Partidos de oposição, parlamentares de diferentes campos políticos, entidades da sociedade e personalidades apresentaram nesta quarta-feira (30) mais um pedido de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. Ao todo já foram apresentadas 122 peças defendendo o impedimento de Bolsonaro, mas apenas seis foram analisadas e arquivadas.
O novo documento lista 23 tipos penais, que seriam supostamente os crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro. Entre eles, estão a acusação de atentar contra o livre exercício dos poderes Legislativo e Judiciário e dos poderes constitucionais dos estados; de interferir indevidamente na Polícia Federal para a defesa de interesses pessoais e familiares; de agravar a pandemia com práticas negacionistas e agressões ao direito à Saúde, entre outros.
O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), afirmou que esse “superpedido” de impeachment unifica vários outros pedidos já apresentados. Ele explicou que as últimas denúncias envolvendo a compra de vacinas e supostas irregularidades não fazem parte do documento, mas trazem mais força para o pedido.
“Ainda mais grave é ver um governo que vende a vida dos brasileiros por um dólar”.
O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) destacou que em condições normais, não estaria no mesmo palanque de diversos partidos de esquerda, mas ressaltou que é um momento que une partidos de direita, de centro e de esquerda.
“Todos os pedidos são legítimos, justos para derrubar esse governo que mais promoveu morticídio, genocídio e destruiu a máquina pública para blindar os próprios filhos”.
Em defesa do governo, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) afirmou em Plenário que Bolsonaro tem sofrido com narrativas construídas diariamente para atacar o Governo e destruir a imagem do presidente.
“O governo tem comprado vacinas, não tem medido esforços para manutenção dos empregos através de linhas de crédito e de auxílios emergenciais, mas, como não conseguem encontrar nada, nem mesmo casos de corrupção, criam-se narrativas a todo momento para poder respingar no Presidente Jair Bolsonaro”
O deputado Bibo Nunes (PSL-RS) também respondeu ao pedido de impeachment de Bolsonaro, e disse que ele foi feito por uma oposição que é contra tudo e a favor de nada. Segundo ele, esse chamado “superpedido” também vai ser desmoralizado.
“Pedir o impeachment de Bolsonaro baseado no quê? Com que roupa vem esse pedido? Não tem improbidade. Não tem erro algum do Governo. O que tem são falsas acusações, fake acusações, sem fundamento algum”.
Nesta quarta-feira, ao sair do Plenário, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi questionado pela imprensa sobre o novo pedido de impeachment.
"Impeachment como ação política a gente não faz com discurso, a gente faz com materialidade, que por enquanto ainda não se comprovou. Vamos esperar a CPI, que está fazendo um belíssimo trabalho, bem imparcial. "
Cabe ao presidente da Câmara decidir se aceita ou não o pedido de impeachment, e cabe ao Plenário da Casa a decisão sobre a abertura ou não do processo.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Gustavo Xavier