Podcast da Raphus Press

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Podcast da Raphus Press episodes

  • Três variações sobre a peste

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    Episódio XXXV - Três variações sobre a peste 

    “Quantos homens valentes, quantas damas justas, não tomam seu café da manhã com parentes e na mesma noite jantam com seus ancestrais no outro mundo! A condição do povo era lamentável de se ver. Todos os dias adoeciam aos milhares e morriam sem assistência e sem ajuda. Muitos morriam em plena rua, outros em suas casas, algo que só se tornava conhecido por conta do cheiro de seus corpos apodrecidos. Os pátios das igrejas consagradas não bastavam para o enterro dessa vasta multidão de cadáveres, que eram amontoados às centenas em vastas trincheiras, como mercadorias em navios, cobertos com um pouco de terra.”

    (Giovanni Bocaccio)

    Trigésimo quinto episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Diante desses tempos ferozes e terríveis de epidemia, a leitura de obras que escapam mesmo do campo alegórico (que mobiliza tanto a visão fantástica de um Edgar Allan Poe quanto o realismo de um Albert Camus), através de sínteses inusitadas, pode ser um exercício interessante. Assim, apresentamos três contos de autores bem distintos (Marcel Schwob, Jack London, Eric Stener Carlson) que justamente lidam com estigmas sociais e o peso medonho e aniquilador da doença (especialmente quando epidêmica) na vida de cada um; trata-se desse sinal indefectível, pela quebra de tabus poderosos, que mesmo o ser humano, do alto de sua consciência, pode ter sua civilização, sua liberdade e sua cultura reduzidos a pó pela ação de um microorganismo insidioso.

    Indicações bibliográficas:

    - London, Jack. Relatos de los Mares del Sur. Madrid: Alianza Editorial, 2008 (https://www.alianzaeditorial.es/libro/bibliotecas-de-autor/relatos-de-los-mares-del-sur-jack-london-9788420665528/).

    - Nestarez, Oscar. “A máscara da morte rubra”: confinamento e loucura em Edgar Allan Poe. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/04/mascara-da-morte-rubra-confinamento-e-loucura-em-edgar-allan-poe.html.

    - Sontag, Susan. Doença como metáfora/AIDS e suas metáforas. São Paulo: Companhia das Letras, 2007 (https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=80052). 

    - Schwob, Marcel. A cidade adormecida e outros contos fantásticos. São Pedro de Alcântara (SC): Edições Nepheliba, 2011 (https://edicoesnephelibata.blogspot.com/p/marcel-schwob.html).

    - O conto La Gloria de Eric Stener Carlson estará na próxima edição da revista Infra-Noir, a qual edito (ao lado de Jonathan Wood e Jonas Ploeger). Ela pode ser adquirida no link a seguir (preço apenas para cobrir custos de frete): https://www.zagava.de/infra-noir/infra-noir-141.

    E não se esqueça de colaborar com o projeto de “Presunção, ou A Sina de Frankenstein”, já disponível na plataforma Catarse: https://www.catarse.me/frankenstein.

    Música: “Homenaje pour le tombeau de Debussy”, de Manuel de Falla, executado por Aitua (via http://freemusicarchive.org/).

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    27 min
  • O calvário do homem artificial – Da fábrica humana ao homem máquina (Parte 2)

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    Episódio XXXIV - O calvário do homem artificial – Da fábrica humana ao homem máquina (Parte 2)

    “(…) e julguemos que o corpo de um homem vivo difere do de um morto como um relógio, ou outro autômato (isto é, outra máquina que se mova por si mesma), quando está montado e tem em si o princípio corporal dos movimentos para os quais foi instituído, com tudo o que se requer para a sua ação, difere do mesmo relógio, ou outra máquina, quando está quebrado e o princípio de seu movimento para de agir.”

