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  • #394 Lula cria novo apelido para Bolsonaro no JN: 'bobo da corte' | Analistas da grande mídia são unânimes: Lula ganhou de goleada
    SEXTA, 26/08/2022: O ex-presidente Lula foi o entrevistado de ontem no Jornal Nacional. Ele demonstrou bom-humor, um discurso enérgico, uma capacidade incrível de usar metáforas, inclusive futebolísticas, e de colocar os entrevistadores no seu lugar. Lula não deixou perguntas sem resposta, mesmo as mais espinhosas para ele e para o PT.

    Os questionamentos foram previsíveis e incômodos, a começar pela corrupção, que ocupou os 15 primeiros minutos da entrevista, de um total de 40. E a pergunta "como o senhor vai evitar que novos casos de corrupção aconteçam?" foi feita quatro vezes em momentos diferentes.

    Lula falou ainda que o orçamento secreto foi pior que o mensalão, denunciou a Lava Jato como uma operação que se tornou política, disse que a polarização é saudável, admitiu que houve sim casos de corrupção durante seus mandatos, fez elogios e críticas à gestão da sucessora Dilma Rousseff, respondeu sobre o agronegócio que a Globo ama e a relação com o MST, revelou ter ciúmes do Alckmin porque ele está conquistando o PT e ainda criticou governos autoritários e defendeu a alternância no poder.

    Foi a primeira entrevista de Lula na Globo desde que ele deixou a prisão. O Jornal Nacional foi o grande palco da operação Lava Jato. Durante anos as denúncias eram divulgadas no principal telejornal do país como se fossem sentenças - e Lula usou isso para alfinetar a imprensa. Vocês lembram que a Vaza Jato revelou como os procuradores de Curitiba tinham contato direto com repórteres da emissora. E foi neste telejornal que os apresentadores interpretaram um grampo ilegal feito pelo ex-juiz Sérgio Moro. Além disso, quando falava de Lula, o cenário do jornal trazia dutos jorrando dinheiro, algo que incomodou o presidente e sobre o qual ele já se referiu muitas vezes - mas não falou sobre isso na entrevista. Lula também já cobrou publicamente um pedido de desculpas da Globo pelo que fez com ele. E esse pedido veio, muito sutilmente, mas veio.

    Logo no início, o apresentador William Bonner introduzia o tema corrupção quando levantou a bandeira branca para o ex-presidente.

    Essa mea culpa de Bonner deu o tom da entrevista. Era tudo o que Lula precisava ouvir para se sentir à vontade num ambiente outrora inóspito a ele ou a qualquer esquerdista. Lula provou porque é o maior político vivo do Brasil. Ao ser questionado sobre os erros do governo Dilma, brincou com Bonner, dizendo que quando ele for substituído na bancada do JN ele vai entender o que significa "rei morto, rei posto". Quando questionado sobre polarização, usou metáfora futebolística para defender que, na política, as pessoas devem ser adversárias e não inimigas. Quando perguntado pela Renata sobre o MST, convidou a apresentadora a conhecer o trabalho do movimento que, hoje, é o maior produtor de arroz orgânico do Brasil.

    A pauta da entrevista foi, no mínimo, questionável. Os primeiros 15 minutos foram só sobre casos de corrupção de mais de 10 anos atrás. E mesmo Lula respondendo que para combater a corrupção é necessário deixar que se investigue, os apresentadores repetiram a pergunta outras 3 vezes. Na hora de falar de economia, ao invés de se preocupar com os 33 milhões de brasileiros e brasileiras passando fome, Bonner questionou como o presidente vai lidar com a bomba fiscal deixada por Bolsonaro. Ao falar sobre polarização, o apresentador revelou que sentiu as cobranças da militância petista sobre ele e questionou a agressividade dos defensores de Lula. Curiosamente ele não perguntou isso ao Bolsonaro. A Globo resolveu pautar também o agronegócio, que eles defendem nas famigeradas propagandas do "agro é pop". Neste momento, Lula falou sobre preservação ambiental e Renata interpelou dizendo que o agro e o meio ambiente são parceiros. Lula se saiu muito bem ao separar o setor, dizendo que há o agro comprometido e o agro fascista e bolsonarista.

