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Neste episódio, partimos dessa provocação para refletir sobre a imagem social do analista como intelectual, culto, detentor de um saber superior — e sobre o quanto essa ideia pode tanto enriquecer quanto excluir. A psicanálise nasce em um ambiente erudito, com Sigmund Freud dialogando com literatura, filosofia e ciência. Mas será que a erudição é condição para a prática clínica ou ela pode se tornar uma performance identitária?
Falamos sobre formação, universidade, elitização, “produtização” do saber, linguagem inacessível e o risco de transformar teoria em mecanismo de poder. Discutimos também o lugar das escolas — como a tradição de Jacques Lacan — e o que realmente está em jogo quando alguém se nomeia freudiano ou lacaniano.
Mais do que uma resposta fechada, este episódio propõe uma reflexão ética: o saber que acumulamos está a serviço da escuta ou do nosso narcisismo? A psicanálise é performance cultural ou posição diante do sofrimento humano?
Uma conversa sobre erudição, linguagem, política e responsabilidade na transmissão da psicanálise.
🎧 Ouça, compartilhe e leve essa discussão para seus espaços de estudo e prática.
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, convido você a pensar sobre algo aparentemente simples — mas profundamente revelador: a dificuldade (ou a potência) de estar só.
Por que para tantas pessoas é tão angustiante sentar à mesa sozinhas? O que está em jogo quando precisamos sempre de alguém por perto? A partir da clínica e do pensamento de Donald Winnicott, Sigmund Freud, Sándor Ferenczi e Melanie Klein, conversamos sobre a capacidade de estar só, as marcas psíquicas do abandono e a construção de uma relação menos persecutória com o próprio desejo.
Estar só não é solidão.
Estar só pode ser conquista.
Pode ser cuidado.
Pode ser reconciliação.
Talvez aprender a comer consigo mesmo seja também aprender a não se abandonar.
No episódio de hoje do Psicanálise e Cultura, proponho uma reflexão direta e necessária: psicanálise é substantivo.
Em um tempo em que proliferam versões adjetivadas — psicanálise religiosa, psicanálise cristã, psicanálise coaching, psicanálise “humanizada” — volto à pergunta fundamental: o que acontece quando a psicanálise deixa de ser núcleo e passa a ser complemento?
Partindo da própria gramática, discuto a diferença entre substantivo e adjetivo para pensar algo maior: a autonomia ética, clínica e teórica da psicanálise. Porque adjetivar nunca é neutro. Todo adjetivo orienta, normatiza, direciona — e, muitas vezes, captura.
Retomo Sigmund Freud, suas advertências sobre neutralidade, abstinência e responsabilidade ética, e passo por Sándor Ferenczi e Donald Winnicott para sustentar uma ideia central: as transformações e debates internos à psicanálise nascem de dentro do campo — não da submissão a morais externas ou a demandas de mercado.
Sustentar a psicanálise como substantivo é, hoje, uma posição ética e política. É recusar sua banalização, sua domesticação e seu uso como instrumento de poder ou de salvação.
🎧 Dê o play e venha pensar comigo: quando adjetivamos a psicanálise, o que estamos realmente fazendo com ela?
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe uma reflexão incômoda e necessária sobre o lugar que as redes sociais — especialmente o Instagram — passaram a ocupar na nossa vida psíquica, nos afetos e no desejo.
Longe de um discurso tecnofóbico ou moralizante, o episódio investiga como as redes deixaram de ser apenas espaços de troca para se tornarem dispositivos de captura da atenção, da subjetividade e do sofrimento. Uma gramática do olhar que organiza o que deve ser visto, desejado e reconhecido — e, muitas vezes, quem merece existir.
A partir da clínica psicanalítica, da cultura digital e da experiência cotidiana, o episódio discute o esvaziamento do desejo, a lógica da performance, a transformação da vida em conteúdo e o empobrecimento do espaço público. Também aborda a importância da regulamentação das plataformas, da proteção de crianças e adolescentes e da responsabilidade dos adultos na educação midiática.
