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  • #384 Como foi a semana de Lula e Bolsonaro? | Primeira Playlist: Duetos | Balbúrdia Café | Café com Série | Poesia: Márcia Kambeba
    SEXTA, 12/08/2022: Hoje o nosso programa fala sobre aquelas "duplas de dois", como dizia o outro, que bombam na música, nos quadrinhos, nas séries e nas dicas de poesia. E eu, que politizo praticamente tudo, ainda mais quando faltam 51 dias para a eleição, vou falar um pouquinho da dupla de candidatos que está polarizando a eleição, o que eles fizeram na semana que passou e a minha opinião sobre como isso repercutiu.

    Lula teve apenas uma agenda pública esta semana, a participação em uma conversa na FIESP. No meio da semana, ele teve um problema estomacal e cancelou a agenda. A ausência do candidato em entrevistas ou atos públicos contribuiu para a desmobilização da militância lulista nas redes sociais. Ele assinou a carta pela democracia, mas não esteve presente nos atos de ontem.

    Por outro lado, Bolsonaro fez agendas com o agro e deu entrevista para um podcast de grande audiência. Ainda comemorou a deflação de Taubaté do mês passado, provocada pela queda dos preços da gasolina e da luz, enquanto os alimentos seguem subindo de preço e a inflação acumulada no ano é de dois dígitos. Ele sentiu a carta pela democracia e atacou as pessoas que assinaram o documento.

    Foi uma semana ruim para a candidatura de Lula e de notícias positivas para Bolsonaro, embora descontextualizadas como a deflação de Taubaté, ou que repercutem só dentro da bolha, como a entrevista no podcast. Como se não bastasse, saíram ainda duas pesquisas do instituto Quaest em São Paulo e em Minas Gerais. Os resultados mostram o crescimento de Bolsonaro e a queda de Lula. Tudo isso fora da margem de erro. Em São Paulo, os dois estão, inclusive, tecnicamente empatados.

    Os atos pela democracia de ontem foram importantes porque chamaram a atenção da grande mídia. O Jornal Nacional dedicou vários minutos à cobertura, inclusive repetindo trechos das leituras das cartas. Mas não foram eventos massivos, o que gerou críticas nas redes sociais. Fato é que parece que, mais uma vez, os brasileiros e as brasileiras não entenderam o tamanho da ameaça que uma possível reeleição de Bolsonaro representa. E, talvez, só talvez, o fato dos opositores ficarem falando em "Estado Democrático de Direito" tenha alguma parcela de culpa, já que se trata de uma expressão burocrata que não comunica absolutamente nada para grande parte da população. O movimento é importante, repito, mas num momento em que grande parte da população brasileira está com dificuldades até para comer bem, não é o discurso a favor da democracia que vai decidir essa eleição.

    Espera-se que muitos eleitores votem levando em conta a sua situação e respondendo a pergunta-chave: a vida melhorou ou piorou depois que tiraram a Dilma? Mas não podemos negar que muitos e muitas ainda vão votar com medo do suposto comunismo de Lula, ludibriados pelos auxílios eleitoreiros que o governo começou a pagar esta semana e influenciados por, mais uma vez, uma enxurrada de fake news nas redes e no WhatsApp.

    PRIMEIRA PLAYLIST, com Walquíria Poiano
    Queremos saber quais são os duetos mais perfeitos da sua playlist. Queremos canções criadas por músicos que se complementam, que são totalmente diferentes ou muito parecidos, que são de estilos diferentes ou parceiros de gênero. Qual dupla não pode faltar nessa playlist?
    Link da playlist: https://open.spotify.com/playlist/6ensWLIXADbxv9tzdSUQAM?si=500b7d28d76042af

    BALBÚRDIA CAFÉ, com Maria Clara Carneiro e Lielson Zeni
    Aproveitando o tema da playlist, preparamos uma pequena read-list de duetos brasileiros nos quadrinhos. Em nossa seleção, daremos destaque para duas duplas de roteiristas e desenhistas Pablo Casado e Talles Rodrigues da série Mayara e Annabelle (Conrad, 2021-2022), Os estranhos hóspedes do Hotel Nicanor de Ota Assunção e Flavio Colin (MMarte, 2022) e para o INUSITADO dueto de banda e quadrinista Música para Antropomorfos da banda The Mechanics e Fabio Zimbres (Zarabatana, 2018) – tem resenha ao vivo do Lielson sobre esse livro, na live do Universo HQ.

