Para Winnicott, a pergunta central não é "Qual é o diagnóstico?" , mas sim: "O que essa pessoa não pôde viver? Qual é a sua necessidade?"Nenhum sofrimento é igual, tudo depende do momento em que ocorreram as falhas, dentro do desenvolvimento emocional, em nosso processo de amadurecimento. Segundo Winnicott, possuímos três etapas importantes: Integração, Personalização e a Realização. Para alguns, não há lembranças do que ocorreu em sua história, não sabe quando começou ou de onde vem sua inquietação, insatisfação ou vazio.Mas para outros, a imagem é clara: "Tudo estava bem, até que ... (algo ocorreu)."Quando algo acontece pelo caminho, ficam as marcas e cada pessoa pede um tipo de cuidado, o trabalho do terapeuta não é igual para todos, não é universal. Para cada um, algo é oferecido, de acordo com as suas necessidades. Assim caminha o pensamento winnicottiano e também de Ferenczi quando fala a respeito da elasticidade da técnica. Alguns necessitam de vínculo, afeto, cuidado e continuidade. Outros buscam a liberdade de poder ser quem é : permitir o movimento que atravessa o falso-self, se descolando daquilo que desejavam/esperavam e se apropriando de si mesmo.Outros ainda, pedem por limites, contornos e desaceleração. Exatamente por isso, que cada paciente terá uma percepção diferente do Psi. Assim como o cuidado materno, em que cada filho percebe uma mãe, mesmo que ela tenha 10 filhos e os ame profundamente, cada um a perceberá de uma maneira.Letícia Shin, Psicóloga, Psicanalista e カウンセラー