“Por uma vida sem Instagram” não é um convite ao abandono da tecnologia, mas à construção de uma relação mais ética, consciente e menos colonizada pelos algoritmos. Uma defesa do direito ao silêncio, à intimidade, à opacidade e ao tempo da elaboração.
Entre o brilho da tela e a densidade da vida, este episódio convida à pergunta: o que tudo isso faz conosco?
🎧 Um episódio para quem deseja pensar, sentir e existir para além da lógica da vitrine.
🎧 Transferência: responsabilidade, afeto e poder
Neste episódio do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe um deslocamento necessário: pensar a transferência não apenas como um conceito técnico, mas como um campo ético, afetivo e profundamente político. A partir de Freud, Ferenczi e Winnicott, a conversa percorre a assimetria da relação analítica, os riscos da idealização, a responsabilidade do lugar de suposto saber e os perigos da captura da transferência como instrumento de poder, tutela ou dominação.
Quando a escuta vira controle? Quando o cuidado se transforma em violência? E o que sustenta, de fato, a segurança afetiva na clínica? Um episódio para quem entende que, sem ética e responsabilidade, a psicanálise se perde de si mesma.
🎙️ Apresentação: Sandro Cavallote
🎙️ Episódio: “A pergunta que não quer calar: Psicanálise é Psicoterapia?”
🎧 Apresentação: Sandro Cavallote
Neste episódio, adentramos um dos debates mais espinhosos — e fundamentais — do campo psicanalítico: afinal, a psicanálise é ou não uma psicoterapia?
Partindo de Freud e da noção inaugural de “cura pela fala”, percorremos as transformações históricas da clínica psicanalítica, a virada da centralidade do sintoma para a verdade do sujeito e a cisão que se estabelece entre psicanálise e psicoterapia. O episódio discute as diferenças de horizonte entre práticas voltadas ao ajustamento e uma clínica orientada pelo desejo e pelo inconsciente.
O diálogo passa pela crítica lacaniana à psicoterapia adaptativa, pelo contraponto ferencziano que recoloca o cuidado com o sofrimento no centro da experiência analítica, e pelo modo como, no Brasil, essa distinção ganhou contornos institucionais, éticos e legais. Também refletimos sobre a prática clínica concreta, onde as fronteiras nem sempre são nítidas e a pergunta decisiva passa a ser: a serviço de quê está a escuta?
Mais do que oferecer uma resposta fechada, este episódio propõe deslocar a pergunta. Talvez a psicanálise não prometa bem-estar, mas algo mais exigente: um encontro com a verdade e com a responsabilidade subjetiva.
Um convite à escuta, à crítica e à reflexão.
Siga o podcast, compartilhe e participe do debate nos comentários.
No episódio 128, a fala é sobre por que insistimos em repetir sofrimentos que já conhecemos tão bem?
Por que, diante da possibilidade de algo novo, preferimos voltar para a mesma rua escura de sempre?
Neste episódio, Sandro Cavallote revisita a compulsão à repetição freudiana para pensar o que nos mantém fiéis ao sintoma, à dor conhecida, ao “diabo familiar”. Não se trata de falta de força de vontade, mas de uma economia psíquica poderosa, protetora e, ao mesmo tempo, aprisionante.
Falamos sobre:
compulsão à repetição e fidelidade ao sintoma
medo do novo e da angústia do desconhecido
luto, elaboração e perlaboração
por que mudar dói — e por que permanecer dói também
Um convite a trocar a dor estéril da repetição por uma dor fértil, capaz de abrir espaço para a invenção de novos modos de existir.
No episódio 127 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote nos convida a pensar sobre um dos instrumentos centrais da psicanálise: a palavra. Mas não qualquer palavra — e sim aquelas que escorregam, falham, repetem, silenciam e dizem mais do que aparentam dizer.