    Ao perguntar sobre a indicação do PGR, Renata insistiu que Lula deveria se comprometer a escolher alguém da tal lista tríplice, algo que ele fez quando era presidente até porque foi ele quem inventou isso. Essa lista tríplice é uma ferramenta que o Lula criou em 2003 para dar autonomia ao Ministério Público. Eles indicam três nomes e o presidente escolhe um para ser o PGR. Lula sempre escolheu o primeiro da lista. Bolsonaro ignorou a escolheu o Augusto Aras, que nem na lista estava. Para a Renata, a escolha do futuro PGR era um tema super relevante. Ela só esqueceu que o Ministério Público está contaminado pelo bolsonarismo. Lula fez muito bem em não se comprometer a seguir a lista porque a chance do MP indicar três Deltans Dallagnols na tal lista é grande.

    Outra bola fora da Renata foi quando questionou o ex-presidente sobre o mensalão. Não pela pergunta, claro, porque cabia - embora o tema corrupção já tivesse sido tratado nos primeiros 15 minutos de entrevista. A apresentadora questionou como Lula teria apoio do Congresso sem uma "moeda de troca" como o orçamento secreto. Foi neste momento que Lula aproveitou para cunhar um novo apelido para o presidente Bolsonaro. Apelido que pegou e está desde ontem no topo dos trends do Twitter: o bobo da corte.

    Todas as análises pós-entrevista coincidem de que o ex-presidente foi muito bem. E foi mesmo. Diferente de Bolsonaro, ele não se sentiu acuado e não precisou ser desmentido ao vivo pelos apresentadores. No máximo, houve réplicas ao que Lula falava. Diferente de Ciro Gomes, Lula falou de um jeito que todo mundo entendeu. Quando ele se distanciou de governos de esquerda autoritários mundo afora, por exemplo, começou dizendo que defende a "autodeterminação dos povos" e, na sequência, explicou o que isso significa: "cada país cuida do seu nariz". Simples, direto e compreensível para todo mundo.

    A entrevista de Lula ao JN foi, até aqui, o momento mais esperado dessa campanha eleitoral. E quem esperou não se decepcionou. Seja apoiador do ex-presidente, porque ele de fato foi muito bem em todas as respostas, ou um crítico de Lula, porque os apresentadores ignoraram temas relevantes como a fome para pressionar Lula sobre corrupção e outros temas sensíveis.

    Só quem se decepcionou foram os apoiadores do Bolsonaro, provavelmente porque perceberam que Lula não tem medo de cara feia nem de pergunta espinhosa. E mais do que isso: diferente do amigo de miliciano que ocupa a presidência, Lula não precisa recorrer a mentiras deslavadas para responder a qualquer coisa.

    ANÁLISE COM CYNARA MENEZES
    Depois de ouvirmos um resumo da entrevista de Lula ao JN, vamos receber a jornalista Cynara Menezes, editora do site Socialista Morena e apresentadora da TV Fórum, para uma análise sobre esta entrevista que foi o fato político da semana.

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    1 hr 20 min
  • #393 Lula e Bolsonaro vão ao debate da Band no domingo? | Panorama das #Eleições2022 no Nordeste
    QUINTA, 25/08/2022: A semana quente nas eleições brasileiras culmina no próximo domingo com o primeiro debate entre os candidatos e as candidatas à presidência. O programa será realizado pela Band, em parceria com a TV Cultura, UOL e Folha de S. Paulo.

    Ciro Gomes e Simone Tebet já confirmaram presença. Luiz Felipe D'ávila e Soraya Thronicke também. Ontem, a assessoria do ex-presidente Lula chegou a confirmar à Band que ele vai, mas depois recuou dizendo que ele pretende ir. A Band, que tinha publicado a confirmação, teve que apagar as publicações nas redes sociais e no site da emissora.

    Por outro lado, Bolsonaro avalia seriamente não ir ao debate. A informação de que o atual presidente tinha decidido não comparecer chegou a ser publicada no Antagonista, que é um conhecido site divulgador de informações que não se confirmam. O site modificou a notícia horas depois.

    O que está acontecendo? Por que Lula e Bolsonaro ainda não confirmaram 100% as suas participações? Aparentemente, a ida de um depende da ida do outro. A avaliação das campanhas é de que não faz sentido participar de um debate sem o principal adversário.

    Mas, ontem, enquanto se discutia ou não a participação deles, fontes informaram ao G1 que Lula teria decidido que ele vai mesmo ao debate. A intenção seria forçar a participação de Bolsonaro, que já disse que só participa se Lula for. Mas há divergências. Dentro da campanha do petista há quem defenda que Lula não participe se Bolsonaro não for.

