanto a Bíblia também afirma que as pedras foram talhadas? Os sábios judeus oferecem uma resposta simples: as pedras foram preparadas em outro local e transportadas de lá para o canteiro de obras no Monte do Templo. O Livro dos Reis ainda traz suporte para esta explicação: “E o rei ordenou, e extraíram pedras grandes, pedras pesadas, para lançarem os alicerces da casa (com) pedras lavradas”. (1 Reis 5:31).
    Mas o nosso interesse aqui é a explicação alternativa, que aparece na literatura rabínica, segundo a qual as pedras foram talhadas com a ajuda de algo chamado Shamir . O obscuro Shamir aparece na própria Bíblia, embora não no Livro dos Reis. Em Ezequiel (3:9) está escrito que Shamir é “mais forte que a pederneira”. O texto hebraico de Jeremias 17:1 também faz menção a Shamir , embora versões em inglês tenham traduzido a palavra como “pederneira” ou “diamante”: “O pecado de Judá está escrito com uma pena de ferro, com uma ponta de diamante [ Shamir ] , gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares.” Estas passagens sugerem claramente que Shamiré algum tipo de material duro.
    O Talmud fornece informações adicionais sobre o misterioso Shamir . Por exemplo, no Tratado Avot, Shamir é mencionado como uma das dez coisas criadas na “véspera do sábado”, antes da conclusão do ato da Criação. As substâncias criadas naquele momento eram de natureza um tanto enigmática, incluindo o Shamir que tinha o poder de talhar pedras. O Tratado Sotah (48b) explica que o Shamir foi usado para gravar as pedras inseridas no peitoral sacerdotal ( Hoshen ), que foram cortadas “como um figo que se abre no verão”. Também diz lá que, como nada poderia resistir à força do Shamir , ele é armazenado em tufos de lã, numa caixa de chumbo cheia de farelo de cevada.
    O Talmud, Tratado Gittin (68a) contém a lenda mais detalhada em torno do Shamir . Segundo a história, o Rei Salomão perguntou aos seus conselheiros como as pedras para o Templo poderiam ser preparadas sem o uso de machado ou cinzel, pois era inapropriado usar ferramentas de derramamento de sangue e de guerra para construir tal edifício. Eles lhe contaram sobre o milagroso Shamir , mas não sabiam onde encontrá-lo. O rei então convocou espíritos e demônios, mas estes também não foram capazes de dizer onde poderiam ser encontrados. Eles, no entanto, sugeriram que Salomão consultasse seu senhor, Asmodeus, rei dos demônios, que poderia saber a resposta. O rei Salomão enviou seu general, Benayahu, filho de Yehoyada, que subjugou Asmodeus e o levou ao palácio do rei. Asmodeus (ou Ashmedai) revelou a Salomão que oShamir estava na posse do Senhor do Mar, guardado por um certo pássaro, uma galinhola, de acordo com a maioria das versões inglesas da história. Salomão rapidamente enviou outro de seus servos que prevaleceu sobre a galinhola e conseguiu roubar o Shamir . A partir daqui a história continua, com mais reviravoltas. Você pode ler uma versão da lenda no clássico de Louis Ginzberg, “As Lendas dos Judeus” , bem como uma versão em hebraico que está disponível online (em Kol Agadot Yisrael , ed. Israel Benjamin Levner, Tushiya Publishing).
    No comentário de Rashi à lenda, ele deduziu que a galinhola era na verdade uma poupa ( duchifat em hebraico, דוכיפת), que se tornou um elemento popular nas lendas do rei Salomão. Mas, mais especificamente, ele sugeriu que o Shamir não era de forma alguma uma pedra ou outro objeto inanimado, como pode ser assumido a partir de algumas versões da lenda, mas era na verdade uma criatura viva – um verme. A fonte da explicação de Rashi não é clara, mas a frase “verme Shamir” nasceu e até apareceu nos escritos de Mendele Mocher Sforim (Sholem Yankev Abramovic, 1836–1917), que menciona o Shamir como uma das criaturas maravilhosas que Benjamin III se propõe a encontrar em suas viagens.
    Os comentaristas religiosos não concordam se Shamir era uma criatura viva ou uma espécie de pedra com poderes milagrosos. Por outro lado, com base no Talmud (Tratado Sotah 48b), eles determinaram que após a destruição do Templo, o Shamir foi obliterado do mundo. No entanto, há cerca de dois anos, uma equipe de pesquisadores nas Filipinas descobriu um verme capaz de comer calcário. Embora o calcário seja uma forma de rocha relativamente macia, a existência de um verme escultor de pedra pode não ser uma noção tão irrealista, afinal…
    7 min
  • ONISMO: Oferecendo uma nova definição para a maçonaria
    Por John P Gilbert
    Existem percepções erróneas generalizadas da Maçonaria entre o público, e talvez isso possa ser resolvido por uma nova definição da natureza do Ofício. É bastante fácil definir a Arte em termos do que ela não é: não é uma religião, não é dogmática, não é uma seita e não é uma alternativa à religião.
    No entanto, tais "definições por exclusão" parecem defensivas, quase como negações e evasões. Por outro lado, as definições positivas historicamente em oferta também são de pouca ajuda. Tais caracterizações, muitas vezes de nossa própria literatura, descrevem a Maçonaria em termos que variam de "uma religião primitiva" (Henry Wilson Coil) e "uma escatologia" (Albert Churchward) até a própria "marcha e luta em direção à Luz" de Albert Pike. " ( Palestra "Companheiro de Ofício", Moral e Dogma). Essas definições podem não apenas parecer um pouco difíceis de entender para muitos, mas também parecem contradizer a rejeição da Maçonaria ao status de religião, especialmente quando associada a termos como "ritual" e "templo", que são usados simbolicamente na Maçonaria, mas muitas vezes são interpretados literalmente, e assim religiosamente, para o mundo exterior.
    A posição de retorno usual é dizer que a Maçonaria é uma filosofia. No entanto, se isso for verdade, qual é a "filosofia" da Maçonaria? É aqui que nos encontramos voltando ao dilema familiar de muitas respostas concorrentes. De acordo com o Irmão David Harrison, por exemplo, a filosofia da Maçonaria é "tornar o mundo um lugar melhor".
    Em O Significado da Maçonaria (1922), Walter Leslie Wilmshurst opina que a filosofia maçónica é religiosa que "nos fornece uma doutrina do universo e de nosso lugar nele". Isso novamente sugere incorretamente que a Maçonaria é, de alguma forma, um substituto para a religião.
    Eu sugeriria que o ponto de partida de toda a Maçonaria é seu ritual e as noções de que, desde a abertura da loja até o grau de Mestre Maçom, os homens ali reunidos podem ser de qualquer fé. Esta é a característica distintiva da Maçonaria, separando-a da religião propriamente dita. Eu diria que esta é a filosofia central da Arte também. Como disse Pike, "a Maçonaria, em torno de cujos altares o cristão, o hebreu, o muçulmano, o brâmane, os seguidores de Confúcio e Zoroastro, podem se reunir como irmãos e se unir em oração ao único Deus... a cada um de seus Iniciados para buscar o fundamento de sua fé e esperança nas escrituras escritas de sua própria religião" ( Palestra "Elo Perfeito", Moral e Dogma). É e foi uma noção revolucionária e única.
    Com essa ideia na frente e no centro, estabeleci o termo Onismo, cunhado pelo poeta inglês vitoriano Philip James Bailey (1862-1902) que é um reconhecimento e respeito por todas as religiões e um reconhecimento de que todas elas apontam e se esforçam para uma única causa transcendente. Como o colega poeta de Bailey, William Blake (1757-1827), expressou ainda mais poeticamente em sua coleção de 1788 de Aforismos Todas as Religiões São Uma, "As Religiões de todas as Nações são derivadas da recepção diferente de cada Nação do Gênio Poético..." Talvez nutrindo o termo onismo e esta noção iluminada, podemos definir melhor o que é a filosofia da Maçonaria.
    5 min
  • Giosue' Carducci e o Hino a Satanás
