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Livro de meditações de Marcus Aurélius - Livro IV Parte 5/5
Acaso um deus lhe dissesse que você morrerá amanhã ou, no mais tardar, no dia depois de amanhã, você não deveria se importar com a data exata, que fosse num ou noutro dia, a menos que pertencesse ao grupo dos maiores covardes, pois quão pequena seria a diferença! Assim, considera também que não há grande diferença entre morrer amanhã ou daqui a muitos anos.
Para concluir, observa sempre quão efêmeras e insignificantes são as vidas humanas: o que ontem era um pequeno germe, amanhã será um punhado de cinzas, ou um cadáver embalsamado.
Dessa forma, busca viver segundo a natureza neste breve relampejar da vida.
Para concluir, observa sempre quão efêmeras e insignificantes são as vidas humanas: o que ontem era um pequeno germe, amanhã será um punhado de cinzas, ou um cadáver embalsamado.
Estou infeliz porque este infortúnio me ocorreu? Pelo contrário, estou satisfeito! E minha satisfação decorre do fato de que, apesar de tal infortúnio haver se sucedido em minha vida, eu continuo livre do sofrimento, nem revoltado com o dia de hoje, nem temeroso quanto ao futuro.
Pois que tal infortúnio poderia ocorrer na vida de qualquer homem, mas nem todos os homens se conservariam livres do sofrimento ante tal evento.
Por que então este evento seria um infortúnio, e aquele outro, uma sorte? E como você julgaria qualquer evento um infortúnio, se ele não desvia um homem da sua natureza? E acaso algo lhe parece como um desvio da natureza de um homem, se não é contrário à vontade da própria natureza? Ora, você conhece a vontade da natureza – terá, então, isto que se passou o impedido de continuar sendo justo, magnânimo, moderado, prudente, protegido contra a irreflexão e a falsidade? Terá roubado a sua modéstia, a sua liberdade, e tudo o mais que constitui o caráter essencial da sua natureza?
Assim sendo, lembre-se de aplicar tal princípio em cada ocasião que possa lhe causar aborrecimento: tal evento não é em si mesmo um infortúnio, nem motivo de infelicidade, mas poder suportá-lo com coragem é ao mesmo tempo uma sorte e um motivo de satisfação.
Constitui um socorro vulgar, mas ainda assim eficaz para se aprender o contentamento com a morte, lembrar-se daqueles homens que se agarram à vida obstinadamente: o que eles conquistaram a mais do que aqueles que morreram cedo? Cedo ou tarde, certamente nos sobrará uma tumba, nada mais.
Levando-se tudo em conta, em todo caso o intervalo [entre a vida e a morte] é curto: considere quanto aborrecimento e aflição, quantas más companhias, quantos dias carregando um corpo miserável cabem neste intervalo? Assim, não considere a vida algo tão valioso, não se apegue tanto a ela.
Reflita acerca da imensidão de tempo que transcorreu antes que você tivesse chegado, e contempla a eternidade que se expande a sua frente, num futuro que passará em muito a sua morte. Neste infinito, qual é a diferença entre aquele que viveu três dias, e aquele que arrastou seu corpo por três gerações? 51. Siga sempre pela via mais curta, pois o caminho da natureza é o mais curto. Fale e aja sempre em conformidade com a mais pura razão, pois tal propósito livra um homem de aborrecimentos, de conflitos, da necessidade de recorrer a artifícios e da ostentação.
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