Pela primeira vez na semana as ações asiáticas e os futuros de ações dos EUA apontam para o terreno positivo, com os investidores avaliando se o aperto monetário para combater a alta inflação nos EUA e na Europa pode estar se aproximando do fim. A China surpreendeu com uma inesperada moderação em sua taxa de inflação ao consumidor em agosto, dando aos formuladores de políticas em Pequim mais espaço para apoiar sua economia.
O índice Stoxx 600 na Europa avança 0,5%, com as mineradoras como grande destaque . As ações asiáticas chegaram às máximas das últimas duas semanas após uma quinta-feira de ganhos modestos em Wall Street, que deixaram o S&P 500 acima dos 4.000 pontos pela primeira vez desde o final de agosto.
O euro atingiu o nível mais alto em duas semanas depois que o Banco Central Europeu aumentou as taxas em 75 pontos base nesta quinta-feira. As apostas de que o Federal Reserve aumentará na mesma margem quando se reunir no final deste mês aumentaram, depois que o presidente Jerome Powell reiterou que o Fed está determinado a conter as pressões sobre os preços.
Os preços do gás natural na Europa caíram antes de uma reunião dos ministros de energia da região para elaborar planos para atenuar a crise energética sem precedentes, com potencial de minar a economia do continente.
As ações globais estão a caminho de seu primeiro avanço semanal nas últimas quatro semanas, uma pequena trégua ante um mercado estressado após os recentes anúncios de um aperto monetário global mais agressivo, os já conhecidos problemas energéticos e a desaceleração do crescimento da China.
Falando em uma conferência, Powell disse que “precisamos agir agora, fortemente como temos feito” e acrescentou que “meus colegas e eu estamos fortemente comprometidos com este projeto e continuaremos nele”.
A força do dólar em meio ao aperto nas configurações monetárias dos EUA está sobrecarregando outras moedas pares e igualmente fortes: no Japão, as autoridades não escondem mais a possibilidade de uma possível intervenção direta.
É bem verdade que no mercado internacional, o noticiário econômico segue ofuscado pela morte da rainha Elizabeth II, que tem provocado uma enxurrada de condolências em todo o mundo.
Por aqui, aqui, o IPCA de agosto (9h) deve mostrar nova deflação, apesar da recente mensagem de Campos Neto e diretores do Banco Central, mais hawkish que o aguardado pelo mercado. No cenário eleitoral, a expectativa é pela pesquisa Datafolha esta noite.
Em Brasília, o ministro Luiz Fux comandou, nesta quinta-feira (8/9), a última sessão de julgamentos do plenário em sua gestão na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). O biênio de Fux na presidência da Corte (2020/2022) se encerra na próxima segunda-feira (12/9), quando passará o cargo para a ministra Rosa Weber.
Em seu discurso, Fux lamentou as mortes durante a pandemia de Covid-19, falou dos desafios da Corte com o cenário virtual e as vitórias conquistadas durante sua atuação.
O ministro, no entanto, lamentou ataques ao STF e disse que a Corte não viveu “um só dia sem ter a legitimidade de suas decisões questionadas”:
“Não bastasse a pandemia, nos últimos dois anos a Corte e seus membros sofreram ataques em tons e atitudes jamais vistos na história do país. Não houve um dia sequer em que a legitimidade de nossas decisões não tenha sido questionada, seja por palavras hostis, seja por atos antidemocráticos”, lamentou o ministro, que assumiu a presidência após 42 anos de carreira jurídica.