Psicanálise e Cultura

Psicanálise e Cultura

By Psicanalista Sandro CavalloteHealth & FitnessMental Health
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Psicanálise e Cultura episodes

  • 144 - Humanos na vitrine: entre a imagem e o apagamento do sujeito

    Vivemos cada vez mais entre filtros, superfícies lisas e corpos editados como se fossem de plástico. Neste episódio, refletimos sobre o desejo contemporâneo de controle, a intolerância ao erro e a transformação da vida em vitrine. O que se perde quando o humano precisa parecer perfeito o tempo todo?


    18 min
  • 143 - Os jovens da pandemia

    Neste episódio de Psicanálise e Cultura, mergulho nas marcas deixadas pela pandemia de COVID-19 na constituição psíquica de crianças e adolescentes. A partir de uma escuta psicanalítica, reflito sobre os bebês que tiveram seus primeiros vínculos restritos ao ambiente doméstico, os adolescentes privados do encontro e lançados às telas, e os cuidadores que precisaram sustentar tudo isso em meio ao próprio sofrimento.

    Entre perdas, adaptações e invenções, proponho uma leitura que evita simplificações e busca compreender como esse período reorganizou modos de sentir, de se relacionar e de existir. Mais do que analisar “os jovens da pandemia”, o episódio convida a uma pergunta direta: como cada um de nós atravessou esse tempo — e o que ainda estamos tentando elaborar?

    Um episódio para quem deseja pensar a clínica, a cultura e a responsabilidade ética de escutar o que ainda não encontrou palavra.

    20 min
  • 142 - Empreendedorismo e sua relação com o sofrimento atual

    Neste episódio, parto de uma provocação que tem me atravessado: por que, em uma época que exalta tanto a liberdade, a autonomia e o protagonismo, a gente parece cada vez mais cansado, ansioso e culpado?

    A partir de uma leitura histórica do empreendedorismo — de função econômica a ideal de existência —, eu vou explorando como esse discurso foi sendo apropriado pelo capitalismo contemporâneo até se transformar em uma exigência subjetiva constante. Trago a psicanálise para a conversa para pensar como esse imperativo de desempenho, produtividade e sucesso reorganiza o nosso sofrimento, deslocando aquilo que é social para o campo do individual.

    No contexto brasileiro, aprofundo a relação entre empreendedorismo e economia informal, refletindo sobre como a precarização do trabalho e o enfraquecimento de garantias passam a ser vendidos como liberdade, produzindo uma autonomia que, muitas vezes, aprisiona ainda mais.

    Também me detenho em algo que tem me preocupado bastante: como essa lógica chega cada vez mais cedo. Crianças e adolescentes sendo atravessados por uma cultura de performance, monetização e exposição, onde experiências fundamentais vão sendo substituídas pelo valor de mercado.

    Ao longo do episódio, tensiono essa “política do eu” e seus efeitos na nossa capacidade de existir em coletivo, propondo uma escuta do sofrimento que não o reduza a falha individual, mas que o compreenda como parte de um modo de vida que nos atravessa.

    Um episódio para escutar com atenção — e, talvez, com algum incômodo.

    21 min
  • 141 - A indústria da estética e a manutenção da sua tristeza

    Vivemos cercados por discursos de autoestima, autocuidado e “amor próprio” — mas por que, então, nunca foi tão difícil sustentar uma boa relação com quem somos?

    Neste episódio, partimos de O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud, para pensar como o sofrimento, que é estrutural à vida em sociedade, vem sendo capturado e transformado em produto. A indústria da estética não elimina o mal-estar — ela o administra, mantendo o sujeito em uma busca infinita por adequação.

    Falamos sobre redes sociais, filtros, tecnologia e os efeitos psíquicos de se comparar constantemente com imagens irreais. Discutimos também como a baixa autoestima não é apenas uma questão individual, mas atravessada por uma cultura que exige performance, aparência e constante melhora, como aponta Byung-Chul Han.

    Por fim, abordamos o envelhecimento como um fenômeno não só biológico, mas cultural — e como a recusa em lidar com o tempo pode nos afastar ainda mais de nós mesmos.

    Um episódio para questionar: até que ponto o que você sente sobre si é realmente seu… e quanto disso foi produzido para que você nunca se sinta suficiente?

    17 min
  • 140 - Informação demais: quando tudo vira ruído

    Vivemos cercados por informação. Vídeos, livros, podcasts, cursos, opiniões — tudo ao mesmo tempo, o tempo todo.

    Mas será que o problema é realmente “informação demais”?

    Neste episódio, a proposta é deslocar essa pergunta. Em vez de pensar o excesso como uma falha individual — falta de disciplina, de organização ou de foco —, olhamos para o contexto em que esse excesso se produz: um tempo cada vez mais capturado por exigências de produtividade, performance e atualização constante.

    A partir de uma leitura psicanalítica e cultural, discutimos como o cérebro não foi feito para acumular, mas para selecionar; como o excesso pode funcionar como defesa contra o vazio; e como a lógica contemporânea transforma o saber em algo a ser exibido, consumido e performado.

    Mais do que um episódio sobre informação, este é um episódio sobre tempo. Sobre o que fazemos com ele — e sobre o quanto, hoje, ele já não nos pertence completamente.

    No meio disso tudo, talvez a questão não seja consumir melhor.
    Mas criar, mesmo que em pequenas brechas, condições para que algo do pensamento possa acontecer.


    🎧 Um convite à pausa — e à escolha

    18 min
  • 139 - Resgatar a complexidade das coisas

    Vivemos uma época em que tudo precisa ser rápido, simples e imediato.
    Mas… e se essa simplificação estiver empobrecendo nossa capacidade de pensar?

