Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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Malhete Podcast episodes

  • Maçonaria - O Desentendimento de Simon Bolivar com a Maçonaria.

    Simon Bolívar,

    conhecido como o "Libertador", é uma figura icónica na história da
    América Latina por liderar diversas nações na luta pela independência do
    domínio colonial espanhol. No entanto, em meio ao cenário turbulento da América
    do Sul do século XIX, Bolívar também enfrentou desafios internos, incluindo
    conflitos políticos e, surpreendentemente, um desentendimento significativo com
    a Maçonaria.

    4 min
  • Maçons Ilustres e Famosos - Nathan Mayer Rothschild

    Maçons Ilustres e Famosos - Nathan Mayer Rothschild

     

    Rothschild nasceu em 16 de setembro de 1777 em Frankfurt, Alemanha. Aos 21 anos, estabeleceu-se em Manchester, na

    Inglaterra. Lá ele fundou uma empresa de comércio e financiamento de têxteis.
    Em 1804, mudou-se para Londres, Inglaterra, para começar a negociar na Bolsa de
    Valores de Londres.

     

    A partir de

    1809, Rothschild começou a negociar barras de ouro. Em 1811, ele negociou um
    acordo para começar a pagar as tropas de Wellington enquanto elas lutavam
    contra Napoleão em Portugal e na Espanha.

    Foi alegado que

    Rothschild tinha agentes monitorando a batalha em Waterloo e eles o avisaram na
    Inglaterra antes que alguém tivesse a notícia. A alegação era que ele usou as
    informações para manipular o mercado e fazer fortuna.

     

    A história tem

    muitas lacunas e muitos acham que foi inventada. O original apareceu em um
    panfleto antissemita francês de 1846 e foi ampliado por várias outras fontes.
    Um dos maiores problemas com a alegação foi que Rothschild ganhou um milhão de
    libras com a informação, o mercado de títulos na Bolsa de Londres na altura não
    poderia ter suportado tal ganho.

     

    Em 1818, Rothschild foi

    elevado ao nobre status de barão (Freiherr), embora tenha optado por nunca
    usá-lo. Também em 1818, Rothschild fez um empréstimo de 5 milhões de libras ao
    governo prussiano.

     

    Rothschild era um

    abolicionista e usou sua posição financeira para acabar com o comércio de
    escravos. Em 2009, surgiu uma reclamação afirmando que ele tinha relações com
    um proprietário de plantação que usava escravos como garantia. Isto foi negado
    pelo ainda existente banco Rothschild.

     

     Em parte, eles disseram que Rothschild tinha

    sido um proeminente defensor das liberdades civis com muitos associados com
    ideias semelhantes e "contra este pano de fundo, estas alegações parecem
    inconsistentes e deturpam o ethos do homem e do seu negócio".

     

    Rothschild faleceu

    de um abscesso infectado em 28 de julho de 1836. No momento de seu falecimento,
    ele tinha um patrimônio líquido pessoal de 0,62% da renda nacional britânica.

    Rothschild era

    membro Loja Emulação Nº 12 em Londres, Inglaterra.

     

