Na edição desta quinta-feira (9) do podcast Os Novos Cientistas, a conversa foi com antropólogo Bruno Ribeiro da Silva Pereira, autor de um estudo de doutorado que analisou parte da trajetória artística de Henrique Felippe da Costa, o Henricão. Natural da cidade de Itapira, no interior de São Paulo, o artista percorreu caminhos desde o samba e futebol até o teatro, entre São Paulo e Rio de Janeiro, e foi o primeiro Rei Momo negro do carnaval de São Paulo em 1984.
De acordo com o antropólogo, a pesquisa desenvolvida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP permite desvendar faces de um Brasil em modernização, principalmente ao se analisar as áreas em que Henricão atuou, nas décadas de 1930, 1940 e 1950, período analisado no estudo. A pesquisa intitulada Quadros e coleções de um artista em trânsito: Henricão e as faces do Brasil moderno nas décadas de 1930, 1940 e 1950, teve a orientação da professora Fernanda Arêas Peixoto. “Henricão, apesar de atuar em diversas áreas, teve boa parte de sua trajetória marcada pela coadjuvância”, disse o antropólogo.
O interesse de Bruno pela cultura popular surgiu no mestrado quando teve acesso a temáticas que lhe permitiram relacionar o samba com a cidade. “Naquele momento analisei a relação entre as reformas urbanas na administração de Prestes Maia, nos anos 1930 e 1940, com as práticas das escolas de samba paulistanas”, contou. Em seu doutorado, Bruno seguiu pelo mesmo caminho, quando se deparou com um vídeo de Henrique Felippe da Costa exibido no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. O pesquisador lembrou que Henricão, que nasceu em 1908, em Itapira, no interior do estado, era filho de pais escravizados. “Os trinta anos da trajetória de Henricão analisados no estudo nos ajudam a entender o Brasil e parte da trajetória da população negra paulistana”, avaliou o antropólogo
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