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Na surdina, mais de 300 deputados votaram um projeto inconstitucional, inspirado pelo ex-deputado Eduardo Cunha, que pune com 2 e 4 anos de prisão quem os criticar ou emitir opinião mesmo aos condenados em segunda instância. Em semana movimentada em Brasília, só tiveram concorrência na operação da Polícia Federal contra o senador Marcos Do Val (Podemos-ES). O governo acossado trabalha mal internamente.
O argumento central da oposição ao projeto de lei de regulamentação das redes sociais é o de que ele institucionaliza a censura na Internet. Com essa fake news, grandes plataformas se aliaram principalmente à bancada bolsonarista - mas não só -, com o objetivo de continuar com licença para delinquir nas campanhas municipais de 2024.
O Supremo Tribunal Federal corre em sentido contrário e julga o Marco Civil da Internet no próximo 17 de maio, com o propósito de impedir a reprodução da campanha presidencial de 2018.
A queda do ministro do GSI, general Gonçalves Dias, frustra a expectativa do retorno de uma rotina legislativa focada no debate político e econômico, criada a partir das novas regras fiscais. O governo e o país terão de conviver com uma CPMI provocada para produzir uma versão fake dos atentados de 8 de janeiro.
A formação de um novo bloco partidário, o segundo em um espaço inferior a um mês, a um só tempo isola o bolsonarismo, fortalece Lira na condução de sua sucessão e no embate com o Senado e arrasta o governo para a aliança ao centro e à direita que tem no PT uma histórica e pesada âncora.
Enquanto Trump e Bolsonaro se explicam na Justiça, o Brasil vira espelho de um tipo de violência que só conhecia à distância: os massacres em escolas e creches. Uma anomalia Made in EUA importada pela doutrina miliciana.
Presidentes da Câmara dos Deputados são sempre fortes, mesmo quando politicamente medianos, porque a força é do cargo. O atual ocupante do cargo, Arthur Lira, no entanto, acumulou superpoderes em período excepcional do país – com a pandemia e chegada do centrão ao governo.
Agora, vê desidratar esse patrimônio político e reduzir seu teto.
Sofreu três revezes consecutivos: não conseguiu emplacar a federação do PP, União Brasil e PL, viu nascer um bloco de 142 deputados do MDB, PSD, Republicanos e Podemos e perdeu a batalha para manter as medidas provisórias sob seu controle.
A semana útil que termina nessa sexta-feira (24) foi a pior, até aqui, para o governo, com revezes que anunciam o fim da blindagem produzida pelos eventos do 8 de janeiro e do episódio do confisco das joias sauditas.
A conjunção de fatos negativos escancarou a incapacidade do governo de ocupar o espaço do debate político no Legislativo, o que denuncia também a escassez de iniciativas novas. Uma delas, com potencial para atenuar os problemas, está adiada – a âncora fiscal.
>> Site: linktr.ee/colunadobosco
A inelegibilidade de Bolsonaro, já admitida por ele próprio, está também contabilizada pelo PL – e os movimentos de seu presidente, Valdemar da Costa Neto, para encontrar um substituto elegível confirmam isso.
Quando confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, Bolsonaro poderá exercer sua liderança a partir do PL, mas com provável prazo de validade, enquanto sua influência sobre o eleitorado ainda servir ao partido – o que se estima até as eleições municipais do próximo ano.
>> Acesse: linktr.ee/colunadobosco
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