    Giosuè Carducci nasceu em 1835 em Versilia, de família de classe média, formou-se em literatura em 1856. Desde cedo revelou-se um grande defensor da Revolução Francesa e de ideias ferozmente democráticas e republicanas. Acima de tudo, acompanhou com fervor os acontecimentos que levaram a Itália à unificação, sem no entanto participar diretamente neles, mas mais tarde ficou desapontado com a forma como estes acontecimentos encontraram a sua solução num compromisso entre o rei e a direita histórica. Assumiu assim uma posição de forte crítica e oposição ao novo governo, chegando mesmo a ser suspenso do ensino na cátedra de eloquência da Universidade de Bolonha.
    Outro objeto de sua oposição era então a Igreja: seu anticlericalismo o lançava contra ela, que ele via como um baluarte da tirania: para Carducci a Igreja era o símbolo do obscurantismo. A sua visão divina passou pela libertação de todo o ascetismo, que mortifica o gozo da vida e da ação, um ascetismo tipicamente religioso, mas que, como qualquer outra forma de obscurantismo medieval, estava prestes a ser suprimido pela força da razão, da ciência e da progresso, do qual ele faz uma verdadeira exaltação. Posteriormente, ao longo dos anos e graças à estabilização política italiana, também devido à captura de Roma, Carducci moderou as suas posições, aproximando-se gradualmente da monarquia.
    Adriano Lemmi Grão-Mestre da Ordem em 1885 abordou os esforços do poeta para uma secularização da vida pública, referindo-se aos valores éticos da tradição, a fim de contrariar a ignorância e a intolerância, e elevou-o a membro da Loja Propaganda I, em 1888 ele foi premiado com o 33º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito. Em 1866 foi Irmão Mestre na Loggia Felsinea em Bolonha, posteriormente o encontramos acolhido triunfantemente em 1892 na Logge Rienzi e Universo em Roma. A foto do corpo de Carducci adornado com insígnias de alvenaria é famosa e sugere que ele teve um funeral maçônico privado.
    Os tons clássicos e a vontade de reafirmar um sentido pagão da vida transparecem no Hino a Satanás. O que é certo é que o Satã contido aqui nada tem a ver com o que hoje é definido como “Satanismo” e coisas do gênero. Não foi o poeta toscano, mas os medos e preconceitos da mais estreita cultura clerical que deram o nome de Satã às simples alegrias da vida, à razão e à liberdade de pensamento e de consciência. Carducci, em outras palavras, queria exaltar o que os católicos mais atrasados haviam demonizado. Numa carta escrita pouco depois a um amigo a este respeito, esclareceu a sua intenção polémica: «É inútil que eu avise – escreveu – que compreendi sob o nome de Satã tudo o que é nobre, belo e grande que o ascetas e sacerdotes excomungaram com a fórmula Vade retro Satanás; isto é, a disputa do homem, a resistência à autoridade e à força, o material e a forma dignamente enobrecedores”. Em outra carta publicada no jornal il Popolo em 1869, o poeta, diante da censura de ter dado o nome de Satã a coisas boas e santas como a Natureza, o Universo e todo o grande Pã, esclareceu-se ainda mais ao afirmar que " Então, para os teocratas, vale a pena repeti-lo? Satanás é o pensamento que voa, Satanás é a ciência experimentada, Satanás é o coração que se inflama, Satanás é a testa onde está escrito: “Eu não me rebaixo”. Tudo isso é satânico. Revoluções europeias satânicas para sair da Idade Média, que é o paraíso terrestre dessas pessoas. Tudo isso é satânico; com liberdade de consciência e de religião, com liberdade de imprensa, com sufrágio universal; significa (…)
    Desde os primeiros versos do hino encontramos expressões de vitalismo e panteísmo, em que a Natureza é entendida como uma força primordial, capaz de envolver o homem numa experiência cósmica com conotações dionisíacas. Satanás descrito como o princípio da existência, espelha o antigo Dionísio, deus da vida infinita e indestrutível que equilibra os opostos no ciclo da physis. A combinação de Satanás com divindades pagãs não foi uma ideia original de Carducci, mas o resultado daquela concepção diabólica dos deuses antigos que foi difundida pelo Cristianismo. Mesmo na linguagem comum, o adjetivo “diabólico” recorre para conotar uma ideia ou ação particularmente original ou engenhosa. A concepção que assimilou o paganismo à esfera do mal enraizou-se alguns séculos antes do ano mil; todos os deuses antigos assumiram feições demoníacas, mas foi sobretudo o deus Pã quem pagou o preço, cujas feições - pés de cabra e chifres - acabaram se tornando as de Satanás. A este respeito, basta pensar que o Papa Gregório IX, no ano de 1233, promulgou um decreto contra os sábados no qual descrevia a imagem de Satanás precisamente como a da antiga divindade rural. O hino continua então com a apresentação de alguns monges reformadores: Arnaldo da Brescia m. 1155 enforcado e queimado, o herege G.Wycliffe m 1384 precursor da reforma luterana; o boêmio G.Hus (falecido em 1415), outro precursor da reforma que foi queimado vivo em Constança; o frade dominicano Savonarola também foi enforcado e queimado em 1498. Lutero, chefe da reforma religiosa na Alemanha, é associado a esses monges - nos versos seguintes.
    No final do hino, Satanás é identificado com o progresso da ciência, a força "vingadora" da razão e do progresso que mesmo no presente superou todas as formas de obscurantismo e dogmatismo do cristianismo. A imagem mais clara do progresso é a máquina a vapor, a locomotiva, “um monstro lindo e horrível”. As ideias que Carducci expressa no hino, tão revolucionário e forte, eram comuns a grande parte da opinião pública da época, decididamente anticlerical, secular e próxima do otimismo do pós-guerra.
    8 min
  • Educação Maçônica: Além das instruções em loja
    “A Maçonaria, meus Irmãos, é estudo, estudo e estudo... Os Maçons têm o dever de estudar para estarem em condição de investigar a Verdade e aprofundar os Mistérios de nossa augusta Instituição... que luta sem parar contra a ignorância, sob qualquer forma que ela se apresente. (Luis Umbert Santos, citado por Nicola Aslan, pág. 744, 2012)
    INTRODUÇÃO
    Então: para aqueles apreciadores da cultura de um modo geral, buscadores do conhecimento e que são conscientes de que a aquisição deste adquirir cultura serve para expandir os horizontes do homem; para aqueles, que ao natural, cultivam o hábito da leitura, gostam de estudar, são inquietos e curiosos em relação ao mundo e ao universo; para aqueles que reúnem estas e outras condições, claro, e tiverem um dia a felicidade de serem Iniciados na Maçonaria, poderá comprovar que essa é uma fonte inesgotável que faz jorrar conhecimentos, que deverão ser sorvidos aos poucos e cumprindo-se várias etapas chamadas Graus. E talvez, somente para aqueles, “ser um eterno Aprendiz” não tem prazo de validade nenhum.
    Albert Mackey (1807-1871), um dos maiores estudiosos da Maçonaria, em um trecho bastante difundido da sua obra, assim se pronunciou:
    “Nenhum Maçom consegue chegar, em nossos dias, a uma situação mais ou menos notável dentro da Fraternidade se não for suficientemente instruído. Se os seus estudos ficarem limitados ao que ensinam as breves instruções da Loja, é-lhe impossível apreciar com exatidão as finalidades e a natureza da Maçonaria como ciência especulativa. As instruções não passam de esqueletos da ciência maçônica. Os músculos e os nervos e os vasos sanguíneos que devem animar o esqueleto sem vida e dar-lhe beleza, saúde e vigor, são contidos nos comentários destas instruções, que o estudo e a pesquisa dos escritores maçônicos dão ao estudante em Maçonaria.”
    O que este trabalho que mal começou já torna evidente é que, se à época em que viveu Albert Mackey, a Maçonaria como ciência especulativa já exigia bastante estudo tal como ele e outros deixaram e vem deixando subentendido em seus textos, o nosso mundo moderno não ajuda em nada para sanar o problema. Tempos pretéritos X tempos modernos: o problema se intensificou? Nosso mundo moderno, em meio a um bombardeio de informações verdadeiras ou falsas, em meio a tantos afazeres, compromissos, obrigações e correrias que permeiam a rotina diária de cada um, vem contribuindo para a evasão de muitos Maçons das Lojas?