    3 min
  • PROVÉRBIOS 22:6
    "Eduque as crianças da maneira certa e, quando envelhecerem, elas não se desviarão."
    por Richard Haley
    Certamente, a sabedoria deste versículo do livro das Escrituras Hebraicas chamado Provérbios, que tradicionalmente reflete a sabedoria de Salomão, parece óbvia, mas qualquer um de nós que é pai ou que consegue se lembrar da maneira como nossos pais nos criaram, sabe muito bem que é não é fácil treinar as crianças da maneira certa. Mas… nós tentamos! O mesmo se aplica à nossa jornada maçônica. Nosso ritual nos lembra que estamos constantemente em um momento de busca para sermos treinados no “caminho certo”, mesmo depois de atingirmos o elevado objetivo de Mestre Maçom. Nosso cavalete espiritual e maçônico está sempre recebendo novos desenhos para nossa edificação. O treinamento maçônico nunca termina.
    Identificamos e enfatizamos que um dos principais objetivos da Maçonaria é tornar os homens bons, homens melhores, e isso precisa de treinamento. Então, temos formas oficiais para que isso aconteça. O Caminho do Mestrado enfatiza a necessidade de treinamento. As expressões do Rito Escocês e do Rito de York da Maçonaria fornecem uma visão contínua sobre o que significa fazer parte da nossa Fraternidade e, assim, melhorar-nos na Maçonaria. Claro, existe a nossa organização juvenil para meninos e jovens emergentes, DeMolay, que lançou muitos de nós nesta estrada maçônica permanente de aprendizagem, treinamento e auto-aperfeiçoamento.
    Tal como acontece com a criação de filhos, este treinamento maçônico da maneira correta não é fácil. Pode ser tentador simplesmente seguir em frente para se tornar um maçom. Faça um pouco de memorização conforme necessário, eleve-se ao nível sublime, participe de reuniões, faça novos amigos, aproveite as refeições e outras atividades relacionadas. Mas aqui fica a pergunta: esse processo contínuo de treinamento maçônico realmente fez diferença para você? Que efeito o fato de ser irmão Maçom teve em sua vida familiar, em seus relacionamentos, em sua atitude e em sua visão das pessoas diferentes de você? Você internalizou nossas várias lições ou são meras palavras que você memorizou uma vez ou que só usa durante os rituais de graduação? Parafraseando o versículo dos provérbios, você realmente foi treinado no caminho maçônico correto ou se desviou ou ficou estagnado nesse caminho?
    É aqui que estou em tudo isso: toda vez que assisto ou participo de trabalhos maçônicos (graus, serviços memoriais, instalações, celebrações, etc.), saio melhor do trabalho porque fui lembrado de grandes verdades. Fui treinado novamente. Espero e rezo para que a maioria de nós esteja em jornadas semelhantes de treinamento e reciclagem para a autorreflexão e o autoaperfeiçoamento, pelo bem de nossas lojas, de nossa Fraternidade mais ampla e do mundo em que vivemos.
    4 min
  • A HORA DO MAÇOM – MEIO-DIA EM PONTO
    Rosmunda Cristiano
    O profano, talvez, encontre definições mais plausíveis: passa, marca e descreve acontecimentos, sejam eles passados, presentes ou futuros, não importa.
    Na Maçonaria falamos sempre de dois tempos, o profano, que vivemos na natureza cíclica dos acontecimentos diários, e o iniciático, que se manifesta através do ritual e se liberta com uma força quase sobrenatural dentro do Templo, capaz de surpreender e fascinar o 'Aprendiz.
    O Sol, portanto o Tempo, permanece fixo para quem sabe. Muitas vezes sublinhamos este conceito no ritual do Templo: marcamos o horário sagrado do meio-dia à meia-noite; O Tempo profano entra em “suspensão”, para nos conduzir ao “Grande Tempo”, que não está marcado e não é convencional.
    Terminadas as férias de verão, é chegado o momento de retomar os rituais e o trabalho sublime, que só nós conhecemos, destinado a desbastar a pedra bruta.
    No livro “Destino como Escolha”, Thorwald Dethlefsen argumenta que o Tempo é qualidade e quantidade da mesma forma: A qualidade do Tempo não tem nada a ver com a duração, mas afirma que cada ponto do Tempo, ou seção do Tempo, pode ser uma hora, um segundo, uma década, possui uma certa qualidade, que só permite que surjam os factos que sejam adequados a essa qualidade. Em suma, nesse momento específico, só podem ser realizados aqueles factos cujos conteúdos “qualitativos” correspondam à respectiva “qualidade” do Tempo.
    Com a retomada do nosso trabalho, a qualidade e a quantidade de tempo devem poder se encontrar para criarmos o tempo certo, ou seja, o tempo necessário para nos conhecermos cada vez melhor.
    Com a luz certa, na hora certa, tudo será extraordinário.
    Fonte: Expartibus
    3 min
  • Tornamos bons homens melhores?
    Por Matthew Wissell
    Como maçons, quando questionados por aqueles sem experiência na Arte o que exatamente fazemos, muitas vezes respondemos com a frase: “Tornamos melhores os homens bons”. Parece nobre e glorioso. O que acontece a seguir é que apresentamos uma lista de iniciativas de caridade nas quais podemos ou não estar pessoalmente envolvidos. Poderíamos mencionar as amizades que desenvolvemos desde que ingressamos na Loja. Talvez até mencione as atividades ou eventos dos quais fomos abençoados por participar por causa da Fraternidade. Raramente, ou nunca, mencionamos como nos tornamos homens melhores através do nosso envolvimento na Maçonaria.
    Então isso levanta a questão. Será que realmente vemos a Loja como um lugar onde nos tornamos homens melhores? Ou somos simplesmente mais um clube ou organização de serviço? Viemos a Loja para sair com os amigos e nos divertir ou nos reunimos com a esperança de mudar para melhor? Acho que cada um de nós tem que responder a essa pergunta por si mesmo. Isso vai direto ao cerne do nosso propósito.
    O que as pessoas dizem sobre você desde que ingressou na loja? Eles comentam sobre o quão ocupado você está e quantas noites por semana você sai? Eles perguntam para qual função você vai no sábado? Eles mencionam os hobbies e atividades que você praticava antes de ingressar na Maçonaria? Eles já disseram que você é uma pessoa melhor? Eles alguma vez notaram alguma mudança positiva em suas atitudes ou perspectiva de vida depois de se tornar maçom? Eles apreciam mais as interações que você tem com outras pessoas desde que ingressaram?
    Se realmente acreditamos que existimos para tornar os homens bons melhores, então precisamos fazer um esforço para que isso aconteça. Isso não acontecerá por acaso ou por osmose. Temos que trabalhar nisso. Temos que dar mais do que apenas falar dos grandes ensinamentos de nossos cursos. Temos que colocá-los em ação em nossas Lojas e em nossas vidas. Uma coisa é poder repeti-los de memória. Outra coisa é inculcá-los em nossa vida diária.
    A questão então é: como você intencionalmente torna os homens bons melhores? Que passos você toma? Existem certos protocolos ou práticas que são eficazes? Como seria se decidíssemos nos concentrar em realmente tornar os bons homens melhores? O que poderíamos fazer?
    Sinceramente não acredito que seria muito complicado. Não estou afirmando que seja fácil, não é. Mas é um conceito muito simples de entender, mas desafiador de executar. Isso exigiria um processo de responsabilização mútua. A disposição dos irmãos de responsabilizar uns aos outros e de serem responsabilizados. Simples de entender, difícil de realizar.
    Não estou sugerindo que isso precise acontecer como parte de uma comunicação mensal, mas sim como parte da vida da Loja. O que aconteceria se os irmãos formassem pares ou pequenos grupos com o propósito de responsabilizar uns aos outros? E se, olhando pelas lentes dos ensinamentos da Fraternidade, pedíssemos ajuda uns aos outros para resolver um problema de nossas vidas? Fizemos votos nos unindo um ao outro. Por que não quereríamos apoiar uns aos outros na busca de ser um homem melhor?
    Meus irmãos, as palavras importam. Como vivemos nossas vidas é importante. A integridade é importante. Integridade no sentido clássico de que nossas palavras e nossas ações estão integradas. Deveria ser o objetivo de todo ser humano viver dessa maneira, mas mais especialmente o nosso como maçons. Não pretendemos ser medianos. Afirmamos que nos baseamos em padrões mais elevados do que a base social do que é certo e errado. Não deveríamos tentar viver a nossa reivindicação no mundo. Imagine o que aconteceria se o fizéssemos? Isso mudaria a conversa. “Então, exatamente o que vocês fazem em Loja?” “Nós tornamos os bons homens melhores.” "Realmente?" "Bem... posso dizer o que isso fez por mim." Quanto mais estima teríamos aos olhos da comunidade. Quão maior seria a nossa história para o mundo. Vamos mudar a conversa. Esforcemo-nos para viver de acordo com o nosso propósito autoproclamado. Vamos fazer a diferença em nossas vidas e na dos outros.
    6 min
  • Mudar ou Desaparecer - O Dilema da Maçonaria