    (“As paixões da alma”, de René Descartes)

    Trigésimo quarto episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Em nossa senda atrás dos vestígios e rastros mais insólitos do “Frankenstein” de Mary Shelley (e de suas adaptações e interpretações, como a extraordinária peça “Presunção, ou a Sina de Frankenstein” de Richard Brinsley Peake), entramos na seara (por vezes tão árida) da filosofia. E é nela que há um confronto essencial, acionado metodologicamente pelas tétricas e impressionantes gravuras de Vesalius, no pensamento transcendental de Descartes e no mecanicismo impressionante de Julien Offray de La Mettrie e seu “homem máquina”: o conflito entre mente e corpo, entre espírito e matéria, entre corpo vivo e corpo morto.

    Indicações bibliográficas:

    - Guinsburg, J.; Romano, Roberto; Cunha, Newton (orgs.). Descartes: Obras Escolhidas. São Paulo: Perspectiva, 2010 (http://www.editoraperspectiva.com.br/index.php?apg=detalhe&idc=930&uid=10202017043630155064249066).

    - La Mettrie, Julien Offray. O homem máquina. Lisboa: Estampa, 1982.

    - Ruston, Sharon. The Science of Life and Death in Mary Shelley’s Frankenstein. Disponível em: https://publicdomainreview.org/essay/the-science-of-life-and-death-in-mary-shelleys-frankenstein.

    - Vesalius, Andreas [de Bruxelas]. De Humani Corporis Fabrica. São Paulo/Campinas: Ateliê Editorial/Ed. Unicamp/Imprensa Oficial, 2003.

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    34 min
  • O fantástico mórbido (parte 2) – “Metrópolis”, de Thea von Harbou

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    Episódio XXXIII - O fantástico mórbido (parte 2) – “Metrópolis”, de Thea von Harbou

    “Os homens estão de pé no meio das praças

    Olham nos céus os sinais portentosos,

    E os cometas, com fogo nas asas,

    Rondam torres dentadas, ominosos”

    (“Umbra Vitae”, de Georg Heym)

    Trigésimo terceiro episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Era para ser uma breve interrupção na série sobre “Frankenstein”, esses espantoso mito moderno. Mas não conseguimos: ao tratar de “Metrópolis”, de Thea von Harbou e de sua estética, que propomos definir como “fantástico mórbido”, percebemos que tal obra, ao rechaçar a mistura como degradação e exaltar o martírio como purificação sagrada mesmo quando ele é apenas um efeito de suspense, descobrimos nele, no romance da autor alemã, o “Anti-Frankenstein”.

    Indicações bibliográficas:

    - Barrento, João (org.). A alma e o caos: 100 poemas expressionistas. Lisboa: Relógio D’Água Editores, 2001.

    - Harbou, Thea von. Metrópolis. São Paulo: Aleph, 2019 (https://www.editoraaleph.com.br/metropolis/p).

    - Merkel, Ulrich (org.). Teatro e Política: poesias e peças do expressionismo alemão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

    - Nazario, Luiz (org.). A cidade imaginária. São Paulo: Perspectiva, 2005 (http://www.editoraperspectiva.com.br/index.php?apg=detalhe&idc=757&uid=07272017115805087064249066).

    - Stenbock, Eric (Count). Of Kings and Things. London: Strange Attractor Press, 2018 (http://strangeattractor.co.uk/shoppe/of-kings-and-things/).

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    37 min
  • O calvário do homem artificial – O golem (parte 1)

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    Episódio XXXII - O calvário do homem artificial – O golem (parte 1)

    “Ora, se todas as criaturas do mundo se reunissem para criar um mosquito e colocar uma alma nele, elas não teriam sucesso! Assim como o homem não pode criar esse mosquito, os demônios, de acordo com outra tradição, não conseguem produzir nada maior que um grão de cevada. Mas aqueles eram a favor da interpretação taumatúrgica do Livro de Yetsirah e acreditavam que um homem ou um golem poderia ser criado com tal auxílio.”

    (Gershom Scholem)

    Trigésimo segundo episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Damos início a uma série com 3 episódios tratando de temas que circundam “Frankenstein” de Mary Shelley e as significativas ressonâncias que tal romance e suas contínuas reconfigurações tiveram na cultura. Aqui, tratamos da ideia de golem, central na composição não só da criatura original de Shelley, mas de adaptações como a primeira peça teatral inspirada nesse romance, “Presunção, ou A Sina de Frankenstein” de Richard Brinsley Peake.

