O Superior Tribunal de Justiça (STJ) inaugurou o Centro Judiciário de Solução de Conflitos (CEJUSC), um local para mediações, conciliações e outras formas de solução consensual de conflitos, em um ambiente de acolhimento e escuta ativa.
Na abertura da cerimônia de inauguração, o presidente do STJ e do Conselho da Justiça Federal (CJF), ministro Herman Benjamin, exaltou a iniciativa, considerando que a corte, historicamente, não tem experiência com métodos consensuais de solução de conflitos, mas deve servir de exemplo para os demais tribunais e juízes do país.
“No STJ, embora o título seja ministro e ministra, nós somos juízes e, evidentemente, tudo aquilo que nós precisamos e exigimos da justiça de 1º grau, da justiça de 2º grau, temos que fazer o dever de casa aqui.”
Localizado no segundo andar do Edifício da Administração, o Cejusc será coordenado pela ministra Nancy Andrighi. Segundo ela, o espaço tem a missão de incentivar a promoção de uma justiça ágil e cidadã.
“Eu penso que todos nós, especialmente nós, juízes, somos responsáveis pela paz social, porque as consequências de uma decisão nossa podem causar um mal muito grande. O importante é que as pessoas saiam daqui com a certeza de que puderam dirigir as suas vidas, escolhendo a forma de solucionar os seus conflitos.”
O Centro Judiciário de Soluções de Conflitos do STJ é formado por três câmaras: de direito público, de direito privado e de direito penal. Um ministro de cada seção especializada do tribunal tem a função de supervisionar a câmara da respectiva área, cuidando da gestão e do acompanhamento de ações destinadas à solução consensual de conflitos.
O recurso pode ser enviado ao Cejusc pelo ministro relator, desde que haja a concordância das partes. Outros membros do órgão colegiado também podem sugerir a remessa. Firmado o acordo, o processo é encaminhado para a homologação. Caso a solução consensual não seja viável, o processo será devolvido ao relator e continuará tramitando.
Segundo o ministro Paulo Sérgio Domingues, supervisor da Câmara de Direito Público, a conciliação é um divisor de águas para a sociedade contemporânea.
“A forma com que os entes públicos têm lidado com a conciliação nos últimos anos vem mudando muito. Aqueles velhos paradigmas de indisponibilidade do interesse público vêm cedendo em nome de uma maior eficiência e eficácia no trato na coisa pública e no trato dos litígios judiciais também.”
O ministro Marco Buzzi, supervisor da Câmara de Direito Privado, também acredita nas mudanças de paradigmas.
“Eu creio que é uma bela iniciativa. E, agora, o STJ, que é o Tribunal da Cidadania, complementa também mais essa atividade, desempenha mais essa atividade, complementa a coroa de êxito, essa preocupação exatamente com o cidadão, com a cidadania e com outras tentativas de solução de conflitos.”
O ministro Sebastião Reis Júnior confia que os métodos propostos pelo Cejusc trazem uma perspectiva de evolução na forma de se resolver demandas.
“Não há mais divergência quanto a isso, da necessidade de você caminhar para soluções alternativas de litígio. Não tem mais condições de transferir para o juiz a solução de todo e qualquer conflito.
Diversos ministros do STJ e outras autoridades prestigiaram a inauguração do Centro Judiciário de Soluções de Conflitos do tribunal.
Do Superior Tribunal de Justiça, Katia Gomes.