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Este é o prólogo do Evangelho segundo João. É uma composição literária destinada a oferecer uma síntese sobre o protagonista (Jesus Cristo), que ocupará as páginas de todo o quarto Evangelho. Jesus Cristo é a Palavra que vem de junto de Deus. O próprio Jesus afirmava: “Eu saí de junto do Pai e vim ao mundo” (Jo 16,28). Pois bem, a Palavra eterna do Pai, na “plenitude do tempo” (Gl 4,4), vem ao mundo na condição humana: “A Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós”. Sua vinda é precedida por João Batista, que dava testemunho da “luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todos os seres humanos”. Jesus nos revela os planos do Pai e dá o poder de se tornarem filhos de Deus a todos os que acreditarem em seu nome. O Filho único do Pai espera de nós uma resposta de amor.
“Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura”.
O Evangelho conclui dizendo que a mão do Senhor estava com aquele menino que acabara de nascer. Nesse relato, tudo transpira esperança e alegria. O menino que nasceu recebe o nome de João, pois Deus, por meio dele, anunciará sua misericórdia. A boca de Zacarias se abre, sua língua se solta, e ele proclama a Boa Notícia e louva a Deus. A vizinhança se pergunta: o que será desse menino? Tudo gira em torno dessa família que acolhe seu primeiro filho, apesar da idade avançada dos pais. A chegada de João Batista marca a aurora de uma nova era: a passagem do tempo de espera para o tempo de realização das promessas divinas em favor do seu povo. O nascimento de uma criança sempre deveria ser motivo de alegria, pois ela é dom de Deus e com ela a humanidade continua se renovando.
“A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor."
Duas mulheres grávidas se encontram: a jovem Maria se dirige apressadamente para visitar e auxiliar a anciã Isabel. O caminho percorrido por Maria é o mesmo percorrido pela arca da aliança, quando Davi resolve introduzi-la no templo de Jerusalém. A arca é símbolo da presença de Deus; Maria é a arca da nova aliança, carregando em seu seio o Filho de Deus. O encontro dessas duas mulheres provoca grande alegria, contagiando até os frutos que carregam em seu ventre. Isabel exulta e proclama Maria bendita entre as mulheres. É a alegria do encontro de mulheres benditas que se auxiliam e partilham felicidades e ajuda mútua. Todo aquele que se deixa engravidar pelo Espírito de Deus caminha de coração alegre e de ânimo aberto, mesmo quando os caminhos não são muito favoráveis.
Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
Depois de apresentar a genealogia de Jesus, o Evangelho de Mateus anuncia a gravidez de Maria. Ao constatar que sua futura esposa estava gestante, José fica em dúvida sobre como agir diante disso, mas o anjo do Senhor lhe esclarece tudo o que está acontecendo com ela. José, homem justo, aceita a revelação do anjo e acolhe Maria. Jesus vem a nós pela ação do Espírito de Deus e a acolhida do ser humano. Deus age, mas espera a abertura da pessoa para acolher sua proposta. Para que essa ação de Deus se concretize, é necessário que as três personagens entrem em harmonia: o Espírito Santo, que gera, Maria, que dá à luz, e José, que dá o nome ao filho que vai nascer. Com isso, o milagre da vida acontece. Precisamos nos deixar engravidar pelo Espírito de Deus e assim gerar o projeto de Jesus.
Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo.
Depois que os mensageiros de João Batista tiveram a resposta de quem é o Messias, Jesus questiona as multidões a respeito de seu precursor. Quem é ele? Não é um caniço que se dobra conforme os interesses e que se inclina diante dos poderosos; não vive no luxo nem é um corrupto que busca privilégios, pois leva no deserto uma vida simples e austera. Por isso, ele é muito querido e estimado pelo povo, mas rejeitado pelos bem-instalados. O elogio de Jesus a João é uma contestação à sociedade moderna, a qual busca privilégios, mordomias e prazer desenfreados. Sim, João é um dos maiores profetas, pois anunciou a chegada do Messias e o mostrou para as multidões. Ainda mais, é o maior entre os nascidos de mulher, mas o menor no Reino é maior do que ele. Isso significa que os pequenos do Reino são grandes diante de Deus.
“Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a boa nova é anunciada aos pobres.”
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