    CAFÉ COM SÉRIE, com Rafaela Santos
    As duplas mais bombadas das séries: Walter White e Jesse Pinkman, de Breaking Bad, Dana Scully e Fox Mulder, de Arquivo X, e Elizabeth e Philip Jennings, de The Americans.

    CAFÉ COM POESIA, com Juliana Coelho Netto
    Em homenagem ao Dia Internacional dos Povos Originários, comemorado em 9 de agosto, Juliana Coelho Netto traz a poesia "Índio eu não sou", de Márcia Kambeba.

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    1 hr 26 min
  • #383 Cartas das elites reagem ao golpismo de Bolsonaro e defendem a democracia | O papel das fake news nas #Eleições2022
    QUINTA, 11/08/2022: Será hoje a leitura da Carta aos Brasileiros e às Brasileiras em Defesa do Estado Democrático de Direito. A iniciativa da Faculdade de Direito da USP, a Universidade de São Paulo, repete iniciativa similar feita nos anos finais da ditadura militar. Na época, a carta aos brasileiros denunciava o regime ditatorial e defendia a volta da democracia. Hoje, a nova carta sai em defesa das urnas eletrônicas e, indiretamente, ataca o presidente Bolsonaro, que tem dado sinais de golpismo explícito.

    Trata-se de um movimento que nasceu e tem apoio das elites, intelectual e financeira. Mas, até por essa origem, desperta atenção da grande mídia e pode ter impacto no grande público. A carta vai ser lida hoje de forma simultânea em vários estados do Brasil. Pelo menos 49 cidades confirmaram um total de 86 manifestações, incluindo 26 capitais e o Distrito Federal.

    O manifesto tem recebido forte adesão, foi assinado por quase 1 milhão de pessoas, e muitas delas, inclusive políticos e artistas, estarão presentes nos atos espalhados pelo país. Oficialmente, a carta será lida em São Paulo, no Largo de São Francisco, a partir das 10h. Os outros estados irão acompanhar a leitura. Além desse ato pró-democracia, estão previstas manifestações políticas e artísticas e debates em defesa da democracia.

    Ontem, foi divulgado um vídeo no qual artistas lêem o conteúdo da carta.

    Do pato amarelo da FIESP, símbolo do movimento a favor do golpe contra a democracia em 2016, às cartas em defesa da democracia e contra o golpe anunciado pela extrema-direita. Quais os fatores que levaram as elites brasileiras a, finalmente, fazer aquela escolha muito difícil? Se você está esperando uma resposta complexa, sinto decepcioná-los. Na verdade, é muito simples. Tão simples que o Abba explica…

    O setor industrial brasileiro amarga uma série de declínios nos últimos dez anos, segundo uma pesquisa do IBGE. Em 2020, foi registrada a sétima queda seguida no número de empresas industriais. A indústria perdeu 1 milhão de postos de trabalho entre 2011 e 2020.

    Segundo Simone Deos, professora do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma parte dos empresários, principalmente ligados ao setor industrial, parece estar mobilizado pela criação de uma política de desenvolvimento do país. O governo Bolsonaro não se movimentou para isso.

    Segundo o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a relação entre os donos do capital e o governo nunca esteve tão ruim basicamente por dois motivos: primeiro, porque a economia, no geral, vai mal; segundo, porque eles sabem que qualquer tentativa de golpe pioraria ainda mais a situação.