    Por

    John L. Palmer - Tradução: J. Filardo

    Existe,

    atualmente, uma crise na nossa Fraternidade?

    Se

    sim, como posso ajudar?

    Na

    história conhecida da Maçonaria, pelo menos desde que se vem contando os
    Maçons, o número de membros na nossa Fraternidade sempre oscilou, subindo e
    descendo.

    Mas,

    à medida que o número de membros começou a declinar, surgiu um problema jamais
    enfrentado.

    Mais

    ou menos no meio do século XX, uma Loja na Austrália estava lidando com o
    mesmo, ou pelo menos um problema similar de declínio de membros e interesse.

    Eles

    perceberam que a razão pela qual o número de membros estava declinando era que
    os seus próprios membros não entendiam o que a Maçonaria realmente era; que
    como resultado, a Loja tinha sido transformada em algo completamente diferente
    do que pretendia ser; e, que os membros e possíveis membros eram apáticos sobre
    essa organização chamada Maçonaria.

    Eles

    notaram que a ênfase tinha mudado de companheirismo, estudo filosófico e
    desenvolvimento espiritual para discussões superficiais sobre tópicos mundanos.

    Eles

    insistiram que se a Fraternidade retornasse ao que eles acreditavam que uma vez
    fora, os homens, tanto membros quanto não membros, seriam atraídos, e o
    problema se resolveria por si mesmo.

    Eles

    insistiram que os homens eram atraídos por coisas que eles consideravam
    valiosas e que os membros da Loja deveriam ser retratados como sendo de imenso
    valor a fim de atrair homens que se beneficiariam do crescimento intelectual e
    espiritual que a Fraternidade oferece.