    Indicações bibliográficas:

    - Condous, Andrew. Golem of Bucharest: Cryptadia. Bucharest: L’Homme Recent, 2015.

    - Nazario, Luiz; Nascimento, Lyslei (orgs.). Os fazedores de golems. Belo Horizonte: Programa de Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários da FALE/UFMG, 2004.

    - Singer, Isaac Bashevis. O golem. São Paulo: Perspectiva, 2010 (http://www.editoraperspectiva.com.br/index.php?apg=detalhe&idc=222&uid=12262017000346151064249066).

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    22 min
  • De conhecedores a colecionadores

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    Episódio XXXI - De conhecedores a colecionadores

    "Nada supera a beleza de conhecer tudo."

    (Athanasius Kircher)

    Trigésimo primeiro episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    O campo da cultura é um verdadeiro continente – e há muita complexidade em seus desdobramentos que infelizmente, acaba se perdendo especialmente tendo em vista as tradições de discussão cultural no Brasil, sempre em busca de alguma homologação. Mas há regiões cinzentas, dominadas por marginais cujas intuições poderosas impulsionam todas as outras reflexões. Esse é o caso dos conhecedores e colecionadores, como o brilhante ensaísta Chris Mikul, tema deste episódio.

    Indicações bibliográficas:

    - Findlen, Paula (org.). Athanasius Kircher: The Last Man to Know Everything. New York and London: Routledge, 2004 (https://books.google.com.br/books/about/Athanasius_Kircher.html?id=C0iGO0Hr95UC&redir_esc=y).

    - Os periódicos (zines, de fato) editados por Chris Mikul, Bizarrism e Biblio-Curiosa, podem ser adquiridos diretamente com o autor. No post a seguir, informações mais completas a respeito disso: http://wormwoodiana.blogspot.com/2020/02/a-new-issue-of-biblio-curiosa.html.

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    15 min
  • O horror cósmico em versos

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    Episódio XXX - O horror cósmico em versos

    "Vestido de hidrogênio incandescente,

    Vaguei um século, improficuamente,
    Pelas monotonias siderais…

    Subi talvez às máximas alturas,

    Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
    É necessário que inda eu suba mais!”

    (“Solilóquio de um Visionário”, de Augusto dos Anjos)

    Trigésimo episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Aparentemente inadequada como meio/canal/catalisador de horrores sensoriais por conta de sua natureza subjetiva, a poesia lírica pode, sim, ter no horror cósmico não apenas uma inspiração temática, mas sua própria razão de ser. E é isso que investigamos no programa desta semana, ao mesmo tempo que anunciamos a próxima campanha de financiamento coletivo da Raphus Press, o livro de poesia terroríficas “Incantations” ou “Sortilégios” de Wade German.

    Indicações bibliográficas:

    - Anjos, Augusto dos. EU. São Paulo: Attar Editorial, 2015 (https://www.attareditorial.com/product-page/eu).

    - German, Wade. Dreams from a Black Nebula. New York: Hippocampus Press, 2014 (https://www.hippocampuspress.com/mythos-and-other-authors/poetry/dreams-from-a-black-nebula-by-wade-german).

    - Lovecraft, H. P. Desespero [Poemas]. Desterro (SC): Edições Nephelibata, 2018 (https://edicoesnephelibata.blogspot.com/p/howard-phillips-lovecraft.html).

    - Lovecraft, H. P. Os fungos de Yuggoth. Desterro (SC): Edições Nephelibata, 2011 (https://edicoesnephelibata.blogspot.com/p/howard-phillips-lovecraft.html).

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    24 min
  • As astúcias do passado (a persistência da tragédia e da poesia épica)

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    Episódio XXIX - As astúcias do passado (a persistência da tragédia e da poesia épica)

    “[...] a divindade, que falava por sua boca (de Eurípedes), não era Dionísio, tampouco Apolo, porém um demônio de recentíssimo nascimento, chamado Sócrates. Eis a nova contradição: o dionisíaco e o socrático, e por causa dela a obra de arte da tragédia grega foi abaixo.”

