Pela primeira vez desde que teve seu nome mencionado por depoentes na CPI da Covid, no Senado, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), subiu à tribuna do Plenário para negar o envolvimento em suspeitas e defender o Executivo de acusações de irregularidades na compra de vacinas.
A CPI investiga suspeita de superfaturamento em contratos para a compra de vacinas com a intermediação de empresas. A primeira denúncia partiu do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e do irmão dele, Luis Ricardo Miranda, que é servidor do Ministério da Saúde.
Eles lançaram suspeitas sobre negociações envolvendo a aquisição da vacina indiana Covaxin. Ricardo Barros disse que não foi acusado por Luiz Miranda e que já entrou em contato com o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), para ser ouvido antes do recesso parlamentar, que começa no dia 16 de julho.
“Ele diz assim, o Luis Miranda: "O Presidente olhou uma foto dele, Barros — minha, portanto —, em uma das matérias da Global, inclusive essa empresa não recebeu dinheiro desse contrato, mas esse grupo econômico faz negócio com o Ministério da Saúde". De fato, ele fornece preservativos femininos. E disse depois: "Volto a afirmar que todas as minhas conversas com Ricardo Barros foram republicanas, e não vou me pronunciar sobre fatos que não posso provar". Então o deputado Luis Miranda, não tenho nenhuma questão com ele, ele fez o que achou que deveria, e eu estou procurando a oportunidade de ir à CPI para esclarecer os fatos que envolvem o meu nome.”
Ricardo Barros disse, ainda, que foi apenas um dos vários deputados, inclusive da oposição, que fez emendas para garantir recursos para a aquisição da Covaxin, o que se justifica, segundo ele, pelo fato de a Índia ser a maior produtora de vacinas do mundo.
Barros também explicou sua relação com Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, preso nesta quarta-feira (07) acusado de mentir durante depoimento à CPI. Dias foi acusado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, representante da empresa Davatti, de ter cobrado propina para que o ministério adquirisse a vacina da Covaxin, o que ele nega.
O líder do governo disse que Dias foi nomeado para um cargo de direção na Secretaria de Infraestrutura do Paraná pela mulher dele, a então governadora Cida Borghetti, por indicação do ex-deputado Abelardo Lupion. Barros disse ainda esperar que Dias possa provar não estar envolvido em irregularidades.
Ricardo Barros reforçou que não foi acusado pelos depoentes e pediu para ser ouvido.
“Eu já fui citado inúmeras vezes na CPI. Para todas as pessoas que vão lá, o Relator pergunta se têm relação comigo, os Senadores perguntam se têm relação comigo. Todos negaram, mas eu mesmo não tive a oportunidade de fazer o esclarecimento. Então, aproveito esta oportunidade para falar do esforço do Governo Bolsonaro no combate à corrupção, das medidas concretas que ele tomou em favor do compliance e para dizer que espero que ou o Supremo Tribunal Federal ou o Presidente Omar Aziz, conceda a marcação da minha data de oitiva antes do recesso parlamentar”.
As investigações da CPI têm sido objeto de discussões no Plenário da Câmara entre deputados do governo e da oposição. A oposição pede que as suspeitas sejam esclarecidas, como disse a deputada Erika Kokay (PT-DF).
“São coisas que indicam que há um "negocionismo" para além do negacionismo, ou seja, essa postura do Governo de protelar a vacinas, ao que tudo indica, tem um interesse corrupto, que precisa ser desvendado e precisa ser responsabilizado”.
Ricardo Barros disse que recorreu ao Supremo Tribunal Federal para que seu depoimento ocorra antes do recesso parlamentar.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Antonio Vital