    Para se opor ao manifesto, apoiadores de Bolsonaro criaram seu próprio abaixo-assinado. O texto está sendo divulgado nas redes por personagens como Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF), além de blogs investigados por propagação de desinformação, como o Jornal da Cidade Online. Investigação da Agência Pública identificou que perfis com indícios de automatização estão sendo usados no Twitter para incentivar que as pessoas assinem o manifesto de autoria do Movimento Advogados de Direita Brasil (ADBR). Além dos robôs, blogs e influenciadores da base do governo estão engajados em bombar a petição e aumentar o número de assinantes.

    ENTREVISTA: SÉRGIO AMADEU
    Qual o papel que a desinformação e as fake news terão na campanha eleitoral deste ano? Como o campo progressista e democrático se preparou para combater a máquina de desinformar do bolsonarismo? Recebemos hoje o sociólogo Sérgio Amadeu, autor, ao lado do jornalista Renato Rovai, do livro "Como derrotar o fascismo nas eleições e sempre".

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    1 hr 8 min
  • #382 Lula enfrenta revolta dos nanicos na campanha eleitoral | Hesitação vacinal e o risco da volta de doenças erradicadas
    QUARTA, 10/08/2022: Neste início de campanha eleitoral, quem você acha que é o alvo de todos os outros candidatos e candidatas à presidência? Seria o atual presidente, um golpista confesso, antidemocrático aprendiz de ditador, mentiroso compulsivo e que comandou um governo que foi incompetente em todas as áreas? Matou milhares de brasileiros por uma doença que já tinha vacina, jogou o país de volta no Mapa da Fome, destruiu a credibilidade do Brasil no exterior. Seguramente, deve ser esse cara o alvo dos adversários, né não?

    Não. O alvo preferencial dos adversários tem sido o ex-presidente Lula, que lidera todas as pesquisas. Ontem começou o que eu chamo de revolta dos nanicos. Candidaturas sem expressão e sem a mínima chance de chegar à presidência passaram a atacar o ex-presidente até com baixaria. Tirando André Janones, que aceitou apoiar Lula e virou o seu principal cabo eleitoral na internet, os demais optaram por mirar o ex-presidente. O coach que se perdeu na montanha, Pablo Marçal, depois de ser defenestrado pelo próprio partido, afirma que Lula é tão ladrão que roubou sua candidatura. A candidata laranja do União Brasil, Soraya Thronicke, que se diz advogada de família, comparou eleger Lula à mulher vítima de violência doméstica que volta para o marido.

    Bolsonaro, Ciro Gomes e Simone Tebet também não poupam críticas ao ex-presidente. No caso deles, creio eu, mais por uma questão estratégica. A mulher de Bolsonaro apelou para a intolerância religiosa nas redes sociais para tentar tirar votos de fanáticos religiosos de Lula, associando o ex-presidente com o demônio e atacando religiões de matriz africana. Ciro Gomes segue na sua estratégia de atacar Lula e Bolsonaro ao mesmo tempo, mas acaba fazendo a famosa falsa equivalência entre os dois e o resultado disso já está sendo visto no seu derretimento nas pesquisas. Simone Tebet, apoiadora do impeachment de Dilma, disse no Roda Viva que, no segundo turno, é provável que seu partido apoie Bolsonaro. É aquela famosa ameaça: "se você não fizer o que eu quero, eu vou ter que votar no Bolsonaro…". O MDB é um caso à parte, já que grande parte do partido não apoia nem a própria candidata.

    Vão dizer que é do jogo, que o líder nas pesquisas certamente será o mais atacado e que tem que estar preparado para isso. É verdade, faz parte. O que não faz parte é ver candidato nanico tentando chamar atenção com baixaria contra Lula enquanto no Palácio do Planalto, com a conivência de muitos desses, um aprendiz de fascista está há quase 4 anos destruindo o Brasil e minando a própria democracia. Ela, que permite que essas candidaturas nanicas existam.

