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Os fariseus questionam Jesus porque seus discípulos colhem espigas para matar a fome. O questionamento ocorre não porque os discípulos estão saqueando o campo alheio, mas porque fazem isso em dia de sábado. O sábado era e continua muito importante para os judeus, comparado ao nosso domingo: dia de repouso, de encontro com a comunidade e de convivência familiar. O Mestre justifica a atitude de seus discípulos com um exemplo tirado da própria Escritura. Ao dizer: “o sábado foi feito por causa do homem”, mostra claramente que as leis devem estar a serviço da vida das pessoas, e não as tornar escravas da lei. O próprio Mestre atuava, mesmo em dia de sábado, quando se tratava de fazer o bem ou quando a vida estava em perigo. A vida está acima de qualquer lei. Com seu ensinamento, Jesus prega também a libertação da servidão religiosa.
"Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos."
Jesus dirige-se à beira-mar, símbolo de abertura ao mundo pagão, e ensina à multidão que se aglomera em volta dele. Nessas andanças, o Mestre convida Levi (Mateus) para fazer parte do seu grupo. Por ser cobrador de impostos, Levi não é bem-visto pela instituição religiosa judaica. Em seguida, Jesus partilha o banquete com cobradores de impostos e pecadores, revelando com isso o sentido de sua missão: todos são chamados a participar do banquete no seu Reino. Apesar da crítica dos doutores da Lei, Jesus se relaciona e faz refeição com pecadores, doentes e marginalizados. São esses que mais precisam da intervenção salvífica do Filho de Deus. Com suas atitudes, Jesus revela um Deus misericordioso e próximo de cada pessoa, principalmente dos doentes e dos desprezados pela sociedade. Não veio para os justos, mas para os pecadores.
O que é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’?
A atividade incansável de Jesus continua. Um leproso (hanseniano) se aproxima e reconhece que o Mestre tem o poder de curá-lo. Sem se preocupar com a lei mosaica segundo a qual o contato com um leproso tornava a pessoa impura, Jesus estende a mão, toca nele e o cura. Apesar da ordem de Jesus, o beneficiado não consegue conter-se e espalha a notícia. A lepra era uma doença que obrigava o doente a viver afastado da sociedade. Muitas vezes essa lepra era apenas alguma doença da pele. Provavelmente a ira de Jesus seja contra as pessoas e as estruturas que discriminam e marginalizam as pessoas. Os gestos de Jesus são sempre no sentido de devolver dignidade às pessoas. O discípulo de Jesus só será fiel se estiver disposto a superar os preconceitos e discriminações que impedem de se aproximar do próximo carente e realizar gestos de compaixão.
Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.
Constituído o grupo dos primeiros discípulos, Jesus, num dia de sábado, vai à sinagoga de Cafarnaum, onde realiza o primeiro gesto concreto segundo o Evangelho de Marcos. Na sinagoga, espaço oficial do sistema judaico, o Mestre ensina com autoridade e os ouvintes se admiram com seu ensinamento. Sua autoridade é de origem divina, não legalista como a dos doutores da lei. Na sinagoga se defronta com um “homem com um espírito impuro”. Esse homem conhece quem é Jesus e o interroga: o que queres de nós? Ao usar o “nós”, dá a entender que é um grupo que resiste contra o ensinamento de Jesus. Este, porém, se impõe e consegue libertá-lo do seu fanatismo, convidando-o a repensar sua posição. O Mestre provoca admiração com seu ensinamento e sua ação, porque há coerência entre sua palavra e seu viver. O projeto de Jesus nem sempre encontra acolhida.
E, passando à beira do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
Os discípulos de João Batista ficam sabendo que Jesus estava batizando na região da Judeia. Apreensivos, talvez enciumados, relatam o fato a João. O Batista esclarece a situação. Não havia nenhuma rivalidade entre os dois, Jesus e João, nem interferência indevida em campo alheio. João tinha consciência de ter feito a sua parte como precursor do Messias. Agora, Jesus assume a parte que lhe cabe: inaugurar o Reino de Deus. Era justamente o que João esperava e para isso havia preparado o povo. Em vez de ficar chateado, João exulta de alegria. Alegria, porque se sente feliz por colaborar no projeto de Deus. Já não há necessidade do batismo de João, uma vez que Jesus está presente e atuante no meio do povo. Com humildade, João vai deixando espaço para a atividade de Jesus. Muitos de nós iniciamos nossas tarefas com uma compreensão clara de nossos papéis. Mas, ao longo do caminho, nós mudamos de alguma forma, mudamos de direção, e aspiramos por papéis novos e “mais altos”. E assim, de meros “atores coadjuvantes”, agarramos os holofotes e nos apresentamos como os “protagonistas”. Aprendamos com o ensinamento de João Batista: “É preciso que ele cresça e eu diminua”.
“Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fica purificado”
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