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Meditações de Marcus Aurélius - Livro VIII - Parte 8/10
Neste trecho, Marcus Aurélius fala sobre a importância de viver o presente, sem se preocupar com a fama ou a opinião dos outros, que são mortais e imperfeitos como nós. Ele também diz que devemos aceitar o nosso destino, seja ele qual for, e manter a nossa alma serena e satisfeita com a nossa natureza. Afirma que nada pode nos acontecer que não seja natural e suportável, e que o que nos perturba é o nosso próprio julgamento sobre as coisas. Aconselha o leitor a agir de acordo com o seu bem, sem se afligir com os obstáculos, e a deixar a vida se for necessário, sem rancor. Ele finaliza dizendo que a nossa alma se torna invencível quando não faz o que não quer, e que isso é fruto de uma reflexão racional e segura.
Leia o trecho abaixo
"44. Dê a si mesmo este momento presente. Quem prefere galgar à fama futura não leva em conta que os homens de então hão de ser tais quais os de agora, que você mal suporta; aliás, eles também serão mortais.
Em suma, o que lhe importa se eles darão eco a estas ou aquelas ladainhas ou terão esta ou aquela opinião ao seu respeito?
45. [Ó destino], toma-me e atira-me onde bem quiser. Seja onde for, manterei sereno o meu daemon; isto é, satisfeito consigo mesmo, agindo de acordo com a sua natureza.
Por acaso [tal mudança de ares] será motivo para que minha alma se perturbe? Para que se mostre inferior ao que é, presa de desejos e angústias, consternada na própria infelicidade? Haverá, aliás, algum infortúnio que possa justificar tais perturbações [da alma]?
46. Nada pode ocorrer a homem algum que não seja natural ao homem; nem a qualquer boi, que não seja natural do boi; nem ao vinhedo, que não lhe seja natural; nem à pedra, que não seja próprio da pedra.
Ora, e se a cada qual acontece o que lhe é costumeiro e natural, por que você se revolta? A natureza comum não lhe trouxe nada que fosse verdadeiramente insuportável.
47. Se uma causa exterior lhe aflige, não é ela que o perturba, mas antes o juízo que você faz dela. Está em suas mãos desvencilhar-se dele assim que quiser. Se alguma das suas próprias disposições lhe aflige, quem impede que você renove o seu julgamento?
Da mesma forma, quando você sofre por não fazer tal ação que lhe parece boa, por que não vai lá e a pratica enfim, ao invés de perder tempo atormentando a si mesmo?
“É que um obstáculo mais forte se opõe.”“Então, não se aflija, pois não é culpa sua não o poder realizar.”“Mas não vale a pena viver sem que se realize [o que se deseja].”“Então, deixa a vida de bom grado, tal como morre também quem realiza [o
que deseja], mas sem guardar rancor quanto aos obstáculos em seu caminho.”
48. Lembre-se de que a sua alma reinante se torna inexpugnável quando, recolhida em si mesma, contenta-se de não fazer o que não quer, mesmo quando resiste [aos impulsos] por mera obstinação.
Que será, então, quando a sua resolução for o fruto de uma reflexão ponderada e segura? Ora, é dessa forma que se ergue uma fortaleza em si mesmo. É o pensamento isento de paixões que forma as suas muradas, e é este o refúgio mais intocável de qualquer homem. Quem o desconhece é um ignorante. No entanto, quem o conhece e, ainda assim, refuta em nele se abrigar, é um homem condenado à infelicidade."
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