O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, atendeu parcialmente um pedido da Prefeitura de Manaus e suspendeu uma decisão da Justiça do Amazonas que barrava o aumento da tarifa de ônibus na cidade. Essa suspensão vale até que a ação principal sobre o caso seja julgada.
No caso analisado, a o juízo de primeira instância proibiu o reajuste após o Ministério Público do Amazonas apontar falta de transparência no processo. Segundo o MP, não foram apresentados estudos técnicos que justificassem o novo valor. O Tribunal de Justiça do Amazonas manteve a suspensão, alegando ausência de documentos técnicos e proteção ao interesse público.
No STJ, a Prefeitura de Manaus argumentou que a decisão atrapalha a gestão da cidade e fere a autonomia municipal, além de causar impacto financeiro. A prefeitura alegou que manter a tarifa antiga custaria R$ 7,7 milhões a mais por mês em subsídios, podendo passar de R$ 92 milhões até o fim de 2025.
O ministro Herman Benjamin reconheceu que há estudos técnicos e inflação acumulada desde o último reajuste, em maio de 2023. Ele disse que é necessário ter cuidado em interferências judiciais, especialmente em decisões com base técnica. Para ele, há fundamentos que justificam o aumento, e o Judiciário só deve barrar esse tipo de ato após análise mais profunda.
Apesar de liberar o reajuste por enquanto, o ministro alertou que Manaus poderá ter uma das tarifas mais caras do país, o que é preocupante, já que o transporte é usado principalmente por pessoas de baixa renda. Esse ponto, segundo ele, será melhor analisado na ação principal que ainda está em andamento.