Psicanálise e Cultura

Psicanálise e Cultura

By Psicanalista Sandro CavalloteHealth & FitnessMental Health
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Psicanálise e Cultura episodes

  • 164 - Responsabilidade social e cívica: do Eu ao Nós

    Nesse episódio eu parto de uma cena banal — meu carro parado ao lado de um ônibus lotado — para pensar em algo que a gente raramente coloca em palavras: o quanto nossas escolhas mais pessoais, até as pequenas, ajudam a construir (ou a fragilizar) o ambiente coletivo em que todos vivemos. Falo sobre identificação e voto, sobre por que às vezes escolhemos quem se parece com a gente em vez de pensar no todo, sobre racismo estrutural, saúde mental, saúde social e sobre o SUS como exemplo concreto de que a saúde do outro é, sempre, condição para a minha própria saúde. Sem discurso de manual cívico — só um convite sincero pra gente se perguntar: que espaço estou ajudando a construir, pra mim e pra quem vem depois de mim?


    23 min
  • 163 - Letramento do Desejo: A alfabetização do Inconsciente

    Neste episódio, eu proponho uma conversa sobre os letramentos que precisamos desenvolver para ler o mundo — e para ler a nós mesmos. Falo de três letramentos fundamentais para o nosso país: o racial, o de classe e o de gênero. E proponho um quarto, talvez o mais negligenciado: o letramento do desejo.

    O que isso significa? Reaprender como nos relacionamos com aquilo que queremos. Porque o desejo não é algo que a gente simplesmente tem — é algo que a gente aprende a nomear, a reconhecer, a sustentar. E, se a gente não aprende, alguém aprende por nós: as corporações, os algoritmos, as plataformas.

    Mas o letramento do desejo não é só denúncia. É também responsabilidade subjetiva. É aprender a distinguir o que eu quero do que me fazem querer — e sustentar essa distinção. É aprender a suportar a falta sem preencher com o que não é meu.

    Uma reflexão lírica e crítica sobre por que precisamos aprender a ler o que queremos — antes que digam o que devemos querer.


    21 min
  • 162 - Desprazer é movimento : a importância da ausência da felicidade

    Neste episódio, eu convido você a pensar sobre algo que talvez pareça contraintuitivo: a importância do desprazer nas nossas vidas.

    Vivemos num tempo em que a felicidade virou obrigação. Não basta estar vivo — é preciso estar radiante. Não basta sentir prazer — é preciso senti-lo o tempo todo, de preferência compartilhável. E quem não está bem? O problema é ele. Mas será mesmo?

    Eu proponho um elogio do desprazer. Não como apologia do sofrimento, mas como reconhecimento de que a falta, o tédio, o vazio e o incômodo são partes constitutivas da vida psíquica — e, mais do que isso, são o que nos move, nos faz escolher e nos torna quem somos.

    Ao longo do episódio, eu explico o que é a falta para a psicanálise, distingo falta de vazio, e mostro como a internet e a cultura do prazer imediato nos roubaram o tédio — esse espaço fecundo onde a experiência se choca e o desejo nasce. Passo por Freud, Lacan, Sara Ahmed, Domenico De Masi e Walter Benjamin para conversar sobre como habitar o desconforto em vez de fugir dele.

    É uma reflexão leve e profunda sobre por que nem tudo precisa ser prazer — e sobre como o incômodo pode ser, paradoxalmente, o que nos faz escolher melhor.

    20 min
  • 161 - A fábrica de sonhos vazios : psicanálise, classe e o fim da experiência criativa

    Neste episódio do Psicanálise e Cultura, mergulhamos numa pergunta que ecoa nos consultórios, nos estúdios e nas fábricas do século XXI: o que aconteceu com a nossa capacidade de criar? Partindo da experiência pessoal do apresentador no universo da publicidade e da criação, atravessamos a crítica à captura do termo "criatividade" pela lógica de mercado, o esvaziamento do seu sentido e a ironia perversa de um sistema que nos exige ser criativos sob pressão — e nos adoece com burnout e depressão exatamente por isso.

    Com referências a Byung-Chul Han e à psicanálise de Winnicott, discutimos a importância do ócio, do tédio e do silêncio como condições para a criação genuína, a clivagem de classe no acesso ao tempo criativo e a urgência de resistir à pasteurização do pensamento. A criatividade verdadeira, defendemos, não se vende em cursos de fim de semana — ela exige tempo, estudo, conhecimento crítico e, acima de tudo, a coragem de desacelerar.

    🎧 Ouça e compartilhe.

    36 min
  • 160 - O inconsciente não é neutro: psicanálise, poder e marcadores sociais

    O que acontece com a psicanálise quando ela se recusa a encarar os marcadores sociais como parte constitutiva do sujeito? E o que ela perde quando insiste em ser uma clínica do universal abstrato, desencarnado e des-historicizado?


    Neste episódio do Psicanálise e Cultura, falo um pouco da parte da experiência de supervisão clínica realizada com a psicanalista Gabi Braun no Neppa para interrogar um dos pilares mais caros à técnica psicanalítica: a neutralidade. E mostra que, longe de ser um "não lugar", o setting analítico é atravessado por gênero, classe, raça e tecnologia — e que a escuta que não dá conta disso corre o risco de repetir as violências que deveria acolher.


    Com referências a Ferenczi, Fanon, Neusa Santos Souza e outros, o episódio propõe uma psicanálise implicada, que não tem medo de se sujar, que reconhece o inconsciente como também social e que convoca o analista a descolonizar sua escuta. E ainda: letramentos raciais, de gênero, de classe e tecnológicos como ferramentas clínicas indispensáveis para uma prática mais verdadeira.