    E como fazer para inculcar nos Irmãos recém iniciados a ideia e o compromisso de que eles devem obrigatoriamente complementarem as instruções ministradas em Loja com base em seus Rituais ou que estejam afetas ao conteúdo doutrinário da Maçonaria, que lhes são repassadas em Loja a cada sessão, com a realização de leituras, estudos e pesquisas?
    Será que podemos acreditar sobre ser possível, uma vez por semana, numa sessão maçônica, num espaço de 15 minutos dedicado à Instrução (e que muitas vezes não perfazem esses 15 minutos) absorver uma parcela razoável de conhecimentos maçônicos a ponto de se transformar e poder transformar com o tempo aqueles que vivem em seu entorno ou a própria humanidade no sentido mais amplo? Quem não concorda com a ideia de que a qualidade das Instruções fica bastante comprometidas às vezes, em virtude de uma razão simples: o tempo exíguo que acaba sendo dedicado para a preparação de uma instrução causa um efeito dominó onde, instruções mal preparadas são mal ministradas e, portanto, mal absorvidas. Quantas são as instruções que não passam de leituras mecânicas e apressadas de texto que são retirados da internet?
    Afora as instruções, temos a apresentação de peças de arquitetura e os trabalhos para aumento de salário. Se coincidirem na mesma noite, a Instrução (que é obrigatória nas sessões econômicas) e a apresentação de um trabalho, muitos Irmãos já ficam a consultar as horas. Aliás, nesta última categoria, ou seja, trabalhos em Loja, não é difícil de se constatar que muitos deles não passam de meras e pálidas cópias de trabalhos encontráveis no Ritual ou na internet. Quanto ao que poderia ser um hábito salutar: trabalhos sendo apresentados pelos Irmãos Mestres, com uma certa regularidade, afora os trabalhos para a passagem de Grau, isso em nome do enriquecimento intelectual de todos, além de, um caminho natural para a evolução de todos os Irmãos que compõem a Oficina, praticamente não ocorre, ou se ocorre, podemos dizer que são apresentações muito esporádicas. Até porque, não são ações que mereçam o devido respaldo e incentivo de todos aqueles de quem se espera esse tipo de iniciativas.
    Se a Maçonaria pode ser considerada uma escola, os ensinamentos ministrados em nossos Templos (e muito pouco aprofundados), deverão receber sim uma complementação (o dever de casa), o estudo de cada um em particular, o que denota que Maçonaria depende de cada um demonstrar interesse e vontade própria em aprender cada vez mais. Aqui vale a antiga fórmula: querer é poder.
    A pergunta que serve para a nossa reflexão é a seguinte: Será que é possível evoluir numa instituição de natureza iniciática sem que haja estudos que não sejam conduzidos com a profundidade que certos assuntos vão requerer?
    O APRENDIZ
    O 1º Grau da Maçonaria Simbólica tem a denominação de Aprendiz-Maçom. Do ponto de vista do simbolismo isso corresponde à infância maçônica, onde “Seus olhos fracos ainda, não podem contemplar diretamente o fulgor do Sol, e por isso é que, na Loja, está sentado ao Norte, no topo da Coluna B...”. (Girardi, pág. 36, 2008)
    Como o Aprendiz ainda é dono de uma personalidade rude, o seu primeiro trabalho é o de desbastar a Pedra Bruta (simbolizada pelo seu ego), o que significa simbolicamente aplainar as arestas com o objetivo de transformá-la em pedra cúbica. Esse é um período que, se bem aproveitado, será de muito aprendizado e descobertas. Seguindo a lógica das escolas iniciáticas, na Maçonaria, o Aprendiz irá aprender para ser um Companheiro futuramente e este último irá aprender para ser um Mestre.
    Além das instruções normais, os Aprendizes deverão receber as cinco instruções obrigatórias que estão contidas no Ritual.
    Do livro de autoria do Irmão Carlos Brasílio Conte “A Doutrina Maçônica”, extraio o trecho abaixo:
    “O Aprendiz-Maçom, para alcançar o Grau de Companheiro, deverá apresentar alguns trabalhos escritos, dissertando sobre temas maçônicos referentes ao seu grau e poderá, inclusive, ser convidado a ler estes trabalhos ‘em Loja’, ou seja, durante a sessão maçônica. Esse procedimento visa avaliar o seu aproveitamento e progresso no simbolismo liturgia e filosofia maçônica e é com base nele que a Loja decide se o Aprendiz está apto (ou não) a receber ‘aumento de salário’ (promoção de grau).”
    COMENTÁRIOS:
    Evidentemente há pequenas variações sobre o que o autor escreveu acima, não tanto no que concerne às Lojas, mas, no que se refere ao Rito praticado e à Potência a que pertence.
    De qualquer forma, endossaria o plural utilizado no que se refere à apresentação e dissertação de trabalhos escritos relativos ao Grau: que sejam apresentados vários trabalhos, isso vai possibilitar uma avaliação melhor sobre o mesmo estar apto para o seu aumento de salário.
    O COMPANHEIRO
    O Companheiro deverá progredir quando demonstra interesse em interpretar os símbolos fundamentais concernentes ao seu Grau. Já ouvimos bastante aquela definição cômoda de ser dita sobre o Grau de Companheiro ser somente um Grau intermediário, o que revela o desconhecimento por parte de quem diz com respeito à riqueza de temas que pode englobar, a exemplo do estudo das Ciências Naturais, da Cosmologia, da Filosofia, enfim das investigações concernente à origem de todas as causas de todas as coisas.
    O Companheiro-Maçom deverá receber três instruções com a participação do Ven.•. M.•., Orador e 1º e 2º Vigilantes, as quais estão contidas no Ritual, independente de alguma outra ministrada em Loja e que não faça parte do Ritual.
    Nas palavras de Theobaldo Varoli Filho:
    “Além de ser o mais histórico, o mais científico e o mais realista dos graus maçônicos, o ciclo do Companheiro-Maçom é verdadeiramente o único da mais antiga tradição.”
    COMENTÁRIOS:
    Para chegar ao Grau de Mestre-Maçom, o Companheiro deverá subir os degraus da Escada-Caracol, a que aparece em seu painel alegórico. Simbolicamente significa o quanto é tortuoso e difícil o caminho que o levará até seu Mestrado.
    Será que existem sessões suficientes do Grau de Companheiro-Maçom e consequentemente uma quantidade mínima de instruções, para que o Grau deixe de ser visto como somente um Grau intermediário e não recebendo o trabalho intelectual que lhe e devido?
    O MESTRE
    Do “Vade-Mécum Maçônico” de autoria do Irmão João Ivo Girardi, do verbete “Mestre-Maçom” extraio o que segue abaixo:
    “1. Todo Mestre consciente de sua responsabilidade sabe que sua função principal é desempenhar na Ordem todas as funções administrativas das Lojas, a dirigir os Aprendizes nas pesquisas intelectuais e auxiliar os colegas Mestres no traçado simbólico das pranchas simbólicas. 2. ‘Nós nos descobrimos Mestres quando nos descobrimos eternos Aprendizes’.”
    O Mestre-Maçom possui em seu Ritual quatro instruções para sua leitura e meditação.
    COMENTÁRIOS:
    Na tentativa de corroborarmos tudo o que foi dito logo acima, é de se acrescentar ainda que, à expressão utilizada por alguns em referência àquele que acabou de ser exaltado, quando é dito que ele atingiu a sua plenitude maçônica, seria bom que se fizesse ela ser acompanhada da explicação de que o Mestre passa a ter, isso sim, o completo uso dos seus direitos maçônicos e de que, a eles correspondem deveres considerados impostergáveis. Isso para que a pessoa menos esclarecida não fique acreditando que a partir daí o Mestre saiba tudo sobre Maçonaria porque é Mestre, ou que ele já não tem mais nada a aprender dali para a frente. Aliás, será por isso que alguns aí estacionam? E quanto mais antigos, parece mais acomodados em sua mesmice. Então a pergunta que cabe agora é: Mestres de quê? Além de que: Mestres ensinam.