    ENTREVISTA: MICHELLE FERNANDEZ E MARCOS PEDROSA
    Hesitação vacinal, sucateamento do PNI, movimento antivacina e o mau exemplo do presidente com relação às vacinas colocam o Brasil em risco para a volta de doenças erradicadas.

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  • #381 Acontece nos EUA, acontece no Brasil? FBI faz batida na casa de Trump | O Brasil normalizou o discurso da extrema-direita?
    TERÇA, 09/08/2022: Em 10 de janeiro de 2019, com 10 dias de governo do pai, o deputado Eduardo Bolsonaro postou a seguinte frase ao retuitar uma mensagem do então presidente dos Estados Unidos Donald Trump: "ACONTECE NOS EUA, ACONTECE NO BRASIL A tática da esquerda para derrubar governos usando a mentira já é algo notório e largamente usado. Nada acontece por acaso."

    Ontem, uma das casas de Donald Trump na Flórida foi alvo de uma operação de buscas do FBI, a Polícia Federal dos Estados Unidos. A informação foi passada pelo próprio Trump. O motivo da operação não foi divulgado pelas autoridades, mas é fácil supor. Foi para essa casa que, supostamente, Trump levou caixas de documentos após deixar a presidência.

    A operação do FBI também acontece em meio às investigações da comissão de congressistas que investiga o ataque ao Capitólio por apoiadores do ex-presidente. Trump, por outro lado, tem certeza que o objetivo da operação é impedir que ele concorra novamente à presidência. E acusa o sistema de justiça e policial dos Estados Unidos de estar a serviço da extrema esquerda, por mais irônico que isso possa parecer.

    Aqui no Brasil, no momento, a nossa Polícia Federal está contaminada pelo bolsonarismo e, apesar de alguns arroubos de independência, a verdade é que protege o presidente e sua família. Mas tudo isso pode acabar a partir de janeiro de 2023, se Bolsonaro realmente perder a eleição. O presidente, com medo das investigações contra ele e sua família, decretou sigilo em tudo o que pode. Lula, favorito nas pesquisas, já prometeu levantar todos esses sigilos. Quando isso acontecer, é bem provável que Bolsonaro tenha um destino parecido com seu ídolo Donald Trump. E ele sabe disso. Tanto que está apostando todas as fichas na reeleição ou no golpe e tem revelado o medo de ser preso.

    ENTREVISTA DO DIA: Odilon Caldeira Neto, historiador e coordenador do Observatório da Extrema-Direita no Brasil.

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    1 hr 3 min
  • #380 Debates estaduais dão largada nas campanhas e são marcados por ausências | Café com Farinha D'Água: o cenário no Maranhão
    SEGUNDA, 08/08/2022: Ontem à noite a Band realizou os primeiros 10 debates das disputas estaduais. Entre os quase 60 postulantes que participaram, apenas 10 eram mulheres. Em São Paulo, no Rio e no Rio Grande do Sul, os principais candidatos compareceram: todos homens brancos. Mas em Minas, na Bahia, no Paraná e no Amazonas os candidatos que lideram as pesquisas não foram. Ainda teve debates no Distrito Federal, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Teve candidato ignorando a existência de Bolsonaro, como Cláudio Castro no Rio, que nem o Lula criticou, outros dizendo que vão repetir nos estados o que Bolsonaro fez no país, como Onyx no Rio Grande do Sul, que ainda briga com Heinze pelo "legado" do atual presidente. Teve lacradas de candidatos da esquerda como Haddad em São Paulo e Freixo no Rio. Teve candidatos fujões, inclusive de última hora como Romeu Zema, em Minas. Aliás, outra ausência, além dos fujões e das poucas candidaturas femininas, também foi sentida: a ausência da audiência. A Band ficou em quarto lugar, em alguns estados perdeu até para a RedeTV. Isso sem contar a live de aniversário do Caetano Veloso, que aconteceu no mesmo horário dos debates ontem à noite.

