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Passar para a outra margem indica nova etapa na missão de Jesus e dos discípulos: a missão com os gentios, na época conhecidos como pagãos. É o grande desafio das comunidades cristãs dos inícios: passar de uma mentalidade nacionalista para uma mentalidade universalista. São desafios que vão surgindo na história da Igreja. Nesses últimos anos, o papa Francisco, com base no Concílio Vaticano II, convida a Igreja a sair de seu comodismo para ir às periferias existenciais e sociais. Sair de uma Igreja “poderosa” para uma Igreja pobre, para os pobres e acolhedora. Proposta que não agrada a muitos e que é rejeitada por outros. Jesus censura seus discípulos por causa do medo em assumir a nova proposta do Mestre. A Igreja precisa estar sempre atenta e aberta aos sinais dos tempos, e não se acomodar no status quo.
“O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece."
Todos sabemos a função de uma lâmpada: à noite e no escuro serve para iluminar, e para iluminar bem ela é colocada em destaque, num lugar estratégico, para que ilumine todo o ambiente. A lâmpada é comparada à Palavra. A mensagem de Jesus não pode ficar trancada em algum armário ou sufocada dentro de algum caixote. A vivência dessa mensagem precisa ser testemunhada publicamente. Quem se deixa iluminar pela Palavra de Deus tem a responsabilidade de iluminar a família e a comunidade com a prática condizente com essa Palavra. Quem age assim acaba se tornando luz para os que o cercam. A verdadeira luz é Jesus, mas quem o segue fielmente também brilhará, não para se exaltar ou como motivo de orgulho, mas para iluminar a vida dos outros. Quem se fecha em si mesmo acaba se empobrecendo sempre mais.
“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita."
Antes de sua ascensão ao céu, Jesus envia seus discípulos com uma ordem bem precisa: proclamar o Evangelho. Os destinatários são todos os povos do mundo todo. Jesus confere aos discípulos o poder de curar doentes e expulsar demônios, isto é, libertar as pessoas de tudo o que as oprime e devolver-lhes a dignidade de filhos e filhas de Deus. Muitos sinais prodigiosos haveriam de acompanhar e confirmar a obra dos seguidores de Jesus. A Igreja primitiva testemunhou a verdade dessa promessa: “O Senhor confirmava o que eles diziam sobre a graça de Deus, permitindo que através deles se realizassem sinais e prodígios” (At 14,3). Faz parte dessa corrente de pregadores o apóstolo Paulo, através do qual Deus realizava milagres extraordinários (cf. At 19,11).
Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se.
Jesus se dirige para casa juntamente com o grupo dos apóstolos. A casa é o lugar da intimidade, da convivência familiar, ambiente de relações pessoais, onde se pode ter certa segurança e sossego. Parece que a intimidade e o sossego duram pouco, pois a multidão se aglomera em volta deles, a ponto de não terem mais condição nem de comer. A casa pode ser vista como a nova comunidade dos seguidores de Jesus. É lá na comunidade que se estabelecem os laços pessoais, de fraternidade e de solidariedade. Só que esse modo de viver não é compreendido pelos seus adversários, e o pior de tudo é quando os próprios familiares ou membros da comunidade não conseguem aceitá-lo. Jesus já foi visto como fantasma, aqui é tido como louco ou fora de si. Ainda em nossos dias, são muitos os que não compreendem suas atitudes e seu projeto de vida.
Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios.
A fama de Jesus se espalha e muita gente vai a ele para conferir o que diziam dele. Afinal, o que é que atraía tanto as pessoas em volta de Jesus? Ele anunciava boas notícias, curava os doentes, expulsava demônios, enfim, libertava as pessoas de seus males. Ele tinha muita proximidade com as pessoas, tanto que elas o consideravam um igual. O Mestre acolhia e fazia o bem a todos que se aproximavam dele sem intenções escusas. Ajudava o povo a ter mais ânimo e a alimentar a esperança. Até seus adversários o reconheciam como “Filho de Deus”, mas o Mestre ordena o silêncio, pois talvez não haveria interesse por parte deles com um projeto de vida digna para todos. Jesus deseja construir uma nova comunidade com todos aqueles que estão a fim de seu projeto de uma sociedade fraterna, justa, tolerante e acolhedora, sem discriminação nem preconceito.
“É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?”
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