    Uma conversa sobre o mal-estar contemporâneo e sobre o que a psicanálise ainda precisa aprender — ou desaprender — para continuar sendo um espaço de transformação.


    Palavras-chave: psicanálise, neutralidade, gênero, classe social, tecnologia, descolonização, Ferenczi, Fanon, Neusa Santos Souza, clínica contemporânea, Neppa, supervisão clínica, marcadores sociais.


    39 min
  • 159 - A falácia da tal Síndrome do Impostor

    A "síndrome do impostor" se tornou um dos diagnósticos mais populares da atualidade. Mas será que ela existe? Ou será que é uma falácia — uma forma de patologizar o que é, na verdade, uma resposta humana a um mundo que adoece?

    Neste episódio, a gente investiga a origem do termo, cunhado em 1978 a partir de um estudo com 150 mulheres bem-sucedidas, e questiona: onde estavam os homens? Por que a dúvida virou doença, e não uma questão a ser escutada?

    Com uma crítica à hiperpatologização do sofrimento, à indústria da insegurança e ao capitalismo que transforma dúvida em produto, o episódio propõe uma escuta psicanalítica que não diagnostica para curar — mas acolhe para elaborar. E pergunta: o que você deixou de fazer porque se sentiu um impostor?

    🎧 Ouça agora.

    #psicanalise #psicologia #psiquiatria #freud #podcast

    34 min
  • 158 - Você compete com você mesmo: o isolamento narcísico da competição

    "A competição consigo mesmo é uma competição com um fantasma. E, contra um fantasma, não há vitória possível."

    Por que a frase "você compete com você mesmo" é uma das maiores armadilhas do nosso tempo? O que ela produz de isolamento, exaustão e narcisismo?

    Neste episódio, a gente investiga o deslocamento da competição do mundo para a cabeça — e como isso nos torna estrangeiros do outro.

    Um episódio para quem quer entender por que a competição interiorizada adoece — e como o encontro com o outro ainda é o caminho.


    Referencial direto ou indireto do episódio:

    Com Freud (Sobre o Narcisismo), Filipe Boni, Flávia Albuquerque (Despatologiza) e dados do Google Trends.



    39 min
  • 157 - Quando o sonho vira dívida: o empreendedorismo e seus custos subjetivos

    "Seja seu próprio chefe", "liberdade financeira", "trabalhe de onde quiser". Essas promessas têm enchido os feeds e alimentado sonhos. Mas o que elas escondem?

    Neste episódio, a gente desmonta o discurso do empreendedorismo contemporâneo. Mostramos como ele transforma trabalhadores em "empresários de si", transfere todos os riscos para o indivíduo e cria um modelo de trabalho profundamente predatório — exemplificado por plataformas como iFood e Uber.

    Com referências a Vladimir Safatle e uma análise do sofrimento psíquico produzido por essa lógica, o episódio também denuncia o impacto no SUS, que está cada vez mais sobrecarregado com as consequências desse modelo.

    Porque, quando o sonho vira dívida, quem paga a conta não é o sistema — é o sujeito sozinho.

    31 min
  • 156 - A psicologia do ego: da clínica ao controle

    A psicanálise nasceu como prática de escuta do inconsciente. Mas, ao ser apropriada nos Estados Unidos, tornou-se ferramenta de adaptação, conformação e controle.

    Neste episódio, a gente viaja da Viena de Freud à América corporativa de Edward Bernays, passando pela psicologia do ego de Hartmann e pela crítica radical de Lacan. E perguntamos: o que acontece quando a clínica do conflito se transforma em técnica de ajuste?

    Com base no documentário O Século do Ego, de Adam Curtis, e numa reflexão sobre como essa lógica colonizou também o Brasil.

    🎧 Ouça agora.

    32 min
  • 155 - Reconstituição do dispositivo psíquico: o sujeito contemporâneo e a psicanálise

    O sujeito da Viena de 1900 ainda cabe no dispositivo pensado por Freud? Ou será que a psicanálise contemporânea precisa reconstituir algo para acolher o sujeito de hoje?

    Neste episódio, a gente viaja no tempo. Primeiro, até a Berggasse 19, para olhar para o sujeito freudiano: seus sintomas, sua estrutura neurótica, sua crença na palavra, sua capacidade de deitar-se num divã e falar por horas. Depois, voltamos ao presente — para o sujeito das telas, da aceleração, da imagem, do vazio. O sujeito que chega ao consultório com um diagnóstico, mas sem uma história; com um sintoma, mas sem uma pergunta sobre si; com uma identidade colada ao sofrimento, dizendo "sou ansioso" em vez de "tenho ansiedade".

    A técnica freudiana não está ultrapassada. A associação livre ainda funciona. O problema é que cada vez mais topamos com casos em que o dispositivo analítico está "por vir" — não está dado, não está garantido pela tradição. E, nesses casos, a psicanálise precisa fazer mais do que interpretar. Precisa reconstituir: a atenção, a narrativa, a pausa, o desejo, o corpo.

    Um episódio sobre o sujeito contemporâneo, o sofrimento produzido pelo capitalismo neoliberal e a psicanálise como prática viva, ética e implicada.

    🎧 Ouça agora.

    35 min

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Meu nome é Sandro Cavallote. Sou Psicanalista, professor, escritor e comunicólogo e a ideia deste podcast é falar sobre psicanálise, saúde social, inconsciente, Escuta, linguagem, comunicação,…