Momento Sociedade - USP

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Momento Sociedade - USP episodes

  • Momento Sociedade #55: Faltam às cidades brasileiras políticas públicas que as tornem "cidades caminháveis"
    No episódio desta semana do Momento Sociedade, falaremos sobre as “cidades caminháveis”, com José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Portella compartilha que o conceito dessa abordagem urbanística vem da ideia de fazer várias atividades essenciais a pé. Os parâmetros adotados para estipular o conceito de “cidade caminhável” foram retirados de um estudo feito pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP).
    De acordo com o estudo, há quatro parâmetros principais: os serviços essenciais, com destaque para a saúde e a educação, devem ficar a 1 km da residência da pessoa; espaços sem carro, como calçadões, praças, parques ou mesmo locais pequenos, devem estar a 100 metros da residência; já o número de quadras por km² é definido como ideal em 80 quadras por km² e, por último, o número de habitantes por área, ou seja, a densidade ponderada tem o índice ideal de 18 mil habitantes por km². 
    Portella compartilha que há alguns exemplos de cidades brasileiras que possuem ao menos um dos parâmetros do estudo, como o caso dos municípios de Fortaleza (CE) e Recife (PE), em que 60% da população está a 1 km das escolas e postos de saúde. Para ter uma referência, 47% da população de São Paulo está próxima de escolas e postos de saúde. Se considerarmos cidades com mais de 500 mil habitantes, a região da grande Vitória (ES) tem 86% da população próxima a escolas e postos de saúde. 
    Portella compartilha que esse tipo de conceito está entre as cidades que ocupam as melhores posições no ranking com maior qualidade de vida, segurança, mobilidade e acessibilidade e hoje não há uma preocupação para que isso se torne, de fato, uma política pública no País: “Esse tema não é tratado como política pública, com raras exceções. Eu não vejo isso em nenhuma das propostas dos candidatos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em São Paulo, nós temos há muito tempo calçadas muito maltratadas que causam um volume de acidentes brutal. E principalmente agora neste período, em que as pessoas procuraram evitar o transporte público, isso fica mais grave. O tratamento da via pública também não é bom, ou seja, não existe uma política pública cuidando disso ou existe de uma maneira muito solta, sem dar a importância que tem esse assunto”.
    Para saber mais, ouça este episódio na íntegra pelo player acima.
    Momento SociedadeO Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
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    11 min
  • Momento Sociedade #54: Propostas engessadas e ataques pessoais marcam debate de candidatos a prefeito
    Na última quinta-feira (1º) aconteceu o primeiro debate televisionado dos candidatos à Prefeitura de São Paulo transmitido pela TV Band. No episódio desta semana do Momento Sociedade, José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP comenta sobre o assunto. Comparando com o debate presidencial dos Estados Unidos, ocorrido na última terça-feira (29), Portella afirma que ambos os debates focaram principalmente no ataque e na denúncia, tirando o espaço que seria de exposição das propostas de políticas públicas. “Os debates agora tratam cada vez menos de políticas públicas para você comparar as ideias. Claro que sempre houve nos debates, mesmo antigamente, um lado que você acaba resvalando para o ataque e a denúncia, mas ele não ocupava o espaço que ocupa hoje.”
    Portella compartilha que, embora o debate dos Estados Unidos não seja engessado como é no Brasil, ambos levam ao mesmo resultado. No Brasil, perde-se muito tempo repetindo regras e formalidades, além de produzir o que Portella chama de “falsa igualdade”. “Não é normal você colocar 11 pessoas no debate que vão ter o mesmo tempo. No caso da abertura do debate em São Paulo, não é possível você tratar qualquer assunto com mais profundidade com 45 segundos. Antes se davam três minutos e já não era um tempo adequado.”
    Segundo o entrevistado, o problema está na reforma política, já que as emissoras são obrigadas a convidar para o debate candidatos de partidos com ao menos cinco representantes no Congresso Nacional. “No debate, os que tinham menos pontos tinham poucas perguntas. Então, é muito melhor que o candidato faça uma entrevista na emissora do que participe do debate, mas aí se tem aquele orgulho de querer participar do debate, aquela coisa da falsa igualdade. Tratar desiguais igualmente é um erro. Esse engessamento leva a um engessamento da política em si e, em suma, leva ao engessamento da gestão de política pública porque ela começa no debate.”
    Para saber mais, ouça este episódio na íntegra pelo player acima.
    Momento SociedadeO Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
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    9 min
  • Momento Sociedade #53: Candidatos com propostas genéricas causam desinteresse dos eleitores nas eleições
    No episódio desta semana do Momento Sociedade, José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), fala sobre as eleições municipais deste ano. Ele cita pesquisa recente realizada pelo Datafolha, que revela o desinteresse dos eleitores em participar das eleições, seja por conta da pandemia ou pelo embate instaurado na política nos últimos anos.
    Segundo o colunista, 29% dos entrevistados pelo Datafolha não sabiam ou erraram o nome do prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas, o que pode revelar o desinteresse ou a desmotivação de parte da população quanto às eleições. “Há desinteresse e desmotivação. Não só o processo político, com esse embate feroz, está levando as pessoas que não gostam de se envolver a se posicionarem como neutros ou fora da discussão, tem outra questão, que é não estar despertando o interesse dos eleitores.”