    CAFÉ COM FARINHA D'ÁGUA, com Danielle Louise e Andressa Algave

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    55 min
  • #379 RIP Jô Soares, a despedida de um artista completo | Café com Série | Balbúrdia Café | Primeira Playlist | Café com Poesia
    SEXTA, 05/08/2022: Acordamos hoje com a notícia da morte do apresentador Jô Soares. Ele tinha 84 anos e morreu nesta madrugada em São Paulo. É, provavelmente, a primeira e única vez que o Jô nos deixa tristes ao invés de nos fazer rir.

    Como resumir aqui, em poucos minutos, a importante passagem de José Eugênio Soares por essa vida. Ele que era ator, humorista, entrevistador, diretor, roteirista, dramaturgo e pintor. Era um artista completo e quando eu falo completo me refiro também ao entendimento do mundo. Por isso, eu escolhi relembrar um pouco da lucidez de Jô Soares sobre a situação política e social do Brasil nos últimos anos e, para isso, selecionei três momentos do seu programa de entrevistas.

    Jô Soares entrevistou o ex-presidente Lula diversas vezes. Mesmo com o boicote que a mídia comercial impunha a Lula, Jô levou o ex-presidente em seus programas no SBT e na Globo muitas vezes. Há 20 anos, na primeira eleição do Lula, eles conversaram sobre uma das principais propostas do então recém eleito presidente: o programa Fome Zero. Do seu jeito, com bom humor, Jô contou que não entendia como um país como o Brasil, rico e grande produtor de alimentos, tinha gente passando fome e precisava de um programa do governo para garantir comida na mesa das pessoas. "Não é uma coisa triste isso?", perguntou Jô ao Lula. E é mais triste se pensarmos que hoje, 20 anos depois, essa tem que ser a principal proposta daquele mesmo presidente, pois o golpe e o Bolsonaro trouxeram a fome de volta.
    Jô Soares também recebeu em seu programa um então deputado que chamava atenção pelos absurdos que falava. Jô, então, fez a entrevista do único jeito possível: debochou de Bolsonaro na cara dura e contestou todas as suas ideias, incluindo a favorável ao armamento da população. Mas foi numa pergunta sobre um dos tantos absurdos que Bolsonaro já falava naquela época que Jô conseguiu arrancar do então deputado de baixo clero a estratégia que ele usa até hoje para chamar atenção.
    Jô Soares também sempre soube que foi golpe. Aliás, golpes! Crítico ferrenho da ditadura, não media palavras para apontar os crimes dos militares brasileiros. No golpe contra a presidente Dilma, mesmo antes do impeachment, Jô alertava no quadro Meninas do Jô, do qual participavam jornalistas mulheres que faziam coro ao discurso machista da elite que culminou com a destituição da Dilma. Jô Soares fez, então, antes do golpe, uma previsão catastrófica e que, infelizmente, se comprovou anos depois.
    Jô Soares marcou uma geração inteira no Brasil. Quem você conhece que é reconhecido por apenas uma sílaba? Jô! Por isso, hoje começamos prestando nosso reconhecimento e nossa gratidão pela sua passagem nessa vida.

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    1 hr 22 min
  • #378 Emergência da fome: menino liga para o 190 para pedir comida | Vozes Progressistas: Lua Santis conta bastidores do Spaces
    QUINTA, 04/08/2022: Foi de destruir o coração ouvir a gravação divulgada pela Polícia Militar de Minas Gerais de um menino de 11 anos que, ao ver a mãe chorando desesperada por não ter o que comer, ligou para o 190 para pedir ajuda. A fome é sim uma questão de emergência seis anos após o golpe e a eleição de Bolsonaro.
    A atitude desesperada do menino comoveu os policiais. Eles mesmos compraram cestas básicas e levaram para a família, que, enfim, pode fazer uma refeição. Eles também divulgaram o caso, o que gerou uma onda de solidariedade. Um PM, em entrevista à Globo, disse que em 24 anos de serviço nunca tinha visto uma situação assim. Ou esse PM vivia em Marte ou estava fazendo discurso para tentar suavizar a imagem da Polícia Militar, que é, em grande parte, bolsonarista e, portanto, tem parcela de culpa por essa triste situação.

