O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que não vê razões para abrir um processo de impeachment contra o presidente Bolsonaro neste momento. Ele afirmou que é preciso aguardar novos acontecimentos e que não há nenhum fato novo que justifique abrir um processo de impedimento contra o presidente da República. Lira participou de entrevista na Rádio Jovem Pan, e foi questionado se as denúncias envolvendo suposta prevaricação de Bolsonaro em compras superfaturadas de vacinas pelo ministério da Saúde e denúncias envolvendo o presidente quando foi deputado, no chamado esquema de rachadinhas, seriam motivos para abrir um processo.
Lira destacou que uma Comissão Parlamentar de Inquérito está investigando a atuação de Bolsonaro, e lembrou que há também um inquérito no Supremo Tribunal Federal. Segundo o presidente da Câmara, um impeachment nesse momento traria instabilidade ao País.
“Não podemos institucionalizar o impeachment no Brasil. Não podemos instabilizar o Brasil a cada presidente eleito. As eleições são feitas de 4 em 4 anos para escolher o presidente. Nessa situação, o que a CPI está trazendo são depoimentos, que trouxeram uma realidade que está sendo investigada. O inquérito no STF está tendo andamento normal, sem açodamento”.
Lira reafirmou que na proposta de reforma tributária que tramita na Câmara não haverá aumento da carga tributária. Segundo ele, o debate está sendo feito de forma transparente com o setor produtivo, com o governo, com os demais entes federados e todos os que geram riqueza no País. O presidente defendeu que o Congresso corrija as eventuais distorções nas alíquotas propostas pelo governo para que não haja “uma sanha arrecadatória”.
“Agora, alguns empresários não podem aproveitar de uma disparidade de alguma alíquota que vem, de alguma dosagem de imposto, para não querer pagar dividendos. O Brasil é um dos únicos países do mundo em que 21 mil pessoas podem receber R $ 231 bilhões sem pagar um real de imposto”
Em relação à polêmica proposta que autoriza o voto impresso nas urnas eletrônicas, Lira afirmou que não tem compromisso com a aprovação ou rejeição do texto, mas, sim, com o debate. Segundo ele, a PEC está seguindo sua tramitação normal e não haverá, por parte dele, interferência nas avaliações partidárias sobre o tema.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Gustavo Xavier