    Neste episódio, proponho uma reflexão sobre como a lógica dos algoritmos tem moldado nossa forma de consumir conteúdo, produzir opiniões e, principalmente, sustentar ideias. Entre vídeos curtos, respostas prontas e certezas frágeis, o que se perde é justamente aquilo que mais importa: a complexidade.

    Falamos sobre psicanálise, cultura digital, excesso de opinião, comunidades redpill, educação superficial e o impacto disso tudo na nossa capacidade de criar, aprender e nos relacionar com o outro.

    Porque nem todo conteúdo informa.
    E nem toda sensação de saber… é, de fato, saber.

    Talvez o maior desafio do nosso tempo seja reaprender a pensar — com mais tempo, mais profundidade e menos pressa.

    🎧 Ouça agora e sustente a complexidade.

    23 min
  • 138 - A demonização da CLT e o desamparo contemporâneo: um problema psíquico-social

    Neste episódio, partimos de uma cena cotidiana — idosos recolhendo latinhas — para pensar o futuro, o envelhecimento e o desamparo na sociedade contemporânea. A partir de uma leitura psicanalítica, discutimos a demonização da CLT, o enfraquecimento das garantias coletivas e os impactos disso na saúde mental. Em meio ao discurso sedutor do empreendedorismo, questionamos: o que acontece quando a responsabilidade por sobreviver é totalmente individualizada? E que tipo de velhice estamos ajudando a construir?


    22 min
  • 137 - Desamparo e ressentimento

    Desamparo e ressentimento não são apenas experiências individuais — são forças que atravessam o laço social e ajudam a explicar muito do que vemos hoje. Neste episódio, partimos da psicanálise de Freud e dialogamos com autores como Nietzsche e Hannah Arendt para pensar como o desamparo, quando não elaborado, pode se transformar em ressentimento — e como isso encontra expressão em discursos simplificadores, na cultura digital e na intensificação dos conflitos sociais no Brasil.

    Ao longo da conversa, refletimos sobre a construção de inimigos, a economia do ódio nas redes e os efeitos disso na vida coletiva, chegando a um ponto crucial: quando o ressentimento se articula à violência, como no aumento dos feminicídios, o que está em jogo é a incapacidade de simbolizar perdas, frustrações e deslocamentos de lugar.

    Um episódio para quem quer ir além das explicações fáceis e pensar, com mais profundidade, os atravessamentos entre psicanálise, cultura e política — e, principalmente, quais caminhos ainda são possíveis para não sermos capturados por essa lógica.

    🎧 Ouça, reflita e compartilhe.

    27 min
  • 136 - Somos incapazes de lidar com nossas ambivalências

    Somos realmente capazes de lidar com nossas próprias contradições? Ou precisamos transformar tudo em extremos para conseguir suportar a realidade?

    Neste episódio, partimos de uma ideia central da psicanálise freudiana: a ambivalência — a coexistência de sentimentos opostos em relação ao mesmo objeto. Amar e odiar, desejar e temer, aproximar-se e afastar-se. Algo profundamente humano, mas que muitas vezes tentamos negar.

    Ao longo da conversa, discutimos como a cultura contemporânea tem dificuldade em sustentar essa complexidade. Vivemos em um tempo de divisões rígidas: bem x mal, nós x eles, certo x errado. Seja no futebol, na política ou nas disputas morais das redes sociais, a lógica dos extremos acaba eliminando aquilo que existe entre eles: as nuances da experiência subjetiva e coletiva.

    A partir da psicanálise clássica e de exemplos da realidade brasileira, o episódio propõe uma reflexão sobre como essa dificuldade de lidar com ambivalências atravessa nossas relações, nossos posicionamentos sociais e também o modo como escutamos os adolescentes.

    Porque talvez maturidade psíquica não seja eliminar o conflito —
    mas aprender a sustentá-lo.

    🎧 Ouça agora no Spotify.
    Se o episódio fizer sentido para você, compartilhe.

    23 min
  • 135 - Prover e servir

    Neste episódio, mergulho em uma dinâmica que, mesmo com as mudanças sociais, ainda organiza silenciosamente nossas relações amorosas, familiares e sociais: a oposição entre o provedor e a servidora.

    Partindo dos campos semânticos das palavras "prover" e "servir", exploramos como essas funções, historicamente ligadas ao masculino e ao feminino, deixaram de ser meros papéis sociais para se tornarem verdadeiras estruturas de identidade e reconhecimento.

    O que acontece quando um homem não consegue mais prover? E quando uma mulher decide não servir? Por que o dinheiro ainda é usado como moeda de poder para justificar a desigualdade no cuidado?

    Com exemplos da clínica e um olhar atento à psicanálise, discutimos:

    • Como o machismo estrutural transforma destinos sociais em sofrimento subjetivo.

    • A "carga mental" e o cansaço psíquico de estar sempre disponível.

    • O impacto disso na educação das crianças e na perpetuação de ciclos.

    • A importância de desnaturalizar esses papéis para construir relações mais flexíveis e saudáveis.

    Não se trata de abolir o ato de prover ou servir, mas de transformá-los de destinos herdados em escolhas conscientes.


    🎧 Ouça agora e reflita: como essas dinâmicas se manifestam na sua vida?


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    19 min

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Meu nome é Sandro Cavallote. Sou Psicanalista, professor, escritor e comunicólogo e a ideia deste podcast é falar sobre psicanálise, saúde social, inconsciente, Escuta, linguagem, comunicação,…