Líderes de diversos partidos, incluindo os de oposição e independentes, aproveitaram a sessão de votações no Plenário da Câmara para pedir mais investigações sobre as suspeitas apuradas pela CPI da Covid, no Senado, a respeito das negociações para aquisição da vacina Covaxin.
Em depoimento à CPI, do deputado Luiz Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luiz Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram que houve pressões indevidas para aquisição do imunizante e que isso foi comunicado ao presidente da República, Jair Bolsonaro.
Deputados classificaram as suspeitas como graves. O líder da oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), disse que as suspeitas reforçam pedido de impeachment do presidente Jari Bolsonaro, que será protocolado nesta quarta (30), na Câmara.
“E aí, tudo que já era muito grave, consegue ficar ainda pior pela suspeita, fundamentada, de que essas mortes de mais de meio milhão de brasileiros foram permitidas até que se tivesse uma vacina que viesse junto do pagamento de propina”.
Deputados aliados do governo defenderam o presidente da República e descartaram irregularidades na operação de aquisição da Covaxin. O deputado Bibo Nunes (PSL-RS) criticou a CPI e disse que o ministério da Saúde não chegou a comprar o imunizante.
“Porque vivemos um momento em que o descrédito do país é latente. Nós temos esta CPI da Covid que é uma comédia. Temos uma acusação em que se acusa de homicídio e não tem vítima. O caso da Covaxin, isso é uma brincadeira. Uma compra, ela passa por três períodos, por três estágios. Tem que ter empenho, liquidação e pagamento. Não existiu.”
O deputado Neucimar Fraga (PSD-ES) defendeu a honestidade do presidente da República.
“Até a oposição que está aqui bramando por impeachment de Jair Bolsonaro conhece ele. Sabe que Jair Bolsonaro foi parlamentar neste Congresso em uma das épocas mais sombrias do Parlamento brasileiro, onde quase metade desse Parlaamento foi denunciada em esquemas e o deputado Jair Messias Bolsonaro não se enlameou”
Já o deputado Vinícius Poit (Novo-SP) disse que o partido protocolou pedido de informações junto ao Ministério da Justiça e Polícia Federal.
“A gente entrou com uma formalização de um pedido de resposta, com requerimento de informação no Ministério da Justiça, Polícia Federal, caros colegas, sobre o caso Covaxin. As denúncias são graves e elas precisam ser esclarecidas. Como diz o ditado popular: quem não deve não teme. Explica para a população e as pessoas”.
As denúncias também foram tema de pronunciamentos dos líderes da Minoria, do PT, do PDT e do Psol.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Antonio Vital