    Uma agência de levantamento de dados informou que, após analisar postagens nas redes sociais de pessoas que não são militantes das campanhas, a participação de Bolsonaro no JN na segunda pegou mal para 89% dessas pessoas. Esse é um indicativo do porquê Bolsonaro pode decidir não ir ao debate.

    Lula vai ao JN hoje à noite e a demora em confirmar a participação no debate de domingo pode ter a ver com isso. A campanha deve esperar para saber como será a aceitação da participação do ex-presidente no Jornal Nacional antes de confirmar? Talvez sim, talvez não. A confirmação pode sair ainda hoje.

    Com essa confusão, só será possível ter certeza da participação dos dois principais candidatos no domingo mesmo, quando eles pisarem no estúdio da Band.

    NAYARA FELIZARDO, DA CAJUEIRA
    Hoje recebemos a jornalista Nayara Felizardo para falar sobre as disputas estaduais no Nordeste. Ela faz parte da newsletter Cajueira, uma curadoria de notícias focada na região.

    Link: https://cajueira.substack.com

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    1 hr 3 min
  • #392 Ciro apresenta sua versão paz e amor no Jornal Nacional | Ive Brussel e o caminho para derrotar a extrema-direita nas redes
    QUARTA, 24/08/2022: Foi gritante a diferença entre as entrevistas de Bolsonaro, na segunda, e de Ciro Gomes, ontem, no Jornal Nacional. Tanto na postura dos candidatos quanto na pressão dos entrevistadores. Enquanto Bolsonaro usou mentiras e passou 40 minutos acuado, Ciro Gomes prometeu mundos e fundos e contou com a ausência de questionamentos sensíveis.

    Ciro apresentou no Jornal Nacional a sua versão paz e amor. Isso depois do desastre que foi a sua entrevista ao Roda Viva e, mais lá atrás, aquela fatídica live com o humorista Gregório Duvivier. Ciro parecia outra pessoa no JN de ontem. O candidato histérico deu lugar a um político controlado, educado e despejando conteúdo a cada resposta, o que mostra o seu preparo após 40 anos de vida política.

    O problema é que além de parecer outra pessoa, Ciro também parecia falar outra língua. Diante de uma audiência de massas, ele bem que tentou simplificar sua fala, mas não conseguiu. A promessa sobre "plebiscito programático" é um exemplo da dificuldade que o candidato do PDT tem para falar com o povo. Durante a entrevista não foram poucos os jornalistas e analistas que diziam nas redes sociais que estavam com dificuldades para entender as propostas do candidato rebelde.

    No início, Ciro foi cobrado sobre sua postura beligerante. Admitiu que às vezes passa do ponto e, se dirigindo a Renata Vasconcellos, disse que até deveria considerar a pergunta dela. Na sequência, por diversas vezes, se corrigiu trocando palavras mais duras como "picareta" por expressões mais suaves. A postura visava demonstrar humildade, mas ficou na cara a falsidade das suas intenções.

    Ciro foi perguntado sobre vários temas: relação com o Congresso, a falta de apoios à sua candidatura, economia, meio ambiente e segurança pública. Ele evitou falar os nomes dos adversários, citando Lula e Bolsonaro diretamente apenas 6 vezes cada. O PT foi atacado, inclusive com citações à Venezuela e à Nicarágua quando Ciro respondia sobre populismo dos plebiscitos que propôs e disse que pretendia olhar mais para a Europa do que para esses países… A gente sabe.

    Ciro Gomes também prometeu que não será candidato à reeleição. O próprio FHC já disse que se arrependeu da emenda da reeleição que ele mesmo propôs. Deve ter se arrependido também de ter comprado votos para aprová-la. Na entrevista, Ciro apontou, de forma certeira, como essa possibilidade de reeleger governantes prejudica a democracia.

    Ciro soube aproveitar muito bem o fato de saber que não tem chance de ganhar a eleição e prometeu transformar o Brasil num mar de rosas em 4 anos. Ele até tentou dizer que tem um projeto para 30 anos, mas ele concorre a uma mandato de 4 e tem 6% das intenções de voto, então vamos ficar com a realidade ao invés do discurso eleitoreiro.

    Seguramente, ele ganhou votos e não perdeu nenhum. Se Ciro tivesse adotado essa postura desde o início da pré-campanha, talvez hoje tivesse mais do que 6%. Mas sabemos que manter o controle por 40 minutos é mais fácil do que por 4 anos sob pressão.

