A transição energética não pode eliminar por completo as fontes fósseis e substituí-las pelas renováveis. Essa é a avaliação de Fernando Luiz Zancan, presidente da ABCM (Associação Brasileira de Carvão Mineral). Segundo ele, o foco deve ser a descarbonização do setor, com a adoção de tecnologias que zerem as emissões líquidas de CO2.
Segundo dados mais recentes do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), as usinas a carvão mineral representam só 1,7% de toda a capacidade instalada do setor elétrico no Brasil. O percentual corresponde a uma potência total de 3 GW. Para se ter uma ideia dos números, as usinas hidrelétricas, principal fonte no país, têm 108,9 GW, que equivalem a 62% da capacidade instalada.
A pequena participação da geração carbonífera, porém, é importante para determinadas regiões do país, principalmente no Sul. No entanto, como o Brasil, assim como outros países, precisa cumprir as metas para anular a emissão de gases de efeito estufa, é grande a pressão, de diversos setores, para a gradual extinção de fontes mais poluentes, como o carvão.
Zancan afirma, porém, que a defesa pela completa substituição das fontes fósseis pelas renováveis é um equívoco do ponto de vista técnico porque usinas térmicas, movidas a carvão e a gás natural, por exemplo, são as responsáveis por manter a chamada confiabilidade do setor elétrico, uma vez que as fontes eólica e solar são intermitentes, ou seja, incapazes de fornecer energia a qualquer momento do dia.
“E a energia térmica a carvão mineral é importante no momento em que há necessidade de preservar reservatórios. O ONS fala que só o Complexo Jorge Lacerda [em Santa Catarina], que tem 857 MW de potência ‘segura’ 5,1% dos reservatórios. Isso fica claro em momentos de crise hídrica, quando as térmicas entram para manter a água nos reservatórios“, disse Zancan.