    (“O nascimento da tragédia”, de Friedrich Nietzsche)

    Vigésimo nono episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    A sobrevivência dos poderosos elementos de uma cultura, de uma produção poético-literária do passado costumam situar-se no terreno do pitoresco. Ao buscar as fontes de um passado próximo ou remoto, a tendência é a transformação de tal busca em um espetáculo muito próximo às atrações da Disneylândia. Mas ainda é possível recuperar algo desse passado sem esse foco centrado no exotismo para recuperar o passado como algo ainda extraordinário – e esse é o caso de de “Aornos” de Avalon Brantley e “Astronautilia/Hvězdoplavba” de Jan Křesadlo.

    Indicações bibliográficas:

    - Brantley, Avalon. Adornos. Düsseldorf: Zagava, 2019 (https://www.zagava.de/shop/aornos?edition=19&versions=0).

    - Condous, Andrew. Cosmic Odyssey. In: Booklore: A Passion for Books. Düsseldorf: Zagava, 2016 (https://www.zagava.de/shop/booklore?edition=8&versions=0).

    - Křesadlo, Jan. Astronautilia/Hvězdoplavba. Praha: Ivo Železný, 1995.

    - Steiner, George. A morte da tragédia. São Paulo: Perspectiva, 2006.

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    34 min
  • De anátemas, cancelamentos e expurgos

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    Episódio XXVIII - De anátemas, cancelamentos e expurgos

    “Satanás, ao contrário, é magro, ascético, um devoto fanático da lógica. Ele lê Maquiavel, Inácio de Loyola, Marx, Hegel; ele é frio e impiedoso para a humanidade, embora preze certa misericórdia matemática. Ele é condenado sempre a fazer o que é mais repugnante para si mesmo: tornar-se um açougueiro, a fim de abolir o abate, sacrificar cordeiros para que não sejam mais abatidos, usar o açoite nas pessoas para que aprendam a não serem vítimas de açoitamentos, despojar-se de todos os escrúpulos em nome de uma escrupulosidade mais elevada e desafiar o ódio da humanidade por causa de seu amor por ela – um amor abstrato e geométrico.”

    (“O zero e o infinito”, de Arthur Koestler)

    Vigésimo oitavo episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Uma das tarefas usuais da crítica cultural é redimensionar tanto a metodologia de leitura de determinados textos quanto seu, por assim dizer, sentido dominante, a leitura interpretativa a ser seguida. Nos últimos tempos, tal tarefa confundiu-se com outra, insidiosa – lançar anátemas, anular criações e relegar obras ao esquecimento utilizando algum moralismo, direto ou sub-reptício, como base, ideologia ou motivação.

    Indicações bibliográficas:

    - Fallada, Hans. Alone in Berlin. London: Penguin, 2009.

    - Pauvert, Jean-Jaques. La Traversée du livre : Mémoires. Paris: Viviane Hamy, 2004.

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    35 min
  • Mares selvagens do imaginário (o “efeito Chernobyl” e a imaginação catastrófica)

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    E colabore (pelos menos, divulgue) com nosso novo projeto no Catarse: https://www.catarse.me/mater_e_restos_de_sombra.

    Episódio XXVII - Mares selvagens do imaginário (o “efeito Chernobyl” e a imaginação catastrófica)

    “O quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que havia caído do céu sobre a terra. À estrela foi dada a chave do poço do Abismo. Quando ela abriu o Abismo, subiu dele fumaça como a de uma gigantesca fornalha. O sol e o céu escureceram com a fumaça que saía do Abismo. Da fumaça saíram gafanhotos que vieram sobre a terra, e lhes foi dado poder como o dos escorpiões da terra.”