    Por outro lado, as perguntas de Willian Bonner e Renata Vasconcellos foram pouco provocativas. E acho que um jornalista que tem a chance de entrevistar Ciro Gomes, sabido cabeça-quente, e não faz provocações perde uma oportunidade de honrar o diploma.

    Enquanto Ciro estava controlado e educado, o mesmo não se pode dizer de sua turma boa na internet. A agressividade dos ciristas era flagrante nos pouco mais de 10 mil tweets sobre a entrevista, que, aliás, repercutiu bem menos do que a de Bolsonaro e também deu menos audiência, como já era esperado.

    ENTREVISTA COM IVE BRUSSEL
    No segundo tempo do Primeiro Café vamos receber Ive Brussel, produtora de conteúdo e fenômeno do TikTok que fala sobre política. Ela vai contar porque resolveu ocupar esse espaço nas redes e avaliar a reação coletiva ao bolsonarismo nas redes.

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  • #391 Bolsonaro mentiu 22 vezes na entrevista ao Jornal Nacional | Bate Café: Coração de Dom Pedro I e o simbolismo militar
    TERÇA, 23/08/2022: Bolsonaro foi o primeiro candidato entrevistado pelo Jornal Nacional ontem. O presidente foi questionado sobre os ataques às urnas eletrônicas, sobre a tragédia da pandemia, sobre a situação econômica, sobre as suspeitas de corrupção no MEC, sobre a destruição ambiental patrocinada pelo seu governo, sobre o fato de ser a tchutchuca do centrão e sobre interferir na Polícia Federal.

    E o que ele fez? Mentiu sobre absolutamente tudo. Mas, ao mentir, Bolsonaro não perde um único voto. Levantamento da agência Aos Fatos mostra que o presidente mentiu, pelo menos, 22 vezes. Bolsonaro foi ao Jornal Nacional para confundir, não para explicar. No final, Bonner agradeceu o presidente pelos esclarecimentos prestados. Quais esclarecimentos?

    Diante de todas as perguntas, ele respondeu o que quis. Os apresentadores até tentaram questionar o presidente sobre suas mentiras, mas sem sucesso. A mentira que mais repercutiu foi a negativa veemente de Bolsonaro de que ele imitou pessoas com falta de ar no auge da pandemia. Ele imitou sim e mais de uma vez. E você já deve ter visto os vídeos recuperados na internet.

    Faltou falar de muita coisa. Mesmo com 40 minutos de entrevista, nem todos os temas importantes foram abordados. Não se falou do orçamento secreto, nem da família dele enrolada na rachadinha, nem da ligação dele com as milícias. Mas, principalmente, não se falou sobre a fome. Provavelmente porque nenhum dos três naquela bancada passa ou passou fome na vida…

    Um tempo gigante foi gasto com temas que interessam mais ao Bolsonaro do que ao povo brasileiro, como o ataque contra as urnas eletrônicas e ao processo eleitoral. Outros assuntos como a questão ambiental e a aliança com o centrão, apesar de relevantes, não são assuntos do dia-a-dia do povo.

    O excesso de contextualização das perguntas por Bonner e Renata deram a possibilidade para Bolsonaro responder o que quis. As perguntas para mentirosos devem ser curtas e grossas: por que o senhor fez isso? Como o senhor vai fazer aquilo? Quando os entrevistadores decidem citar várias coisas numa pergunta que poderia ser objetiva, abrem margem para o entrevistado escolher o que quer responder. Em resumo, o presidente e o jornalismo da Globo se merecem.

    Bolsonaro estava mais calmo e falou as maiores barbaridades sem nenhum constrangimento. Só levantou a voz contra Renata Vasconcellos algumas vezes. Com Bonner, foi só sorrisos e brincadeirinhas. Um machista clássico. Renata, aliás, foi coadjuvante na entrevista, sendo interrompida pelo presidente e pelo colega de bancada.

    O presidente também tinha uma cola na mão com quatro assuntos. Nenhum dos assuntos foi citado por ele na entrevista. Em alguns momentos, ele levantou a mão fazendo questão de mostrar a cola para a câmera. A nova analista política do Brasil, Anitta, que se gaba de ser entendida de estratégia de redes, caiu na armadilha do presidente. Ela, assim como outros influencers, postou a imagem no Twitter. O presidente retuitou e agradeceu pedindo que as pessoas pesquisem sobre os temas. Ela se deu conta que caiu na do presidente e apagou o tweet.

