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Com a parábola dos dois filhos, o Mestre provoca as autoridades sacerdotais e anciãos, os que se consideram fiéis cumpridores da Lei. Dois filhos são convidados a trabalhar na vinha: um diz que não vai, mas acaba indo; o outro diz sim, mas não vai. Interrogados a respeito de quem cumpriu a vontade do pai, as autoridades respondem que foi o primeiro. Com essa parábola, Jesus desmascara a hipocrisia daqueles que tanto exigem do povo, mas não conseguem cumprir a justiça. Os grupos dos marginalizados, que acolhem os apelos de conversão, precederão no Reino de Deus muitos daqueles que se consideram “pessoas de bem”. Nem sempre as palavras coincidem com a prática. Para o Mestre, o importante é a prática. São as ações concretas de justiça, solidariedade, fraternidade e amor que têm peso diante de Deus.
Enquanto Jesus ensinava, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se dele e perguntaram: “Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu tal autoridade?”
Descendo da montanha após a transfiguração, onde foi revelado o rosto do Messias de Deus, os discípulos interrogam Jesus a respeito da conversa sobre o retorno de Elias. Jesus responde que este já veio e virá de novo na figura de outros profetas. Elias foi reconhecido como um dos grandes profetas não escritores de Israel. Como tantos outros profetas, Elias, denunciando e combatendo a idolatria, foi rejeitado e perseguido, assim como aconteceu com João Batista e com o próprio Jesus. Todos aqueles que se propõem a segui-lo e assumir sua missão estarão sujeitos à perseguição. Os autênticos profetas do Deus de Jesus, de todos os tempos, podem sofrer o mesmo destino do Mestre, mas não temem encarar os desafios do seu projeto, pois sabem que serão levantados pelo poder de Deus.
“Com quem vou comparar esta geração? São como crianças sentadas nas praças, que gritam para os colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!’"
Jesus elogia João Batista por sua grandeza e importância na dinâmica da história da salvação. A missão de João é proclamar o fim do tempo de espera e apontar o início de uma nova era. Ele é aquele que anuncia a chegada do Salvador da humanidade, Jesus Cristo, e prepara o povo para acolhê-lo. João é considerado o “maior dos nascidos de mulher. No entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele”. Jesus já proclamou que o Reino de Deus pertence aos pobres e pequeninos, mas eles serão maiores que João no Reino. O menor aqui se torna o maior no Reino. O Reino do céu sempre enfrentou resistência e violência, mas são justamente os corajosos e valentes que o conquistarão: os que lutam contra os “demônios”, os poderes, as doenças, as injustiças e as mortes.
"Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
Nessa parábola da ovelha perdida, Jesus revela o verdadeiro rosto de Deus: um Pai que não se conforma com a perda de qualquer filho ou filha, por insignificante ou menor que possa parecer. Deixar as 99 ovelhas para ir ao encontro de uma que se perdeu revela a solicitude do pastor que não admite perder nenhuma ovelha. Jesus encarnou essa face do Pai, indo pessoalmente em busca dos pecadores, doentes, pobres e abandonados, os privilegiados de Deus. A lição de Jesus é dirigida à comunidade e, por que não, à sociedade: a primeira preocupação deve ser dada ao próximo abandonado e desprezado. O verdadeiro discípulo de Jesus não se conforma com a realidade de miséria e abandono em que muitos de nossos irmãos e irmãs se encontram e faz o que estiver ao seu alcance para recuperá-los para a vida.
Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”.
Jesus continua seu trajeto missionário, proclamando a Boa Notícia do Reino. Vendo a situação do povo doente, angustiado e abandonado, teve compaixão. Diante de tantas necessidades do povo, Jesus reconhece que sozinho não consegue dar conta; por isso, chama homens e mulheres disponíveis e generosos que o auxiliem na missão. Vendo a situação de abandono do povo, Jesus “encheu-se de compaixão”. O seguidor de Jesus precisa ter um olhar semelhante ao dele: olhar para os pobres e abandonados, os verdadeiros destinatários do Evangelho. Seguindo o Mestre, aprendemos dele a olhar as multidões, abrir-nos aos outros. O centro de nossa missão é o outro, sobretudo as multidões que andam como ovelhas sem pastor. Enquanto discípulos, aprendemos com o Mestre, mas precisamos ir além, ser apóstolos, ou seja, enviados em missão.
Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?”
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