    Durante o governo Bolsonaro, o Brasil voltou ao Mapa da Fome, segundo a Organização das Nações Unidas. O percentual de brasileiros que não têm certeza de quando vão fazer a próxima refeição está acima da média mundial. São 61 milhões de brasileiros que enfrentaram dificuldades para se alimentar entre 2019 e 2021; 15 milhões deles passaram fome.

    Tomara que boa parte desses 15 milhões liguem para o 190 para tentar comover os policiais brasileiros e, quem sabe assim, eles entendam o tamanho da bobagem que fizeram ao apoiar um presidente golpista, criminoso e incompetente. A triste situação da família do menino mineiro me comove e me revolta. Já a ação de marketing da PM ao tentar melhorar sua imagem com o caso me causa outros sentimentos.

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  • #377 Aumenta tensão entre China e EUA por visita eleitoreira de Pelosi a Taiwan | Pensa Comigo: Curiosidade move as redes
    QUARTA, 03/08/2022: O mundo, mais uma vez, está vivendo uma tensão geopolítica de grandes proporções. Estados Unidos e China, as maiores superpotências nucleares, dão sinais que não são nada bons. E a política é feita de sinais. A geopolítica é feita de grandes sinais. A escalada de tensão recente começou com a decisão da presidenta da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, de incluir a ilha independentista de Taiwan em seu roteiro de uma viagem pela Ásia. Ela desembarcou ontem na ilha que a China considera parte de seu território desde a revolução comunista. A ilha recebeu os capitalistas que fugiram da China após o Partido Comunista chegar ao poder em 1959. Um político da importância dela não ia a ilha desde o final dos anos 90.

    Pelosi não deu uma explicação direta sobre o porquê da viagem. Divulgou uma nota fazendo discurso vazio. Não explicou a viagem, talvez, porque não possa. O movimento dela tem a ver com a eleição legislativa de meio de mandato que ocorre em menos de 100 dias e nas quais o partido dela, o Democrata, pode perder a maioria na Câmara. Sim, ela está arriscando provocar uma guerra entre superpotências por interesses eleitorais. Mas, além disso, o movimento da segunda pessoa mais importante da política norte-americana também tem a ver com os acordos comerciais e militares entre os norte-americanos e Taiwan. A ilha compra armas dos Estados Unidos e, se pensarmos, o aumento da tensão provocará inevitavelmente o aumento da necessidade de mais armamentos.

    A China reagiu, por enquanto, apenas com sanções comerciais e retórica bélica. Também iniciou exercícios militares em volta da ilha. E caças de guerra chineses sobrevoaram o espaço aéreo de Taiwan. Antes da confirmação da visita, a China tinha ameaçado até abater aviões norte-americanos, o que não aconteceu. Nos Estados Unidos, a reação interna também não foi boa. Políticos republicanos concordaram com Pelosi, democratas manifestaram descontentamento.

    Enquanto a presidenta da Câmara dos EUA brinca com fogo e com a China, uma superpotência nada simpática aos Estados Unidos apesar da dependência comercial um do outro, o mundo prende a respiração na tensão de um novo conflito com contexto similar à invasão da Ucrânia pela Rússia. Não é por acaso que o secretário-geral da ONU alertou que o mundo está a uma trapalhada da extinção nuclear. Mas, parece que para os norte-americanos ávidos por vender armas e vencer eleições, não há alerta capaz de segurar a arrogância bélica e financeira de quem acha que é o dono do mundo.

    PENSA COMIGO, com Rachel Cor
    O influencer Felipe Pacheco participa de uma conversa com Rachel Cor.