    Os assuntos que ele anotou na mão não eram para serem falados na entrevista, mas sim para gerarem curiosidade. Vejam bem: em 2018, nessa mesma entrevista, ele tinha escrito na mão três tópicos: armas, pesquisas e Lula. Na época, ele falou dos três assuntos e foi ridicularizado na internet. Nessa entrevista, eram quatro tópicos, três deles sensíveis para a esquerda e um incômodo para a Globo: Nicarágua, país governado pela esquerda onde há perseguição contra opositores, Argentina, que passa por uma grave crise econômica e também é governado pela esquerda, Colômbia, onde a esquerda acaba de chegar ao poder e recentemente o presidente defendeu a legalização do plantio de maconha, e Dario Messer, conhecido como o doleiro dos doleiros que em delação ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro em 2020, disse que durante a década de 90 entregava "em várias ocasiões" quantias entre US$ 50 mil e US$ 300 mil a integrantes da família Marinho, dona da Globo. À época, durante a edição do Jornal Nacional, a Globo negou as acusações.

    Bolsonaro não perdeu nenhum voto por causa dessa entrevista. Talvez também não ganhe nenhum, até porque, acuado entre explicações para confundir, não conseguiu prometer absolutamente nada.

    Mas, mais importante do que isso, ele se sentiu confortável na bancada do principal telejornal do país para repetir o que vem dizendo nas suas lives. O saldo é de derrota para a democracia. Porque um presidente golpista, mentiroso, antidemocrático, desumano e incompetente foi tratado como candidato normal pela principal emissora do país. E, além disso, esse ser vai concluir o seu mandato. Não interessa se ele vai perder a eleição e ir para a lata de lixo da história ou para a cadeira, pelo que temos até aqui já perdemos e a entrevista de ontem prova o tamanho gigantesco dessa derrota civilizatória.

    Em instantes vamos falar mais sobre a entrevista de Bolsonaro ao JN.

    BATE CAFÉ, COM ADRIANO VIARO
    A vinda do coração de Dom Pedro I para o Brasil para as comemorações do bicentenário da independência é o tema do comentário do historiador Adriano Viaro.

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    1 hr 2 min
  • #390 Presidenciáveis no JN, horário eleitoral e debate na Band: a semana nas #Eleições2022 | Mitos sobre o veganismo
    SEGUNDA, 22/08/2022: Começa a semana mais importante para a campanha eleitoral deste ano. Os presidenciáveis deixam a zona de conforto e trocam os comícios e as lives por entrevista e debate!

    O Jornal Nacional recebe os três principais candidatos e a candidata à presidência nesta semana. Hoje, Bolsonaro estará frente-a-frente com William Bonner e Renata Vasconcellos.

    Em 2018, durante essa entrevista, ele propagou a fake news do kit gay mostrando um livrinho ao vivo e não foi repreendido pelos apresentadores. Naquela entrevista, Bolsonaro também atacou a Globo por ter apoiado a ditadura e questionou se Renata ganhava o mesmo que Bonner. O futuro ex-presidente não tem agenda hoje, pois passará o dia inteiro se preparando para a entrevista. Nas redes, opositores preparam um panelaço na hora da entrevista.

    Na terça-feira, o entrevistado será Ciro Gomes. Lula vai na quinta-feira e Simone Tebet, do MDB, na sexta.

    Também na sexta começa o horário eleitoral que de gratuito não tem nada no rádio e na televisão. Você sabia que as emissoras recebem uma compensação fiscal para exibir a propaganda política mesmo sendo concessões públicas? Pois é. Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, o horário eleitoral custa mais de R$ 500 milhões aos cofres públicos em abatimento de impostos.

    Na sexta serão exibidas as propagandas das campanhas estaduais e, no sábado, as presidenciais.

    No domingo, acontece o primeiro debate entre os presidenciáveis na Band. A princípio, Lula, Ciro e Tebet confirmaram presença. Bolsonaro ainda não. Tudo vai depender de como for a semana dele, vai que surge um novo apelido incômodo…

    ENTREVISTA: VEGANO VITOR
    Hoje vamos falar sobre veganismo. Nosso convidado é o fotógrafo e produtor de conteúdo Vitor Ávila, o Vegano Vitor. Ele produz conteúdo nas redes sobre o assunto e vai desmistificar o veganismo nessa conversa.