    Vou acrescentar aqui, a título de ilustração, essa que é a opinião de um grande Maçom Edouard Quartier La Tente (pronúncia: eduarr cartiê la tânti) a respeito dos Graus Simbólicos:
    “A maioria dos adeptos da Arte Real contenta-se em ‘receber’ os Graus Simbólicos; mas, eles não os ‘possuem’ jamais efetivamente. Eles têm nas mãos um tesouro, mas ignoram o seu valor e não tiram nenhum partido disso.” (Vade-Mécum Maçônico, 2018, pág. 246)
    CONCLUSÃO:
    Cabe aos dirigentes de uma Loja, cabe aos seus Mestres, numa perfeita combinação, a missão de proporcionar os ensinamentos maçônicos fundamentais, referentes ao Simbolismo, à Filosofia, ao cultivo das virtudes, dos valores morais e da Ética. A Maçonaria dá as ferramentas para que sejam usadas.
    Existem temas que devem ser aprofundados já que servem para pautar nossos atos individuais e conscientizar-nos da nossa condição. O desbaste da pedra bruta, para citar um só, é um processo que envolve diretamente o Aprendiz, mas, indiretamente, vai envolver nós todos, independente do Grau em que se esteja colado, ou não nos autodenominamos “eternos aprendizes”?
    Podemos afirmar que essa prática acompanhada da reflexão, devem ser incorporadas à nossa rotina diária, eis que, não é fácil desvencilharmo-nos dos nossos defeitos, num mundo onde as pessoas se preocupam em enxergar os defeitos dos outros. O Grau de perfeição que podemos atingir como seres humanos nunca nos será de todo conhecido e nunca saberemos sobre estarmos prontos o suficiente, daí, esta persistência do Maçom em melhorar, em se aprimorar, em evoluir sempre.
    O R.•.E.•.A.•.A.•., sabemos, é de uma riqueza incomum quando comparado a outros ritos. Como entender, como decifrar, como absorver a sua filosofia, a sua história, a sua ritualística, as suas influências, o seu simbolismo, se não desejarmos ir além, se não estudarmos com o propósito de entendermos realmente o que viemos fazer na Maçonaria?
    Como é bom trilhar esta estrada de eterno buscador, a estrada que nos conduzirá ao conhecimento, à Luz.
    I
    Irmão José Ronaldo Viega Alves
    oja Saldanha Marinho, “A Fraterna”Oriente de S., do Livramento – RS.
    FONTES DE CONSULTA:
    ASLAN, Nicola. “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia” – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. - 3ª Edição - 2012
    COMTE, Carlos Brasílio. “A Doutrina Maçônica” – Madras Editora Ltda. - 2005
    GIRARDI, João Ivo. “Do Meio-Dia à Meia-Noite Vade-Mécum Maçônico” - Nova Letra Gráfica e Editora – 2ª Edição – 2008
    VAROLI FILHO, Theobaldo. “Curso de Maçonaria Simbólica - Companheiro (II Tomo)” – Editora “A Gazeta Maçônica” – 1ª Edição - 1976
    15 min
  • Quem era Nimrod
    Por Maarten Moss
    A conexão entre a Maçonaria e a figura bíblica Nimrod tem sido objeto de debate e especulação há muitos anos.
    Embora os principais estudos maçônicos não reconheçam qualquer associação direta entre os dois, surgem interpretações variadas e teorias da conspiração que os ligam.
    A Maçonaria é uma organização fraterna que remonta às guildas medievais de pedreiros.
    Ao longo do tempo, a organização evoluiu e incorporou vários elementos simbólicos e filosóficos de diferentes fontes, incluindo figuras religiosas e mitológicas.
    A Maçonaria enfatiza os ensinamentos morais e éticos, o desenvolvimento pessoal e a fraternidade. Embora inclua referências a várias figuras religiosas, a organização em si não é afiliada a nenhuma religião específica.
    A Figura Bíblica Nimrod
    Nimrod é um personagem mencionado no Livro do Gênesis, onde é descrito como bisneto de Noé e um poderoso caçador. Algumas interpretações da Bíblia associam Nimrod à construção da Torre de Babel, retratando-o como um governante poderoso e ambicioso.
    Retratos negativos de Nimrod muitas vezes o retratam como um tirano, enquanto interpretações alternativas tentam apresentá-lo de uma forma mais positiva, concentrando-se em sua liderança e contribuições para a civilização humana.
    Um aspecto significativo das representações negativas de Nimrod é o seu papel como governante tirânico. Os críticos sugerem que sob sua liderança as pessoas foram oprimidas e ele fez de tudo para consolidar seu poder.
    De acordo com este ponto de vista, o reinado de Nimrod foi marcado pela crueldade, tirania e despotismo. Esta interpretação é baseada principalmente em lendas e textos externos, em vez de evidências diretas da Bíblia.
    O Envolvimento de Nimrod na Torre de Babel
    A história da Torre de Babel se encontra no Livro do Gênesis, onde a humanidade se une para construir uma cidade e uma torre que chegue aos céus.
    O motivo por trás deste projeto ambicioso é muitas vezes atribuído ao desejo de alcançar maior poder e estabelecer um nome para si, como afirma Gênesis 11- 4:
    “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue aos céus, e façamos para nós um nome; caso contrário, seremos espalhados por toda a face da terra.”
    Embora Nimrod não seja explicitamente mencionado na parte específica da narrativa da Bíblia, estudiosos e intérpretes fizeram uma conexão entre ele e a Torre de Babel devido à sua reputação como um poderoso caçador e governante de várias cidades.
    Algumas fontes judaicas antigas, como o Talmud e o Midrash, associam ainda Nimrod ao episódio da Torre de Babel. Segundo estas fontes, ele foi o iniciador ou o principal apoiador da construção da torre.
    A associação de Nimrod com a Torre de Babel pode ser vista de duas maneiras distintas. Os críticos muitas vezes interpretam o seu envolvimento como evidência da sua arrogância e rebelião contra a autoridade divina, tentando usurpar o governo de Deus e desafiar o seu poder.
    Por outro lado, interpretações mais positivas consideram o seu envolvimento como representativo da sua ambição e impulso para o avanço da civilização humana, embora com possíveis equívocos sobre as suas consequências.
    A Conexão com a Maçonaria
    A conexão entre a Maçonaria e o envolvimento de Nimrod na Torre de Babel é derivada principalmente de interpretações especulativas e teorias da conspiração. Algumas pessoas acreditam que as origens espirituais dos maçons remontam aos construtores da Torre de Babel, e que Nimrod, como iniciador ou principal apoiante do projeto, desempenhou um papel crucial no estabelecimento da Maçonaria.
    Nesta visão, a torre representa o primeiro esforço conjunto em grande escala em engenharia e arquitetura, lançando as bases para as tradições e práticas da alvenaria.
    Algumas teorias da conspiração afirmam que Nimrod foi o fundador ou figura significativa da sociedade secreta da Maçonaria. Estas teorias alegam que a Maçonaria perpetua ou continua o legado de Nimrod e procura estabelecer uma nova ordem mundial.
    No entanto, é essencial reconhecer que tais alegações carecem de provas históricas ou factuais credíveis. A maioria dos estudiosos e especialistas maçônicos rejeitam tais teorias como infundadas e infundadas.
    Perspectivas alternativas sobre o personagem de Nimrod retratam-no como um líder e protetor habilidoso, enfatizando sua capacidade de unir pessoas e estabelecer estruturas sociais.
    Estas interpretações sugerem que Nimrod desempenhou um papel crítico na manutenção da ordem e da segurança dentro dos seus domínios, organizando e governando eficazmente as comunidades.
    De acordo com alguns pontos de vista, Nimrod pode ser considerado uma figura central no desenvolvimento da civilização humana. Essa perspectiva o associa à fundação de cidades e ao avanço das conquistas culturais e tecnológicas.
    Ao enfatizar as suas contribuições para a urbanização e o estabelecimento de instituições sociais, estas interpretações colocam Nimrod como um catalisador para o progresso e a civilização.