    Colocando

    a sua teoria em prática, criaram uma Loja com ênfase nas discussões
    intelectuais da filosofia e história maçônicas, eliminando assim muitas
    oportunidades de desviarem do objetivo.

    Por

    todos os lugares, havia muitos maçons que não estavam realmente felizes com o
    que estava acontecendo nas suas Lojas.

    Quando

    finalmente conseguiam se tornar membros da Fraternidade, ficavam desiludidos.

    Quando

    viram o que os maçons realmente faziam nas suas reuniões, ficaram muito
    desapontados.

    Eles

    tinham esperado cerimônias majestosas e impressionantes; discussões profundas
    de assuntos que os desafiariam mentalmente; e a oportunidade de aprender sobre
    grandes mistérios aos quais, de outra forma, não teriam tido acesso.

    Muitos

    destes jovens maçons tinham grande respeito pela Fraternidade antes de
    apresentarem petições e pelos homens que conheciam como Maçons, mas faltava
    alguma coisa.

    Em

    vez disso, viam cerimônias que poderiam ou deveriam ter sido mais
    impressionantes, lidas num livro por um membro da Loja que lia mal e não
    entendia algumas das palavras, muito menos o significado dos rituais.

    Eles

    viam homens assumindo obrigações solenes de fazer todo o tipo de coisas
    elevadas e, em seguida, prontamente se comportando como se não tivessem feito
    aquilo.

    Quando

    eles perguntavam “por quê?” sobre partes das cerimônias ou dos rituais, eles
    eram instruídos a memorizar corretamente as palavras, pois ninguém sabia “por
    que” eles diziam e “o que” faziam.

    Eles

    se perguntavam: “Em que eu me meti?

    Não

    há algum lugar melhor onde eu quero gastar o meu tempo?”

    Muitos

    destes homens se afastaram da Fraternidade, perdidos e desiludidos.

    Alguns,

    no entanto, tiraram um tempo para aprender o ritual, ler a literatura, pensar
    sobre “o que” a Maçonaria deveria ser e decidiram que isso precisava retornar à
    Instituição que eles percebiam uma vez ter sido.

    A

    partir daí, esta Loja Australiana passou a ter uma lista de espera de homens
    querendo se tornar membros.

    Eles

    aprenderam a ser mais exigentes com os seus membros e discutir assuntos mais
    esotéricos e filosóficos, além de enfatizarem a excelência na experiência
    iniciática transmitida.

    Eles

    se enquadraram no guarda-chuva que alguns chamam de “Restauração Maçônica” e
    organizaram-se para promover esses ideais.

    Estaremos

    vivenciando, em pleno século XXI, situação semelhante à vivenciada por aquela
    Loja na Austrália???

    Se

    sim, o que poderei fazer???

    6 min
  • O Batismo de Angelo Soliman

    Na efeméride maçônica de hoje, celebramos o

    batismo de Angelo Soliman em 1721, um notável cidadão vienense de origem
    nigeriana. Nascido como Mmadi Make por volta de 1721, nas terras que hoje
    compõem a Nigéria, a data exata de seu nascimento permaneceu um mistério,
    levando-o a adotar o 11 de setembro, o dia de seu batismo, como sua data de
    aniversário. Seu nome original, Mmadi Make, estava vinculado a uma linhagem
    nobre de sua região de origem.

    A infância de Soliman foi marcada pela

    tragédia quando, ainda jovem, foi capturado e levado como escravo para
    Marselha. No entanto, seu destino começou a mudar quando ele foi adquirido pela
    corte e recebeu educação. Foi nessa época que ele adotou o nome Ângelo, em
    homenagem a uma empregada doméstica chamada Angelina.

    Após inúmeras reviravoltas, Soliman acabou

    sob os cuidados do governador imperial da Sicília, que também era um príncipe.
    Ele se tornou o confidente e companheiro de viagens do Príncipe, até mesmo
    participando de batalhas ao seu lado, onde se diz que salvou a vida do nobre.
    Esse ato heroico pavimentou o caminho para a sua libertação. Mais tarde, ele se
    casou com Magdalena Christiani, uma jovem viúva e irmã de um general francês.

    Embora tenha vivido a maior parte de sua vida

    como escravo, Soliman era notavelmente erudito e se destacava na sociedade
    vienense. Sua conexão com a fraternidade maçônica o levou a conhecer Wolfgang
    Amadeus Mozart, com quem ocasionalmente compartilhava momentos nas reuniões da
    loja maçônica. Acredita-se que Soliman tenha servido de inspiração para o
    personagem Bassa Selim na ópera de Mozart, "O Rapto do Serralho".