Em “O vocabulário do inconsciente: palavras que não dizem o que dizem”, o episódio percorre a ideia de que o inconsciente se manifesta justamente nas brechas da linguagem: nos lapsos, nos atos falhos, nas metáforas insistentes, nas escolhas aparentemente banais de palavras e nos silêncios que atravessam a fala.
A partir de Freud e da experiência clínica, o episódio aborda:
a diferença entre o vocabulário manifesto e o vocabulário latente,
a escuta das repetições, hesitações e desvios da linguagem,
a palavra como porta de entrada para o desejo e o recalcado,
e o papel ético do analista como tradutor de sentidos — nunca como intérprete fechado.
Sandro também articula o tema à formação do psicanalista, discutindo o tripé clássico da psicanálise — análise pessoal, estudo teórico e supervisão clínica — como um verdadeiro processo de alfabetização do inconsciente. Uma formação que exige ampliar o vocabulário técnico, mas também sensível, cultural e humano.
O episódio defende ainda a importância de uma formação plural: filosofia, artes, história, linguística, literatura e cultura contemporânea como campos que enriquecem a escuta clínica e evitam o empobrecimento da prática psicanalítica.
Em uma reflexão que atravessa clínica, cultura e ética, este episódio propõe que cuidar das palavras é cuidar do desejo — e que formar-se analista é assumir um compromisso permanente com a escuta, a linguagem e a singularidade de cada história.
🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, linguagem, formação clínica e pelas palavras que nos habitam mais do que imaginamos.
Aperte o play e venha escutar o que as palavras ainda não disseram.
No episódio 126 do Psicanálise e Cultura, Sandro Cavallote propõe uma reflexão direta e necessária: por que a psicanálise não dá conselhos — e por que ela também não precisa de um Conselho regulador.
Partindo da palavra “conselho”, o episódio percorre dois eixos centrais da ética psicanalítica. De um lado, a recusa do analista em ocupar o lugar daquele que sabe o que é melhor para o outro, sustentando a aposta no desejo e na responsabilidade subjetiva. De outro, o debate contemporâneo no Brasil sobre a criação de um Conselho Federal de Psicanálise e os riscos da normatização de uma prática fundada no singular, no caso a caso e na transmissão viva.
Ao longo do episódio, discutem-se temas como:
a diferença entre escuta e orientação,
a função ética da não-sugestão na clínica,
a formação do analista para além de diplomas e grades curriculares,
a implicação subjetiva como eixo da prática psicanalítica,
e a regulação feita pelos pares, pelas escolas e pela própria experiência clínica.
Em uma cultura ávida por respostas prontas, garantias e manuais de conduta, este episódio é um convite a sustentar a falta de garantias — tanto na vida quanto na clínica — como condição para o desejo, a responsabilidade e a invenção.
🎧 Um episódio para quem se interessa por psicanálise, ética, formação clínica e pelos impasses contemporâneos entre singularidade e regulamentação.
Aperte o play e siga conosco nessa jornada.
Neste episódio, Sandro Cavallote investiga as hiperrotinas e a tirania do tempo produtivo que domina a vida contemporânea.
Uma análise que aborda:
A transformação do tempo em uma mercadoria rara, constantemente medida e otimizada por uma lógica militar de tarefas e metas.
A ilusão de controle: como o preenchimento excessivo da agenda com atividades (trabalho, exercício, autocuidado) esconde a fuga do vazio e a pressão por estar sempre em movimento.
A perspectiva psicanalítica: o inconsciente é atemporal e o desejo não obedece a relógios. Tentar encaixotá-lo em planilhas gera um conflito profundo.
As consequências: burnout, ansiedade e insônia como sintomas de uma "vida sem intervalo", onde não há espaço para o vazio criativo e o sujeito se torna um mero executor de tarefas.
Um convite para refletir: será que controlamos nosso tempo, ou estamos sendo controlados por ele?
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