    Vale ressaltar que interpretações positivas de Nimrod não são aceitas ou apoiadas universalmente, pois o próprio texto bíblico fornece informações limitadas sobre o personagem. No entanto, essas perspectivas alternativas fornecem lentes diferentes através das quais se pode ver a história de Nimrod.
    Maçonaria e Nimrod: Avaliando as Conexões
    Ao examinar as conexões entre a Maçonaria e Nimrod, é crucial diferenciar entre evidências sólidas e especulações infundadas.
    Nenhuma evidência histórica ou factual credível apoia uma ligação direta entre a Maçonaria como organização e Nimrod. A maioria dos estudiosos maçônicos rejeita tais afirmações como infundadas.
    A Maçonaria incorpora uma ampla gama de símbolos, alegorias e referências de diversas fontes, incluindo figuras bíblicas e mitológicas.
    No entanto, a sua ênfase está nos ensinamentos morais e éticos, no desenvolvimento pessoal e na fraternidade, em vez de em figuras religiosas ou históricas específicas. Como tal, qualquer tentativa de estabelecer uma ligação direta entre a Maçonaria e Nimrod é infundada.
    Além disso, é essencial reconhecer que as interpretações do carácter e das acções de Nimrod são diversas e não são universalmente acordadas. Enquanto alguns o retratam como um tirano ou envolvido na narrativa da Torre de Babel, outros o apresentam como um líder habilidoso e uma figura essencial no desenvolvimento da civilização humana.
    Cada perspectiva deve ser avaliada criticamente, tendo em conta as limitações do texto bíblico e a influência potencial de fatores externos, tais como preconceitos culturais ou religiosos.
    No geral, a conexão entre a Maçonaria e Nimrod é de especulação e interpretação, ao invés de fatos baseados em evidências. Embora algumas teorias da conspiração e conexões marginais sugiram uma ligação direta entre os dois, os principais estudos maçônicos não endossam ou reconhecem tal relacionamento.
    Ao examinar as diferentes perspectivas sobre o carácter de Nimrod e avaliar o grau em que estas interpretações são apoiadas pelo texto bíblico, torna-se claro que qualquer associação direta entre a Maçonaria e Nimrod é infundada.
    A ênfase da Maçonaria nos ensinamentos morais e éticos, no desenvolvimento pessoal e na fraternidade distancia ainda mais a organização de figuras históricas ou religiosas específicas, incluindo Nimrod.
    9 min
  • O que a Inteligência Artificial pensa da Maçonaria?
    Parece que as manchetes hoje em dia estão repletas de histórias sobre como a Inteligência Artificial vai deixar todos nós sem trabalho. Os geradores de arte de IA roubarão o mercado dos artistas, a escrita de IA deixará os escritores sem trabalho. A IA assumirá o marketing, a redação de discursos, a manutenção de registros e as atividades criativas. Basicamente, o céu está caindo – de novo. Na época em que as televisões foram introduzidas, eles disseram que isso iria matar o rádio. Não mudou – mas o rádio mudou. Quando o Netflix foi lançado – eles disseram que iria matar a TV. Não mudou – mas a TV mudou. Estas “Novas Tecnologias” pelas quais as pessoas se sentem ameaçadas são o que chamamos de “Disruptores”. A nova tecnologia “perturba” os negócios normais. E talvez isso seja uma coisa boa.
    Essa ideia de “Inteligência Artificial” já existe há muito tempo. Na verdade, o termo foi cunhado em uma conferência de verão no Dartmouth College em 1955. Mas mesmo antes disso, em 1942, o autor Isaac Asimov escreveu o romance “Runaround”. Nesse livro, ele apresentou as 3 leis da robótica que regeriam a “ética” dos robôs. Como isso é relevante para a Maçonaria, você diz? Os robôs provavelmente não invadirão nossas lojas tão cedo. E não vejo a Inteligência Artificial tornando-nos, humanos, “obsoletos” na nossa loja.
    O efeito mais imediato que a Inteligência Artificial provavelmente terá sobre a Maçonaria é o que ela pensa sobre nós.
    Em outubro do ano passado, comecei a investigar a IA através de um gerador de imagens. Eu me inscrevi para uma assinatura do “Artssy.co”, que prometia cuspir imagens com base na entrada de texto de humanos. Foram necessárias algumas tentativas e erros para digitar o texto e obter uma imagem que se aproximasse do que eu procurava. Comecei a tentar gerar imagens “esotéricas”. Eles eram estranhos e assustadores. Então comecei a inserir instruções mais “complexas”. Tentei ser mais genérico e pedi à IA que me desse uma imagem de “um grupo de maçons reunidos num local sagrado”. Retornou a imagem do início deste artigo – 5 homens reunidos em torno de um altar. Aparentemente, pensa que a maioria de nós é careca!
    Em novembro do ano passado (2022), o ChatGPT foi lançado e recebeu muita atenção da mídia. GPT significa “Transformador pré-treinado generativo de bate-papo). Esta nova “IA” foi na verdade baseada em software criado em 2020 pela OpenAI. A “IA” recebe informações humanas e produz “respostas” com base na experiência anterior. O resultado pode incluir escrever um artigo, criar uma imagem ou responder a uma pergunta. E é esse último que nos afetará primeiro. Essas questões colocadas à IA certamente incluirão algumas perguntas sobre a Maçonaria. Curioso sobre a Maçonaria? Pergunte à Inteligência Artificial. Quer saber mais sobre as graduações? Pergunte à IA. A Maçonaria faz parte dos Illuminati? A IA provavelmente saberá.
    Resolvi conversar com a IA e ver o que ela pensa sobre a Maçonaria. Mais do que apenas responder perguntas, é suposto cuspir pensamentos e resumos complexos. Primeiro fiz uma pergunta básica “O que é a Maçonaria?”. Respondeu: “A Maçonaria baseia-se num sistema de ensinamentos morais e alegóricos, muitas vezes expressos em termos simbólicos, que se destinam a promover o crescimento pessoal, o comportamento ético e a responsabilidade social”. No geral, uma ótima resposta. Eu cavei mais fundo. Perguntei “A Maçonaria é uma religião?”
    A AI respondeu: “Não, a Maçonaria não é uma religião… Embora a Maçonaria exija que os seus membros acreditem num Ser Supremo, ela não promove nenhuma religião ou doutrina religiosa em particular”. Hum, até aí tudo bem. Eu tentei “Os maçons matam pessoas?” A AI respondeu: “A Maçonaria é frequentemente associada a teorias de sigilo e conspiração, o que alimentou muitos rumores e acusações infundadas sobre as suas atividades”. Dei um passo adiante e perguntei: “O que é o caso Morgan?” A AI respondeu com um relato verdadeiro do que aconteceu, incluindo comentários de que “nenhuma evidência concreta foi encontrada” e “o Caso Morgan prejudicou a reputação da Maçonaria”. Resolvi fazer perguntas ao avô que certamente seriam nossa ruína. “Os maçons também são os Illuminati?”.
    Preparem-se. A AI respondeu com “Não, os maçons e os Illuminati não são a mesma coisa, não há nenhuma evidência que sugira que eles estejam relacionados de alguma forma”. Boas notícias para nós.
    Com base na minha interação inicial, parece que a IA tem uma imagem positiva da Maçonaria. Qualquer pessoa que procure informações sobre a Maçonaria através da IA provavelmente obterá respostas reais sobre quem somos, em vez de disparates conspiratórios. Mas isso mudará? Tudo isso depende de onde a IA obtém a “educação” adicional e de quem tem o controle. E se alguém responsável tivesse uma experiência ruim com um maçom, poderia chegar ao ponto de sabotar essa “percepção” da IA? Como qualquer outra coisa, a tecnologia é tão boa quanto aquilo que lhe dizemos para fazer. No momento, devemos estar cientes de que a IA sabe muito sobre nós e as pessoas vão pedir informações a ela. Mas não importa o que a IA divulgue, o primeiro passo será sempre quando um buscador entra em contato com um Maçom para descobrir como ingressar. Portanto, a melhor representação da Maçonaria continua sendo os Maçons. Devemos sempre nos lembrar de melhorar e suavizar nossa pedra bruta.
    Fraternalmente,
    Bo Buchanan
    Editor da Revista Arizona Masonry
    8 min
  • Um Interessante Lema Maçônico: “Deus Meumque Jus”