    No entanto, apesar de sua posição na

    sociedade vienense, Soliman continuou sendo marginalizado como um exemplo de
    "assimilação" dos africanos na sociedade europeia. Após sua morte em
    21 de novembro de 1796, seu tratamento pela sociedade foi profundamente
    perturbador. Em vez de receber um enterro cristão, seu corpo foi submetido a um
    destino indigno. Ele foi empalhado e exposto na Coleção Imperial de História
    Natural, adornado com itens africanos considerados tradicionais. Apesar dos
    apelos de seus filhos para a restituição de seus restos mortais, isso nunca
    ocorreu, e seus restos foram consumidos pelo fogo durante a Revolução de
    Outubro de 1848. Essa atitude em relação a Soliman pós-morte, de certa forma,
    despojou-o da posição que ocupava em vida.

    Soliman era membro da Loja "True

    Harmony" e eventualmente se tornou o Venerável Mestre da loja, influenciando
    os rituais maçônicos ao introduzir elementos acadêmicos. Seu impacto na
    Maçonaria reverberou por toda a Europa, deixando um legado duradouro na
    tradição maçônica. Hoje, relembramos a vida e a influência de Angelo Soliman na
    história maçônica e na sociedade europeia.

    4 min
  • Chile, 50 anos do golpe: a luta contra um passado mal resolvido
    Heranças da ditadura ainda assombram o país no século 21
    Por Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
    Ni perdón, ni olvido!
    O grito de ordem - que em português pode ser traduzido como "nem perdão, nem esquecimento" - é ecoado há décadas por aqueles que buscam justiça contra torturadores, assassinos, mandantes e cúmplices da ditadura militar no Chile. Há exatos 50 anos, no dia 11 de setembro de 1973, as Forças Armadas, lideradas pelo general Augusto Pinochet, deram um golpe de Estado, que encerrou o governo socialista e democrático de Salvador Allende.
    O país se juntava, então, a outros vizinhos latino-americanos que estavam sob o controle de governos autoritários, como era o caso do próprio Brasil desde 1964. Foram 17 anos até que o Chile voltasse a ter eleições presidenciais e as Forças Armadas deixassem o poder. Mas as heranças sombrias desse período continuam a se fazer presentes na sociedade chilena. Enquanto alguns lutam há décadas para achar os corpos dos familiares desaparecidos na ditadura, ressurgem forças de extrema-direita e negacionismos, e o país têm dificuldades para substituir uma Constituição criada no governo Pinochet vigente até hoje.
    Relembrar o golpe e a ditadura, nesse contexto atual, é um exercício importante de memória e de resistência contra um passado que insiste em não ir embora. Seja no Chile, no Brasil ou no restante do mundo.
    Salvador Allende e Unidad Popular
    Formado em medicina, Salvador Allende construiu uma carreira ativa na política. Integrou o Partido Socialista tão logo este foi fundado em 1933, deputado por Valparaíso e Quillota e ocupou o cargo de ministro de Saúde, Previdência e Assistência Social entre 1938 e 1941. A partir de 1945, se manteve no cargo de senador durante 25 anos. Durante esse período, concorreu à presidência da República quatro vezes. Foi apenas na última, em 1970, que conseguiu ser eleito.
    Apoiado por uma coligação de partidos de esquerda chamada Unidad Popular, Allende teve 36% dos votos. Uma vitória apertada em relação ao segundo colocado, Jorge Alessandri, da coligação de direita, com 34,9%; e 27,8% do terceiro, Radomiro Tomic. Pela primeira vez na história, um político socialista e marxista chegava ao governo de um país por meio de votação popular. O projeto político ficou conhecido como a “experiência chilena”, que significava a via democrática até o socialismo, sem uma ruptura revolucionária.
    Apesar do começo promissor, o governo Allende teve que lidar com um país ideologicamente polarizado, com um contexto internacional desfavorável de Guerra Fria e com as próprias disputas internas da esquerda. Uma ala grande da Unidad Popular era favorável a seguir o caminho de Cuba, que em 1959 havia se tornado um país socialista pela via armada.
    “Principalmente no primeiro ano de governo, vai se criar uma sensação mais ou menos geral de bem-estar. As primeiras deliberações são de elevação salarial, o que vai gerar um consumo desenfreado de bens duráveis e não duráveis, especialmente domésticos. Então isso faz com que haja uma sensação de bonança e apoio a um governo que se mostra exitoso. Já no ano seguinte, começam os problemas com inflação, bloqueio norte-americano e isolamento do Chile em relação à social-democracia europeia, à União Soviética e à China. Isso agrava os problemas econômicos o governo começa a entrar em um movimento declinante”, diz o historiador Alberto Aggio, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
