O sujeito da Viena de 1900 ainda cabe no dispositivo pensado por Freud? Ou será que a psicanálise contemporânea precisa reconstituir algo para acolher o sujeito de hoje?
Neste episódio, a gente viaja no tempo. Primeiro, até a Berggasse 19, para olhar para o sujeito freudiano: seus sintomas, sua estrutura neurótica, sua crença na palavra, sua capacidade de deitar-se num divã e falar por horas. Depois, voltamos ao presente — para o sujeito das telas, da aceleração, da imagem, do vazio. O sujeito que chega ao consultório com um diagnóstico, mas sem uma história; com um sintoma, mas sem uma pergunta sobre si; com uma identidade colada ao sofrimento, dizendo "sou ansioso" em vez de "tenho ansiedade".
A técnica freudiana não está ultrapassada. A associação livre ainda funciona. O problema é que cada vez mais topamos com casos em que o dispositivo analítico está "por vir" — não está dado, não está garantido pela tradição. E, nesses casos, a psicanálise precisa fazer mais do que interpretar. Precisa reconstituir: a atenção, a narrativa, a pausa, o desejo, o corpo.
Um episódio sobre o sujeito contemporâneo, o sofrimento produzido pelo capitalismo neoliberal e a psicanálise como prática viva, ética e implicada.
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