    A frase latina Deus Meumque Jus se traduz literalmente como 'Deus e meu direito'.

    Muitos lemas famosos contribuem para as grandes tradições e mística do Artesanato. Um dos mais intrigantes é "Deus Meumque Jus", que aparece com destaque nos trajes maçônicos, notadamente em objetos dos 32º e 33º graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

    Dada a sua posição de grande importância nos emblemas, é claro que o lema é particularmente significativo e merece uma exploração aprofundada. Vamos examinar as origens do “Deus Meumque Jus” e entender por que ele é um lema tão importante dentro da Maçonaria hoje.


    O que isso significa?

    "Deus Meumque Jus" é uma expressão latina comumente traduzida como "Deus e meu direito", ou mais apropriadamente "Deus e meu direito moral". No entanto, existe um elemento de mal-entendido em relação à tradução da frase.

    Deus é bastante simples de entender, pois é comumente referido como a palavra latina para Deus. A confusão reside na palavra Jus, no que se refere à lei e à justiça, por isso alguns especulam que o lema na verdade se traduz como "Deus minha justiça" ou "Deus minha lei".

    O Irmão Christopher Haddop resume perfeitamente as origens controversas do lema quando escreve:

    "O lema é a versão latina de uma frase francesa originária da Inglaterra e usada em um sistema de graus maçônicos nomeado após a Escócia, que descendeu de fontes francesas via Haiti com a ajuda de um comerciante holandês via Jamaica e que acabou sendo quase completamente redefinido nos os Estados Unidos.'

    O mesmo autor diz-nos que a tradução francesa da frase – “Dieu et Mon Droit” – é na verdade o lema real do Reino Unido. Acredita-se que este seja o resultado de um lendário grito de guerra proferido pelo rei Ricardo I da Inglaterra durante uma batalha em 1198. O lema refere-se à noção de longa data do direito divino dos reis.

    Apesar das origens um tanto falaciosas do lema, dentro da Maçonaria entendemos a frase como “Deus e minha retidão moral”. Acredita-se que quando visto nos trajes maçônicos dos 32º e 33º graus, este é o significado pretendido.