    Ele lançou em junho desse ano o livro 50 anos do Chile de Allende: Uma leitura crítica.
    Crescia, dessa forma, a oposição interna ao governo e o apoio dos Estados Unidos à derrubada de Allende. No dia 11 de setembro de 1973, os militares decidem bombardear o Palacio de La Moneda, sede presidencial. Allende comete suicídio e tem início longos 17 anos de ditadura.
    Pinochet e a ditadura
    Augusto Pinochet era o Comandante do Exército do Chile quando aconteceu o golpe. Com o fim do governo Allende, uma Junta Militar assumiu o poder no país. Pinochet foi nomeado Chefe Supremo da Nação em junho de 1974 e, em setembro, presidente da República. Posição em que se manteria até 1990.
    A ditadura militar se caracterizou por destruir o sistema democrático, encerrar os partidos políticos, dissolver o Congresso Nacional, restringir o quanto pode os direitos civis e políticos e por violar direitos humanos básicos. No plano internacional, ficou marcada por integrar a Operação Condor, uma aliança entre ditaduras da América do Sul para reprimir opositores políticos, e pelo alinhamento com os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Apesar das semelhanças, as ditaduras chilena e argentina colecionaram tensões, principalmente por causa de conflitos sobre a delimitação de fronteiras. A disputa pelo Canal de Beagle, na Patagônia, quase levou os dois países a uma guerra em 1978 e só foi apaziguada por uma mediação do papa João Paulo II.
    Para os que viveram a ditadura chilena, talvez nenhuma memória seja mais traumática do que a constante violação de direitos humanos. Relatórios oficiais dão conta de que mais de 40 mil pessoas foram vítimas dos militares, o que inclui torturados, mortos e desaparecidos. Os principais afetados foram políticos de esquerda, dirigentes sindicais, militantes e simpatizantes de partidos socialistas.
    Por meio de uma base ideológica chamada de Doutrina de Segurança Nacional, três órgãos de Estado colocaram em prática o projeto de destruição dos que consideravam inimigos do regime: Forças Armadas, Carabineros de Chile e Polícia de Investigações. Outros departamentos foram criados especialmente para a repressão: Dirección de Inteligencia Nacional (DINA, 1974-1977), Comando Conjunto (1975-1977) e Central Nacional de Informaciones (CNI, 1977-1990, sucessora da DINA). Uma série de lugares foi transformada em centros de tortura ou campos de concentração, como o Estadio Nacional (1973), Estadio Chile (1973), o navio-escola Esmeralda (1973), Academia de Guerra Aérea (1973-1975) e a Isla Quriquina (1973-1975).
    O fotojornalista brasileiro Evandro Teixeira foi enviado, pelo Jornal do Brasil, ao Chile em 1973 para cobrir o golpe militar e lembra de um ambiente permanentemente hostil. Mesmo sob constante vigilância, ele conseguiu registrar o tratamento violento contra presos políticos no Estádio Nacional e ser o primeiro a fotografar Pablo Neruda morto, ainda no hospital. O poeta chileno foi vítima de envenenamento, segundo resultado de uma perícia internacional feita em 2023.
    Mas foi um acontecimento, em tese mais simples do que os anteriores, que levou Evandro a passar uma noite na prisão.
    "Faltava carne de vaca para a população, que só comia galinha e porco. Eu estava andando pela cidade e passei em frente ao Ministério da Defesa. Vi um carro de açougueiro parado e um cidadão entrar com um boi inteiro nas costas para o pessoal do quartel. Achei uma sacanagem e fiz a foto", lembra Evandro.
    "Não olhei para trás. Tinha uma patrulha passando e me levou preso. Eu tive de tentar enrolar o capitão que me interrogou, fingir que tinha tirado a foto por acaso e dizer que eu era contra os comunistas. Como tinha um toque de recolher todo dia a partir das 18 horas, passei a noite lá, com medo de ser fuzilado na rua, e ele me liberou no dia seguinte".
    Chicago Boys e Neoliberalismo
    Assim que tomaram o governo, os militares decidiram implementar um conjunto de medidas para abrir a economia chilena ao capital privado e estrangeiro. Eles entendiam que o Estado deveria diminuir sua participação em alguns setores. Adotou-se, principalmente entre 1974 e 1982, de forma ortodoxa, os postulados neoliberais dos Chicago boys. Foram chamados assim os economistas chilenos que seguiram os estudos de pós-graduação na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, e, ao regressarem, passaram a influenciar as políticas econômicas do Chile centradas em privatizações, redução do gasto público, abertura ao mercado externo e reforma trabalhista.
    Indicadores macroeconômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB), tiveram variação positiva na maior parte do tempo em que durou a ditadura. Mas as classes altas foram as principais beneficiadas. Não houve distribuição de renda e a desigualdade social foi uma das marcas desse período. Somaram-se a isso índices altos de desemprego, diminuição de salários, aposentadorias e quebras de empresas.
