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Livro de Meditações de Marcus Aurélius - Livro VII Parte 2/10
3. O que são Alexandre, Caio César e Pompeu ao lado de Diógenes, Heráclito e Sócrates? Estes viram as coisas, suas causas, sua matéria, e tais conhecimentos eram os seus guias; naqueles, porém, ainda havia a ignorância de quantos fatos! A sujeição a quantos afetos!
4. Ainda que você se arrebente em ira, nem por isso os homens deixarão de fazer o que fazem.
5. Em primeiro lugar, não se perturbe: tudo obedece à natureza do universo e em breve você não será ninguém em parte alguma, como Adriano e Augusto. Depois, foca a atenção em seu objetivo: observa-o e, lembrado da obrigação de ser um homem bom e do que a natureza humana conclama, cumpre-o sem desvios e tal como lhe parece justo. Assim, atue no mundo sempre de bom grado, com modéstia e sinceridade.
6. O propósito da natureza universal é transpor para lá o que está aqui, transformá-lo, erguê-lo dali e levá-lo para acolá. Tudo são mudanças, mas não há razão para temermos novidades; tudo é corriqueiro e, ademais, no somatório as coisas continuam as mesmas.
7. Quando você segue o caminho reto, toda a natureza se contenta. A natureza racional segue bem o seu caminho quando, nos pensamentos, não se associa ao falso e ao duvidoso; e nos impulsos, tende apenas para as obras do bem comum; e nos desejos e aversões, atém-se ao que depende de nós, acatando de bom grado tudo o que a natureza comum lhe atribui. Porque ela é uma parte desta, como a natureza da folha é parte da natureza da planta.
A diferença está em que, no caso da folha, sua natureza é parte de uma natureza desprovida de sentidos e de razão, passível de ser impedida, enquanto a do homem é parte de uma natureza sem empecilhos, inteligente e justa, que atribui a cada qual segundo o mérito parcelas equivalentes de tempo, substância, causa, energia e acidentes.
No entanto, não busque validar essa igualdade comparando separadamente um fato sucedido a fulano com outro sucedido a sicrano, mas verifica o somatório de tudo o que ocorre com um e com outro.
8. Você já não pode mais ler. Mas pode refrear os excessos; pode suplantar os prazeres e as dores; pode se colocar acima da glória vã; pode não se irritar com os insensíveis e os ingratos e, ainda mais que isto: pode zelar por eles.
9. Que ninguém lhe ouça mais lastimando a vida na corte, nem você mesmo.
Neste trecho do Livro de Meditações de Marcus Aurelius, a filosofia estoica é explorada em várias perspectivas. O autor destaca a diferença entre figuras históricas como Diógenes, Heráclito e Sócrates, que buscaram entender as causas e a matéria das coisas, e líderes como Alexandre, Caio César e Pompeu, que estavam sujeitos a muitos afetos e ignorâncias. O texto também enfatiza a importância de focar no objetivo e agir com modéstia e sinceridade, alinhando-se com a natureza humana e a obrigação de ser um homem bom. A passagem continua abordando a natureza universal de mudanças e a importância de seguir o caminho reto, buscando a justiça e aceitando a natureza da vida.
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