    O uso do lema na Maçonaria hoje

    O lema está associado ao número 33 na Maçonaria. Acredita-se que esta tradição venha do fato de que este número é sagrado no Cristianismo e no Hinduísmo e existem 33 vértebras na coluna vertebral. Na Maçonaria, o lema é comumente visto nas insígnias do 33º grau.

    O número não foi escolhido ao acaso pelos fundadores do Rito Escocês. Especialmente no Cristianismo, 33 é significativo. Sabemos que significa a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e também nos é dito que Cristo tinha 33 anos quando ascendeu ao céu. Além disso, os Evangelhos listam 33 milagres realizados por Cristo ao longo de sua vida na terra.


    Então, qual é a conexão entre o número e a moeda?

    Talvez seja melhor compreendido dentro desta estrutura religiosa. Extraído literalmente do seu significado latino, o lema significa a relação de um irmão com o Ser Supremo. É um lembrete da necessidade de viver virtuosamente sob o olhar atento de Deus, ao mesmo tempo que nos comportamos de maneira consistente com os valores da fraternidade.

    No entanto, uma interpretação mais profunda poderia ser a de que representa um reino interno do divino dentro de cada maçom individual. Por exemplo, se olharmos para a estrutura de rituais maçônicos específicos, vemos um espelho externo dos elementos internos do ser.

    Em termos simples, para um irmão significa que os ensinamentos maçônicos dentro de sua loja estabelecem um modelo pelo qual vários aspectos do eu podem ser colocados em ordem, de modo que as partes inferiores do eu sejam feitas para serem servas do divino interior.

    Quanto ao lema, Deus Meumque Jus poderia ser entendido como a lei e ordem interna (Jus) estabelecida dentro do eu (Meumque), pelo eu divino (Deus) como soberano.