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  • #389 Datafolha: Lula 47% x 32% Tchutchuca do Centrão | Balbúrdia Café: A censura nos quadrinhos | Primeira Playlist: Polêmica
    SEXTA, 19/08/2022: Saiu a nova rodada da pesquisa Datafolha para presidente e, excepcionalmente, entramos no ar às 19h de quinta-feira para analisar o resultado. O ex-presidente Lula continua com chance de vencer no primeiro turno. Ele tem 47% das intenções de voto contra 32% de Bolsonaro. A diferença entre os dois caiu para 15 pontos, com uma recuperação de Bolsonaro subindo três pontos.

    Bolsonaro partiu pra cima de um youtuber em Brasília depois de ser chamado de "tchutchuca do centrão". Mas não foi o único descontrole do presidente nesta quinta. Pela manhã, ele brigou com a própria equipe durante uma coletiva de imprensa quando foi perguntado sobre o golpismo dos empresários bolsonaristas. "Ninguém bota a mão em mim", repetiu o presidente para pessoas que tentavam acalmá-lo quando ele batia boca com jornalistas.

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  • #388 Com atraso, PF quer indiciar Bolsonaro por fake news na pandemia | Os desafios das candidaturas trans nas #Eleições2022
    QUINTA, 18/08/2022: Vai se criando um clima terrível para Bolsonaro e a possibilidade do atual presidente trocar o CEP do Palácio da Alvorada para Bangu no ano que vem aumenta a cada dia. Agora, a notícia é que a Polícia Federal resolveu, finalmente, que o presidente cometeu crime numa live realizada em outubro do ano passado, quando fez uma associação absurda entre a vacina contra covid-19 e o risco de ter HIV. Na época, a live foi derrubada pelo YouTube e pelo Facebook por fake news na semana seguinte. Mas a PF demorou quase um ano.

    O que chama a atenção é o momento que a PF escolheu para, enfim, decidir que o presidente é um criminoso e que foi responsável por muitas mortes durante a pandemia. Enquanto a delegada refletia sobre o assunto, quase 700 mil pessoas morreram com covid-19 no Brasil. Mas por que só agora?

    Porque existe uma entidade superior chamada sistema, que é prima de outra chamada mercado e uma terceira que chama instituições. Elas não tem cara, nem documentos, nem nomes. Quando falamos no sistema, no mercado ou nas instituições, estamos nos referindo a uma conjunção de poderes que atuam por uma lógica própria e, muitas vezes, por interesses próprios também.

    O sistema não precisa combinar com os russos para decidir qualquer coisa. Não tem reunião, nem ofício, nem nada. É tudo muito subjetivo e as decisões acontecem naturalmente baseadas na onda do momento. E a onda do momento é Lula lá. O sistema já entendeu que, na atual conjuntura, Bolsonaro está em baixa, vai perder a eleição e deixará de ser poderoso. Então, decidiram, que a partir de agora ele pode ser punido. Se você prestar atenção vai ver que há um movimento silencioso nesse sentido em várias áreas. Na Justiça, as decisões começarão a ser desfavoráveis a Bolsonaro. O mercado também vai dar os seus sinais de que Lula não é tão ruim assim pra eles. Ou você acha que é por acaso que a FIESP do pato amarelo tem como presidente o filho do ex-vice-presidente de Lula? Sabe de nada inocente!

    O sistema, enfim, já aceitou o fim de Bolsonaro e essa é uma péssima notícia para ele. Também é uma péssima notícia pra gente, porque não é assim que as coisas deveriam funcionar. Se o presidente cometeu crime, esteja ele em alta ou em baixa, deveria ser denunciado, investigado e punido independente do clima do momento. Mas, infelizmente, não é assim que funciona porque você, eu, o Bolsonaro e até a rainha da Inglaterra vivemos submetidos a lógica desse tal sistema.

    CANDIDATURAS TRANS EM 2022
    As eleições de outubro podem ser um marco importante na luta política de travestis e transexuais. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) prevê um desempenho superior a 2018 – quando foram eleitas três deputadas estaduais – e acredita na conquista de uma vaga inédita na Câmara Federal. Nós vamos receber uma candidata que disputa essa vaga inédita! Vamos conversar com a co-vereadora pelo PSOL de Porto Alegre Natasha Ferreira, que é candidata a deputada federal nestas eleições. Recentemente, junto com a vereadora de São Paulo Erika Hilton, Natasha denunciou Bolsonaro por ter feito piada homofóbica com a varíola dos macacos em entrevista a um podcast. Depois da denúncia, ela foi ameaçada de morte.

