O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que cabe ao governo federal planejar e executar campanhas de vacinação no país, informou a Folha (https://bit.ly/33VVlqH). O pronunciamento foi uma resposta ao governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que prometeu começar a imunizar os paulista ainda em janeiro. Em reunião com governadores, Pazuello disse que a Anvisa precisará de um prazo de até 60 dias para liberar vacinas da covid-19 no país. A declaração levou a uma troca de farpas entre ele e Doria. O tucano levantou suspeitas sobre a seletividade do Planalto, que cancelou um acordo de intenção de compra da vacina chinesa Coronavac, em testes no Instituo Butantã. Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) adotou o mesmo discurso, insinuando que Doria estaria fazendo uso político da questão. Pazuello, por outro lado, disse que o ministério segue critérios técnicos. O mesmo ministério mantém a hidroxicloroquina como um dos medicamentos de combate à doença, mesmo sem comprovação de eficácia.
O encontro de Pazuello com governadores, ontem, serviu para pressionar o Planalto por respostas sobre o planejamento para a campanha nacional de imunização. Muitos gestores temem a possibilidade dos paulistas sairem na frente. O ministro prometeu que toda vacina aprovada pela Anvisa será adquirida e utilizada pelo governo, mas apenas depois de avaliação da necessidade e do preço das doses.
O governo federal já tem acordos com AstraZeneca, Covax Facility e anunciou também um termo de intenção de compra com a Pfizer. Ao todo, seriam 370 milhões doses a serem entregues ao longo de 2021.
Ao final do encontro, governadores citaram o possível uso de uma lei aprovada durante a pandemia que permite o uso emergencial de imunizastes já aprovados nos Estados Unidos, União Europeia, Japão ou China.
Está previsto para hoje (12h) o anúncio de novos detalhes sobre o Plano Nacional de Imunização do governo.
A escalada da polarização política em torno da pandemia acontece no momento em que casos e mortes seguem em tendência de alta. O Brasil registrou a maior média móvel de mortes pela covid-19 desde o início de outubro. Foram 617 óbitos, resultado 31% maior do que o de 14 dias atrás, informa o G1 (https://glo.bo/3mYfnsd). A média de infectados em sete dias também avançou 31% e está em 47.850. Os números são do consórcio de veículos de imprensa.