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  • #376 Quais são as candidaturas laranja na disputa pela presidência? | Cartas do Rio Tietê: Negacionismo climático à brasileira
    TERÇA, 02/08/2022: Entre os 13 candidatos e candidatas à presidência do Brasil este ano, só dois têm reais chances de vencer segundo todas as pesquisas: Lula e Bolsonaro. Entre os outros 11, há candidaturas laranja e candidaturas ideológicas. Ciro Gomes, do PDT, Leonardo Péricles, da UP, Sofia Manzano, do PCB, Vera Lúcia, do PSTU, por exemplo, são candidaturas ideológicas. Leonardo, Sofia e Vera são de partidos de extrema-esquerda que não aceitaram se unir em torno de Lula e, por isso, lançam candidaturas próprias para reforçar suas posições. Já Ciro sonha com a possibilidade de chegar ao segundo turno, mas para isso um dos dois favoritos teria que sair da disputa de alguma forma.

    Por outro lado, há os candidatos laranja. São candidaturas pensadas para facilitar a negociata com o presidente que for eleito, seja ele quem for. Nessas candidaturas, nem os próprios partidos acreditam. Esse é o caso de Simone Tebet, do MDB, do coach Pablo Marçal do PROS e do nome ainda indefinido do União Brasil. Entre os candidatos laranja, há aqueles que só estão na disputa para servirem de escada para os candidatos que realmente têm chances. É o caso de André Janones, do Avante, que já admite retirar seu nome e apoiar Lula, de Luiz Felipe D'Ávila, do Novo, de José Maria Ey-Ey-Eymael, do Democracia Cristã, e da candidatura de Roberto Jefferson lançada ontem pelo PTB. Além de ele estar inelegível, o que revela um teste do bolsonarismo para a Justiça Eleitoral, os próprios membros do partido disseram, sem nenhum pudor, que o objetivo de Bob Jeff é servir de apoio a Bolsonaro.

    Enquanto para o líder da extrema-direita, Bolsonaro, a eleição é um plebiscito sobre ser preso ou não e para Lula a disputa é para salvar a democracia e a economia brasileira, para esses outros as motivações são bem menos coletivas e mais pessoais. Em outros países, como na Argentina e nos Estados Unidos, o sistema eleitoral prevê eleições primárias, cada uma do seu jeito, para evitar que essa gente venha brincar de ser candidato só para aparecer. Quase sempre funciona. Mas, no Brasil, toda eleição tem que ter o candidato do entretenimento, que em 2018 foi o extremista religioso Cabo Daciolo, e este ano corre o risco de ser nenhum desses candidatos laranja, que ninguém se importa, mas sim o Mestre dos Magoados Ciro Gomes.

    Sobre todos os nomes que eu citei, não grave nenhum dos que você não conhecia, principalmente na direita, pois até sexta-feira tudo pode mudar.

    CARTAS DO RIO TIETÊ, com Paula Bianchi
    Nossa colunista de emergência climática, a jornalista Paula Bianchi fala sobre o negacionismo climático à brasileira.

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  • #375 Faltando 2 meses para as eleições, Lula consolida favoritismo e Bolsonaro amplia desespero
    SEGUNDA, 01/08/2022: Agora vai! Faltam dois meses para o primeiro e talvez único turno da eleição presidencial no Brasil. Na semana passada, a pesquisa Datafolha mostrou que segue tudo igual. Lula segue com chance de vencer no primeiro turno e trabalha para ampliar a sua aliança, conquistando Janones e talvez até o partido que abriu o juiz parcial que o condenou. Bolsonaro, por outro lado, fica cada vez mais isolado e agora perdeu até o apoio da elite financeira, que organizou um manifesto já assinado por mais de 500 mil pessoas. A terceira via não existe e Ciro Gomes promete largar a política se não for eleito dessa vez.

    Mas nada é mais divertido do que o plot twist da carreira política do ex-juiz Sergio Moro. Nos últimos dias surgiu uma conversa de que o partido dele, o União Brasil, pode até apoiar Lula. Nada está confirmado e é bem improvável - a tendência é que o União Brasil libere seus filiados para apoiarem quem quiserem - mas já valeu só pela piada.

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