    8 min
  • O Estoicismo e a Maçonaria
    Por Dário Angelo Baggieri
    Amados irmãos, tema relevante, inebriante e extremamente atual e quase sem literatura pertinente que permita um aprofundamento doutrinário de maior envergadura. Iniciaremos esse ensaio desmistificando o conceito filosófico do que é o Estoicismo.
    A filosofia Estóica, foi fundada por Zenão de Cítio, um filósofo grego que viveu no início do século III a.C.
    Ele estudou com os filósofos cínicos Crates de Tebas e Estilpo de Mégara antes de fundar sua própria escola filosófica em Atenas, que mais tarde ficou conhecida como a escola estoica.
    Zenão começou a ensinar sua filosofia, nos pórticos de Atenas e atraiu um grande número de seguidores.
    Ele ensinava que a felicidade e a virtude dependem de viver de acordo com a razão e em harmonia com a natureza. Argumentava ainda que todas as coisas na natureza estão conectadas e que devemos aprender a viver em harmonia com as leis naturais.
    Sua filosofia também enfatizava a importância de cultivar virtudes, também a justiça e a autodisciplina.
    Ao longo do tempo, a escola estoica se expandiu e se desenvolveu com outros filósofos, como Crisipo e Cleanto e se tornou uma das principais escolas filosóficas da Grécia Antiga.
    Embora o estoicismo tenha sido fundado há mais de dois mil anos, sua filosofia ainda é relevante nos dias de hoje e muitas pessoas ainda estudam e praticam suas idéias em todo o mundo.
    Um dos princípios que a filosofia estoica nos ensina, é aceitar o que não pode ser mudado, e se concentrar em controlar nossas próprias reações e emoções em relação aos eventos externos.
    Outro princípio é que que todos os seres humanos têm a capacidade de viver de acordo com a razão, e não somente sendo levado pelas emoções. E tal aforisma é fundamental para alcançar a felicidade e as virtudes
    O estoicismo também nos ensina sobre a importância da autodisciplina, autocontrole e da prática das virtudes. Para os estoicos, esses traços de caráter são essenciais para viver uma vida plena e significativa.
    Após essa breve "dissecação acadêmica" sobre tão pulsante doutrina, vemos à luz de nossos usos e costumes, uma paridade ipsis litteris entre a doutrina maçônica e a Estoica.
    A autodisciplina, autocontrole, prática das virtudes, viver sob a égide da razão, aprender a controlar as emoções, vencer as paixões profanas, exortam à tanta verossimilhança, até nos ratificam que ambas tem raízes entrelaçadas no aperfeiçoamento moral, intelectual e ético da formação do carácter do verdadeiro iniciado, como uma corrente cuja característica central, é o pensamento de que todo o cosmos é regido por uma harmonia que determina todos os acontecimentos. A esse Macrocosmo, a Maçonaria denomina da Grande Arquiteto do Universo.
    Ambas as doutrinas nos oferecem um Portfólio interessante para ser ensinado:
    Nos mostram que praticando a autodisciplina, lidando com a dor e a adversidade e aprendendo a se recuperar de falhas.
    Vivendo de acordo com seus valores, descobrindo-os quais são esses seus valores e aplicando-os na sua vida profana e maçônica. Isso pode ajudar aos irmãos a tomarem decisões mais sedimentadas, balanceadas e a viverem uma vida mais significativa.
    Aprendamos com nossos erros - todos cometemos erros, mas é importante aprendermos com eles e não repeti-los. Analisemos nossas falhas, descubramos o que pode ser reparado e trabalhemos para melhorarmos no futuro o nosso interior de forma progressiva e contínua.
    A importância da razão é a capacidade mais importante do ser humano, e que devemos usá-la para viver bem e tomar decisões sábias.
    Viver com virtude - a filosofia estoica, assim como a doutrina maçônica, coloca grande ênfase na virtude, que é vista como o objetivo supremo da vida. As principais virtudes são a coragem, a justiça, a sabedoria, a Honestidade, a pureza e a temperança
    Sobre o auto aperfeiçoamento - ambas as doutrinas preconizam que devemos nos esforçar constantemente para nos aperfeiçoarmos e melhorarmos como seres humanos. Isso envolve trabalhar para superar nossos vícios, cultivar nossas virtudes e aprender com nossas falhas.
    A interconexão de todas as coisas - o esoterismo maçônico coaduna com a doutrina estoicista que acredita que todas as coisas estão interconectadas e que devemos viver em harmonia com o universo. Eles também acreditavam que devemos cuidar do meio ambiente e tratar todas as criaturas com respeito.
    A filosofia maçônica nos impele à levar para o nosso cotidiano, os ensinamentos aprendidos que devem ser aplicados em muitas áreas da vida, incluindo no trabalho, nos relacionamentos, na saúde mental e na tomada de decisões importantes.
    Sobre o valor da simplicidade, Os estoicos acreditavam que a vida simples e despretensiosa era a melhor maneira de se alcançar a felicidade. Eles valorizavam a moderação, a frugalidade e a renúncia aos prazeres extravagantes. Isso está implícito em nossa doutrina, que nos impele a cavar masmorras aos vícios e a levantar templos às virtudes.
    Viver no presente -os estoicos acreditavam que a vida só pode ser vivida no momento presente, e que devemos estar presentes e conscientes em cada momento da vida. Eles acreditavam que a felicidade só pode ser encontrada no momento presente, e não no passado ou no futuro. Nesse ponto há pequenas divergencias, pois a Maconaria cultua seu passado glorioso, e apesar do Ostracismo inercial do presente vivenciado pela Ordem, onde estamos presenciando cismas por vaidades pessoais, ainda auguramos um Futuro menos inóspito nos Horizontes de nossa Sublime Instituição.
    Outro princípio do estoicismo que também é ratificado em nossa doutrina é que "A mudança é interna" - estóicos acreditavam que devemos nos esforçar para mudar a nós mesmos, em vez de tentar mudar o mundo ao nosso redor. Eles acreditavam que a verdadeira mudança começa de dentro para fora, e que devemos nos esforçar para melhorar como pessoas em vez de tentar mudar os outros. Assim que cada um nós lapidemos nossa própria Pedra Bruta e esqueçamos de querer lapidar a pedra de nosso irmão.
    O Imperador Marco Aurelio, era um Estoicista e em suas inúmeras meditações que anotou, há uma muito atual: “Se você trabalhar naquilo que está diante de você, seguindo a correta razão com seriedade, vigor, calma, sem permitir que nada mais o distraia, mas mantendo pura a sua parte divina, como se você devesse devolvê-la imediatamente; se você se apegar a isso, nada esperando, nada temendo, mas satisfeito com sua atividade presente de acordo com a natureza, e com a verdade heróica em cada palavra e som que proferir, você viverá feliz. E não há ninguém que seja capaz de evitar isso. ”
    “O que fazemos agora ecoa na eternidade.”
    “Você tem poder sobre sua mente – não sobre eventos externos. Perceba isso e você encontrará sua força.”
    “Pense na beleza da vida. Observe as estrelas e veja-se correndo com elas.”
    “A felicidade de sua vida depende da qualidade de seus pensamentos.”
    “Tudo o que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo o que vemos é uma perspectiva, não a verdade.”
    “Não perca tempo discutindo sobre o que um bom homem deve ser. Seja.”
    “A maior vingança contra um inimigo é ser diferente dele”.
    “Não é a morte que um homem deve temer, mas ele deve temer nunca começar a viver.”
    “A alma é tingida com a cor de seus pensamentos.”
    “O objetivo da vida não é estar do lado da maioria, mas escapar de se encontrar nas fileiras dos loucos.”( Marco Aurélio).
    Poderíamos continuar dissertando sobre tão maravilhoso tema filosófico ainda por muitas e muitas laudas, e confesso aos amados irmãos que em minhas pesquisas sobre o Estoicismo, vislumbrei o quanto meu vulgo profano se doutrinou nessa empreitada, e que a sede de aprender e conhecer mais e mais tão diferenciada escola filosófica, se tornará presente em meus estudos. Terminamos trazendo à baila o Grande SÊNECA, que foi um dos mais importantes filósofos estoicos de Roma.
    Uma das suas ideias mais importantes é que a verdadeira felicidade e a paz interior são encontradas dentro de nós mesmos, e não em bens materiais ou conquistas externas.
    Sêneca argumentava que devemos nos concentrar em desenvolver a nossa própria virtude e em controlar nossas emoções, em vez de sermos controlados por elas.
    "Todos os homens, caro Galião, querem viver felizes. Mas, para descobrir o que torna a vida feliz, vai-se tentando, pois não é fácil alcançar a felicidade, uma vez que quanto mais a procuramos mais dela nos afastamos. Podemos nos enganar no caminho, tomar a direção errada. Quanto maior a pressa, maior a distância. Determinemos, em primeiro lugar, o que desejamos e, em seguida, por onde podemos avançar mais rápido".Seneca
    11 min
  • Os maçons ainda combatem o escravismo.
    O tema é muito interessante e pode, até mesmo, frustrar aqueles que creditam santidade à Maçonaria. Afinal, a maçonaria fez a abolição da escravatura acontecer no brasil!
    Não foi bem assim! O desfecho contra a escravatura iniciou-se mais por questões econômicas do que humanitárias, com forte pressão da Inglaterra. Certo também é que, nos primórdios de nossa Independência, o Irmão José Bonifácio não via com bons olhos a exploração dos negros.
    Porém, boa parte da Maçonaria Brasileira era composta por senhores de engenhos, barões do café e reis do gado, e não poucos eram sócios de navios negreiros. Em resumo, Maçons Escravocratas que defendiam seus interesses.
    E não é difícil imaginar como eram “calorosas” as discussões em Templo quando, na Ordem do Dia, seria tratada a libertação dos escravos. Tínhamos a Ala Escravocrata e a Ala Abolicionista, as quais, naturalmente, nunca chegariam a um denominador comum.
    Abro aqui um parêntese para uma divagação. Se à época houvesse WhatsApp e Facebook, ambos os grupos estariam fazendo o que vemos hoje: mensagens ridículas e infantis de mútua provocação entre Nobres Irmãos que alcançaram a plenitude.
    Retornando ao tema, a verdade foi que maçons do século XIX trabalharam para a libertação dos escravos. Entre eles, encontramos os que ajudavam a “roubar” cativos e transportá-los para o estado do Ceará, onde a abolição aconteceu em 1884. Muitos foram os Maçons que fortaleciam o Tronco para pagar a Carta de Alforria, e havia aqueles que trabalhavam junto aos governantes para criação de leis abolicionistas. Lei do Ventre Livre (1871), Lei dos Sexagenários (1885), até culminar na Lei Áurea (1888).
    Termina, assim, nosso combate ao escravismo? Não! Claro que não! A “cura” da escravidão ocorre pela libertação, tão propagada em nosso lema LIBERDADE, Igualdade e Fraternidade.
    Contudo, há um detalhe muito interessante, o qual já intercambiamos no artigo 932 – Tema sensível, no qual destaquei que a “A mutilação não é corpórea, é a deformidade moral da alma”. Assim também é a questão da impossibilidade de um escravo ser iniciado. Não podemos conceber o sentido exato da palavra, visto que o escravo é um ser obrigado a trabalhar contra sua vontade e em condições indignas ou degradantes de trabalho, em atividades que não são ou são muito mal remuneradas.
    Diante de uma triste realidade econômica, muitos de nossos Irmãos são escravos do trabalho.
    Porém o pior dos senhores feudais, aquele que integralmente escraviza o homem, é a ignorância! Ela coloca pesados fardos da intolerância em nossos ombros, guilhões do preconceito em nossos tornozelos, algemas da ganância em nossas mãos e viseiras do egoísmo em nossos olhos.
    Esse é o escravismo que combatemos, uma vez que a Maçonaria espera dos Maçons um esforço contínuo, um trabalho corajoso e ininterrupto em prol da libertação das inteligências oprimidas.
    “A escravidão não é corpórea, é a subserviência moral da alma.”
    Neste ­17º ano de compartilhamento de instruções maçónicas e provocações para o enlevo moral e ético dos Irmãos, permanecemos no nosso propósito maior de disponibilizar uma curta reflexão a ser discutida em Loja. O Ritual não pode ser delapidado. A Ritualística deve ser seguida integralmente. O Quarto-de-hora-de-estudo é fundamental em uma sessão Justa e Perfeita.
    Fraternalmente
    Sérgio Quirino
    Grão-Mestre - GLMMG 2021/2024
    5 min

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