    (“Apocalipse”, de João de Patmos)

    Vigésimo sétimo episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    Nos mares do imaginário, a memória é nosso mapa, nosso norte – os eventos passados, configurados pela ficção, registrados pela história ou ambos são os indícios que empregamos para reconfigurar as formas inesperadas que surgem subitamente. Mas há regiões inóspitas nesse mar, nas quais as formas desafiam esse enquadramento automático, instintivo, essencial para nossa sobrevivência. Os “liquidadores” de Chernobyl, e o próprio acidente (depois replicado em Fukushima, demonstrando que esse é um caminho seguro para a extinção da vida no planeta) em si, resistem à normatização usual e ganham uma evocação menos esquemática apenas em produções marginais.

    Indicações bibliográficas:

    - Christin, Pierre; Bilal, Enki. Le Sarcophage. Paris: Dargaud, 2000 (https://www.dargaud.com/bd/Correspondances-de-Pierre-Christin-Les/Correspondances-de-Pierre-Christin-Les/Correspondances-de-Pierre-Christin-Les-tome-7-Sarcophage-Le).

    - Simonson, Louise; Simonson, Walt; Muth, Jon J.; Williams, Kent. Havok & Wolverine: Meltdown. Disponível em versão digital, em inglês, aqui: https://www.comixology.com/Havok-Wolverine-Meltdown/digital-comic/772914?ref=c2VyaWVzL3ZpZXcvZGVza3RvcC9ncmlkTGlzdC9Db2xsZWN0ZWRFZGl0aW9ucw.

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    30 min
  • As sombras da narrativa cíclica

    “Devemos imaginar a transformação das formas épicas segundo ritmos comparáveis aos que presidiram à transformação da crosta terrestre no decorrer dos milênios. Poucas formas de comunicação humana evoluíram mais lentamente e se extinguiram mais lentamente. O romance, cujos primórdios remontam à Antiguidade, precisou de centenas de anos para encontrar na burguesia ascendente, os elementos favoráveis a seu florescimento. Quando esses elementos surgiram, a narrativa começou pouco a pouco a tornar-se arcaica; sem dúvida, ela se apropriou de múltiplas formas, do novo conteúdo, mas não foi determinada verdadeiramente por ele.”

    (“O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov”, de Walter Benjamin)

    Vigésimo sexto episódio do Podcast da editora Raphus Press:

    No longo e árduo caminho do desenvolvimento das formas narrativas, é necessário abrir um espaço de respeito para o fenômeno usualmente denominado "Nouveau Roman" – embora talvez, por justiça, fosse possível imaginar uma nota de rodapé para ele. Ou fingir que não existiu; isso tudo por conta da posição radical que os luminares de tal movimento, uma vez que chegaram a negar a possibilidade da própria narrativa fora do espectro de ideologia burguesa. Para ancorar tal negação, construíram um intrincado labirinto cíclico que, talvez, não tenha atingido o limite de suas possibilidades, mas ainda sobrevive nas melhores obras de Alain Robbe-Grillet, de Jean Ricardou, de Nathalie Sarraute e de autores atuais, fortemente influenciados pelo movimento, como Damian Murphy e Thomas Phillips ou, de uma forma brilhante e original, Brian Evenson com seu extraordinário "Mother/Mater", disponível através de nossa nova campanha do Catarse.

    Indicações bibliográficas:

    - Last Year at Marienbad. Dir: Alan Resnais. A hoje rara, esgotada, edição da Criteriom Collection foi consultada para este podcast – não apenas of filme, mas os excelentes extras que o acompanham: https://www.criterion.com/films/1517-last-year-at-marienbad.

    - Phillips, Thomas; Miguel, Alcebiades Diniz. Interiors. São Paulo: Raphus Press, 2019 (http://raphuspress.weebly.com/interiors.html).

    - Ricardou, Jean. La Prise de Constantinople. Paris: Les Éditions de Minuit, 1965 (esse livro ficou fora de catálogo por muitos anos, mas foi relançado recentemente como parte da obra completa do autor: https://jeanricardou.org/collection-lintegrale/tome-2/).

    - Robbe-Grillet, Alain. O ano passado em Marienbad. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

    Música: “Homenaje pour le tombeau de Debussy”, de Manuel de Falla, executado por Aitua (via http://freemusicarchive.org/).

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    27 min

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