    Movimentos sociais e redemocratização
    Uma nova Constituição nacional foi aprovada em 1980, por meio da qual Pinochet estendia em pelo menos mais oito anos o cargo de presidente. Mesmo diante desse reforço de poder, do crescente autoritarismo e dos mecanismos de repressão, os movimentos de oposição conseguiram se reorganizar durante a ditadura militar. Os primeiros dez anos da ditadura são conhecidos por dificuldades maiores de mobilização. Mas a partir de 1983, uma série de protestos começou a tomar conta do país.
    “É preciso destacar a reorganização subterrânea levada a cabo por variados e distintos atores sociais e instituições. Entre eles, integrantes de alas da Igreja Católica; movimentos por direitos humanos, com articulações no exterior; as universidades e a ação dos estudantes para retomar as organizações estudantis; além de uma rede solidária e política constituída no interior dos bairros periféricos de Santiago. Esses últimos lugares dariam aos protestos muitos de seus atores, como os jovens desempregados, sem perspectiva e sob vigilância violenta”, diz a historiadora Fernanda Fredrigo, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
    Diante da pressão social crescente, a ditadura se viu obrigada a convocar um plebiscito em 1988, para que a população decidisse sobre a continuidade do regime militar. Mesmo que não tenham sido apresentados prazos concretos para isso, o processo teve adesão grande da população, com mais de 92% dos habilitados para votar indo às urnas. As opções eram o “Sim” pela continuidade e o “Não” pelo término do regime. O “Não” venceu. Em 1989, foram realizadas as primeiras eleições presidenciais. O vencedor foi o candidato da coligação Concertación, o democrata cristão Patricio Aylwin Azócar.
    “As mobilizações sociais foram fundamentais na superação do medo, o que não é pouco; no abalo da crença quanto à despolitização total da sociedade; na retomada da ação política conjunta, fazendo emergir grupos políticos num contexto em que as agremiações pareciam apenas fragmentadas; na experiência de 'unidade' da esquerda; na reinvenção das formas de luta cotidianas; e na associação das diferentes formas de luta: greves, paralisações, trabalho lento”, analisa Fernanda Fredrigo.
    A democracia estava de volta em 1990, mesmo que sob profundos questionamentos. Afinal, Augusto Pinochet deixara a presidência, mas continuava como líder das Forças Armadas. Em 1998, voltaria à política oficial para assumir o posto de senador vitalício. No mesmo ano, seria detido durante uma viagem a Londres para tratamento médico. Sobre ele pesava um mandado de busca e apreensão, e pedido de extradição para a Espanha, onde era acusado por violação aos direitos humanos. Ficou mais de 500 dias em prisão domiciliar, mas contou com a ajuda do governo britânico, que o extraditou de volta para o Chile.
    Em 2002, renunciou ao cargo de senador vitalício. Em 2004, investigações no Senado dos Estados Unidos apontaram que ele tinha contas secretas fora do Chile, no valor de quase US$ 30 milhões, frutos de corrupção enquanto era ditador. Pinochet morreu em 2006, sem nunca ter sido julgado oficialmente pelos crimes que cometeu.
    Questões mal resolvidas do passado
    Durante quatro mandatos, de 1990 a 2010, a coligação Concertación dominou a presidência do Chile. Nos três primeiros, foi mantido o modelo neoliberal de economia. E apesar de terem dado ênfase nesse período aos gastos públicos nas áreas sociais e terem conseguido taxas altas de crescimento econômico, os governos não conseguiram resolver os problemas históricos de distribuição de renda.
    Entre 2006 e 2022, o país alternou entre as presidências da socialista Michelle Bachelet e do direitista Sebastián Piñera. No período, destacam-se a “Revolução dos Pinguins”, em maio de 2006, o maior protesto de estudantes da história do país, com mais de 600 mil pessoas exigindo reformas educacionais. E os protestos de outubro de 2019, cujo estopim foi o reajuste de passagens do transporte público, e que envolveram mais de um milhão de pessoas. O resultado foi a convocação de um plebiscito em 2020, em que 78,27% dos votos decidiram pela criação de uma nova Constituição.
    Em 2021, Gabriel Boric, do partido de esquerda Convergência Social, venceu as eleições presidenciais e iniciou o mandato em 2022. Para os defensores de um país mais progressista e comprometido com a igualdade social, a eleição representou um momento de esperança. Para alguns analistas, Boric se tornou símbolo de um modelo de renovação para as forças de esquerda.
