As ações asiáticas encerraram a quarta-feira com quedas expressivas, depois da carnificina verificada no dia anterior para os mercados globais, provocada pela divulgação dos dados da inflação americana, mais alta do que o esperado, o que levou os investidores a reavaliar as perspectivas para as taxas de juros e o crescimento econômico.
O índice de preços ao consumidor dos EUA aumentou 0,1% em relação a julho, após nenhuma mudança expressiva no mês anterior, mostraram dados do Departamento do Trabalho. Já em relação ao ano anterior, os preços subiram 8,3%, uma ligeira desaceleração, mas ainda acima da estimativa mediana de 8,1%. O chamado núcleo do CPI, que elimina os componentes mais voláteis, como alimentos e energia, também superou as previsões.
Os futuros em Wall Street operam próximos da estabilidade neste início de manhã, depois que as ações registraram sua maior queda diária em mais de dois anos, com o S&P 500 caindo mais de 4% e o Nasdaq caindo mais de 5%.
A leitura da inflação dos EUA que desencadeou a queda das ações, praticamente selou as apostas de que o Federal Reserve aumentará as taxas de juros em 75 pontos-base na próxima semana, com algumas apostas, minoritárias, sugerindo um movimento de 1 ponto percentual, revertendo as perspectivas anteriores, que promoveram um rali interessante para o mercado de ações, na esperança de que a inflação estivesse sob controle.
Agora, espera-se que as estimativas de lucros das companhias sofram algum ajuste para baixo, sugerindo uma posição mais defensiva por parte dos investidores.
No Japão, o iene recuou em relação ao dólar, após o ministro das Finanças alertar que não descarta qualquer ação, se as tendências atuais continuarem. O rendimento dos títulos de 10 anos do país subiu para 0,25%, o limite superior da faixa de política do banco central.
Já nos EUA, o rendimento do Tesouro de dois anos, o mais sensível às mudanças de política, foi pouco alterado depois de saltar até 22 pontos base no intraday, empurrando-o mais de 30 pontos base acima da taxa dos papéis de 10 anos e aprofundando uma inversão na curva de rendimentos, o que geralmente sugere um alerta de recessão.
A reversão nos mercados lança uma sombra escura em torno do debate sobre as perspectivas para a economia e os mercados globais. A última pesquisa do Bank of America mostrou que o número de investidores que esperam uma recessão atingiu o maior percentual desde maio de 2020.
Nos destaques domésticos, o presidente Jair Bolsonaro deverá participar de uma agenda com o Rei Charles III da Inglaterra no sábado (17), durante o início do funeral da rainha Elizabeth II. Durante uma recepção a chefes de Estado que comparecerão ao evento, Bolsonaro deve ter um espaço na agenda do novo rei inglês.
Membros do gabinete de Jair Bolsonaro esperam que o presidente brasileiro tenha uma conversa com o monarca inglês focada especialmente no meio ambiente. Desde os anos 1980, Charles é um defensor das causas ambientais, e deve ter o tema como uma das diretrizes de seu reinado, ainda que seja o parlamento e não o rei, o detentor do poder decisório sobre esta questão na Inglaterra.
A expectativa é que Bolsonaro saia do Brasil na sexta-feira (16), após agenda na cidade de Natal. Ele chega no dia seguinte a Londres, onde deve permanecer até a segunda-feira (19), data em que deve ocorrer o funeral da rainha Elizabeth.
De lá, o chefe de Estado brasileiro vai para sua segunda agenda internacional: ele segue para Nova York, onde o presidente brasileiro tradicionalmente abre a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Ele deve discursar na ONU na terça-feira (20), quando restarão menos de 15 dias para o primeiro turno das eleições.