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    1 hr 13 min
  • #387 Os bastidores da posse de Xandão que irritou Bolsonaro | O debate que mais importa na campanha é sobre a economia?
    QUARTA, 17/08/2022: Certamente você já imaginou se pudesse trancar o Bolsonaro num quartinho sem porta nem janela e falar na cara tudo o que ele merece ouvir. E ele, sem poder reagir, seria obrigado a ouvir calado. Pois é, o novo presidente da Justiça Eleitoral do Brasil, ministro Alexandre de Moraes, conseguiu essa proeza.

    A cerimônia de posse do ministro ontem em Brasília foi um show de constrangimento, em especial para o atual presidente. Calado e visivelmente desconfortável, Bolsonaro teve que ouvir quieto falas em defesa do processo eleitoral, contra discurso do ódio e a favor da democracia. Alexandre de Moraes foi aplaudido em pé por todo mundo, menos pelo próprio Bolsonaro e pelo filho dele, Carluxo, que também estava na plateia.

    A presença de Carluxo, que é apontado como o chefe do gabinete do ódio responsável por criar fake news inclusive contra o Supremo, foi uma provocação bolsonarista. O filho do presidente estava sentado perto de Geraldo Alckmin, vice na chapa de Lula, e quando todo mundo ficou em pé para aplaudir o discurso forte de Moraes, ele não levantou.

    Mas, além dessa gente menor, todo o poder político e jurídico brasileiro estava no salão do TSE, sentindo aquele cheiro de mofo vindo do carpete vermelho e de grande parte do público. Na mesa, idosos brancos deixaram evidente como o poder no Brasil ainda reflete o racismo e o machismo presente na nossa sociedade.

    Quatro ex-presidentes estavam presentes e sentaram na primeira fila, de frente para a mesa onde Bolsonaro estava. Dilma, Sarney, Lula e Temer sentaram, nesta ordem. Dilma e Temer nem se cumprimentaram. Lula chegou todo trabalhado na simpatia e saiu apertando a mão de todo mundo antes de sentar no seu lugar, entre Sarney e Temer. Lula e Temer conversaram. Paulo Guedes chegou toda falsiane cumprimentando, aos sorrisos, tanto Lula quanto Dilma.

    Os outros ex-presidentes foram convidados, mas FHC não pode ir por problemas de saúde e Collor disse que ia, mas não apareceu. A plateia também tinha embaixadores de países estrangeiros, muitos eram os mesmos que estiveram naquela reunião na qual Bolsonaro apresentou o roteiro do golpe contra o processo eleitoral.

    A posse no TSE seria mais um evento protocolar e sem graça se o Brasil estivesse em uma situação de normalidade. Mas não foi, mesmo concorrendo com Pantanal e outras lives, mais de 100 mil pessoas assistiram o evento só no YouTube. O encontro entre ex-presidentes também seria algo banal num país normal, mas ganhou ares de ato em defesa da democracia e contra o atual presidente.

    O ato de posse de Alexandre de Moraes se transformou em mais um evento contra o discurso golpista de Bolsonaro. Ele, sem dúvida, foi o principal derrotado da noite. Tanto que saiu de lá, ao lado de Carluxo da primeira-dama, visivelmente irritado.

    Há algumas semanas, as elites intelectual e econômica deram o recado contra o golpe naquela Carta pela Democracia. Agora, as elites jurídica e política repetiram o gesto mandando, nas entrelinhas, o Jair catar coquinho. Como diria Rita Lee numa famosa música que eu adoro, "agora só falta você" dar o seu recado pro Jair. E isso já tem data para acontecer: 2 de outubro.

    É A ECONOMIA, ESTÚPIDE!
    Em 1992, um cara chamado James Carville que era estrategista da campanha de Bill Clinton contra George Bush nos Estados Unidos orientou os trabalhadores da campanha democrata com a frase "é a economia, estúpido".

    Hoje, 30 anos depois, variação da mesma frase pode ser aplicada à campanha eleitoral no Brasil. Por isso, na segunda parte do programa, vamos receber a economista Juliane Furno, do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), e que está ajudando na construção do programa de governo de Lula sobre o assunto.