    “Boric é uma figura importante para a esquerda mundial. O Chile é um país pequeno, mas que sempre teve uma posição distinta. A esquerda, em lugares como a Nicarágua ou a Venezuela, é completamente anacrônica: só tem um ponto de apoio que é a China. Em outros casos, a esquerda democrática está na política latino-americana e pode ser dito que ele é progressista. Mas precisa avançar do ponto de vista das relações sociais e culturais, porque mantém alguns vícios conservadores”, analisa o historiador Alberto Aggio.
    Em setembro do ano passado, o texto da nova Constituição, considerada progressista, foi votado e rejeitado por 62% da população. O que colocou o país em um novo impasse: ao se manter preso em normas e direitos definidos em 1980 na ditadura militar, não resolve entraves históricos que bloqueiam o desenvolvimento social. Simbolicamente, também não consegue dar um passo importante para enterrar os vestígios da ditadura que assolou o país durante 17 anos.
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  • Hoje na história da Maçonaria: 06/09 Nasceu Marie-Joseph Paul Yves Roch Gilbert du Motier, o Marquês de Lafayette: Um Herói em Duas Revoluções
    No cenário político e militar do final do século XVIII, poucos nomes brilham tão intensamente quanto o de Marie-Joseph Paul Yves Roch Gilbert du Motier, mais conhecido como o Marquês de Lafayette. Nascido em 6 de setembro de 1757, em Auvergne, uma província no centro-sul da França, Lafayette desempenhou um papel fundamental em duas revoluções históricas que moldaram o curso da história mundial: a Revolução Americana e a Revolução Francesa.
    A carreira militar de Lafayette começou cedo, quando ingressou no exército francês com apenas 13 anos. No entanto, sua busca pela liberdade e pela oportunidade de lutar por uma causa justa o levou a cruzar o Atlântico em direção aos Estados Unidos em 1777. Lá, ele se juntou ao Exército Continental sob o comando do ilustre General George Washington.
    Lafayette provou ser um líder corajoso e habilidoso. Durante a Batalha de Brandevin, ele foi ferido, mas sua determinação e coragem o levaram a organizar uma retirada bem-sucedida. Sua contribuição para a Revolução Americana foi significativa, e ele serviu com distinção na Batalha de Rhode Island. No auge da guerra, ele retornou à França para garantir um maior comprometimento francês na luta americana.
    De volta aos Estados Unidos, Lafayette desempenhou um papel crucial na Batalha de Yorktown, onde bloqueou as tropas britânicas lideradas por Cornwallis. Enquanto isso, os exércitos de Washington e do Conde de Rochambeau se preparavam para a batalha decisiva contra os britânicos. A vitória em Yorktown foi um momento crítico na luta pela independência dos Estados Unidos e testemunhou o papel vital de Lafayette nessa conquista.
    Após a bem-sucedida campanha americana, Lafayette retornou à França em 1788. No entanto, a França estava à beira de uma revolução própria devido a uma crise fiscal insustentável. Lafayette emergiu como uma figura chave nesse contexto, propondo a convocação dos Estados Gerais franceses, que representariam as três classes tradicionais da sociedade francesa: o clero, a nobreza e os plebeus.
    Como vice-presidente dos Estados Gerais, Lafayette apresentou um projeto importante, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. No entanto, a Revolução Francesa se tornou cada vez mais radical, e as posições moderadas de Lafayette o colocaram em conflito com os jacobinos. Ele foi perseguido e, em 1791, tentou fugir para os Estados Unidos, mas foi capturado pelos austríacos e passou quase cinco anos na prisão.
    Lafayette retornou à França em 1797, libertado por Napoleão Bonaparte. Sua vida política continuou com sua eleição para a Câmara dos Deputados em 1815 durante os Cem Dias. Após a Restauração Bourbon, ele se tornou um membro liberal da Câmara dos Deputados, cargo que ocupou até sua morte em 1834.
    Em 1824, Lafayette foi convidado pelo presidente James Monroe a visitar os Estados Unidos como "convidado da nação." Durante essa visita, ele viajou por todos os então vinte e quatro estados, recebendo honras e homenagens em todo o país. Muitas cidades e monumentos nos Estados Unidos levam seu nome em reconhecimento de suas contribuições para a independência americana.
    Marie-Joseph Paul Yves Roch Gilbert du Motier, o Marquês de Lafayette, foi um herói em duas revoluções, um homem cujo compromisso com os ideais de liberdade e justiça moldou o destino de nações. Sua vida e legado continuam a ser uma inspiração para aqueles que buscam lutar por um mundo mais justo e livre. Lafayette permanece como uma figura imortal na história das revoluções que forjaram os fundamentos das democracias modernas.
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