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John Berger morreu em Paris nos inícios de 2017. Tinha mais de noventa anos. Num dos seus livros mais belos,Here is Where We Meet, que começa na sombra do cipreste horizontal do Príncipe Real e que tem como cenário memorável o Aqueduto das Águas Livres, Berger explica que os mortos convivem com os vivos e que o número de vidas que contém cada vida é incalculável. Durante o primeiro confinamento, a sua voz foi para mim uma voz presente e companheira. E foi mesmo, literalmente, porque o texto “Fellow Prisoners” pode-se ouvir na Internet, lido pelo o próprio autor.
Trata-se de um texto breve, escrito em 2008, que tem circulado em diferentes versões, através de vários meios e que tem sido traduzido em diversas línguas. Entre elas o português. A editora Antígona publicou-o em 2018 numa bela edição com um posfácio de Júlio Henriques, que é também o tradutor. O título escolhido foi Entretanto. Em castelhano foi publicado pela primeira vez pela revista zapatista Rebeldía em Janeiro de 2010, poucos dias depois da leitura do texto no primeiro Seminario de reflexión y análisis organizado pelo CIDECI-UNITIERRA em San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México. John Berger, que em 1972 doou às Panteras Negras metade do dinheiro do Booker Prize que tinha ganho com o seu romance G., acompanhou de muito perto a rebelião zapatista.
Continuação no site da Rádio: https://radiogabriela.org/2021/01/29/fellow-prisoners-de-john-berger-uma-reflexao-sobre-o-presente-como-prisao/
No passado 13 de Janeiro de 2021, a Faculdade das Belas Artes da Universidade de Lisboa acolheu uma imensa diversidade de prédios e de casas emparedadas, pombos dentro de salas, e cores intensas que gritaram pelo direito à habitação digna. Os quadros da pintora, poeta e realizadora Maria João Neves, de técnica mista que inclui a collage e a pintura no óleo, e de um estilo que poderíamos chamar de expressionista, foram expostos na Feira dos Reis organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade das Belas Artes da Universidade de Lisboa e podem ser vistos no blog da autora https://desconhecoaminhamorada.wordpress.com/. A Maria João Neves, que há anos luta em diferentes colectivos da cidade pelo direito à habitação, entre os quais STOP Despejos, Habita e a Rede de Solidariedade Ativa de Campo de Ourique, encontra-se actualmente em risco de despejo por parte da Sociedade Imobiliária Someran. Uma equipa da rádio Gabriela visitou a exposição e falou com a Maria João Neves sobre arte, política e mais. O catálogo da exposição pode ser visto neste link disponível no instagram da Ae Fbaul issuu.com/aefbaul/docs/cata_logo_cloud/
A Rádio Gabriela foi no último dia 25 de Novembro à concentração no Rossio falar com algumas associações, grupos e colectivos que participam na Marcha Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.
Entrevistámos intervenientes da Umar, do Clube Safo, das Mulheres pelo Direito à Habitação, e da Rede 8 de Março.
Imagem de Las Piteadas.
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