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    1 hr 7 min
  • #386 #Eleições2022: Lula 44% x 32% Bolsonaro na pesquisa Ipec | Desafios de ser independente na internet, com André Fran
    TERÇA, 16/08/2022: A Globo divulgou ontem a primeira pesquisa eleitoral após a oficialização das candidaturas à presidência. O levantamento do Ipec, o antigo Ibope, mostra que Lula pode ganhar a eleição já no primeiro turno. Diferente das pesquisas telefônicas, os dados mostram a mesma estabilidade no cenário que persiste há um ano.

    Lula tem 44%, Bolsonaro 32%, Ciro 6% e Tebet 2%. O Ipec não fazia pesquisa há 8 meses. No levantamento de dezembro do ano passado, Lula tinha 48%, Bolsonaro 21%, Moro 6% e Ciro 5%. Evidentemente, Bolsonaro pegou os votos do Moro e Lula não cresceu. Ciro Gomes caminha para ser um nanico na eleição. Ele e Simone Tebet estão empatados dentro da margem de erro.

    Lula tem uma parcela do eleitorado já consolidada, o que provavelmente vai fazer com que a campanha de Bolsonaro aumente a pressão para tentar aumentar a rejeição do ex-presidente. Vem aí mais uma enxurrada de fake news contra Lula. Bolsonaro também tem os seus em torno de 30% consolidados e o desafio dele é justamente tirar votos do Lula. A terceira via, incluindo Ciro, não é player nesta eleição, para desespero da mídia comercial.

    Outro dado interessante da pesquisa Ipec é que 77% dos eleitores estão decididos sobre o voto para presidente em 2022. Os mais decididos são os que declaram voto em Lula e Bolsonaro. Ao todo, 82% dos eleitores dos dois candidatos dizem que a decisão é definitiva. Outros 17% afirmam que podem mudar. No caso de Ciro, 36% dos eleitores dizem que não vão trocar de candidato, enquanto 64% afirmam que podem votar em outro concorrente.

    A pesquisa Ipec foi a primeira das presenciais que serão divulgadas esta semana. Amanhã sai o levantamento da Quaest e, na quinta do Datafolha.

    ENTREVISTA COM ANDRÉ FRAN
    O jornalista, diretor e apresentador do podcast Cagando Regra, dos programas "Não Conta lá em Casa" (Multishow), "Que Mundo é Esse" (Globo News), no "Projeto Meme" (Futura), no "O Futuro é Feminino" (GNT), conversa com a nossa comunidade sobre a produção independente de conteúdo na internet, política e muito mais.

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  • #385 #Eleições2022: principais institutos divulgam pesquisas nesta semana | Pensa Comigo: O que você vai ocupar na campanha?
    SEGUNDA, 15/08/2022: Três dos principais institutos de pesquisa do Brasil divulgarão nesta semana novos levantamentos de intenção de voto para a presidência. Hoje mesmo o Ipec, formado por pesquisadores do antigo Ibope, apresentará os números da pesquisa encomendada pela TV Globo. Amanhã os pesquisadores do Datafolha sairão a campo para as entrevistas da pesquisa que será divulgada na quinta-feira. Um dia antes, na quarta, sai a pesquisa Quaest nacional.

    Será uma semana de grande tensão, já que levantamentos da semana passada apontaram recuperação de Bolsonaro em Minas Gerais e em São Paulo, dois dos estados brasileiros com a maior quantidade de eleitores.

    Desde que as candidaturas de Bolsonaro e Lula foram decididas, lá no ano passado, os cenários apresentados pelos institutos de pesquisa coincidem em uma estabilização. Os números dos principais candidatos são parecidos há quase um ano. No entanto, levantamentos feitos por telefone esses dois estaduais da Quaest apontaram, pela primeira vez, tendência relevante de recuperação de Bolsonaro. E a estagnação de Lula, que pouco cresce há meses.

    As pesquisas desta semana vão servir para confirmar isso ou não. Há novos elementos que podem influenciar: o pagamento do auxílio eleitoreiro de Bolsonaro, as saídas de André Janones e de Pablo Marçal, cujos partidos agora apoiam Lula, e a proximidade do início da campanha eleitoral oficial.

    PENSA COMIGO, com Rachel Cor
    Começa amanhã a campanha eleitoral e a Rachel Cor quer saber o que você vai ocupar para discutir política? E como você pode propor essa conversa sem afastar quem pensa diferente ou está em cima do muro?

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