    Para Portella, a pandemia teve forte influência nos resultados obtidos pela pesquisa, mas o desinteresse pelas eleições já era observado desde 2018, devido à forte polarização, mas, desta vez, o agravante é o fato de a decisão dos eleitores impactarem suas vidas diretamente, já que o município é onde ele vive: “É claro que a pandemia influenciou. Até hoje é uma preocupação não só do ponto de vista de saúde, de geração de renda e emprego. Só que o agravante é o seguinte: nós estamos falando da cidade onde a pessoa vive, é o lugar onde nós estamos. O homem não vive na União nem no Estado, o ser humano vive no município”.
    Portella acredita que os candidatos precisam sugerir projetos estruturantes capazes de motivar e entusiasmar as pessoas, como a citado no episódio #51 do Momento Sociedade. Ele observa os candidatos permanecerem em propostas genéricas, que inclusive não abordam questões sanitárias num ano marcado por uma crise na saúde, além de não usarem as redes sociais para a criação de uma base firme de eleitores dispostos a escutar e apoiar. “Não temos nos candidatos, apesar de toda essa questão da pandemia,  uma proposta forte na área da saúde. As pessoas estão falando das mesmas coisas genéricas, coisas que às vezes não têm sustentação no orçamento.”
    Para saber mais, ouça este episódio na íntegra pelo player acima.
    Momento SociedadeO Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
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    9 min
  • Momento Sociedade #52: Manutenção do home office deve ser pensada caso a caso
    Neste episódio do Momento Sociedade, José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), comenta sobre o futuro do home office: esse sistema deve ser implementado definitivamente ou de forma parcial para os servidores públicos e trabalhadores do setor privado? Na opinião dele, trabalhar de casa se mostrou uma boa experiência, apesar de seu motivo – a pandemia – não ter sido positivo.
    Portella ressalta que o home office deve ser analisado sob a perspectiva de cada setor da economia. Muito se fala desse sistema de trabalho aplicado à área de serviços, enquanto na indústria e no agronegócio sua implantação foi mais reduzida. Esse assunto levanta polêmicas, como a eficácia da telemedicina e, por isso, “é preciso estudar caso a caso e ter um trabalho mais fundo de pesquisa para entender as consequências e então tomar as melhores decisões”, defende.
    O professor acredita que um sistema híbrido de trabalho presencial e de casa deva ser adotado para grande parte das empresas, enquanto algumas funções terão que se adaptar ao home office integralmente. Já para o serviço público, isso também pode variar de acordo com a função, pois algumas atividades, como vistorias de obra e perícias, não têm como ser feitas totalmente a distância. “O que me preocupa é tomar decisões precipitadas. Acredito que o home office integral possa acontecer em poucos setores da área pública, pois há situações em que a interação pessoal é insubstituível. Isso provavelmente deve ser definido quando tivermos uma vacina e pudermos decidir com mais certeza, criando rotinas e revendo benefícios com calma”, comenta ele.
    Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.
    8 min
  • Momento Sociedade #51: É preciso ter ousadia para realizar grandes obras públicas e modificar a vida nas cidades
    No episódio do Momento Sociedade desta semana, José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, fala sobre a importância da elaboração de projetos estruturantes nas grandes cidades, considerados essenciais para modificar os centros urbanos de modo a melhorar a qualidade de vida da população.
    Portella comenta sobre o projeto do Hidroanel Metropolitano de São Paulo, estruturado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, cujo objetivo é a construção de hidrovias nos rios Pinheiros e Tietê, represas Billings e Taiaçupeba para possibilitar o transporte de cargas e pessoas, além do uso turístico das águas. Com o projeto, cerca de 115 milhões de toneladas de lixo poderiam ser transportadas por via hídrica, o que diminuiria as viagens de caminhão, a emissão de carbono e, consequentemente, melhoraria o ar na cidade. 
    “Com um projeto como esse [o do hidroanel], é também possível ter usinas de reciclagem de lixo nas margens, de modo que o lixo já seja reciclado na margem e saia dali reciclado. Além disso, contribuirá significativamente para melhoria do aproveitamento dos rios no sentido turístico e no sentido do entretenimento. Na maioria das cidades do mundo, quando os rios são utilizados como ponto de entretenimento e de concentração, levam a uma qualidade de vida melhor”, afirma.
    Segundo o historiador, o projeto estruturante deve mobilizar a população e, para fazê-lo, é preciso ter ousadia: “Tem que ter sonho. Não se pode viver só de reclamar do prefeito anterior, porque todo mundo sabe dos problemas. É preciso apresentar soluções e grandes soluções, que entusiasmem as pessoas”.
    Para Portella os projetos estruturantes não estão sendo tão discutidos no âmbito político atualmente, mesmo com a chegada das eleições em novembro. “Não vemos nessas grandes cidades a discussão de projetos estruturantes que são grandes na estrutura da cidade, na mudança da qualidade de vida, da utilização das riquezas da cidade e dessa preocupação ambiental que hoje toma conta do mundo. Isso não acontece.” Ele acredita que a polarização da política tira de foco a importância de projetos grandiosos e que, atualmente, falta ousadia por parte dos líderes políticos para realizar esse tipo de obra: “Antigamente se tinham grandes discussões de políticas públicas, as correntes ideológicas discutiam conceitualmente e se tinha a visão de grandes projetos, mas hoje não tem. Acho que o momento está tendo uma perda na qualidade do sonho. Para atrair e mudar a vida das pessoas é preciso embarcá-las e convidá-las para projetos grandiosos”.
    Ouça o podcast na íntegra pelo player acima.
    Momento SociedadeO Momento Sociedade vai ao ar na Rádio USP todas as segundas-feiras, às 8h30 – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz e também nos principais agregadores de podcast
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    9 min

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Um podcast que fala sobre os problemas enfrentados pela sociedade e as soluções apresentadas através dos estudos realizados na Universidade de São Paulo, em especial da área de humanas

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